Capítulo 7 - O Código na Sala da Diretora
03 de Abril – 08:51
Itsuki caminhou pelo corredor agora silencioso, cada passo ecoando a contragosto. Ele não se arrependia de suas ações, mas a perspectiva de outra conversa tensa com a Diretora Kurokawa era exaustiva. Ele parou em frente à porta de carvalho polido, respirou fundo enquanto o senhor Okami bateu à porta da diretora.
No mesmo instante, a porta se abriu por dentro.
Akari Tsukino saiu, quase esbarrando nele. Os olhos dela se arregalaram de surpresa ao vê-lo ali. Os dois ficaram parados por um instante, um encontro silencioso e carregado de subtexto. O que ela estava fazendo ali por tanto tempo? O que eles discutiram?
Sério? Justo agora? Itsuki pensou, a frustração evidente em seu olhar.
Akari lhe deu um pequeno sorriso enigmático, uma sobrancelha levemente arqueada, e passou por ele sem dizer uma palavra, desaparecendo pelo corredor.
"Entre, senhor Okami." Ele pediu para que Itsuki esperasse ali fora por um instante. Após um minuto, senhor Okami saiu da sala pedindo para que Itsuki entrasse.
"Entre, Takeda-san."
A voz de Reina soou de dentro da sala, fria e imperativa. Itsuki entrou e fechou a porta atrás de si.
Ela não estava encostada na mesa desta vez. Estava sentada em sua cadeira de diretora, a personificação da autoridade, as mãos entrelaçadas sobre a mesa. A aura de "Reina" havia sumido completamente; apenas a "Diretora Kurokawa" estava presente.
"Sente-se", disse ela, apontando para a cadeira à sua frente. "O professor Okami me informou que você estava prestes a agredir um colega de classe, o senhor Tanaka. O relatório dele é bastante claro. Gostaria de acrescentar algo? Talvez uma justificativa?"
Itsuki sentou-se, a postura ereta, o olhar calmo e direto.
"Não há muito o que acrescentar, Diretora", ele respondeu, a voz firme. "O professor viu a cena exatamente como ela era. Eu ia bater nele."
A honestidade brutal pareceu pegar Reina de surpresa por um momento. "E você admite isso sem hesitação? A violência é uma infração grave às regras desta escola."
"Eu estou ciente das regras", disse Itsuki. "Mas existem coisas mais importantes que regras."
Reina inclinou-se para a frente, com os olhos se estreitando. "E o que seria mais importante do que manter a ordem e a disciplina em um ambiente escolar, Takeda-san?"
"Honra", respondeu Itsuki, sem desviar o olhar. "Eu vejo um problema muito maior em não fazer nada. A força usada para oprimir alguém que é mais fraco é um ato de covardia. É maldade pura. Mas a força usada para proteger alguém que não pode se defender... isso não é violência. É um dever. Uma responsabilidade."
Ele fez uma pausa, as palavras carregadas de uma convicção inabalável.
"Yutaro Endou é meu amigo. Mas mesmo que não fosse, eu não posso, em sã consciência, ficar parado assistindo a ele ou qualquer outra pessoa ser humilhado por gente que se acha forte por pisar nos outros. Se isso significa quebrar as regras da escola e ser punido, então eu vou quebrar as regras e aceitar a punição. Eu faria de novo."
O silêncio preencheu a sala. Por um instante, a máscara da Diretora Kurokawa vacilou. As palavras dele... "dever", "responsabilidade", "proteger os fracos", "enfrentar os maus"... ecoaram nela com a força.
O olhar dela, antes gélido, suavizou-se por uma fração de segundo, tingido por um brilho de algo que se parecia muito com... respeito. Ela viu ali, não um delinquente problemático, mas o herdeiro de um clã de guerreiros, fiel aos seus princípios.
Itsuki, sempre observador, notou a mudança sutil.
Reina respirou fundo, recompondo a postura, a diretora de volta ao comando.
"Seus ideais são nobres, Takeda-san", disse ela, a voz firme, mas talvez um pouco menos glacial que antes. "Mas este é um colégio, não um campo de batalha para testar sua honra. As regras existem para todos, sem exceção. Sua intenção de proteger seu amigo é louvável, mas seus métodos foram inaceitáveis."
Ela o avaliou por um momento. "Você ficará de castigo depois da aula e ajudará o zelador na limpeza do ginásio. Por uma semana."
"Entendido", aceitou Itsuki, sem reclamar.
Ele se levantou para sair. Quando chegou à porta, a voz dela o chamou uma última vez.
"Takeda-san."
Ele se virou.
"Seu senso de honra é... admirável", disse ela, escolhendo as palavras com cuidado. "Mas da próxima vez, tente usá-lo de uma forma que não o traga para a minha sala novamente."
Era uma repreensão e, ao mesmo tempo, um conselho. E talvez, apenas talvez, um sinal de entendimento.
Itsuki deu um leve aceno de cabeça e saiu, deixando Reina sozinha em sua sala, pensativa. O garoto Takeda era muito mais complicado, e muito mais interessante do que ela havia previsto.