Capítulo 75 — O Peso de Ficar
O som do caos ainda ecoava pelas ruas.
Madeira quebrada.
Objetos sendo arrastados.
Moedas caindo e sendo recolhidas.
Mas aos poucos… aquilo começava a diminuir.
Os Kurotsume se reuniam novamente.
Um por um.
Carregando sacolas, caixas, armas… tudo o que conseguiram pegar.
Brakk foi o primeiro a jogar algo no chão — um pequeno baú que se abriu com o impacto, revelando moedas reluzentes.
— Nada mal…
Nyra soltou uma leve risada, girando uma joia entre os dedos.
— Esse lugar era mais rico do que parecia.
Selka observava os itens com um olhar mais contido, enquanto verificava se ninguém estava ferido.
Drogan carregava praticamente uma pilha de caixas sozinho, como se não pesassem nada.
Isamu… apenas observava.
Seus olhos percorriam o cenário ao redor.
Portas quebradas.
Casas abertas.
Silêncio.
— Era… necessário?
A pergunta saiu baixa.
Mas clara o suficiente.
Alguns do bando olharam para ele.
Brakk foi o primeiro a reagir.
Ele ficou em silêncio por um segundo… depois desviou o olhar.
— É assim que funciona.
Nyra deu de ombros.
— Se não fizermos, alguém faz.
Selka não respondeu.
Apenas baixou levemente o olhar.
Lorian cruzou os braços.
— O mundo não é gentil com quem hesita.
Isamu absorveu aquilo em silêncio.
E então…
como se nada tivesse acontecido…
o clima voltou.
Brakk começou a rir novamente.
Nyra mostrou mais itens.
Drogan largou as caixas com um impacto pesado no chão.
— Olha isso aqui!
— Encontramos ouro suficiente pra semanas!
— Esse lugar valeu a pena…
Eles comemoravam.
Naturalmente.
Como se aquilo fosse apenas mais um dia.
Isamu… ainda não conseguia ver da mesma forma.
Mas então—
O ar mudou.
Foi sutil.
Mas suficiente.
O vento parou.
O som… diminuiu.
Veyrion ergueu levemente a cabeça.
Seu olhar mudou.
— …
Um segundo de silêncio.
— Corram.
A palavra saiu baixa.
Mas firme.
Todos congelaram por um instante.
— Agora.
Não houve discussão.
Eles se moveram imediatamente.
Correndo.
Rápidos.
Sem olhar para trás.
O som dos passos ecoava pelas ruas enquanto avançavam de volta para o navio.
Isamu correu junto.
Mas algo dentro dele… não estava calmo.
E então—
Uma explosão.
O impacto veio de trás.
Violento.
O chão tremeu.
O ar foi rasgado por calor.
Uma onda de força avançou pelas ruas, levantando poeira e destroços.
Mas ninguém parou.
O navio estava à frente.
— Rápido!
— Subam!
Um por um, eles embarcaram.
Cordas sendo puxadas.
Madeira rangendo.
— Isamu!
A voz veio.
Mas…
Ele não subiu.
Seus pés pararam.
O resto do bando já estava no navio.
Mas ele…
ficou.
Devagar…
ele se virou.
A poeira ainda caía no ar.
Restos de pedra e madeira espalhados pelo chão.
E no centro daquilo…
uma silhueta.
Um homem.
Ele se levantava lentamente.
O manto branco caía pesado sobre o corpo.
As marcas douradas refletiam a luz do dia.
Nas costas…
gravado com precisão:
光神軍団 — 五
Um Shinpan-kan.
Isamu não recuou.
Atrás dele—
— ISAMU!
— VOLTA!
— VOCÊ VAI MORRER!
As vozes vinham do navio.
Desesperadas.
Reais.
Mas Isamu não se mexeu.
— Eu não vou fugir.
A frase saiu firme.
Sem hesitação.
— Não de novo.
Silêncio.
Os olhos do homem da Igreja se ergueram.
Pela primeira vez…
fixando em Isamu.
Veyrion observava.
Em silêncio.
Então…
um sorriso surgiu.
Ele deu um passo à frente no convés e ergueu a voz.
— Se cair… eu mesmo volto pra te cobrar.
Uma pausa.
— Então vence.
Seus olhos brilharam.
— Mostra quem você é… Kurotsume Isamu.
O vento voltou a soprar.
Isamu ajustou a postura.
Sua mão tocou o cabo da katana.
Do outro lado…
o homem avançou um passo.
Calmo.
Seus olhos dourados analisavam.
— Coragem…
Sua voz era baixa.
Controlada.
— É raro.
Uma leve pausa.
— Ainda mais… em alguém como você.
Ele ergueu a mão.
O ar ao redor distorceu.
Uma chama branca surgiu.
Pequena.
Silenciosa.
E então…
cresceu.
— Mas coragem…
seus olhos se fixaram em Isamu—
— não muda o que você é.
A chama envolveu lentamente sua arma.
Shirohomura.
— Um pirata.
O calor aumentou.
O chão sob seus pés começou a queimar.
— E eu…
Ele avançou.
— vou te ensinar a respeitar…
O fogo explodiu ao redor.
— o povo que você pisa.
Um passo.
— E o território…
Outro.
A pressão aumentava.
— da Igreja.