Evy POV:
- Becca, é sério. Se eu ficar em casa, só vou conseguir pensar no Felipe com aquela vadia.
Digo enquanto explico a ela o porquê de estar em um bar.
- Evy, você precisa dizer a ele antes que seja tarde.
Ela tenta me acalmar, mas já bebi tanto que perdi os sentidos.
- Enquanto eu estiver perto dele, isso não vai acontecer.
Becca pensa um pouco e me responde:
- E você está perto dele agora?
- Para você saber, agora eu estou em um bar pertinho...
Becca fica surpresa, a ponto de gritar.
- Sua obsessão chegou ao ponto de ficar na esquina do prédio onde ele mora só para ficar de olho??
- Sim.
- Digo, orgulhosa de mim.
- Anda, vamos para casa.
Fico irritada.
- Você está do outro lado da cidade, quem é que vai me obrigar?
Ela desliga. Com toda certeza, ela está vindo para cá. Peço a conta e procuro um Uber pelo aplicativo, não quero saber dela agora, mas quando finalmente vou confirmar ouço uma voz nas minhas costas.
- Atrás de você.
Viro para trás e vejo Becca e Stephen. Com isso, fico boquiaberta.
- Vocês vieram aqui só para me levar?
- Não... e sim.
Becca responde. Steph se senta na mesa ao lado e grita ao garçom:
- Traz mais duas da que ela pediu antes, por favor.
- É para já.
Vejo o garçom indo até o bar e derramando o líquido marrom em dois copos.
- Seu copo ainda está cheio, então...
O garçom volta com a mistura de Martíni.
Aqui está.
- Obrigada.
Elas dizem ao mesmo tempo e Steph levanta o copo.
- Às amigas.
Reviro os olhos, mas por fim aceito.
- “Às amigas”.
Viramos ao mesmo tempo e elas fazem uma cara ruim.
- Nossa, essa é muito forte. O que você mandou misturar aqui.
Becca diz, tremendo após a dose.
- Essa é mais forte do que uma bebida pura que tomei no Little Brazil.
Steph diz, balançando a cabeça para os lados.
- Eu tomei dois copos e estou ótima.
Minto para encorajá-las.
- Garçom, traz mais uma rodada.
Steph diz, e o garçom responde na mesma hora.
- Agora mesmo.
- Gente, olha, já são 05:00.
Becca diz, depois de olhar no smartwatch.
- Amanhã eu não vou fazer nada.
Eu digo, mas Steph me corrige:
- Amanhã é hoje, sua louca.
Começamos a gargalhar igual malucas no meio da rua.
- Vou pedir um Uber.
- Pede mesmo, porque você parou antes da gente, e a Becca não vai conseguir nesse estado.
Steph fala, gritando como se eu estivesse na esquina. Saio de perto delas para me concentrar em mexer no celular. Passo a mão na tela, tentando achar o aplicativo, mas meus dedos se movem até que paro em um número.
- Felipe.
Quer saber de uma coisa? Não tenho nada a perder mesmo. Aperto para ligar e chama, mas ninguém atende. Tento mais duas vezes e não dá em nada. Ele deve ter deixado o celular em algum lugar.
- Típico do Felipe, vive deixando tudo espalhado... Por que eu te amo tanto?
Por fim, entro no app do Uber para irmos embora, até que um nome aparece na tela.
Fê.
- Evy.
Sua voz é fraca.
- Por que está me deixando por ela?
- .........
Digo, e parece que ele trava, mas quando volta, parece desesperado.
- Não diga isso nunca mais, entendeu?
- Não começa a me dar ordens.
Começo a ficar irritada e a falar alto, chamando a atenção das meninas.
- Onde você está?
Ele pergunta, sendo autoritário.
- Não te interessa.
- É claro que me interessa. Você é minha melhor amiga, alguém que eu considero como minha irmã.
Ao escutar isso, eu explodo.
- Escuta aqui, seu filho da puta do caralho. Vai ficar com a vadiazinha da sua nova... namorada e me deixa em paz.
- Você está beb...
Desligo, me abaixo e começo a chorar.
As duas, ao verem meu estado, vêm correndo, já entendendo o que fiz.
- Você ligou para o Fê, não foi?
Becca me pergunta, mas não respondo.
- Aquele arrombado não entende o que você está passando? Me dá vontade de amassar a cara dele.
Stephen diz com toda coragem. Me recomponho, enxugando minhas lágrimas, e digo:
- Meninas.
Elas me olham.
- Vamos para casa.