
Em uma era onde a pólvora era um mito distante e o aço era a única lei, o mundo era moldado pela tríade da força: espada, honra e coragem. Naquela época, o poder não era desenhado por fronteiras, mas pelos quatro soberanos. O Imperador dos Humanos, Senhor dos Demônios, Monarca dos Espíritos e o Soberano das Bestas governavam suas terras com mãos divinas e cruéis.
A ambição desses titãs mergulhou o mundo em uma Grande Guerra que deixou apenas cicatrizes profundas na terra e nas almas. O cessar-fogo não nasceu da diplomacia ou da empatia, mas do mais puro medo. Temendo que os povos devastados se transformassem em uma revolução capaz de derrubar seus tronos, os monarcas selaram uma trégua hipócrita — um equilíbrio frágil sustentado pela desconfiança.
No Reino dos Homens, um lugar onde a liberdade é um conceito decorativo. Sob o punho de ferro de um tirano, herdeiro direto do homem que causou a última guerra mundial, o reino vive sob uma ditadura absoluta. Imperador astuto; ao estreitar laços com monarcas vizinhos, trouxe uma era de ouro que silenciou os famintos, fazendo o reino florescer sobre a ditadura.
Mas a paz é o solo onde a paranoia de um tirano mais cresce. Obcecado pela ideia de traição, ele ordenou a criação de seu triunfo final: a Guarda de Elite feita de monstros em forma de gente.
Para forjar esse exército, foi erguida a Academia. Lá, o valor humano é medido pelo sangue derramado em combate. Entre os convocados para este lugar que mais parecia um moedor de carne com contrastes gritantes:
O sol mal havia rasgado o horizonte quando Alexandre despertou. Manhã de ventos frios entrava pelas frestas da cabana, um lembrete da realidade. Na mesa de madeira gasta, o banquete era o de sempre: um pão amanhecido e um copo de água.
Antes de sair, seus olhos pousaram no pequeno retrato que parecia observá-lo. O rosto de seus pais que a guerra apagou do mundo.
— Pai, mãe... — A voz de Alexandre era um sussurro. — Hoje é o dia. Eu vou arrancar o nosso nome da lama.
O Reino dos Homens florescia em uma "paz vigiada", e Alexandre sabia que, para quem nada tinha, o exército era a única escada para a sobrevivência.
Ao chegar ao Grande Salão da Academia, O Shock foi imediato. A arquitetura era opressiva e sombria. Na multidão de jovens, uma figura se destacava: garota de cabelos curtos, de um vermelho tão vivo quanto fogo, seus olhos pareciam analisar cada pessoa com um desdém silencioso. Ela exalava a aura de quem já nasceu com o peso do comando.
As grandes portas de ferro foram trancadas. O som da tranca ecoou, o Instrutor caminhou até o centro do palco. Sua voz, profunda e áspera, preencheu o salão:
— Bem-vindos à Academia. Vocês estão aqui para serem moldados. Se cruzaram esse limiar, é porque buscam o soldo de um milhão de Morphs ou a glória do Estado. Mas saibam: o exército não é um emprego, é uma engrenagem. E para funcionar, cada peça deve conhecer o seu lugar.
Ele apontou para o estandarte na parede, onde a estrutura do reino estava bordada em fios de ouro :
O Líder Supremo: A sombra onipresente. O Imperador de todos os humanos. Ele é o arquiteto da nossa era; seu nome não é pronunciado, e sua face é um segredo de Estado. Ele é a vontade absoluta.
Primeira-Ministra Lilith: A Face do Trono. Filha do Grande Líder e a única autoridade autorizada a traduzir os decretos de seu pai. Ela governa a burocracia e a ordem civil.
Comandante de Brigada: A Lâmina da Nação. A autoridade militar suprema. É quem traduz a estratégia em movimento, governando os generais e o destino das frentes de batalha. É um título que carrega o peso de dez mil vidas.
Vice-Comandante: O Olho da Execução. Responsável pela engrenagem interna do exército e pela aplicação imediata das leis militares. É quem garante que a vontade do Comandante seja cumprida com perfeição cirúrgica.
Generais: Os Lordes de Campo. Líderes de esquadra e os braços armados que sustentam a soberania das nossas fronteiras.
