Os sons se silenciaram, mas Yan se manteve em alerta e verifica ao redor se não tem algo escondido nas sombras. Liria está na cabana trocando novamente os curativos do ombro de fantástica, porém os ferimentos não para de sangrar. A maga está pálida, respirações lentas e quase perdendo consciência, a Liria, desesperada, sai da cabana e toma uma decisão.
–Liria– vou procurar por Éva.
–Yan-sanheng– você ficou idiota agora?! Nem sabe onde ela está e vai se arriscar por aquela maga?
Liria se irrita com Yan que faz ela socar repetidamente, mas que não causa nenhuma dor.
–Liria– por que você é assim?! Não percebe na situação que estamos...e você ainda quer ter essa briguinha idiota?!
Yan empurra Liria com força que faz tropeçar, ela se aproxima com uma expressão de fúria.
–Yan-sanheng– briguinha?! Acha que somos amiguinhas ou irmãs com problemas?! Eu não a suporto desde o dia que ela me encontrou, sinto nojo dela. você, ela e a medicazinha são apenas mais um incomodo no reino e na minha vida! Não pense por que lutamos juntas e porque iria te ensinar lutar que isso nos torne amigas. Todas vocês são instrumentos para me tirar deste inferno!
Yan se acalma e abaixa o tom de voz e Liria está quase chorando.
–De todas, você é a mais inútil. Não luta, seus conhecimentos não serviram para nada, e ainda por cima...você morreu de maneira burra. Você é descartável.
Todas as palavras atingiram Liria que desaba com choro pesado. Yan não demonstra nenhum arrependimento, fantástica escutava o berro da assassina. Yan relaxa os ombros como tivesse livrado um grande peso. Um barulho de passos pesados se aproximava que faz Yan virar-se em direção ao som. Nas sombras se revela um golem de terra que se avanças nas mulheres.
–Um golem? Esperava mais.
Não perdendo muito tempo, se avança contra o golem que arranca o braço, mas que regenera rapidamente. Ela ataca novamente e assim que espada a encosta, seu corpo se moldou para diamante.
–Golem transmorfo?
Com uma pequena distração, o golem a golpeia que faz bater na parede com força. Caindo no chão, vomita sangue e norteada não conseguindo levantar-se. O golem avista a maga vulnerável e vai em sua direção. Liria, mesmo com muito medo, não podia não fazer nada. Ela se levanta e corre, pegando sua picareta no caminho, até chegar no monstro; quando o golem iria matar fantástica, Liria o golpeia com a picareta quebrando a perna do golem. Liria, com seu conhecimento em mineração, aproveita a vantagem e da vários golpes que obrigada o golem trocar de corpo para folhas, galhos e cipós. A picareta se prende no golem e os cipós se enrolam nela, seu braço metálico é puxado para dentro então ativa um dispositivo que lembra um lança-chamas; o golem se contorce desesperadamente antes de novamente trocar de corpo para quartzito. Liria, com toda sua força e desespero, o golpeia várias vezes.
–Liria– fique longe dela! você não vai machucá-la!
De tanto “minerá-lo” o núcleo do golem é exposto, ela não hesita e do seu último golpe e quebra o núcleo, ele o golpeia jogando Liria longe, o golem se contorce por alguns segundos antes de se espedaçar todo.
Mesmo com a perna dolorida, foi até a fantástica e verificar se está bem; aliviada, mas ainda preocupada com o estado da maga. Fechando a cabana, ela vai a procura da Éva já que era sua única esperança, olhando para Yan desmaiada pensa em ajudar, mas lembrando das palavras ela a ignora e vai a procura.
Subindo um longo caminho que apertava quanto mais avançava, Liria cansada e com muita dor em sua perna, ela estava com vontade chorar de novo, mas sabe que fazendo isso estaria desistindo da vida de sua colega que depende dela. a redução de espaço forçou Liria se rastejar, suportar um calor insuportável e suas roupas e parte da sua pele; conseguindo sair tendo uma pequena queda no lugar. Ela encontra vários inimigos, alguns conseguindo enfrentar e na grande maioria se escondendo. Caminhando mais um pouco ela avista uma luz.
–Eu...não...aguento mais...
Ela cai no chão exausta.
–Me perdoe...fantástica...me... perdoe...
Liria abre seus lentamente, levanta seus braços e nota que suas feridas não existiam mais. Percebe que está dentro de uma cabana e ao seu lado está a maga apagada, Liria se levanta e sai da cabana encontrando no lado de fora ao redor da fogueira a Elizabeth e Éva.
–Éva– Liria? Deveria estar descansando.
–Liria– Éva? Elizabeth? Como...como nos encontraram?
–Elizabeth Vounyr– estávamos saindo a procura de vocês, foi quando a encontramos desmaiada.
–Éva– seguimos um caminho diferente para resgatar a fantástica. Graças a isso ela vai sobreviver, mas precisa de um longo repouso.
