Capítulo 116 — O Último Clarão
O navio avançava pelas águas escuras.
As ondas quebravam contra a madeira enquanto o vento frio soprava sem parar.
Ninguém falava.
Ninguém tinha forças para isso.
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Aoi permanecia parada próxima à lateral da embarcação.
Seu olhar estava fixo no horizonte.
Na direção da cidade abandonada.
Na direção onde seu pai havia ficado.
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O crucifixo repousava em sua mão.
Ela o apertava com força.
Como se aquilo pudesse diminuir o medo.
Como se aquilo pudesse garantir que tudo daria certo.
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Kagetsu estava sentado próximo ao mastro principal.
As queimaduras cobriam parte de seu corpo.
Sua alabarda estava apoiada ao seu lado.
Mesmo ferido, seus olhos permaneciam abertos.
Atentos.
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Seraphiel observava o mar em silêncio.
O vento agitava seus cabelos enquanto seus pensamentos permaneciam presos na cidade que desaparecia cada vez mais no horizonte.
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Então aconteceu.
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Uma luz.
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Não.
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Uma explosão de luz.
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O céu inteiro ficou branco.
As nuvens desapareceram.
O oceano refletiu aquele brilho impossível.
A noite deixou de existir.
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Todos os soldados presentes levantaram a cabeça.
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Aoi arregalou os olhos.
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— Pai...?
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Seraphiel congelou.
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Ele conhecia aquela energia.
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Conhecia aquela presença.
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Mas principalmente...
Conhecia aquela técnica.
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Seus olhos se estreitaram.
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— Não...
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Sua voz saiu baixa.
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Quase inaudível.
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Kagetsu também se levantou imediatamente.
Ignorando a dor.
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O clarão continuava iluminando o mundo.
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Uma luz divina.
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Uma luz que parecia atravessar os próprios céus.
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E então...
Desapareceu.
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Silêncio.
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Apenas as ondas.
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Apenas o vento.
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Nada mais.
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Kagetsu fechou os punhos.
Com tanta força que as juntas estalaram.
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— Aquele idiota...
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Seus dentes rangeram.
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— Nós não devíamos ter deixado ele sozinho.
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Aoi virou imediatamente.
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— O que aconteceu?
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Ninguém respondeu.
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— Kagetsu?
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— ...
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— Seraphiel?
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Seraphiel permaneceu imóvel.
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Seu olhar continuava preso ao horizonte.
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Porque ele sabia.
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Ele sabia exatamente o que aquela técnica fazia.
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O Olho do Paraíso.
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Uma técnica proibida.
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Uma técnica capaz de destruir quase qualquer inimigo.
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E também destruir quem a utilizasse.
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Aoi sentiu o coração acelerar.
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— O que foi aquilo...?
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Seraphiel finalmente caminhou até ela.
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Parou diante da garota.
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Seu rosto permanecia calmo.
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Mas seus olhos não.
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Havia raiva.
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Uma raiva enorme.
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Uma tristeza ainda maior.
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— Aoi...
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Ela engoliu seco.
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— Seu pai...
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As lágrimas começaram a surgir.
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— Não.
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— Lutou por você até o fim.
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— Não...
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— Lutou para que você pudesse voltar.
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— Não...
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— E eu...
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Seraphiel fechou os olhos por um segundo.
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— Não acredito que exista mais tempo para salvá-lo.
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O mundo de Aoi parou.
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— Não.
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— Aoi...
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— NÃO!
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Ela gritou.
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— NÃO!
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As lágrimas explodiram.
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— ELE PROMETEU!
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Sua voz falhou.
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— ELE DISSE QUE IA VOLTAR!
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Ela segurou o crucifixo contra o peito.
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— ELE PROMETEU!
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— ...
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— ELE PROMETEU PRA MIM!
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Seu corpo começou a tremer.
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— ELE DISSE QUE NÃO IA MORRER!
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Ela caiu de joelhos.
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Chorando.
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Desabando.
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Como uma criança.
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Como a filha que acabara de perder o pai.
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Seraphiel se ajoelhou.
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E a abraçou.
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Sem dizer nada.
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Porque não existiam palavras capazes de consertar aquilo.
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Aoi chorava.
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Chorava como nunca havia chorado antes.
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E enquanto a segurava...
Seraphiel observou o horizonte.
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Seu olhar endureceu.
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"Você levou um dos melhores homens que já conheci..."
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"Não importa quanto tempo leve..."
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"Você vai pagar por isso."
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"Demônio de Vorthal."
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...
Semanas Depois
Navio dos Kurotsume
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O mar continuava avançando sem fim.
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O vento soprava contra as velas negras.
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Mas o navio parecia vazio.
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Pesado.
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Triste.
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Porque seu capitão não estava mais ali.
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Veyrion D. Kael estava morto.
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E todos sentiam isso.
Todos os dias.
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Isamu permanecia na proa.
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Vestindo o antigo casaco de Veyrion.
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O tecido balançava ao vento.
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Seus olhos estavam fixos no horizonte.
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Em silêncio.
