O sol das onze horas castigava a dupla, que andava em meio a barracas de peixe e verduras.
— Que dia miserável — resmungou Victória, soltando um sopro longo de ar e ajeitando a alça da espingarda nas costas. — A gente andou dez quilômetros no meio do nada, você jogou truco, invadiu igreja, arrombou escritório e nos vendeu por troco de pão. E eu não vi meu açaí ainda!
João parou na calçada, os ombros levemente caídos sob a jaqueta gasta, revelando o peso da exaustão acumulada. Ele puxou o maço de cigarros do bolso, notando que restavam poucos, mas nem chegou a acender. O semblante do Caçador estava gasto, a poeira da estrada ainda impregnada nas dobras do couro.
— Você reclama demais, garota — João suspirou, a voz baixa, encarando o fluxo de carros e motos que passavam pela avenida. — O universo é um caos indiferente, Victória. O guincho quebrar, o empresário ser um canalha e o padre ser um cego são só lembretes de que nada disso está sob o nosso controle. A única coisa que resta é aceitar essa bagunça e não surtar. E o meu caminhão está sendo rebocado de graça. No grande esquema das coisas, isso é um luxo.
— O seu "grande esquema das coisas" é muito chato — Victória rebateu, agarrando a mão dele sem pedir licença e o puxando em direção às barracas do mercado de peixe. — Para de filosofar sobre o nada e vem logo. Você me deve um doce.
Pela primeira vez no dia, João não ofereceu resistência. Ele deixou-se ser arrastado pela multidão que fervilhava na orla. O cheiro de peixe frito, o som do brega tocando em caixas de som chiadas, as risadas dos feirantes e a farofa de mandioca estalando nos pratos de alumínio preenchiam o espaço.
Victória usou alguns trocados para comprar uma tigela generosa de doce de cupuaçu cremoso, salpicado com castanha picada. Enquanto andavam devagar entre as bancas de frutas e garrafadas, João tinha os olhos distantes, encarando o reflexo das lâmpadas na água escura do igarapé ao fundo da feira.
— Pensei no que o Seu Moacir disse sobre a margem do rio... — João murmurou, a mente girando como engrenagens de um motor. — Se o monstro está atacando perto do porto comercial, ele não está caçando por fome, mas por oportunidade. A maré está alta, ou seja, não vai ter muitos turistas dispostos a se embrenhar na lama do igarapé, por hora. O problema é a gente entrar de barco sem saber se é uma besta territorial ou algo pior—
— João — Victória o interrompeu, parando no meio do corredor da feira e ficando de frente para ele.
Ele piscou, como se saísse de um transe.
— O quê?
Sem avisar, Victória encheu sua colher de plástico com uma porção generosa do doce amarelo e cremoso e enfiou direto na boca dele antes que ele pudesse protestar. João travou, os olhos arregalados por um segundo enquanto o azedo intenso e o doce aveludado do cupuaçu tomavam conta do seu paladar. Ele mastigou devagar, surpreso, engolindo o doce antes de conseguir franzir a testa.

— Você tá muito no futuro, Caçador — disse Victória, com um sorriso vitorioso e a ponta do nariz levemente lambuzada de açúcar. — O mundo pode ser essa bagunça sem sentido que você tanto fala, mas essa feira tá acontecendo agora. O doce tá gostoso agora. E você tá vivo agora. Dá pra você pousar na terra por cinco minutos?
João limpou o canto da boca com o dorso da mão, encarando Victória. Ele, então soltou um riso curto pelo nariz, balançando a cabeça.
— É azedo pra diabo — ele resmungou, mas o tom era leve. — Mas é bom. E você é uma chata, sabia?
— Sou o único motivo pra você não ter virado uma estátua de poeira ainda — ela piscou, dando mais uma colherada no doce. — Agora vamos logo pro bar desse tal Seu Moacir, eu vi que eles servem almoço lá, também.