–Liria– ela vai... sobreviver...
Liria se ajoelha aliviada pela ótima notícia.
–Que bom...eu... eu tentei o máximo...
Ajoelho-me ao lado dela e a abraço a confortando.
–Elizabeth Vounyr– e você fez, conseguimos chegar a tempo graças a você. E fico feliz que vocês duas estão bem.
–Éva– falando em duas, sabe onde esta Yan? Quando chegamos e só estava a maga.
Liria observa as duas, apesar estar relutante decide contar tudo que aconteceu desde que se separaram. Eva fecha as mãos em forma de punho.
–Assassina desgraçada...ela consegue dizer tudo isso que vocês passaram...
–Elizabeth Vounyr– calma Éva, caso a encontrarmos eu vou ter conversa séria com ela?
–Éva– conversa? Se acha que existe algum diálogo com aquilo? Se ela quiser se aventurar e morrer sozinha, que assim seja; cansei de me importar com ela.
O silencio tomou conta do lugar, a decisão de Éva em não querer mais ajudar Yan é que ela está realmente magoada tanto pelo preconceito e pelo que vez a Liria. Um chamado de Liria veio de dentro da cabana, ao entrarmos, que veio de fantástica sentada na cama.
–Ei, ei, não devia fazer nada de força nesta—
Fantástica estende os braços e chama por Liria, ao aproximar-se ela o abraça lentamente.
–Fantástica– obrigada... você salvou minha vida...
Liria retribui abraço com cuidado com medo de machucá-la.
–Você lutou e as encontrou...você é forte...mais forte que eu diria haha
Ela se afasta um pouco e dá um beijo na testa de Liria. Após isso, ela olha para mim demonstrando um pouco de preocupação e ao mesmo tempo felicidade, eu, sem ser intencional, sorrio de volta.
–Éva– vocês três devem descansar, vou ficar de vigia.
–Elizabeth Vounyr– ah? Espera! Você quem—
Eva coloca um dedo em meus lábios.
–Éva– shhhhhh, não discute. Eu sei fazer as coisas sozinha... as vezes. Além disso você precisa pensar se vai estar realmente com sua noiva.
Ela sai me deixando com as outras. Puxo a outra cama até juntar com a da fantástica. Liria se deita no meio entre nós e adormece rápido.
–Fantástica– tadinha, ela está muito cansada. Estava com saudade de vocês, mais principalmente meu amor.
–Elizabeth Vounyr– ...se eu e Éva estivéssemos lá, vocês não estariam nesta situação.
–Fantástica– não poderíamos prevenir o que aconteceria, mas temos que estar mais preparada da para frente. Fico feliz que minha amada é minha cavaleira pessoal.
“estou feliz que minha amada é minha cavaleira pessoal” são as mesmas palavras que Cecilia me disse na última que nós vimos. Não consegui segurar mais e começo a chorar.
–Elizabeth Vounyr– desculpa...eu não pude protegê-la...eu deveria ser sua espada e escudo... eu deveria falar o quão importante é para mim... eu falhei...eu falhei...
–Fantástica– Elizabeth, se acalma... não teve culpa de nada.
Ela limpa minhas lagrimas e encosta sua testa na minha.
–Elizabeth Vounyr– eu não vou mais afastar-me de você...
–Fantástica– eu...eu também não vou.Depois de eu me acalmar, adormeço junto com a maga. Seguro a mão metálica da liria e a fantastica a outra mão; mesmo que sejamos diferentes, a sensação de proteger alguém é o que me faz gostar ainda mais dela.

Ficamos o que seria 2 dias, já que não tenho noção do tempo aqui dentro, para que recuperássemos bem, principalmente a fantástica. Estou sentada na cama com ela abraçada em meu braço acariciando minha mão.
–Fantástica– sabe, eu estava com medo de que você não voltaria, quer perderia minha noiva.
Ela estar vulnerável e aberta assim comigo me faz esquecer da pessoa que já tanto ouvi falar.
–Agora que estamos juntas, quero fazer o que não fazia antes.
Suas mãos seguram meu rosto e puxam-me para um beijo, diferente da primeira vez, mais ousada que consigo sentir sua língua. Minhas param próxima aos ombros dela com intenção, mas as seguro e retribuo o beijo na mesma intensidade. O beijo termina com nos duas ofegantes.
–Elizabeth Vounyr– nossa...está ousada.
–fantástica– é para mostrar a saudade que estava...e o quanto eu te amo.
Ela já me chamou de amor várias e agora está falando que ama em tão pouco tempo; tento falar, porém, as não saem.
–Elizabeth Vounyr– eu...eu...
–Liria– ahm...desculpa incomoda, mas posso pedir um favor.
–Elizabeth Vounyr– claro! O que precisa?
Não tinha momento perfeito para ela aparecer.
