Canção Pra Não Voltar - A Banda Mais Bonita da Cidade
Chegamos a Vitória da Conquista no amanhecer, o sistema de som já havia parado de novo, percebi que Deneb estava se esforçando para continuar.
Ana conversava e me guiava pela cidade.
- Finalmente estamos chegando, cinco dias.
- Deu certo, você tem o dia todo para se preparar. Vai ser um dia cheio, mas tenho certeza que você vai aproveitar bastante.
- Então você vai ficar?
- Não Ana, eu não pretendo.
- Mas…
- É seu dia, um ex com a cara toda arrebentada não combina bem com o momento.
- Um amigo querido sempre será bem vindo a minha festa.
- Eu sei que serei.
- Mas não combina bem comigo, muito barulho, muita gente, pessoas desconhecidas, você lembra como eu fico nesses lugares.
- Sim, eu lembro bem.
Ana voltou a me dar instruções do caminho. Continuamos constantes em nosso caminho.
O sol já estava alto quando chegamos à casa da Ana.
Estacionei perto da calçada, descemos da moto, Ana olhou pra mim sorriu.
- É assim?
- Sim, eu te trouxe como prometido.
- Mais uma vez, você pode ficar, será bem vindo.
- Eu tenho certeza que seria.
- Nem para ficar um pouco.
- Dessa vez não.
Ela suspirou.
- Dê um abraço em Arthur e Clara por mim, diga que eu quero conhecê-la um dia.
- Eu o farei, Dê uma abraço em todos, especialmente a dona Cida e Lucas. Diga que eu desejo muitas bençãos e sorte.
- Eu direi.
- Muito obrigada meu amigo.
Ana me deu um abraço. Eu retribui.
- De nada. Muitas felicidades.
Me afastei um pouco. Com um sorriso genuíno falei.
- É hora de você seguir. Apontei para a porta da casa dela.
Ela caminhou pela calçada, chegou até a porta, olhou para trás, fiz um movimento com a cabeça, ela olhou para a porta, bateu algumas vezes, depois de um tempo abriram a porta.
Eu fui saindo com Deneb o mais discreto que pude.
Mais alguns quilômetros, eu buscava um posto e uma banca de jornal para comprar outro mapa.
O som de Deneb não era mais tão bonito, mas havia esforço em continuar.
Pensei comigo, eu deveria ir atrás de uma loja de peças.
Rodamos por mais alguns quilômetros. Um engasgo. O ronco ficou alto, foi diminuindo, silenciou. A Deneb foi perdendo velocidade até pararmos junto à calçada. .
Passei a mão no tanque sobre o nome. Ia falar alguma coisa quando olhei para o lado. Havia uma placa com letras grandes, Ferro Velho.
Voltei meu olhar para a moto, com pesar eu falei.
- É verdade, eu te fiz uma promessa.
O dono do ferro velho ficou feliz em recebê-la.
Uma parte de mim ficou ali.
Caminhei até uma padaria perto daquele lugar.
Comi, liguei para casa.
Alguns dias numa viagem de ônibus e já estava em casa.
Na rodoviária Clara e Arthur me receberam.
Clara foi a primeira a chegar até mim, me deu um abraço apertado.
- Você me deu um susto, não faz mais essas loucuras.
Abracei ela com força.
- Você me conhece, eu sempre dou um jeito.
- Mas não pode se machucar e se arriscar tanto.
- Eu prometo tomar mais cuidado.
Ela me puxou pelo rosto e me beijou nos lábios. Retribuí sem pensar.
Arthur se aproximou depois. Falou em tom de brincadeira.
- Preferia aquele nerd que nunca se metia em confusão.
- Uma boa parte do nerd ainda está aqui.
Voltamos pra casa, Arthur dirigindo, eu no banco de trás, Clara me abraçando.