Quando a dupla pisou no piso de madeira compensada das palafitas, o sol já estava quase a pino. O cheiro de peixe frito com farinha d'água misturava-se ao fumo de rolo e à maresia quente do rio. Seu Moacir estava no balcão limpando copos com um pano encardido, enquanto Dona Jurema picava cheiro-verde numa mesa de canto e vez ou outra mexia uma panela com um caldo grosso e muito apetitoso.
— Voltaram, é? — resmungou Seu Moacir, embora um sorriso discreto tenha surgido em seu rosto tisnado pelo sol. — O doutor Augusto foi muito duro ou deixou vocês saírem inteiros?
João travou o passo no meio do salão. Ele demorou um segundo inteiro para processar a frase, os olhos piscando devagar antes de encarar o velho do balcão com uma surpresa genuína.
— Peraí... você já sabe que a gente foi no prédio do Augusto? — perguntou João, franzindo a testa. — Acabamos de sair de lá.
Seu Moacir soltou uma risada curta e rouca, pegando um baralho surrado de cartas sobre o balcão e embaralhando-as com a habilidade de quem passou a vida em mesa de botequim.
— Meu filho, a notícia do seu guincho quebrado chegou antes de você pisar na igreja. E no momento em que o secretário do Augusto desceu pra comprar cigarro na banca ali da esquina, todo mundo aqui no bar já sabia que dois Caçadores de fora tinham entrado na sala do homem. Um dono de bar na beira do igarapé fica sabendo das coisas, a informação circula mais rápido que a água do rio.
João soltou o ar pelo nariz, esboçando um sorriso amargurado diante da constatação de que, na periferia, a invisibilidade era uma ilusão. Ele caminhou até a mesa de madeira, puxou a cadeira bamba e se esparramou sobre ela com um suspiro pesado, esticando as pernas compridas.
— É... o velhote ganancioso vai pagar o conserto do caminhão — disse João, puxando o maço de fumo e batendo com os nós dos dedos na mesa de plástico. — Corta esse baralho aí, Moacir. Vamos ver se a minha sorte melhora num truco antes que eu durma aqui, sentado.
Seu Moacir riu, sentando-se no banco oposto e distribuindo as cartas. Enquanto os dois cortavam e embaralhavam as cartas, Victória encostou-se no balcão ao lado de onde a mulher de Seu Moacir fazia o almoço. A senhora parou de cortar as ervas, mediu Victória de cima a baixo com o olhar e depois olhou para João, que dava uma tragada demorada no cigarro enquanto analisava suas cartas.
— Ah, entendi tudo — disse Dona Jurema, encarando Victória com um olhar compadecido. — Menina do céu... você é esposa desse traste aí? Coitada de você. Tão nova, bonitona, e casada com um sujeito que tem cara de que não toma banho desde terça-feira e só sabe gastar dinheiro com fumo e pinga.
João engasgou no meio da tragada, tossindo forte e quase caindo da cadeira bamba. As cartas na sua mão quase voaram longe.
— Esposa?! — João arregalou os olhos, ajeitando a jaqueta em pânico. — Ô minha senhora, eu tenho cara de homem casado? Ela é minha aprendiz! Aprendiz! Nada de esposa! Zero laços matrimoniais!
Victória olhou para João, viu o desespero rápido dele e deu um sorriso provocante de canto de boca. Ela não deu um passo para trás; deu um passo para frente, colocando a mão no rosto e fazendo cara de coitadinha.
— Sabe como é, né? — Victória suspirou de mentirinha, fazendo João erguer a cabeça como se tivesse levado um choque. — A gente tenta alinhar o sujeito, mas ele é turrão. É um fardo que eu carrego com paciência.
— Você não nega mesmo, né, garota? — João resmungou baixinho, com o pescoço vermelho, ajeitando a jaqueta nos ombros enquanto jogava um seis de espadas na mesa. — Não dá trela pra ela, senhora. Ela tá se achando porque comeu doce de feira.