–Liria– você...poderia me ensinar a lutar?
De tudo que poderia pedir, isso me pegou desprevenida.
–Eu sei que você estar ocupada¬—
–Elizabeth Vounyr– claro que ensino, ter mais uma guerreira é bem-vinda.
O brilho saltou nos olhos e um sorriso largo de aquecer coração, um dos poucos momentos que ela realmente parece uma criança. Quando eu sair da cabana fantástica segura minha mão e puxa para beijar.
–Fantástica– ensina bem nossa criança.
–Elizabeth Vounyr– sabe que ela não é nossa filha?
–Fantástica– vamos adotá-la então.
–Elizabeth Vounyr– nem pensar.
Caminhamos até campo aberto para iniciar o treino enquanto eva guia a fantástica até o lago para ajudar no banho e verificar sua saúde.
–Fantástica– acho que você é a primeira mulher a me ver nua
–Éva– e você é a minha 205 que vejo... ou seria a 206? Enfim, você melhorou bastante, mas ainda precisa descansar.
–fantastica– voce esta sendo bem gentil.
–eva– não me entenda mau, so estou tratando porque voce é minha paciente.
–fantastica– ...voce me odeia por estar com minha amada?
O silencio toma conta alguns segundos.
–eva– olha...foi uma surpresa esse noivado, mas quem sou para julgar quem deve amar quem.
–fantastica– é por causa da minha personalidade?
–Éva– já que conheci piores. Sua magia, a necromancia, é que me faz desgostar. Mas estou sendo injusta com você, ajudando todas sempre que pode me faz odiar a mim mesma...
–Fantástica– ...vira-se, vou limpar suas costas.
Um gesto simples, mas uma pequena demonstração que Éva possa confiar mais nela. Fantástica se assusta um pouco ao ver a grande cicatriz, mas se recompõe e limpa com delicadeza.
–Éva– você realmente gosta dela?
–Fantástica– eu amo muito, em eras, ela foi a primeira que nunca me odiou, posso parecer louca por casar-se com alguém há recém conheci? Talvez, porém é totalmente meus sentimentos. E ela é muito parecida quem eu já amei.
–Éva– ...vocês têm muito em comum...
–Fantástica– eu não vou perdê-la, não vou cometer o mesmo erro, ninguém vai tirar ela de mim, ninguém, ninguém, ninguém, nim¬—
Ela percebe que Éva se afastou dela um pouco assustada.
–ahh...estou limpinha, obrigada Éva.
Ela se enrola nas toalhas e vai até a cabana deixando perplexa com o que aconteceu. Durante tudo isso, estou treinando Liria.
–Elizabeth Vounyr– está melhorando, mas precisa encurtar seus golpes, tentar fazer ataques mais fortes cria aberturas para o inimigo.
–Liria– ok...entendi... Elizabeth...acha que sou fraca...por ser aleijada?
–Elizabeth Vounyr– que?! Obvio que não, quem falou...ah.
Sério...quando eu reencontrar a Yan vou dar um puxão de orelha nela.
–Liria, você acredita nisso depois de salva minha ama...noiva?
–Liria– ...
–Elizabeth Vounyr– entendo sua insegurança so que ficar com isso como fosse parte de seu eu, lamento dizer, mas não vai durar aqui.
Liria olha para sua picareta e o aperta de leve, não porque as palavram a machucaram, mas sim porque sabe que é verdade.
–sei que é horrível escutar vindo da minha pessoa, so quero que saiba que não podei deixar NINGUEM rebaixá-la por quem você é. A Yan pode ser a
única assassina SSS, mas não significa que alguém possa ser mais forte que ela.
–Liria– acredita que posso ser mais forte?
–Elizabeth Vounyr– não acredito...tenho certeza.
Liria respira fundo, ajeita sua postura e um olhar com determinação.
–ótimo. Vamos dar uma pausa, pode refrescar-se primeiro.
Liria vai o lago se banhar, ela encontra seu reflexo na água e pensa se consegue ser muita mais que pode ser. Enquanto pensava, um azul brilho lá fundo chama sua atenção, mergulhando até o brilho pega o objeto e retorna. O objeto trata-se de algo parecido de um relógio de bolso, é feito de uns cristais azuis translúcidos com três ponteiros de obsidiana com escritas de números desconhecidas. Ela toca os ponteiros e se corta, percebendo que está bem afiado, o um pouco sangue goteja no relógio que parecer absorver e solta um brilho forte. Ela fica assustada com o relógio não tendo tempo para processar a dor, porém ao seu dedo onde deveria estar o corte simplesmente sumiu.
–Éva–Liria! Vem comer!
–Liria– estou indo
Ela se ajeita e corre até as outras com o relógio em mãos, se arruma e deixa o relógio na cama que antes parado começa a funcionar tic tac, tic tac,tic...tac...