Michael: “Ah, vem aqui Senhor Custer, ele acordou!”
Custer se vira no mesmo instante, surpreso e animado.
Custer: “Isso é sério? Você está falando sério?!”
Ele se aproxima da cama de John assim que compreende o que estava acontecendo, e apenas fica observando preocupado enquanto John recobra a consciência. O jovem se senta, tentando abrir seus olhos para se guiar melhor no local que estava.
John: “Onde é que eu to, hein?... Minha cabeça dói.”
Michael se anima ao ver que John estava melhor e acaba se empolgando demais, metendo a mão na barriga de John e pressionando forte enquanto se inclinava pra mais perto do mesmo.
Michael: “Ha! Achei que você tinha morrido, de verdade. idiota!”
John primeiro repara na roupa que Michael estava usando, que era um casaco comum totalmente preto.
A sua mente que sempre se distrai em situações sérias só conseguia notar como o garoto gostava de usar roupas pretas quentes, mas, também, algo a mais que não deveria estar ali. Uma faixa cobria sua mão inteira, talvez até mais, mas, achou que seria indescente perguntar, decidindo voltar ao ritmo da conversa.
John: “Calma, calma, como é que você consegue ser tão bipolar assim?”
Custer suspira e dá um tapa de leve na própria testa, frustrado com os dois Soldados idiotas dele, mas, agora não era hora de expediente.
Custer: “É verdade, você é um bocó, Miller.”
John parecia frustrado com a falta de entendimento do por que eles estavam agindo assim e o chamando de idiota. A única coisa que passava na sua cabeça eram motivos para ser motivo de chacota, mas só conseguia se lembrar de memórias distorcidas do seu próprio passado, é como se sua mente estivesse totalmente embaralhada naquele momento.
John: “Okay. Me digam logo o que aconteceu, afinal, eu não consigo lembrar de nada...”
Ele pede de forma paciente, porém, revirando os olhos em seguida, Michael e Custer observando esse comportamento não podiam deixar batido.
Custer: “Tudo bem, Soldado Irritadinho.”
John rosna, confuso e de fato irritado com essa atitude solta de Custer, que sempre foi muito exigente e sério.
Michael: “Tá mais pra Senhor Quebra-Raiz, hehe.”
Custer olha de canto para o garoto que havia feito uma piada sobre a situação de John e não consegue deixar de rir com sua voz grave e exagerada.
John não aguentava mais aqueles dois, não logo após acordar. A melhor opção pra ele era ficar em silêncio sem parecer estressado ou algo do tipo.
Michael: “Enfim, resumindo bem rápido, você caiu de cabeça no chão e o impacto foi tão forte que rachou a raiz de uma árvore!”
Os olhos de John se arregalam, não esperava ouvir algo tão idiota sobre si mesmo, a única reação que conseguiu ter foi seu rosto com suas mãos por causa da vergonha.
Michael e Custer se olham por alguns segundos, parecendo se divertir com a situação e trocam risadas baixas.
John: “Eu o quê?! Você tá brincando comigo, não é, carinha?”
Michael: “Claro que não to zoando! Foi desesperador na hora, mas também absurdamente ridículo!”
O jovem Quebra-Raiz fica em silêncio.
A dor de cabeça vem a tona cobrar tudo que havia passado e, também, misturar ainda mais as memórias do seu sonho, deixando sua expressão sair de surpresa e vergonha para confusão e uma tristeza do qual desconhecia.
. . .
Custer: “Eu realmente estava à espera de uma reação melhor...”
Michael fica sem jeito e apenas sinaliza para Custer que era melhor os dois deixarem John em paz por enquanto, Custer concorda e segue em direção a saída junto do garoto.
John: “Minha cabeça não para de doer, que droga. Além de que eu tive um sonho bizarro, mas eu não consigo lembrar direito o que aconteceu...”
O jovem leva as mãos até o rosto, cobrindo ele, em seguida volta a se deitar, virado para o teto tão brilhante quanto as estrelas cobertas de poeira do lado de fora do hospital. Um suspiro é tudo que consegue dar de si, com aquela memória presa ao fundo de sua alma.
John: “Não deve ter sido nada...”
Em seguida fecha os olhos e tenta apenas não pensar em nada.
Enquanto isso, Michael e Custer estavam do lado de fora do Hospital, sentados em um banco de plástico convencional, os dois estavam em silêncio. Todo aquele ar de brincadeira que esteve presente no momento que John acordou, havia sumido.
