Capítulo 10
O bálsamo em meio a destruição!
Do alto de uma árvore muito parecida com uma araucária, Yonara apontou seu cajado para um dos soldados que haviam encurralado uma mãe e duas crianças meio lobo.
— Ah, perfeito. O que vai fazer com esse cajado? — perguntou Eyrwen, pulando de nervosismo no ombro de sua aprendiz.
— Posso matá-lo daqui!
— É, e depois?
— Mato os outros daqui até não sobrar nenhum!
— És de fato uma gênia! Desculpe ter perdido meu tempo tentando te ensinar alguma coisa todos esses anos, só para você esquecer de tudo em apenas 5 minutos.
Yonara recuou o cajado, foi muito difícil fazer isso, as crianças gritavam e os guardas rodeavam a mãe para lhe fazer algum mal.
— Então, por favor, mestra, me guie neste momento!
— Pois bem!
Eyrwen perguntou a Yonara todos os feitiços não letais e paralisantes que se lembrava, e a lista de sua aprendiz realmente a surpreendeu.
Não era por menos que Methyus havia se tornado tão poderoso após encontrar o Grimório do espírito das maldições. Ela listou as magias a serem usadas e fez a pergunta boba de que, se usasse tudo junto, Yonara ainda teria mana. Yonara respondeu com um joia feito com a mão direita.
O combo escolhido foi: Miasma Preso → Miasma Imobilizado → Miasma Lento, seguido de: Miasma Silenciado, Miasma Surdo e Miasma Cego.
Carregando as magias em seu cajado, finalmente ela as lançou. O miasma caiu como uma fumaça pesada sobre os soldados e se espalhou, pegando a mãe e as crianças junto.
Yonara desceu levitando o mais rápido que podia sem cair de onde estava e puxou a família, cancelando o feitiço assim que os pegou.
A mãe já havia tido o vestido rasgado, pegou um cobertor e se cobriu, colocando os filhos perto de si. Yonara gritou para que saíssem dali.
Todos os soldados que se aproximavam caíam no miasma que girava a vários metros ao redor do terreno em que estavam. E um número considerável de soldados foi se acumulando pouco a pouco.
Eles se abraçavam e gritavam, caídos em meio à lama. Infelizmente, seus lamentos e orações em arrependimento não chegavam ao resto do contingente que passava paralelo a eles logo ao lado, graças à magia de Yonara.
Um dos soldados resistiu ao miasma da cegueira, mesmo enxergando bem Yonara, não conseguiu atacá-la, toda a incapacidade e fraqueza que sentia naquele momento o fez se descolar da realidade por um momento.
Ele a achou tão bela que seu coração se acelerou de uma maneira que nunca havia sentido. Seus olhos brilhando com a magia que lançava eram a visão mais bela que ele já viu em sua vida. Ele tentou engatinhar para tocá-la nem que fosse na ponta dos pés, mas assim que conseguiu se aproximar um pouco, à custa de muito esforço, Yonara se afastou.
Ela se certificou de que outras famílias passassem sem danos pelos soldados imobilizados e depois os abandonou lá, por mais que a raiva que sentisse no momento a fizesse querer matar todos os soldados que estavam ali, conseguia ouvir a voz de Thotus mandando matar todos eles, mas tinha dado a sua palavra de que seguiria os planos de sua mestra, e assim o fez.
Logo à frente, seguindo uma sé aberta, um aglomerado de famílias se preparando para entrar na floresta, amarravam mantimentos que conseguiram pegar e acalmavam e cuidavam dos filhos como podiam.
Uma mulher gato com os olhos cobertos gritava ordens a quem conseguia segui-las, gritava para que se organizassem de uma maneira que os mais fortes ficassem na retaguarda para frustrar os perseguidores.
Ao sentir Yonara, a mulher gato fungou o ar mais forte e se sentiu incomodada, afinal uma humana estava perto dos fugitivos, mas por algum motivo não sentia o mínimo de perigo vindo dela, o mais alarmante era o sentimento de confiabilidade que vinha de Yonara.
A mulher gato afastou esses pensamentos e manteve sua cautela ao apontar o arco para ela.
— Quem é você que se aproxima?
Yonara foi pega de surpresa, não chegou a pensar antes de agir e tal situação era de fato o esperado se tivesse refletido um pouco antes de descer da primeira árvore.
Ela olhou para a pequena pedra em seu ombro, mas é claro que Eyrwen estava bancando a pedra e não disse nada.