Seu Moacir dava risada às custas do embaraço de João, jogando um sete copas por cima da carta de João, o fazendo torcer o nariz. A descontração, contudo, diminuiu ritmadamente quando a porta de madeira do barracão se abriu, trazendo o barulho da água do igarapé e o aroma forte de ervas frescas. Uma jovem entrou carregando um paneiro pesado no quadril. Não devia ter mais de dezoito anos; tinha a pele morena da terra, olhos pretos e vivos, e tranças enfeitadas com fitas vermelhas. Ela usava colares de miçangas e uma saia estampada.
— Benção, Tia Jurema — disse a garota, a voz firme e levemente audaciosa. — O Pai Raoni mandou trazer um pouco de aroeira e pimenta seca. Queima aos poucos sempre que acender o fogão de lenha.
— Deus te abençoe, Iara — respondeu a senhora, largando a faca sobre a tábua de corte e pegando as ervas.
João, ainda tentando se recompor do vexame, ajeitou a postura na cadeira com o baralho na mão. Ele correu o olhar pela jovem, arrastando os olhos da saia florida até as fitas no cabelo, sem pressa alguma. Ele deu um sorriso de canto de boca, apoiando os cotovelos na mesa de truco.
— Bonito o colar, morena. Combina com seus olhos — disse João, num tom manso e levemente debochado. — Guiné, aroeira e arruda. Você está cheirando a banho de firmeza. Só não entendi a pimenta, mas deve ser algum fundamento da sua casa, estou certo?
Iara parou no meio do salão, travando o maxilar. Ela encarou João de cima a baixo com pura fúria e zero paciência para charme barato.
— Guarda seu veneno pra quem se importa — Iara retrucou, com a cara de poucos amigos mais azeda que o cupuaçu de Victória. — Se for mais um dos homens do padre querendo tacar fogo nas nossas oferendas, pode dar meia-volta antes que eu jogue esse uma cadeira na sua cara.
Victória parou de raspar o fundo de seu copo de doce de cupuaçu, estreitando os olhos na direção da jovem. Ela deu alguns passos à frente, entrando entre a mesa de truco e a garota, o cotovelo batendo "sem querer" no peito de João.
— Dá pra você parar de xavecar a menina e focar nesse baralho? — Victória resmungou para João, a voz carregada, antes de se virar para a jovem. — E você, abaixa o tom que ninguém tá aqui pra queimar coisa alguma.
Seu Moacir recolheu as cartas da mesa, a expressão festiva sumindo do rosto ao olhar para Iara. O velho apoiou as mãos calejadas na madeira, a voz baixando de tom.
— Respeita o homem, Iara. Ele é Caçador.
Iara olhou de Seu Moacir para João, a postura defensiva ruindo aos poucos para dar lugar a uma sombra de dor no olhar.
— Caçador...? — a jovem murmurou, engolindo em seco. — Então vocês chegaram tarde demais. Meu irmão... foi morto lutando contra aquela… nem quero saber o que é…
O silêncio tomou conta do botequim. Dona Jurema baixou os olhos e voltou a mexer o caldo na panela, e Seu Moacir apenas soltou um suspiro pesado, confirmando com a cabeça a tragédia que abalara a família do rio. Victória jogou no lixo o pote de doce vazio na hora, a provocação evaporando, substituída por um nó na garganta ao olhar para a garota. João largou o baralho na mesa e tirou o sorriso do rosto. A postura desleixada deu lugar à atenção séria.
— O que aconteceu com ele? — perguntou João, a voz baixa e calma.
