Capítulo 118 — O Rei que Abandonou o Mar
O silêncio tomou conta do bar.
Ninguém se movia.
Ninguém falava.
Todos encaravam o homem que já estava sentado novamente diante deles.
Bartholomeu D. Kidd.
O homem do cartaz.
O homem que Ravik procurava.
O homem que acaba de chamar Veyrion de...
filho.
Mas antes que qualquer pergunta pudesse ser feita—
— VAMOS SAIR DAQUI!
Garron foi o primeiro a correr.
O homem praticamente tropeçou nas próprias pernas.
Os cinco comparsas não demoraram nem um segundo para imitá-lo.
Em poucos instantes, todos desapareceram pela porta.
O bar ficou em absoluto silêncio.
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Isamu foi o primeiro a quebrar aquilo.
— Filho?
Seu olhar foi para Ravik.
— O que ele quis dizer com isso?
Nyra também parecia confusa.
Selka piscava sem entender.
Brakk cruzou os braços.
Lorian observava Kidd atentamente.
Foi Ravik quem respondeu.
— Porque é verdade.
O grupo virou para ele.
Ravik respirou fundo.
— Bartholomeu D. Kidd...
Ele apontou para o homem sentado.
— É o pai do capitão.
O silêncio voltou.
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Isamu congelou.
— O quê?
Kidd apenas deu um gole em sua bebida.
Como se aquilo fosse algo comum.
— Pode me chamar só de Kidd.
Ele apoiou o copo na mesa.
— Fica menos estranho.
Um pequeno sorriso surgiu.
— E desculpem pela confusão.
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Ele apontou para o atendente.
— E vocês já conheceram meu braço direito.
O atendente suspirou.
— Finalmente.
Ele puxou o casaco casual para trás.
Debaixo dele havia uma camisa negra.
No centro dela...
Uma caveira.
E uma enorme cicatriz atravessando seu rosto.
O mesmo símbolo estampado no casaco de Kidd.
— Bily Saul.
Ele fez uma pequena reverência.
— Mas podem me chamar só de Bily.
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Nyra arqueou uma sobrancelha.
— Então você também é pirata?
— Fui.
Bily respondeu.
— Hoje eu só vendo bebida e limpo mesas.
— Mentira.
Disse Kidd.
— Você continua roubando meus copos.
— Isso é diferente.
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Pela primeira vez, alguns dos Kurotsume quase sorriram.
Quase.
Mas a presença de Veyrion ainda era pesada demais.
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Então Isamu deu um passo à frente.
Seu olhar endureceu.
E pela primeira vez desde que entrou no bar...
Falou diretamente com Kidd.
— Posso fazer uma pergunta?
Kidd assentiu.
— Faça.
Isamu apertou os punhos.
— Se você era o pai dele...
O bar inteiro ficou quieto.
— Então por que nunca ajudou ele?
Silêncio.
— Por que nunca foi atrás dele?
A voz de Isamu carregava algo que nem ele percebia.
Raiva.
Dor.
Incompreensão.
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Ravik suspirou.
— Isamu...
— Não.
Ele continuou olhando para Kidd.
— Eu quero saber.
— Porque ele sofreu.
— Porque ele lutou sozinho.
— Porque morreu sozinho.
O silêncio ficou pesado.
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Kidd não respondeu imediatamente.
Apenas observou Isamu.
Por longos segundos.
Então perguntou:
— Qual seu nome?
— Isamu.
— Entendo.
Kidd olhou para o casaco que ele usava.
O antigo casaco de Veyrion.
O tecido negro balançava levemente.
— Então você é Isamu.
O velho pirata ficou em silêncio.
Depois assentiu.
— Pelo visto...
Um pequeno sorriso apareceu.
— Veyrion realmente confiava em você.
Isamu não respondeu.
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Kidd então apontou para o balcão.
— Bily.
— Sim?
— Sirva todo mundo.
— Finalmente.
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Minutos depois.
