A verdade é o túmulo dos segredos
Precisava cortar as sobras, aparar as pontas, eliminar a ânsia que forçava circulação pelos nervos; correr pela imaginação enquanto balançava freneticamente as pernas. Sobre o toque dos delírios que inclinavam as vozes e na boca repetiam os vocábulos. Frestas de luz como o cintilar de espelhos aos cacos. Queria contar ao mundo o segredo que guardava entre todos os músculos do corpo, escondido nas camadas de pele que queimavam o oxigênio do ar. A combustão permanecia no rouco estalo dos ossos que cultivavam o apetite decadente que lhe consumia, que desejava abandonar, saciar; era, em si, as mesmas sílabas infantis que cresciam em palavras e frases desconexas e sentimentais. A pulsão da verdade corroía a língua em todos os idiomas e blasfêmias, subjugado pela necessidade e pressão. Não tinha estômago para engolir a asfixia de sua decadência refém da admiração e do egoísmo que aprisionava sua memória; seu presente e sua metáfora defloravam os nós atados no tempo, os restos que se arrastavam nos círculos concêntricos dos olhos insones; domando agonias guardadas na alma das confissões impossíveis. Queria declarar … o paladar engasgado no gosto e desgosto de seu coração que se cala.