Dog Days Are Over - Florence + The Machine
Oi. Desde já agradeço por ter lido esta história. Triângulo do Verão é algo que criei ao ouvir uma música há mais de 10 anos. Uma das cenas do livro surgiu na minha mente e fui criando a história para se moldar a ela.
Esse é o porquê de cada capítulo ter uma citação de uma música. Os capítulos foram escritos tendo como espinha dorsal as músicas citadas. Talvez isso não fique tão explícito. Mas, se você prestar atenção, está tudo lá. Teoricamente, em cada capítulo essas músicas estão tocando ao fundo em algum momento.
Eu sei que algumas músicas são posteriores a 2007, mas vamos fingir que todas são de 2007 ou anteriores. Ou melhor, no universo do livro elas são, combinado?
Se alguém notou, sim, eu criei um protagonista neurodivergente. Não vou dizer qual neuro divergência, pois não quero que vejam ele como especial por isso. A ideia é que o vejam como uma pessoa tão capaz quanto qualquer outra, com certas limitações. Mas quem não tem limitações?
Inicialmente eu só iria criar um nerd inteligente, mas queria algo mais humano como característica principal. Não estou dizendo que ser nerd não é uma característica humana, e sim que eu queria algo a mais, algo que você olhasse e achasse estranho, humano e um tanto doce, mas que não fosse nichado. Perdão aos nerds.
Quanto à Ana, ela foi a personagem que menos mudou desde o tempo em que criei o livro. Ela sempre foi a seta que mostrava o objetivo do caminho, mas não era o prêmio final da jornada. Eu nunca a vi assim. Sempre pensei nela como a ex que virou uma amiga. Ricardo e Ana se amam, mas como amigos. O amor de amantes já se foi há anos.
Deneb é outro caso interessante. O destino dela sempre foi se humanizar e morrer no fim da jornada. Afinal, ela é o vértice do triângulo, estava lá para unir os protagonistas naquele momento. Sim, ela é como o barco Going Merry, de One Piece, só que sem o teor sobrenatural. A humanização está no carinho que o protagonista dedica a ela. E, antes que perguntem, eu não a fiz inspirada no anime ou mangá. Eu criei essa personagem antes de ver One Piece.
A personagem que mais mudou durante todos esses anos foi Clara. Durante anos eu a escrevi como uma namorada chata e interesseira, alguém que Ricardo iria deixar no fim da história. Porém, na evolução da escrita, nos últimos rascunhos ela simplesmente tomou outro rumo. Virou uma espécie de suporte e base do protagonista, alguém que ele ama e de quem, se vocês não notaram, ele se mantinha distante por não saber ficar junto. Ela é um daqueles casos de que alguns autores falam, em que o personagem cria vida própria.
Vocês já devem ter notado que a primeira cena que eu criei para o livro foi a noite sob as estrelas, contando a lenda do Triângulo do Verão, a lenda de Tanabata. Tudo aconteceu quando ouvi a canção "Kimi no Shiranai Monogatari", da Supercell. Adorei a melodia e busquei a tradução. Foi nesse momento que Ana, Deneb e Ricardo nasceram. De certa forma, fui os três personagens da cena. Achei a melodia doce, quase uma canção de ninar. Ao ver a tradução, senti a dor da perda naquela canção e fui Deneb, que uniu os dois protagonistas. Sim, eu quis pôr neste livro a melancolia da música.
Então, obrigado à Supercell por ter me dado tamanho presente e inspiração. E, aos leitores, escutem as músicas da banda. As melodias são lindas e as letras, tocantes.
A referência a Cyrano de Bergerac me pareceu natural na história. Ela foi a segunda cena criada, e a balada (as quatro estrofes) nasceu antes da cena da luta. Para quem não sabe, Cyrano é um personagem de um livro francês cujo nariz o torna feio. É um grande lutador, espadachim e poeta. Ele é apaixonado por Roxane, que ama Cristiano. Também declama uma balada durante uma de suas lutas, mas, ao contrário de Ricardo, ele está vencendo e controlando a luta em cada estrofe que declama.
A última cena, o epílogo, seria mais engraçada. Teria uma estrutura parecida com a que ficou no final, só que mais cômica, e a garota da moto teria mais importância. Ricardo iria sofrer para pôr a moto na caçamba, a garota iria sorrir e depois ajudá-lo. Eles seguiriam até um posto de gasolina onde haveria uma oficina, mas ela sugeriria que continuassem até a cidade, meio que paquerando Ricardo. Eu pretendia dar um final aberto, como se Ricardo e ela estivessem iniciando um relacionamento, um possível novo amor. Mas a evolução de Clara mudou todo o plano. Mantive a estrutura da cena, cortei algumas partes e pus Clara na cena, porque me pareceu mais correto para a personagem.
Por fim, agradeço a todos que leram esta história. Passei anos tomando coragem para pô-la no papel e finalmente o fiz.
Pretendo escrever outras histórias em outros gêneros, além de pôr no papel outros universos que tenho guardado na mente. Então, estão todos convidados a conhecer esses novos mundos.
A partir daqui vou dar alguns contextos históricos e culturais para um melhor entendimento da história. Nada disso é essencial para compreendê-la; são apenas algumas coisas do universo brasileiro de 2007, época em que ela se passa.
A aventura acontece em setembro, logo no início da primavera.
Toda a história acontece por causa do apagão aéreo brasileiro ocorrido entre 2006 e 2007. A crise foi marcada por atrasos, acidentes aéreos, cancelamentos em massa, superlotação de terminais e greves de controladores de tráfego aéreo, causando um colapso sem precedentes no transporte do país.
O mapa citado no texto são guias rodoviários. Diferentemente dos Estados Unidos, a cultura de mapas brasileira não era de mapas gigantes e dobráveis. Nossos mapas eram encadernados, mais parecidos com revistas, em que cada página mostrava uma parte do trajeto, além de guias de horários rodoviários e instruções para leitura do próprio mapa. Eles eram vendidos em bancas de jornal, e várias editoras publicavam novas edições todos os anos.
Quanto ao mais, espero vê-los em outras histórias.