— Nós somos filhos da Jurema Sagrada, e nosso terreiro protege essas terras a gerações. Meu irmão entrou na mata e não voltou. Acharam o corpo dele todo… — a garota não pôde terminar, a audácia dando lugar à urgência do luto. — A polícia diz que foi ataque de bicho, mas eu sei que não. Meu irmão e eu crescemos nessa mata, ele conhecia as redondezas mais do que ninguém. Nosso pai sabe que o que pegou o Jurandir não é desse mundo...
— O pai dela é o Velho Raoni, o pajé do assentamento — explicou Seu Moacir, olhando para João. — Ele tá tentando acalmar o pessoal, mas a vila tá em pânico.
João apoiou as mãos nos joelhos e ensaiou erguer o corpo da cadeira, o instinto profissional falando mais alto.
— Me leva até seu mestre, Iara. Se a gente sair agora—
— Não. Agora não — Victória interveio com firmeza, colocando a mão espalmada no peito de João e empurrando-o de volta para o assento.
João olhou para ela, surpreso pela audácia, mas Victória sustentou o olhar.
— Você dirigiu a madrugada inteira, andou quilômetros a pé e passou a manhã inteira de um lado pro outro — enumerou Victória, o tom assumindo uma autoridade carinhosa que raramente demonstrava. — Sei que você quer acabar logo com isso, mas quando chegar a hora de você entrar naquela mata, eu não quero ter que te ver enfrentar o que quer que esteja lá com essa cara de sono. Você vai comer alguma coisa e descansar, sim!
João abriu a boca para protestar, mas o peso dos próprios ombros o traiu. Ele apenas soltou um suspiro longo, encostando a cabeça no encosto da cadeira. Victória virou-se para o balcão, assumindo as rédeas da situação.
— Dona Jurema, vamos almoçar aqui, tudo bem? É claro, vamos pagar.
Seu Moacir olhou de Victória para João, e depois para Dona Jurema, que assentiu em silêncio no fundo da cozinha. O velho pegou as cartas da mesa e começou a embaralhar.
— Quem aqui tá cobrando, fia? — disse ele, soltando uma nova mão de cartas na mesa para João. — Vocês ficam aqui e almoçam com a gente. Eu tenho umas redes guardadas, vocês armam elas ali nos fundos e dormem um pouco. Depois a gente pensa em bicho.
João ergueu os olhos, tocado pela generosidade repentina.
— Seu Moacir, a gente agradece, mas não precisa se incomodar...
— Não é incomodo nenhum, Caçador — o velho o interrompeu, o olhar tornando-se profundo e distante. Ele apoiou os dois cotovelos no balcão de madeira. — O velho Raoni conta histórias dos Caçadores. Diz que, quando a escuridão da floresta engole o juízo dos homens e a lei dos homens não consegue dar conta, são os Caçadores que pisam na lama pra resolver. Muitos acham que vocês são mercenários, mas meu avô dizia que vocês fazem o trabalho sujo que ninguém mais tem coragem de encarar.
Seu Moacir fez uma pausa, o peito subindo e descendo num suspiro pesado, os olhos marejados pela dor da lembrança.
— Aquele rapaz que a Iara mencionou... o irmão dela... também era meu sobrinho. Aquele bicho na mata levou o sangue da minha família, e a polícia tratou como se fosse só mais um afogamento de ribeirinho. Se vocês vieram pra botar um fim nessa desgraça, o mínimo que eu posso fazer é dar um teto e comida quente pra vocês descansarem antes da briga.
O silêncio que se seguiu no botequim não era tenso, mas solene. Iara baixou a cabeça em respeito à dor do tio, e até mesmo Victória sentiu um aperto no peito diante da gravidade da situação. João encarou o velho, sentindo uma sensação de dever, que ele odiava
— Obrigado, Seu Moacir — disse João, a voz baixa e sincera. — A gente aceita a hospitalidade. E eu prometo que, o que quer que esteja nessa mata, espreitando nas sombras, não vai muito mais longe.