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Próximo ao leme, Nyra controlava a embarcação.
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Selka organizava alguns medicamentos e verificava suprimentos médicos.
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Lorian analisava mapas espalhados sobre uma mesa improvisada.
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Drogan observava o mar.
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Brakk trabalhava em algumas peças metálicas usando ferramentas de ferreiro.
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E Ravik...
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Sentado sobre uma caixa.
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Carregava lentamente seu revólver.
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Clique.
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Clique.
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Clique.
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Uma bala após a outra.
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Até que Isamu falou.
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— Não podemos continuar assim.
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O silêncio tomou conta do convés.
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Ravik continuou carregando a arma.
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— Eu sei.
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— Então qual é o plano?
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Ravik terminou.
Girou o tambor do revólver.
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Guardou a arma.
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E se levantou.
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— Eu sei exatamente quem procurar.
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Todos olharam para ele.
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— E sei exatamente onde essa pessoa está.
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Nyra franziu a testa.
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— Quem?
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Ravik caminhou até a lateral do navio.
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O vento agitava seu casaco.
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— Veyrion me disse uma vez que nunca precisaríamos procurá-lo.
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Lorian imediatamente ficou sério.
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Drogan também.
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Brakk parou de trabalhar.
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Selka ergueu a cabeça.
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— Não...
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Ravik apenas sorriu.
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— Sim.
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O silêncio ficou pesado.
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Até Isamu perguntar:
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— Do que vocês estão falando?
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Ravik virou.
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— Sunspire.
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O navio inteiro congelou.
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— O quê?!
gritou Brakk.
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— Tá maluco?!
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— Aquela cidade é um inferno!
disse Drogan.
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— Ninguém vai até lá!
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— E quem vai normalmente não volta!
completou Selka.
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Nyra estreitou os olhos.
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— Você tá falando sério?
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Ravik assentiu.
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— Mais sério do que nunca.
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— E quem vamos encontrar lá?
perguntou Isamu.
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Ravik colocou a mão sobre o revólver.
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E respondeu:
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— A única pessoa que pode nos ajudar a destruir Yang.
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Silêncio.
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— Confiem em mim.
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— Se encontrarmos ele...
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— Yang vai desejar nunca ter nascido.
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Nyra respirou fundo.
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Então girou o leme.
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O navio mudou de direção.
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Rumo ao sul.
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Rumo a Sunspire.
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Rumo ao inferno.
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...
Celestria
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O navio finalmente atracou.
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Soldados aguardavam no porto.
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Entre eles...
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Chinatsu Hoshikawa.
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E Shinji Hoshikawa.
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A embarcação encostou lentamente.
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Seraphiel foi o primeiro a descer.
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Depois Kagetsu.
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Depois Aoi.
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Os três estavam em silêncio.
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E imediatamente Chinatsu percebeu.
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Faltava alguém.
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Seu olhar percorreu o navio.
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Uma vez.
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Duas.
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Três.
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Nada.
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Shinji retirou o cigarro da boca.
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— Onde está Kanzaki?
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Silêncio.
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Kagetsu abaixou a cabeça.
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Seu punho fechou.
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— Eu...
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Sua voz falhou.
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— Me desculpe.
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Chinatsu imediatamente entendeu.
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Seu olhar endureceu.
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Seraphiel respondeu.
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— Ele escolheu ficar.
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Silêncio.
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— Para que conseguíssemos fugir.
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O vento soprou pelo porto.
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Ninguém falou nada durante alguns segundos.
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Shinji observou o chão.
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Depois observou Aoi.
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A garota mantinha os olhos vermelhos.
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O rosto inchado.
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O olhar vazio.
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— Então ele conseguiu.
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Aoi ergueu a cabeça.
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— ...
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— A missão foi concluída.
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Shinji colocou uma mão em seu ombro.
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— Você está aqui graças a ele.
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Aoi apenas baixou a cabeça novamente.
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Chinatsu caminhou até ela.
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Seu olhar suavizou.
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— Aoi.
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A garota levantou os olhos.
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— Sinto muito pelo seu pai.
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Silêncio.
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— E agradeço pelos serviços que prestou em Vorthal.
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Aoi apenas assentiu.
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Sem forças para responder.
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Chinatsu então se virou.
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— Venham.
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O grupo começou a caminhar pelas ruas enormes de Celestria.
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Torres.
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Estátuas.
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Vitrais.
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A capital da Igreja se estendia diante dela.
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Mas Aoi mal prestava atenção.
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Seu pai havia acabado de morrer.
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Nada mais importava.
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Eles finalmente chegaram diante da gigantesca capela principal.
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As portas enormes se abriram lentamente.
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A luz atravessou o corredor.
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Chinatsu então olhou para Aoi.
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E falou calmamente:
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— Antes de qualquer coisa...
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— Existe uma pessoa que gostaria que você conhecesse.
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Aoi ergueu os olhos.
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— Quem?
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Chinatsu abriu um pequeno sorriso.
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— O vice-presidente de Celestria.
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E as portas da capela começaram a se abrir completamente.
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