Todos estavam sentados.
Com comida.
Bebida.
E atenção total voltada para Kidd.
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Foi Ravik quem falou primeiro.
— O capitão nunca quis que procurássemos você.
— Eu sei.
— Mas a situação mudou.
Kidd apenas assentiu.
— Imagino.
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Então ele apoiou os cotovelos na mesa.
Olhou para Isamu e começou.
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— Já que querem saber, vinte anos atrás...
Sua voz ficou distante.
— Eu era um idiota.
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Vinte anos atrás...
O mar rugia.
Tempestades quebravam navios.
Bandeiras piratas dominavam horizontes.
E entre todos eles...
Um nome causava medo.
Bartholomeu D. Kidd.
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Um navio negro cortava ondas gigantes.
Canhões fumegavam.
Homens comemoravam saques.
O próprio Kidd, muito mais jovem, ria enquanto segurava uma enorme espada cutlass sobre o ombro.
Naquela época...
Ele era uma lenda.
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Cidades caíam.
Organizações fugiam.
Mercenários desapareciam.
Até a Igreja evitava cruzar seu caminho.
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Mas tudo mudou.
Numa pequena cidade costeira.
Longe da guerra.
Longe do mar.
Longe da fama.
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Ali ele conheceu uma mulher.
Ela era médica.
Linda.
Gentil.
E completamente diferente de tudo que Kidd conhecia.
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Pela primeira vez...
O maior pirata daquele mundo ficou sem palavras.
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Os dias passaram.
Depois meses.
Depois anos.
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E então nasceu uma criança.
Um garoto.
Cabelos escuros.
Olhos curiosos.
Sempre sorrindo.
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Veyrion.
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Kidd sorriu ao lembrar.
— Ele chorava igual um demônio.
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O grupo ouviu em silêncio.
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A vida mudou.
Os saques continuavam.
Mas agora Kidd voltava para casa.
Sempre.
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Porque havia alguém esperando.
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Até aquela noite.
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Uma noite comum.
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Seu bando partiu para um saque.
Enquanto Kidd permaneceu com sua família.
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Mas algo estava errado.
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O bando nunca voltou.
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O sol desapareceu.
A lua surgiu.
E nada.
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Então Kidd partiu.
Sozinho.
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Não demorou para encontrar fumaça.
Depois fogo.
Depois destruição.
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E então...
Celestria.
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Ainda em construção.
Ainda pequena.
Mas já carregando aquele ar religioso.
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Cadáveres.
Escombros.
Prédios destruídos.
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E espalhados pelo chão...
Seu bando.
Todos derrotados.
Todos vivos.
Mas incapazes de lutar.
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Kidd sentiu algo pela primeira vez.
Medo.
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Ele sacou sua espada.
A mesma que ainda carregava na cintura.
E avançou entre os escombros.
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Então ouviu.
Sinos.
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Sinos suaves.
Distantes.
Mas absurdamente poderosos.
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Ele ergueu a cabeça.
E viu.
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Uma figura.
Flutuando.
Muito acima da cidade.
Vestes brancas.
Braços abertos.
Como uma entidade celestial.
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Nas roupas...
Uma inscrição.
Shinpan-Kan Nº 1
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Kidd endureceu.
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A figura desceu.
Sem pressa.
Sem hostilidade.
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Até pousar diante dele.
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— Meu nome é Sora.
A voz era calma.
Gentil.
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Mas Kidd sentiu algo que nunca sentira antes.
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Perigo.
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Real.
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Ele atacou imediatamente.
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Explosões.
Kai.
Sangue.
Metal.
Mar.
Fogo.
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A batalha atravessou a noite.
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Montanhas quebraram.
O chão abriu.
O mar recuou.
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Mas ao amanhecer...
Kidd caiu de joelhos.
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Derrotado.
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Vivo.
Mas derrotado.
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Sua espada estava fincada no chão.
Seu corpo inteiro sangrava.
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Sora continuava em pé.
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Intocado.