Custer, em um suspiro como sempre, decide quebrar o gelo e finalmente tirar sua grande dúvida.
Custer: “O que de fato aconteceu lá fora?”
Michael congela, já havia visto como Custer era agressivo quando necessário e queria evitar problemas que o levassem a ser ferido novamente.
Michael: “Então, Senhor... Eu falei a verdade.”
Custer: “Escuta, filho, você está tremendo de forma exagerada para alguém que diz a verdade, certo? Não complique as coisas, eu não vou te machucar.”
O garoto olha para baixo, a pressão mental parecia deixar seu próprio corpo mais pesado que o comum. – E se ele estiver mentindo? Eu não quero me machucar de novo, eu não quero sentir dor de novo, eu não quero! –
Ele finalmente levanta a cabeça e olha nos olhos de Custer.
Michael: “Você acreditaria se alguém um dia falasse pra você que é possível matar um anjo?”
Após a pergunta, se instaura o silêncio, afinal, anjos eram criaturas consideradas imortais, nunca antes Custer ouvido boatos ou muito menos visto um anjo ser morto. Seus olhos se tornaram uma faca no qual ameaçavam o garoto após esse questionamento, mas, a única opção agora seria responder o que realmente achava.
Já Michael, que também estava com um brilho a mais quando estava junto de John, vai perdendo o seu brilho assim como o mesmo, a culpa cobre seu rosto, suas ações e até sua alma.
Custer: “Não.”
Michael: “O problema disso é que... Eu matei um anjo pra salvar o John.”
O garoto tira o seu casaco, voltando ao seu visual anterior de regata, porém com um diferencial.
Michael: “não sei como e muito menos o por que isso aconteceu, mas é por isso que o meu braço direito tá completamente enfaixado.”
Custer: “Isso foi por conta das queimaduras, não é?”
Ele deixa de olhar para Michael, com um ar misterioso pairando sobre o mesmo.
Michael nota essa mudança repentina e também deixa de olhar para Custer, agora olhando para o seu próprio braço enfaixado. Ainda estava com medo do que ou com quem de fato ele teria que lidar a partir daquele momento, se, realmente, Custer iria cumprir com sua palavra.
Michael: “E agora?”
Custer: “Eu... não faço a menor ideia, filho.”
O silêncio se instaura entre os dois, um momento decisivo, não poderia mudar o que diria, estaria covando a cova daquele que seu aprendiz jurou proteger e ensinar tudo que pudesse.
Custer: “Mas... isso vai tornar você um alvo dos meus testes, querendo ou não, se você realmente tem essa capacidade...”
Ele suspira, sua mania vencendo naquele momento, fazendo com que a tensão de Michael subisse mais ainda, suando frio.
Ele não queria fazer isso, mas é obrigado a fazer, afinal, um Capitão deve comandar seus soldados e, ao mesmo tempo, se arriscar assim como eles, tanto mentalmente, quanto fisicamente.
Custer: “Você vai ser obrigado a partir em missões mais perigosas para realmente testarmos sua força.”
O garoto se surpreende com o castigo que seria dado a ele, praticamente uma arma humana.
Sua vida inteira sempre foi algo comum demais e agora, era o escolhido, mas diferente dos filmes, ser o escolhido aqui é ser condenado ao sofrimento.
Michael: “Se eu conseguir voltar vivo das missões, eu vou estar salvando as pessoas, não é?”
Custer não esperava essas palavras vindas de alguém como ele. Um garoto tão jovem... Provavelmente ingenuidade? Se perguntava.
Custer: “É... Mas-”
Michael: “Então pessoas inocentes não vão precisar morrer por anjos se eu eliminar os da região...”
Custer: “. . .”
Michael: “...Ele, com certeza, ficaria feliz ao saber que eu posso ser tão importante.”
Ele olha para o céu, relembrando daquele que o apoiava antes de ser uma arma, daquele que esteve ao seu lado durante anos, Alvin.
Não era um julgamento, era uma forma de poder provar para si mesmo, que mesmo cometendo erros, mesmo perdendo aquela pessoa, ele ainda estava disposto a arriscar tudo para que pudesse ser a melhor arma — ou melhor, um herói — Era isso que desejava a partir de agora.
Custer: “Então lute até a morte por nosso povo, Michael.”