O coração do jovem rapaz batia rapidamente. Enquanto mais o tempo passava, mais seus olhos iam se arregalando, quanto mais força ele fazia, mais suas mãos tremiam e seu corpo suava.
— Recomendo que se retire, rapaz. Já está perceptível a sua falha — Amon aconselhava.
— Nã…Não! Eu consigo sim! Só me dê mais um tempinho, por favor!
A multidão outra vez se agitava. Muitos começaram a gritar para que Kaike saísse dali, não por pena ou raiva, mas apenas para que ele deixasse os outros também fazerem o teste.
— Coitado! — falou Júlia.
— Coitado nada! Ele é apenas um péssimo perdedor! Só está nos atrapalhando — respondeu Fernanda.
— Essa barreira está quebrada ou com defeito! Eu claramente não reprovei!! Por gentileza, me deixe passar! — Kaike falava em voz alta, ainda se esforçando para poder ultrapassar a barreira.
O jovem rapaz parecia não querer de forma alguma sair dali, mesmo sendo perceptível a todos que a barreira o tinha reprovado.
Porém, mesmo assim, Amon não interferia de forma alguma, apenas observava.
O garoto então começava a derramar lágrimas dos olhos, a berrar de forma incontrolável, parecendo uma criança birrenta.
Em meio aos seus gritos histéricos, Kaike não observou algo acontecer com a barreira. Ela começava a formar ondas por toda a parte, como se uma garoa estivesse perturbando um lago qualquer.
Só que, diferente dele, boa parte da multidão conseguiu perceber a perturbação na barreira. Muitos então começaram a se perguntar da possibilidade dele estar forçando a própria entrada, e por causa disso, começaram a torcer por ele.
— Será que ele vai conseguir? — perguntou Júlia.
— Provavelmente não! — respondeu André.
— Isso deve ser alguma reação da barreira, deve o expulsar em pouquíssimo tempo — completou Fernanda.
Arthur apenas observava.
A barreira então começou a se modificar, algumas veias roxas, que brilhavam como se fossem luzes RGBs, começaram a surgir, tímidas no início, mas protuberantes segundos depois.
A multidão parecia gritar cada vez mais, porém aquela algazarra de apoio fora cessada de forma abrupta quando duas mãos surgiram da barreira, que brilhavam muitas vezes mais do que as veias de agora pouco. Aquelas mãos, de tamanho exato a de um adulto mediano, seguraram as duas mãos de Kaike, de forma poderosa e rápida, o fazendo levar um grande susto.
O garoto olhou para aquelas mãos, rangeu os dentes, franziu as sobrancelhas e então começou a fazer força para tentar se livrar daquelas mãos. Porém, antes mesmo de tentar e afastar, uma cabeça estranha saiu da barreira, ela tinha o formato de um crânio enorme de morcego.
— MORRA!! — A cabeça estranha gritou tão alto que os tímpanos do garoto explodiram na hora. E em seguida, ela abriu a enorme boca e deu uma enorme mordida forte no rosto de Kaike.
O corpo do jovem então se desesperou, se debateu, deu socos fortes para todos os lados, mas nada parecia surtir efeito.
As veias roxas de agora pouco pareciam começar a se formar no corpo de Kaike. Dava para ver as veias adentrando ao corpo dele como se fossem minhocas enormes andando, todas saindo de dentro da boca da cabeça de morcego.
Então, em um piscar de olhos, o corpo de Kaike explodiu. Uma enorme explosão de sangue, nenhum pedaço do garoto ficou pra contar história.
A multidão entrou em pânico, a maioria começou a gritar, outros começaram a correr pelos gramados de forma desorientada.
Arthur arregalou os olhos ao ver tal cena diante de seus olhos. Ele virou seu olhar para seus amigos, então disse:
— Rápido, vamos tentar sair daqui!
— Sim!! — concordou André.
Os dois apontaram os dedos para o portão de entrada, ordenando que as duas meninas fossem primeiro. Eles a seguiam, de vez em quando olhando para trás, vendo Amon franzir a sobrancelha.
— Que porra é essa? O cara acabou de morrer!! — Arthur falou.
— Eu… eu acho que não foi uma boa ideia vir pra cá! — comentou Júlia.
— Vamos arrumar um jeito de sair daqui!! — respondeu Fernanda.
Enquanto eles caminhavam, mais um enorme barulho ecoou sobre eles. Era Amon estalando os dedos novamente.
Todos pararam de andar, como se estivessem presos em algum feitiço que os impediam de dar mais um passo para frente.
Arthur ainda tentava fazer alguma força para dar só mais um passo, mas logo viu que ele não poderia fazer nada!
— Se acalmem! Eu espero que essa seja a última vez que eu vejo vocês correndo por terem medo de algo.
Amon falava de forma serena, como se o evento que acabou de acontecer fosse só mais um dia para ele.
— Como não ter medo de uma porra dessa? Uma pessoa acabou de morrer — gritou Arthur, rangendo os dentes logo em seguida.
— Muitas ainda vão morrer, eu te garanto!
— Mas você poderia ter evitado essa morte! — Alguém falou tal frase, parecia ser só mais uma pessoa da multidão.
— Se eu o impedisse, vocês não estariam cheios de energia como estão agora!
— Vai se fuder, porra! Abre essa merda de portão logo, ninguém aqui se importa mais com isso! — respondeu Arthur.
— Só sairá daqui quem for reprovado no teste! O segredo é só não fazer merda igual ao rapaz de agora pouco.
— Arthur, não existe outra forma de sair daqui! Vamos ter que continuar fazendo esse teste! — comentou André.
— Merda!! Merda!
— Eu… realmente acho melhor a gente fugir… — disse Júlia.
Arthur apertou os punhos, caminhou um pouco para frente, rangeu os dentes.
— Vamos ter que fazer essa porra!
— Se a gente for reprovado, pelo menos saímos vivos daqui. Se passar, tudo bem também. Mas ficar parado não resolve nada mesmo. — comentou Fernanda.
— E se ele matar quem reprova? — perguntou Júlia.
— Só tem um jeito de saber!! — comentou Arthur, erguendo uma das mãos para cima, com o dedo indicador apontando para cima.
Amon assentiu com a cabeça.
Então Arthur caminhou para frente, de forma bastante lenta, cada passo fazendo um barulho alto que faria as outras pessoas na multidão olharem para ele.
Por fim, Arthur parou em frente a Amon, o olhou de baixo pra cima, franziu a testa, cerrou os punhos com bastante força, então disse:
— Minha vez!