Capítulo 11 - A Mensagem da Janela Aberta
04 de Abril – 08:25
Apesar de ter dormido apenas cinco horas, Itsuki sentia-se surpreendentemente revigorado. O treino brutal com seu avô havia, como o velho mestre previra, esvaziado sua mente do ruído e da confusão. Agora, tudo o que restava era um foco afiado, uma clareza que transformava suas suspeitas em um plano de ação.
Ele chegou no Colégio Takemori um pouco mais tarde que o usual. No portão de entrada, repetindo o ritual da manhã anterior, estava a Diretora Reina Kurokawa, cumprimentando os alunos. Sua postura era a imagem da perfeição e da disciplina.
Yutaro e Akari, que haviam chegado mais cedo, já não estavam à vista. Isso era perfeito. Dava a ele a oportunidade que queria.
Ignorando os olhares curiosos dos outros alunos, Itsuki caminhou diretamente até ela, parando a uma distância respeitosa.
"Bom dia, Diretora Kurokawa", disse ele, com a voz calma e o rosto inexpressivo.
"Bom dia, Takeda-san", respondeu ela, o tom profissional, mas seus olhos o avaliaram por um instante, talvez lembrando do encontro na porta de sua sala no dia anterior.
Itsuki fez uma pequena pausa, como se estivesse se lembrando de algo trivial.
"Ah, sim. Diretora, tome mais cuidado", ele disse, o tom de voz o de um aluno prestativo. "Ontem à noite, quando eu terminei meu castigo, a janela da sua sala estava escancarada. Se chovesse, poderia molhar toda a sua sala e estragar os papéis em sua mesa."
As palavras eram inocentes. A entrega foi perfeita. Mas a mensagem por trás delas atingiu Reina como um soco no estômago.
Por fora, ela manteve a compostura. Um observador casual não notaria nada. Mas por dentro, sua mente disparou em pânico.
A janela? Como ele sabe da janela?
Seu cérebro trabalhou freneticamente, repassando os eventos da noite anterior.
Verdade, ele estava limpando o ginásio. A luz estava acesa.
O sangue gelou em suas veias.
Será... que ele subiu? Ele foi até a minha sala? Ele entrou nela?
A questão mais aterrorizante veio em seguida, fazendo seu coração tremer.
Se ele entrou na minha sala, quando foi? O que ele viu?
Ela o encarou, procurando desesperadamente por qualquer sinal em seu rosto de que ele sabia a verdade, de que ele havia visto mais do que uma sala vazia. Mas a expressão de Itsuki era um muro de pedra. Impenetrável.
Reina forçou um pequeno sorriso profissional, sentindo uma gota de suor frio se formar em sua nuca.
"Ah... é mesmo", disse ela, a voz um tom mais alta que o normal antes de ela conseguir controlá-la. "Obrigada pelo aviso, Takeda-san. Foi um descuido da minha parte. Terei mais cuidado da próxima vez. Estou me acostumando ainda com a vida na direção deste colégio, por isso tenho ficado até mais tarde aqui, eu tinha ido preparar um café."
"Que bom", respondeu Itsuki. Ele a observou por mais um segundo, notando a rigidez sutil em seus ombros e a forma como seus dedos se apertaram levemente. Era tudo o que ele precisava ver. Ele deu uma pequena reverência. "Tenha um bom dia, Diretora."
Ele se virou e caminhou em direção ao prédio, deixando Reina parada no portão, o sorriso profissional congelado em seu rosto. Assim que ele desapareceu de vista, o sorriso dela se desfez, substituído por uma expressão de profunda preocupação.
O garoto Takeda não era apenas um problema.
Ele era uma possível ameaça.