— Me perdoe pela aproximação repentina, me chamo Yonara e não quero lhes fazer mal, eu garanto, incapacitei alguns soldados lá atrás e posso ajudar no que precisarem!
— Em troca do que oferece tal bondade? E onde aprendeu a falar a língua dos felinos?
Yonara ia começar a responder a primeira parte, mas a segunda pergunta a pegou. Eyrwen, vendo sua hesitação, tomou a palavra.
— Então, precisamos encontrar um jeito de chegar ao outro lado do continente, nos aproximamos da vila em busca de suprimentos quando ela começou a ser atacada.
A mulher gato de olhos vendados se assustou, já que não conseguia sentir Eyrwen como sentia Yonara.
— Tá, mas quem é você?
— Sou a grande maga artífice, Eyrwen!
— Quem?
— A maior criadora de armas mágicas do mundo, ora bolas, criei armas mágicas para o senhor dos monstros e guerreiros vindos de outro mundo.
Eyrwen tentou dizer de diversas maneiras quem era, mas nada de alguém se lembrar, nem mesmo os fugitivos ao redor sabiam de algo.
A mulher lobo e as crianças que haviam sido salvas por Yonara se aproximaram e confirmaram a história de Yonara.
Após tudo esclarecido, os ânimos se acalmaram.
— Me chamo Jade, sou do grupo de resgate, estamos resgatando fugitivos dos ataques às vilas ao redor de Szörnyek városa. O exército das deusas trinas está expandindo as terras do império para essas bandas ultimamente.
Yonara anuiu.
— Se quiser vir conosco temos
Jade guiou todos para dentro da floresta, iriam se encontrar outro grupo que estava do outro lado da vila em uma clareira à frente.
A floresta possuía um clima abafado, era frio e quente ao mesmo tempo, crianças choravam e os velhos tinham dificuldade para caminhar na terra molhada que afunda a cada passo.
Com as magias de Yonara o caminho se tornou mais fácil, brumas de mobilidade para ajudar os mais velhos e brumas de coragem para deixar as crianças mais confiantes e ajudar no trabalho das mães. Tudo era observado por todos ao redor com atenção e admiração, a presença de Yonara era como um bálsamo em meio à destruição que haviam presenciado.
E como combinado, à frente um grupo de sobreviventes estava à espera em uma clareira, estavam bem abatidos e bem machucados, tanto que alguns lhes faltavam até membros.
Assim como fez com o grupo com o qual estava, Yonara se colocou à frente e começou a entoar magias de cura.
E como anteriormente os sustos vieram e se foram assim que a cura veio, como precisava de mais repertório a curandeira amaldiçoada precisou correr a lista de magias mais de uma vez no decorrer do processo.
Uma guerreira coelho cujos braços lhe faltavam correu até Jade para perguntar quem era a mulher curandeira.
Assim que a viu, Yonara lhe lançou uma Bruna para recuperar membros decepados, assim que lançou a magia os braços magicamente foram aparecendo como uma névoa se acumulando, um sorriso se abriu por um momento, mas aos poucos uma energia avermelhada influenciava a Bruna e os braços voltavam a desaparecer.
Essa magia em particular sugou metade da quantidade de mana de Yonara, que sentiu o solavanco do gasto de mana e tentou disfarçar o esforço, mas o suor em sua testa a entregava.
Yonara franziu o cenho e voltou a entoar a magia, mas foi interrompida por Eyrwen.
– Não adianta, garota, é uma maldição de uma deusa, somente com atos específicos é possível quebrar uma dessas, isso se for possível de se quebrar.
No fundo da consciência de Yonara a voz de Thatis gritava para ajudar a todos. A curandeira precisou de forças para retomar a razão e fazer apenas o necessário, era algo que ela precisaria aprender a lidar com o tempo.
A mulher coelho sorriu mesmo com o fracasso da magia, foi pega de surpresa mas pôde sentir que Yonara não era uma ameaça.
– Meu nome é Goryu, muito obrigado por curar os sobreviventes!
Yonara anuiu, se esforçou para segurar a curiosidade sobre a maldição da guerreira, ou como ela usava as espadas que carregava em seu corpo sem ter as mãos. Ou como uma cega usa o arco íris em combate.
Jade a chamou, iam começar a se arrumar para continuar a viagem, pois havia um longo caminho pela frente.
A caminhada pela floresta seguiu com destino à Szörnyek városa.