— Para a maioria de vocês — continuou o instrutor, com olhar frio — o máximo que o destino reserva é o cargo de soldado. As vagas para oficiais são um privilégio para quem possui não apenas força, mas uma mente capaz de compreender a complexidade desta estrutura. O Exame Oral começa... agora!
Todos começam a escrever usando penas com tintas e uma prova com papel escrito, os dois primeiros a terminar foram Alexandre e a garota de cabelos vermelhos bem mais rápido que os demais com tempo de sobra, eles entregam suas provas ao instrutor ao mesmo tempo e o mesmo parabeniza.
Uau, meus parabéns, vocês terminaram a prova rapidamente e pelo que consegui notar conseguiram acertar tudo.
Alexandre fica sem jeito.
Bem eu estudei bastante então né…
A garota misteriosa falou de forma sem emoção e fria.
Apenas estou fazendo o meu trabalho, me avise quando o próximo teste começar.
O instrutor olha, a garota que sai caminhando para a porta.
Então você é a herdeira da família Stone, seu nome é Sans não é?, já sabemos quem vai ser a nova comandante desse lugar.
O garoto olha para o instrutor e pergunta sobre isso, enquanto sanstone vai embora :
Espere, a família Stone não foi o clã de guerreiros que viveu todas as guerras do reino derrotando milhares de soldados inimigos? Eles eram conhecidos por sua defesa impenetrável.
O Instrutor apenas confirma :
Parece que você é bem instruído garoto, vai ser um ótimo vice se conseguir chegar lá e isso não é tudo, a família Stone é dedicada aos estudos, e as lendas da defesa impenetrável é entre aspas verdadeira, eu nunca vi no campo o patriarca da família se quer receber um arranhão em uma luta e olha que eu era do esquadrão dele, essa é a filha dele e a sua característica parecem ser igual a do pai.
O garoto olha para onde Sans tinha ido e espera na próxima sala até os resultados da prova, e por uma surpresa incrível do destino o garoto ficou com nota maxima junto de sanstone, para finalizar, o treinador aparece novamente para falar outro anúncio na sala que tinha poucos alunos, apenas 4 pessoas, sans, alexandre, um garoto e outra garota, que fazem uma roda para ouvir o treinador :
Então parece que vocês estão prontos para o teste supremo, até aqui os 4 foram apresentados como os melhores e serão os oficiais da nossa brigada, meus parabéns…
Os dois jovens comemoram animados, mas Sanstone e Alexandre permanecem imóveis com os braços cruzados e expressões neutras. O clima de euforia logo se transforma em silêncio.
O instrutor então quebra a tensão:
— Vejo que vocês são bem astutos... pelo menos, alguns de vocês. Mas precisamos definir quem será o comandante, o vice-comandante e os oficiais guarda-costas de cada um. Para isso, faremos uma batalha simples: o objetivo é desarmar o oponente.
Alexandre e os outros trocam olhares atentos.
— Marcos e Laura, vocês serão os primeiros — ordena o instrutor. — Escolham suas armas. Alexandre, Sanstone, arquibancada. Observem e aguardem sua vez.
Os dois obedecem. Alexandre sobe animado, curioso; Sanstone o segue em silêncio, mantendo os braços cruzados e o olhar frio, entediada.
Na arena, Marcos empunha uma lança, sorrindo com confiança.
— Ha! Essa é a arma que treino desde criança. Você sabe quanto tempo me preparei pra ser um militar?
Laura pega um chicote de ferro, girando-o no ar com leveza.
— Imagino, querido. Que pena que vou ter que estragar essa confiança toda. — Ela sorri de canto. — Se quiser desistir agora, ainda posso poupar esse rostinho bonito.
Marcos dá um passo para trás, confuso e meio envergonhado. O treinador dá o sinal:
— Comecem!
Laura ri baixo.
— Que pena que não aceitou minha proposta honesta...
Antes que Marcos avance, o chicote faz um circulo no ar, se enrolando na lança dele e puxando com força. Marcos se segura, mas é arrastado, caindo junto — e, num movimento rápido, rola pelo chão, escapando da armadilha.
Na arquibancada, Alexandre se inclina para frente, animado:
— Uau! Ela tentou desarmá-lo de cara, mas ele pensou rápido. Usou a queda para se posicionar, muito esperto!