O calor abafado do final de tarde começava a pesar sobre os fundos do botequim quando Victória abriu os olhos. Suas costas protestavam contra o cochilo desconfortável na rede, travadas pelo ângulo torto em que adormecera. Ela sentou-se devagar, espreguiçando os braços e os ombros até os ossos estalarem, e imediatamente correu o olhar pelo espaço à procura de João. O lugar estava vazio. No canto do cômodo, sobre uma mesa de madeira gasta, a rede dele repousava impecavelmente dobrada de forma metódica e alinhada. Victória bufou, soltando um resmungo irritado entre os dentes:
— Inacreditável... Esse homem me dá nos nervos até quando não está por perto.
Calçou as botas com pressa, ajustando os cadarços, e desarmou a própria rede. Dobrou-a sem o mesmo rigor do parceiro, mas de forma organizada o suficiente para deixá-la junto à de João. Em seguida, pegou sua espingarda, checou o mecanismo por hábito de Caçadora e caminhou a passos firmes em direção ao salão principal do bar. O salão estava silencioso. Sentada a uma das mesas, de braços cruzados e postura firme, estava Iara. Atrás do balcão, Dona Jurema lavava copos ritmicamente, mergulhando o vidro na água ensaboada. Assim que Victória cruzou a porta de madeira, Iara ergueu os olhos e soltou um sorriso provocativo:
— A bela adormecida finalmente acordou.
— E você estava aí parada fazendo papel de estátua de sal ou só esperando para encher meu saco? — Victória retrucou de imediato, estreitando os olhos.
Antes que a discussão entre as duas pudesse escalar, Dona Jurema ergueu uma pesada colher de pau na direção de ambas, apontando como se fosse uma arma carregada:
— Parem já as duas! Se começarem a bater boca no meu salão, vão levar um sova no lombo até aprenderem a ter modos! Ninguém vai arrumar confusão aqui dentro, ouviram?
Victória engoliu em seco, recuando meio passo. Ajustou a alça da espingarda no ombro e virou-se para a dona do estabelecimento:
— Cadê o João, Dona Jurema?
— O João saiu com o Seu Moacir na voadeira — respondeu a mulher, voltando a enxaguar o copo sem perder o ritmo. — O Moacir foi levar ele pra mostrar os locais onde a criatura atacou ao longo do rio.
Victória fechou os olhos por um segundo e respirou fundo, puxando o ar pelo nariz de forma pausada enquanto jurava mentalmente que, assim que colocasse as mãos em João, iria esfolá-lo vivo por tê-la deixado para trás.
— E tem mais — continuou Dona Jurema, seca. — O seu parceiro pediu para avisar que é para você ir com a Iara até o terreiro dos Filhos da Jurema Sagrada. Quer que você consiga o máximo de informação que puder com o pessoal de lá e volte antes do sol se pôr.
Um silêncio carregado se instalou no salão. Victória e Iara se encararam por longos segundos, trocando um olhar de rivalidade silenciosa e orgulho inflamado. No entanto, sabendo da responsabilidade da missão, Victória deu o braço a torcer. Puxou o ar com força e soltou um suspiro de rendição.
— Tá bom... Me leva até esse terreiro então — disse Victória para Iara, cruzando os braços. — Já que são ordens do meu veterano, eu tenho que cumprir.
Iara soltou um riso baixo e debochado, inclinando a cabeça enquanto observava a reação da garota:
— Esse amor todo que você sente por ele é unilateral, é?
O rosto de Victória pegou fogo instantaneamente. As bochechas queimaram em um tom rubro vivo e ela deu um passo à frente, gesticulando em pânico enquanto negava veementemente:
— A-amor?! De onde você tirou uma besteira dessas?! Ficou maluca?! Ele é só um pé rapado que me enche o saco vinte e quatro horas por dia! Vamos logo antes que eu mude de ideia!
Iara apenas deu mais uma risadinha, levantou-se da cadeira com calma e fez um sinal para que Victória a seguisse rumo à saída.