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— Não quero matá-lo.
Disse Sora.
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Kidd ergueu a cabeça.
Confuso.
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— Ninguém merece a pena da morte.
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Então Sora apontou para os piratas derrotados.
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— Por isso também poupei seus amigos.
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Silêncio.
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— Mas tenho uma condição.
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Kidd ouviu.
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— Abandone o mar.
— Nunca mais roube.
— Nunca mais mate.
— Nunca mais faça alguém sofrer.
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Kidd riu.
Mesmo derrotado.
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Então falou.
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— Tudo tem um preço.
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Ele contou sobre sua esposa.
Sobre seu filho.
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Pediu apenas uma coisa.
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Proteção.
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Para os dois.
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Que vivessem em território da Igreja.
Longe da vida que ele carregava.
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Sora permaneceu em silêncio.
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Então respondeu.
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— Você é um homem melhor do que acredita ser.
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E aceitou.
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Mas antes de partir...
Fez um aviso.
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— Se eu voltar a vê-lo em um campo de batalha...
— Não haverá segunda chance.
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O tempo avançou.
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A despedida.
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A mãe de Veyrion chorando.
Segurando o filho.
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Kidd tentando sorrir.
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Falhando.
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E então vendo os dois partirem.
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Para longe.
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Para sempre.
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O silêncio voltou ao bar.
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Kidd tomou mais um gole.
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— Depois disso...
Sua voz ficou mais baixa.
— Ela morreu.
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Os Kurotsume ficaram imóveis.
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— E Veyrion foi jogado no mar.
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O copo rangeu em sua mão.
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— Como lixo.
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Pela primeira vez...
Raiva apareceu em seus olhos.
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— Eu odiei Sora.
— Durante anos.
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Mas então...
Um cartaz apareceu.
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Um jovem pirata.
Procurado.
Sorrindo.
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Veyrion.
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Kidd sorriu amargamente.
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— Nunca soube se ficava orgulhoso...
— Ou furioso.
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Os anos passaram.
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Sunspire tornou-se seu lar.
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Seu bando desapareceu pelo mundo.
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E apenas Bily permaneceu.
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Até recentemente.
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Quando uma notícia chegou.
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Veyrion estava morto.
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Assassinado.
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Por um homem chamado...
Yang.
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O silêncio voltou.
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O copo estalou.
Uma rachadura surgiu nele.
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— Pela primeira vez em décadas...
Disse Kidd.
— Pensei em voltar para o mar.
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Ele fechou os olhos.
Respirou fundo.
E se acalmou.
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Então olhou para Ravik.
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— Agora respondam vocês.
— Por que vieram me procurar?
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Ravik levantou-se.
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— Porque ainda não acabou.
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Todos olharam para ele.
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— Junte seu bando.
— Nós temos os Kurotsume.
— Vamos invadir Celestria.
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A voz dele ficou pesada.
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— E vamos matar Yang.
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Silêncio.
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Kidd ficou imóvel.
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— Nem sei onde meu antigo bando está.
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— Procure.
Disse Ravik.
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— Estou velho.
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— Mentira.
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O bar inteiro ficou quieto.
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Ravik encarava Kidd diretamente.
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— Eu cresci ouvindo histórias sobre você.
— O homem que enfrentava o mundo inteiro.
— O maior pirata de todos os tempos.
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Ele bateu a mão na mesa.
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— Então eu me recuso a acreditar que esse homem...
— É o mesmo que está com medo de vingar o próprio filho.
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Silêncio.
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Absoluto.
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Kidd lentamente colocou o copo sobre a mesa.
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O sorriso desapareceu.
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Completamente.
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Seus olhos ficaram sérios.
Perigosos.
Antigos.
Como se por um instante...
O lendário pirata tivesse voltado.
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Ele olhou pela janela.
Para o mar.
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E então disse baixo:
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— Talvez...
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O vento entrou pela porta aberta.
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— Talvez eu pense sobre isso.
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