Yoru corria pelas ruas equilibrando a maçã que sua mãe tinha conseguido enfiar na sua mão no último segundo. Entre uma mordida e outra, o arrependimento batia forte.
"Ai, cara, que fome... eu devia ter comido aquele pão com manteiga", pensou, sentindo o estômago reclamar. "Será que o Noboru já foi se alistar? Aquele idiota deve estar rindo da minha cara."
Ao longe, os portões imponentes do quartel surgiram. Ele parou derrapando na frente da entrada, ofegante. Um soldado de guarda, com a postura impecável e cara de poucos amigos, cruzou os braços e olhou para o relógio.
— Ei, você! Por que chegou atrasado? — o soldado rosnou, a voz grossa ecoando no pátio.
Yoru parou, limpou o suco de maçã do canto da boca e, sem pensar duas vezes, mandou a primeira desculpa que veio à mente:
— É que... eu fiquei preso no trânsito! 😅 — deu um sorriso amarelo, tentando parecer convincente.
O soldado arqueou uma sobrancelha, olhando para as pernas de Yoru e depois para a rua vazia atrás dele.
— Mas... você veio a pé. 🤨
Yoru travou. Seus olhos ficaram estáticos por alguns segundos, como se o sistema operacional da mente dele tivesse dado erro. — Ah, por favor, soldado! Deixa eu entrar... — Yoru juntou as mãos, quase implorando. — Eu... eu dormi demais, por isso cheguei atrasado! 🥲
O soldado suspirou, massageando a cabeça. Ele já tinha visto recrutas ruins, mas aquele parecia um desafio novo.
— Garoto, vou deixar você entrar só desta vez. Mas preste atenção: se não for aprovado hoje, trate de chegar cedo na próxima!
— Beleza, soldado! — respondeu Yoru, empolgado. Ele levou a mão à testa com toda a convicção do mundo: — 🫡.
O soldado ficou paralisado, observando o garoto entrar correndo no pátio.
— Ai... que garoto burro... — resmungou o guarda, batendo a mão na própria testa. — Fez continência com a mão esquerda.
Yoru entrou tropeçando no pátio e logo avistou uma cabeleira familiar. Era Noboru, que já estava lá há tempos, devidamente alinhado com os outros recrutas.
— Opa! E aí, cara? — disse Yoru, aproximando-se com a maior naturalidade do mundo, como se não estivesse quase uma hora atrasado.
Noboru olhou para ele com uma mistura de pena e descrença.
— Mano... você não acredita. Você acabou de perder o herói sargento Kanji acabou de sair do pátio. e você nem tava aqui hahaha.
O mundo de Yoru pareceu desmoronar. Ele parou no lugar, com a boca aberta e a maçã esquecida na mão.
— Não é possível! — exclamou, com os olhos começando a marejar. — Meu herói de infância saiu e eu nem dei oi? 😭😭 Péra ai, aquele não é o sargento kanji
O silêncio caiu sobre o pátio quando o sargento retornou, seus passos ecoando como batidas de tambor. Ele encarou a fila de jovens com um olhar que parecia atravessar almas.
— Recrutas! — a voz dele trovejou. — Vou dizer isso uma única vez: vocês não estão aqui para brincar. Vocês estão aqui para proteger! Lembrem-se todos: é possível que, amanhã, nenhum de nós volte vivo da guerra.
Yoru, que segundos antes estava choramingando por ter perdido o ídolo, agora estava estático. Seus olhos brilhavam com uma intensidade nova enquanto ele processava as palavras do homem à sua frente.
"Eu estou aqui para que, um dia, a paz reine pelo mundo", pensou Yoru, com o coração batendo forte. "Nem que isso custe a minha vida."
O sargento continuou, sua expressão endurecendo ainda mais:
— Sempre que derrotarem um demônio, saibam que mataram um assassino. Alguém que destruiu inúmeras famílias e fez mães e parentes chorarem sem parar por causa da morte de alguém. Não tenham piedade.