Sanstone, no entanto, continua impassível, observando com atenção.
— Apesar disso... ele já perdeu a vantagem.
Alexandre franze a testa.
— O quê? Como assim?
— Laura foi mais inteligente — explica Sanstone, calma. — Ela deixou que ele escolhesse primeiro. O chicote é o contra perfeito da lança: controla distância e desarma com facilidade. Uma lança precisa atacar de frente — e se ele não pode apontar a ponta para o inimigo, ele não tem ataque.
Alexandre arregala os olhos.
— Verdade... como eu não percebi isso antes?
Lá embaixo, o treinador observa discretamente os dois estrategistas nas arquibancadas, surpreso com a análise precisa.
Enquanto isso, na arena, Laura domina o combate. O chicote corta o ar com estalos altos, obrigando Marcos a recuar.
— Qual é, garotão? — provoca ela. — Não era bom de lança? Cadê toda aquela confiança?
Ela sorri, chicoteando novamente. — Talvez precise de mais ação.
Marcos tenta se defender, mas o ritmo e a distância o deixam exausto. Ele respira fundo, o suor escorrendo pelo rosto e pensa rápido.
Ela não vai errar nenhum golpe... preciso virar o jogo de outro jeito.
Ele murmura, em tom desafiador:
— Se é assim, terei que usar força bruta.
Sanstone ergue uma sobrancelha, ainda com os braços cruzados.
— Hm... finalmente vai tentar pensar.
Marcos avança de repente, largando a lança nas costas. Corre direto contra Laura com uma das mãos à frente. O chicote sibila e acerta o braço dele — mas, em vez de recuar, Marcos o segura firme, mesmo com a dor de sua pele rasgando.
— Te peguei! — Sorrindo, puxando o chicote para si.
Laura tenta recuperar o controle.
— Larga isso, idiota!
— Nem pensar! — responde ele, puxando com força.
O ferro corta sua pele, mas Marcos não solta. Ele puxa Laura para perto, fazendo-a tropeçar. Com a outra mão, pega a lança das costas e aponta a ponta direto para o rosto dela — sem feri-la.
— Com isso, nosso duelo acabou. Você é durona, admito.
Laura fica surpresa, apenas se mantém em silêncio.
O treinador se aproxima e ergue o braço.
— Vencedor: Marcos!
A plateia aplaude, mas o instrutor continua:
— Marcos será o guarda-costas do comandante, e Laura, o da vice-comandante.
Os dois se entreolharam, confusos e indignados.
— O quê? Por quê?! — questionam juntos.
O instrutor responde com um leve sorriso:
— Porque, no exame oral, vocês foram péssimos. Um comandante e vice precisam mais que força — precisam de oratória, raciocínio e estratégia. Vocês... bem, ficaram no nível de um burro.
O silêncio domina o campo. Alexandre segura o riso; Sanstone apenas desvia o olhar, indiferente.
A batalha seguinte está prestes a começar — e agora, todos querem ver o que esses dois “astutos” farão.
Os dois se sentam nas arquibancadas, visivelmente ofendidos e tristes por terem sido comparados a um burro. Quando o treinador os chama, Sanstone e Alexandre caminham para as extremidades do campo, prontos para começar o duelo.
— Espero que tenhamos um combate amigável e interessante — diz Alexandre, ajustando a postura.
Sanstone, enquanto examina as armas, responde com desdém:
— Só tente não morrer, está bem? Não quero vencer porque meu oponente é fraco.
Alexandre franze a testa, ofendido.
— Ei, podia ser mais simpática. Essa cara fechada não vai te levar longe.
Sanstone apenas solta um breve suspiro e pega um escudo grande com uma mão.
— Nem essa conversa. Escolha logo sua arma.
Alexandre observa o arsenal por um instante e escolhe apenas uma espada de porte médio. Sanstone ergue uma sobrancelha, intrigada.
— Apenas uma espada? Um estilo bem fora de moda.
— Eu que o diga — retruca Alexandre. — Esse seu estilo é mais estranho que o de qualquer cavaleiro que já vi... um escudo sem espada?
O treinador levanta o braço e anuncia o início da luta.
Das arquibancadas, Marcos comenta:
— Cara, esse garoto devia ter pegado um escudo... lutar contra alguém da família Stone é suicídio.
