Capítulo 95 — Contra Dois Céus
O chão já não é mais chão.
É um campo destruído, marcado por crateras, cortes e fragmentos de pedra espalhados como restos de uma batalha que passou do limite.
No centro…
Ravik ainda está de pé.
Por milagre.
O corpo inclinado, respiração falhando, sangue descendo pelo rosto… mas ainda encarando Yang.
Yang observa em silêncio.
Sem pressa.
Sem emoção.
— Já chega.
Ele avança.
Ravik tenta reagir—
— Hantei—
O disparo sai fraco.
Yang desvia sem esforço.
E aparece na frente dele.
Quatro braços se movem ao mesmo tempo.
— Execução Quadrilateral.
O primeiro golpe quebra a defesa.
O segundo acerta o estômago.
O terceiro sobe, pegando no queixo.
O quarto…
Desce.
BOOM!
Ravik é cravado no chão.
A estrutura abaixo dele se desfaz completamente.
Silêncio.
O corpo dele não se move.
A arma escorrega de sua mão.
Yang observa por um segundo.
E vira as costas.
— Não vale mais o esforço.
Ele não mata.
Não precisa.
Ele já venceu.
E então…
Ele desaparece.
Surge no meio do restante do bando.
Nyra tenta se levantar—
— Fica… longe…
Yang não responde.
Um movimento rápido—
— Pulso Elétrico: Impacto Direto!
Um raio explode no corpo dela.
Nyra apaga.
Selka, ainda tremendo, tenta se erguer—
— Eu… ainda posso…
Ela puxa uma seringa—
Mas Yang já está atrás.
— Tarde.
Um golpe seco na nuca.
Selka cai ao lado de Nyra.
Sem reação.
Drogan avança com um rugido—
— Punho Colossal!
O chão racha sob o impacto do soco—
Mas Yang salta.
No ar—
— Ruptura Celeste: Queda de Julgamento!
Um raio desce direto.
Atinge Drogan no peito.
O gigante trava.
Cai de joelhos.
E então… desaba.
Brakk tenta segurar—
— Eu não vou deixar!
Ele avança com força bruta—
Mas o clone de Yang intercepta.
Os dois trocam golpes—
Pesados—
Mas o clone não sente.
Não hesita.
Uma lâmina de energia atravessa a defesa de Brakk.
Ele cai para trás.
Lorian tenta reagir—
Facas girando—
— Dança Cortante!
Mas Yang verdadeiro surge ao lado dele—
E segura o braço dele no meio do movimento.
— Acabou.
Um impacto direto no abdômen.
O ar some dos pulmões de Lorian.
Ele cai.
Um por um.
Todos.
Caem.
Silêncio.
O campo de batalha… termina.
Yang respira fundo.
E sorri.
— Era só isso?
Enquanto isso—
Acima.
Veyrion força passagem.
O Kai dele explode ao redor—
Estruturas surgem—
Espadas—
Plataformas—
Ele rompe o espaço entre ele e Kagetsu—
— Eu não tenho tempo pra você!
Ele passa.
Finalmente.
Olhos focados em Ravik.
Mas então—
Uma presença.
Diferente.
Mais pesada.
Mais… pura.
O ar muda.
A luz se curva.
E então—
BOOOOM!
Uma explosão de luz dourada cai do céu.
O impacto cria uma cratera à frente de Veyrion.
Cores dançam no ar.
Fragmentos de luz se dissipam lentamente…
E no centro…
Uma figura se levanta.
Alta.
Muito mais alta que qualquer um ali.
O manto longo balança com o vento…
Atrás dele—
Os mesmos kanji.
Shinpan-kan.
E abaixo…
N°4
Ele leva o charuto até a boca.
Traga.
A brasa acende no meio da poeira.
Os olhos…
Brilham.
Dourados.
Profundos.
Como se enxergassem além da realidade.
— …
Veyrion para.
Por um segundo.
Mas só por um segundo.
Kagetsu pousa ao lado.
Olha para a figura.
— Seinaru… você veio…
Seinaru Hitomi dá um passo à frente.
A voz dele é calma.
Mas esmagadora.
— Não acredito que está com dificuldades para matar um pirata qualquer, Kagetsu.
Ele solta a fumaça devagar.
Os olhos fixos em Veyrion.
— Deixe-me te ajudar.
O chão sob os pés dele começa a brilhar.
Runas de luz surgem… e desaparecem.
Como se o próprio espaço estivesse sendo julgado.
Veyrion fecha o punho.
— Eu não tenho tempo pra vocês dois.
Ele avança.
Direto.
Sem hesitar.
Mas—
Seinaru nem se move.
Apenas estende a mão.
— Julgamento: Contenção Divina.
O corpo de Veyrion trava por um segundo.
Como se o próprio ar o segurasse.
Mas ele rompe.
Força pura.
Ele atravessa.
Vai passar—
Mas então—
Seinaru se move.
Rápido.
Preciso.
A mão dele agarra Veyrion pelo rosto—
E lança.
BOOOOM!
O corpo de Veyrion atravessa uma parede.
Pedra explode.
Poeira sobe.
Silêncio.
Kagetsu observa.
— Não subestime esse garoto, Seinaru.
Seinaru traga o charuto novamente.
— Eu não subestimo.
Ele solta a fumaça.
— Eu julgo.
Os olhos dourados brilham.
A poeira se dissipa.
E Veyrion…
Se levanta.
Sangue escorre pela testa.
Mas o olhar…
Está vivo.
Feroz.
Ele encara os dois.
Sem medo.
Sem recuo.
Kagetsu ao lado.
Seinaru à frente.
Dois Shinpan-kan.
Contra ele.
No chão—
Yang caminha.
Passando pelos corpos caídos.
Sem pressa.
Ele chega ao lado dos dois.
Observa Veyrion.
E sorri.
— Então esse é o capitão…
Veyrion respira fundo.
Olha ao redor.
Seu bando…
No chão.
Feridos.
Quebrados.
Mas vivos.
E então ele olha para Isamu.
Acorrentado.
De joelhos.
Lágrimas nos olhos.
Silêncio.
E então—
Veyrion fala.
— Vocês…
A voz dele é baixa.
Mas carrega.
— Levaram um de meus amigos…
Ele dá um passo à frente.
— Iam matar ele… na frente de todos…
Outro passo.
— Humilhar… como se a vida dele não valesse nada.
Ele aponta.
Direto.
Para Yang.
— Você.
O olhar dele endurece.
— Destruiu meu bando…
— Machucou minha família.
O ar ao redor dele começa a vibrar.
Kai surgindo.
Instável.
Feroz.
— Eu não vou permitir…
Mais um passo.
— Que nenhum de vocês…
A voz cresce.
— Toquem suas mãos imundas neles!
Silêncio.
O vento passa.
Isamu observa.
Lágrimas descendo.
O bando… caído… mas consciente.
Todos olhando.
E à frente…
Três figuras.
Yang.
Kagetsu.
Seinaru.
Contra…
Veyrion D. Kael.
Sozinho.
Mas de pé.
E sorrindo.
Mesmo assim.