— Então se apresente para nós! Diga seu nome, idade, de onde veio e o motivo de estar aqui.
Arthur, por sua vez, se virou para a multidão, que estava em pânico. Ele podia ver o rosto de todos ali presentes: olhos arregalados, dentes batendo, rostos suados, corpos tremendo.
— Eu me chamo Arthur! Tenho 23 anos de idade, nasci em Cuiabá, capital do Mato Grosso, porém moro por aqui já tem um tempinho, vim aqui tentar ser um "Sentinela" para… — respondeu Arthur, dando uma leve respirada no final, enquanto olhava para seus companheiros e dava um pequeno sorriso. — Ganhar muito dinheiro!
Ele tomou mais um suspiro, dessa vez mais pesado, virou-se novamente para Amon, ainda com o leve sorriso no rosto.
"Deixa eu pensar direito! Uma pessoa acabou de morrer! Bom, mas por qual motivo? Por reprovar no teste desse Desgraçado? Ou por ter tentado passar a força? Eu não devo ficar nervoso. No momento em que eu saber que estou reprovado, eu imediatamente me distancio da barreira, assim não morro e consigo acalmar a Júlia!"
O jovem então começou a caminhar na direção da barreira. Seus passos mantinham uma firmeza perceptível para todos ali.
Seus olhos percorreram a barreira de cima para baixo quando enfim se aproximou dela.
"Seja o que Deus quiser!"
Arthur então levou sua mão direita à barreira, não de forma lenta, mas sim rápida, como se alguém estivesse jogando algo para que ele pudesse pegar no ar.
Ao tocar na barreira, ele pode sentir como se estivesse tocando em um muro enorme. O som das pessoas conversando, da brisa passando pelos seus cabelos, tudo aquilo sumiu por exatos dois segundos.
"Eu acho que reprovei!"
Ele abaixa a cabeça, seus olhos parecem ter perdido algum brilho. Arthur então se vira para Amon, e tenta dar um passo para o lado, mas algo estranho acaba acontecendo.
— Hum? Ah, Amon?
— Sim, Arthur?
— Eu acho que reprovei! Então pode me libertar?
— Se você não consegue passar pela barreira, então se afaste dela imediatamente, candidato!
— Mas é isso que eu quero fazer, mas você está me prendendo nela!
— Como assim, Arthur? Eu não prendo ninguém na barreira. Afinal, ela é apenas uma barreira.
— Então me diz aí porque diabos eu não consigo tirar a minha mão dela?
Arthur tentava se afastar, porém sua mão ainda continuava grudada a ela. Ele tocava em algo duro, mas o que parecia ser um muro, começava a se mexer, a textura agora se parecia a de um enorme amontoado de areia, mas não de qualquer areia, afinal, essa areia começava a puxar Arthur para dentro dela.
O jovem então arregalou ainda mais os seus olhos, rangeu os dentes e fez ainda mais força para poder sair dali, mas nada do que ele tinha feito parecia adiantar.
— EI, PORRA!! ME TIRA DAQUI, POR FAVOR! — gritou Arthur, olhando nos fundos dos olhos de Amon.
"Eu realmente não sei o que está acontecendo com este garoto. Algo assim nunca aconteceu antes! Se ele passou, ele não deveria estar tocando em nada dentro da barreira, e se existe algo dentro da barreira, deveria impedir que ele avançasse e não o puxar para dentro", pensou Amon, enquanto caminhava para perto de Arthur.
— Sugiro que se acalme!
— Como caralhos eu vou me acalmar depois de ver uma pessoa morrer diante de mim por esta vagabunda de barreira que agora está me puxando para dentro? Me diz aí porra, como se acalma com uma merda dessa? — respondeu Arthur.
— Se acalmando! Não acredito que você irá morrer por esta barreira. Algo deve ter acontecido com você e a barreira no momento em que ela analisou seu núcleo. Fique calmo!
Arthur não parecia se importar com as instruções dadas por Amon, seu olhar ainda estava arregalado e seu corpo suado, principalmente no momento do fim da fala do professor, já que nesse instante seus braços, pernas e tronco inferior já tinham sido engolidos pela areia. Numa tentativa desesperada, ele acabou usando o outro, que acabou sendo puxado.
Todos em volta observavam com os olhos também arregalados, muitas pessoas estavam sentadas no chão, com as mãos na cabeça e derramando muitas lágrimas, não por causa do que aconteceu com Kaike e o que está acontecendo com Arthur, mas sim porque essas coisas talvez possam acontecer com eles.
— Solta ele seu monstro de merda! — gritava Júlia, enquanto era segurada por André.
— Se acalma Jú! — falou Fernanda, segurando no ombro da amiga.
— Como posso me acalmar se o Arthur tá morrendo?
— Você não ouviu?
— Como é que escuta alguma coisa com toda essa algazarra em volta da gente, Fernanda? — indagou André.
— Bom, eu consegui escutar o que o Amon disse.
— Desembucha logo, mulher, antes que eu solte a Júlia aqui.
— Aparentemente Arthur não vai morrer. Amon falou que algo deve ter acontecido com o núcleo dele no momento em que a barreira entrou em contato com o mesmo.
Arthur apenas olhava para Amon, que não expressava nenhuma reação que pudesse ser lida pelos seus olhos marejados. Ele também não falava nada, já que boa parte do seu corpo já tinha sido engolida pela areia, sobrando apenas metade da cabeça.
— Arthur, eu tenho uma pequena impressão que talvez você tenha acabado de passar pelo meu segundo teste.
Ao terminar sua frase, o jovem por fim desapareceu do local, a barreira o engoliu de vez.
Amon se virou para a multidão, ainda com uma sobrancelha arqueada.
— Vamos continuar nosso teste!
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Arthur se debatia da forma como podia, seus olhos não viam nada, seu corpo parecia estar dentro de uma enorme montanha de areia que se mexia para todos os lados.
Até que, de forma bruta e imediata, ele pareceu ter sido jogado em uma sala totalmente escura. No mínimo, no local onde ele estava, ao menos conseguia ver as próprias mãos.
Deitado no chão, ele olhou para cima, sua respiração estava pesada, logo depois, se levantou, olhou e tocou boa parte do corpo.
"Está tudo inteiro! Nada faltando!".
— Onde estou? Eu morri? Isso aqui é o inferno?
Ele deu alguns passos para frente, ao seu redor, nada existia. Até que, bem à sua frente, há poucos metros de distância, uma porta apareceu. Arthur deu alguns passos para trás.
— Que merda tá acontecendo?
Um suspiro fora tomado, então ele caminhou até a porta, segurou na maçaneta por um tempo, então abriu a porta e a atravessou no mesmo instante.