Sanstone parte em disparada, escudo à frente. Alexandre responde avançando também, segurando a espada como se fosse uma lança. No impacto, Sanstone gira o escudo em um ângulo preciso, desviando o golpe e desequilibrando a lâmina. Ela tenta agarrar o cabo da espada, mas Alexandre reage rápido, segurando a borda do escudo. Ambos caem e rolam pelo chão em direções opostas.
Quando param, encaram-se a poucos metros. Alexandre já está em posição de ataque, e Sanstone ergue o escudo de lado. Alexandre investe, golpeando o chão à frente e levantando uma nuvem de areia. Sanstone se protege com o escudo, mas Alexandre aproveita o momento e salta sobre ele, tentando dominar a luta.
— Não ache que esse truque barato vai funcionar comigo — diz ela com frieza.
Com um empurrão poderoso, Sanstone lança Alexandre para trás. Ele mal tem tempo de se recompor antes que ela avance novamente, escudo à frente como um aríete. Alexandre se defende instintivamente, usando a espada como escudo, mas o impacto machuca sua mão. Sanstone empurra a lâmina para o lado e acerta um chute certeiro que o joga ao chão.
Ela ergue o escudo para finalizá-lo, mas Alexandre rola para o lado e, num movimento rápido, aplica uma rasteira. Sanstone cai, dá uma cambalhota e se levanta em um só impulso. Agora, os dois estão de pé, ofegantes, se observando de longe.
— Os boatos sobre seu clã são verdadeiros — diz Alexandre. — A família Stone realmente domina o uso do escudo. Reações e precisão fora do comum.
Sanstone sorri levemente enquanto circula ao redor dele.
— E você... não é normal. Como um prodígio desses não tem um clã? Suas táticas são impecáveis — e mortais.
Ela avança novamente, tentando derrubá-lo com o escudo. Alexandre desvia e contra-ataca, mas Sanstone gira o escudo, aparando o golpe e abrindo sua guarda.
— Mesmo assim, ainda pensa como um plebeu — provoca.
Com um movimento rápido, ela golpeia com a perna e acerta Alexandre em cheio. Ele cambaleia para trás, e Sanstone salta, descendo o escudo sobre ele com precisão mortal.
— É o fim — diz, com voz calma e firme.
Alexandre cai com força, mas no último instante usa o impacto no chão a seu favor. Girando o corpo, ele impulsiona as pernas para frente e acerta em cheio o estômago de Sanstone — justamente onde o escudo não a protegia.
O golpe é devastador. Sanstone é arremessada para trás, o ar escapando de seus pulmões. Alexandre pousa com firmeza, e assim que seus pés tocam o chão, ele salta novamente, aproveitando a brecha.
Mesmo atordoada, Sanstone reage com reflexo impressionante: ela ergue o escudo à frente, prevendo o ataque.
Mas Alexandre, antecipando a defesa, apoia uma mão sobre o escudo dela, usa-o como impulso e se projeta por cima, girando no ar. Quando aterrissa, a ponta da espada já está direcionada à cabeça de Sanstone, que ainda estava caída.
— Pelo visto, você também comete erros — diz ele com um leve sorriso.
Por um instante, Sanstone fica imóvel, os olhos arregalados de surpresa. Logo em seguida, volta à sua expressão fria e controlada, fitando o chão em silêncio.
O campo inteiro se cala até que o instrutor ergue a voz:
— O vencedor é Alexandre! A partir de hoje, ele será o novo Comandante das Forças do Exército, e Sanstone, sua Subcomandante!
Um murmúrio de espanto percorreu a arquibancada. Sanstone apenas solta um suspiro discreto, mantém o olhar sereno e responde:
— Espero que possamos trabalhar juntos, comandante.
Ela bate continência, postura impecável, e caminha até o treinador.
— Quando começamos nosso trabalho? — pergunta, com o mesmo tom neutro de sempre.
Nenhum traço de raiva ou frustração. Era impossível saber o que ela sentia. A plateia, que esperava vê-la furiosa, fica confusa com sua calma.
Marcos e Laura descem das arquibancadas e se aproximam, ainda empolgados.
— Cara, como você derrotou ela? — pergunta Marcos, rindo em choque. — Aquilo foi incrível!
