— Meu grande rival, André! Pensei que você não passaria no teste! — O sujeito ruivo falava enquanto se sentava ao lado de André. Ele esbanjava um enorme sorriso estranho e um brilho forte nos olhos.
— Não somos rivais! — respondeu André, olhando-o com uma das sobrancelhas arqueada.
— Ha ha ha ha! Claro que somos! Está escrito nas estrelas, André! Nós dois passamos no teste porque somos igualmente incríveis.
— Tanto faz!
— Quem é esse cara? — Arthur se intrometeu na conversa.
— Olá! E quem é você? Não vê que estou no meio de uma conversa com meu rival? — O ruivo virou seu olhar para Arthur enquanto parava de sorrir.
— Eu sou amigo dele, ué! — Arthur falava rapidamente com a voz alta, para logo depois virar o olhar para André. — Esse maluco é dodói da cabeça, André!
— Ei André! — O ruivo voltou a sorrir. — Me apresente para seus amigos.
— Eu em! Se apresenta você aí!
O ruivo mostrou joinha com os dois polegares.
— Eu sou Inácio! E quero ser o homem mais forte do mundo! — O ruivo falava para Arthur.
— Pra…zer? Eu me chamo Arthur! Já deve conhecer a Ju e a Fernanda, né.
Inácio então voltou sua atenção para André. Ele bateu firme na mesa.
— André! Vamos apostar de novo?
— Patético!
Enquanto eles conversavam, um homem passou perto deles. Ele fixava seu olhar diretamente em Arthur. O tal homem andava com mais quatro pessoas.
— Quem é esse loirinho aí? — perguntou Fernanda.
— Ué! Esse cara aí… não me é estranho, acho que conheço ele de algum lugar! — Arthur respondeu enquanto alisava o próprio queixo. — Ah! Esse zé ruela! Eu esbarrei nele sem querer quando estava procurando por vocês. Parece que ele não foi muito com a minha cara, não é?
— Parece bem chatinho — pontuou Júlia.
— Não vamos esquentar a cabeça com mais um problema. Se esse maluco começar a encher o saco demais, aí sim ele vira uma preocupação — comentou André.
— UOU! Parece que nós estamos conhecendo nosso inimigo, em — mencionou Inácio, estalando os dedos das mãos, enquanto franzia a testa.
— Como assim, nós? — indagou Arthur, olhando para Inácio com um sorriso um pouco forçado.
— Arthur, deixa o cara! — respondeu André.
Enquanto eles falavam, alguém deu apenas uma batida de palma, tão forte que cortou a conversa de todos ali presentes, os fazendo olhar para o causador do estrondo.
Amon! Ele finalmente apareceu. Ninguém tinha o visto sair da porta. Seu olhar estava neutro, impossibilitando qualquer um de ler sua emoção.
— O teste "0 a 1" está encerrado! Todos que conseguiram passar pela barreira estão aprovados. Parabéns a vocês. No total, foram 500 alunos que conseguiram passar pelo teste. Aqui nesta sala estão no total 250 alunos. — Amon falou, caminhando em direção ao centro da sala. Suas mãos estavam atrás da cintura, seu olhar estava fixo na mesa central.
"Tá! E agora?", pensou Arthur, enquanto cruzava os braços.
A sala então ficou em silêncio por um tempo, até que Amon se sentou na ponta da mesa. Seu olhar percorria todos os lados, olhando para todos os rostos.
— Bom… — disse Amon, estalando o pescoço em sequência. — Não quero tomar muito do tempo de vocês. Hoje o dia de vocês fora muito agitado.
Os alunos se encararam.
— Pensei que a gente ia ficar aqui por mais um tempo — murmurou Arthur.
— Também! — falou Fernanda.
Amon então começou a caminhar de um lado para o outro.
— Vocês estão começando agora a caminhar pelas estradas que o levarão ao título de "Sentinela" no futuro — disse Amon, passando seu olhar diretamente por Arthur e seus amigos. — E, bom. Isso é ótimo, mas o que significa ser um "Sentinela"? Eu os direi agora. Ser um "Sentinela" é defender a raça humana dos perigos de fora e dentro da nossa própria sociedade.
Ele parou de falar por alguns segundos para tomar um pequeno suspiro.
— O mundo em que vivemos está cheio de perigos. Monstros enormes vindos dos mares, terras e ares tentam todo santo dia penetrar no cotidiano dos civis. E é por isso que nós existimos. É por isso que os "Sentinelas" foram criados. Defender a nossa raça do fim que bate em nossas portas todo santo dia.
— Legal! — disse um aleatório.
— Porém, para poderem ser um de nós, vocês primeiro devem passar pela escola "Legado", claro, vocês podem tentar de outra maneira, como se alistarem em alguma outra instituição, mas, como todos devem saber; a "Legado" é a maior e melhor forma de conseguir alcançar esse objetivo.
"Não confio em palavra de pião falando da empresa que trabalha", pensou Arthur.
— E na "Legado", para se formarem, vocês devem passar por exatos 6 provas. Cada prova acontecerá uma vez no final de cada mês. Ou seja, o tempo de estudo aqui será de 6 meses. Vocês devem passar pela maioria das provas, ou seja, no mínimo 4 provas. Caso não passem, vocês ainda poderão ser um EBSS.
Amon se virou e se sentou confortavelmente na cadeira, enfim soltou um sorriso de canto de boca.
— E depois, caso consigam se formar, quem sabe um dia vocês possam ser um dos 12 ômegas, o mais alto que um "Sentinela" pode chegar. E pensar que nenhum brasileiro chegou nesse patamar ainda. Bom, quero dizer também que eu não serei o único professor de vocês. Durante esse tempo, vocês serão treinados por outras pessoas tão qualificadas quanto eu.
— Espero não morrer na mão deles — disse Arthur.
— Vamos amassar todos eles e seguir em frente — respondeu Inácio.
Amon levou as duas mãos à nuca e cruzou as pernas.
— Acho que já resumi bastante coisa para vocês. Caso eu tenha esquecido algo, algum outro professor provavelmente irá passar para vocês. Ah, cada aula será semanal. Então, vocês devem comparecer aqui no próximo sábado. Podem se retirar.
— Só isso? — resmungou Fernanda.
— Acho que ele só tava enchendo linguiça para poder bater o horário dele — falou Arthur.
— Vamos então pessoal? — André falou, enquanto se levantava.
Todos ali fizeram o mesmo. Arthur permaneceu em silêncio, olhando nos olhos de Amon. Todos estavam calados.
Ao passarem pela porta, perceberam que estavam na frente do castelo, lá viram que a barreira não estava mais lá.
— É… acho que conseguimos passar, fiquei com muito medo de perder um de vocês — disse Júlia.
— Ver uma pessoa morta de novo não foi muito interessante não — falou Arthur.
— Vamos sair daqui. É melhor conversarmos em outro lugar — pontuou Fernanda.
— Concordo! — disse Inácio.
— O vamos é só para nós 4! Você deve ter um lugar para ir, né cara? — criticou André.
— Vou aonde meu rival for. E não, eu não tenho não… Minha vó tá fora e deixou a casa trancada…
Enquanto eles conversavam, uma pessoa acabou esbarrando no ombro de Arthur, que se assustou.
— Opa, amigão, cuidado aí… Ah, é você…