Laura complementa, empolgada:
— Sans, você precisa me treinar um dia! Suas habilidades são absurdas!
Antes que Sanstone responda, o instrutor ergue a mão.
— Certo, já chega por hoje. — diz em tom firme. — Agora, vou apresentar a vocês o QG do Reino. Sigam-me.
Os quatro se entreolham. O campo ainda empoeirado carrega o silêncio da tensão que acabou de se dissipar
O grupo caminha por um caminho estreito até chegar diante de uma construção grande, de concreto, com formato quase perfeitamente quadrado.
Laura olha em volta, franzindo o nariz:
— Nossa... que lugar mais sem graça.
Os outros viram o rosto para ela, enquanto o instrutor finge não ouvir o comentário e continua andando. Ao entrarem, um longo corredor se estende à frente, iluminado por lâmpadas frias que ecoam passos no piso metálico.
Alexandre observa, maravilhado:
— Uau... este lugar é enorme! Estou surpreso.
— Claro que é — responde o instrutor. — Foi projetado para abrigar várias esquadras de soldados sem precisar sair à superfície.
Os novatos — exceto Sanstone — ficam impressionados. Marcos, ao notar a expressão impassível dela, provoca:
— Que foi, cara fechada? Ainda de mau humor por ter perdido?
Sanstone cruza os braços, o olhar cortante.
— Ham? Por que eu me comportaria como uma criança igual você? Pelo que lembro, quem tirou nota de bebê numa prova militar foi você.
Ela dá um passo à frente, encarando-o.
— Um soldado que treinou a vida toda e ainda se diz digno de proteger o comandante? Estou sem palavras.
Seu tom se torna gelado. — Laura, lembre-me de doutrinar este soldado na sala de tortura, pra ver se aprende a respeitar seus superiores.
O rosto de Marcos empalidece. Ele engole seco, tremendo.
— E-eu peço desculpas, vice-comandante! Não foi por mal!
Sanstone o encara como se olhasse um inseto. Laura tenta aliviar a tensão, sorrindo nervosamente:
— Calma, Sans... pode deixar que eu vou lembrar, sim — brinca. — E você, Marcos, fica bem, tá? Você é forte, não precisa chorar por isso.
Marcos, com os olhos marejados, abraça Laura.
— Obrigado, Laura... você é um anjo!
Sanstone apenas revira os olhos, enojada, e volta à sua expressão fria e impassível.
O grupo segue o instrutor pelos corredores subterrâneos, passando por diversas portas metálicas e salas amplas. Ele explica cada área enquanto eles caminham: dormitórios, armaria, salas de comando e observação. Por fim, chegam a um corredor que termina em duas portas opostas — uma ao norte e outra ao sul.
— Aqui ficam as salas do Comandante e da Vice-Comandante — diz o instrutor, virando-se para eles.
Sanstone ergue uma sobrancelha.
— Se são as salas mais importantes, por que ficam em extremidades opostas da instalação? Não seria mais prático estarem próximas?
Antes que o instrutor responda, Alexandre fala com convicção:
— Posso estar enganado, senhor, mas o motivo é estratégico. As duas salas precisam estar em locais distintos para que as divisões saibam quem é seu superior mais próximo. Assim, cada lado do QG tem um comando imediato e mantém a comunicação organizada.
O instrutor o encara, surpreso, e então ri, batendo palmas.
— Muito bom, garoto! Não é à toa que você é o comandante. E claro, sem tirar o mérito da Sanstone — Ele se volta para ambos. — É por isso que escolhi vocês dois.
O homem assume um tom mais sério:
— Alexandre, como Comandante Supremo, sua missão é tornar este reino mais seguro, mesmo em tempos de paz.
Ele se volta para Sanstone.
— E você, Vice-Comandante, auxiliará o comandante e tomará as decisões quando ele estiver ocupado com questões maiores. O destino do reino está nas mãos de vocês dois.
Sanstone permanece impassível, mas lança um breve olhar para Alexandre — um olhar de respeito contido. Ele realmente é mais inteligente do que os outros, pensa.
Alexandre, por sua vez, olha para as próprias mãos. Fecha os punhos lentamente, determinado.
— Eu prometo... farei o meu melhor.