
Após a divisão das equipes, Alexandre reuniu os outros três oficiais para as instruções finais.
— Escutem, todos se lembram do plano? Ótimo, vamos comec…
Antes que ele pudesse terminar, Marcos levantou a mão lentamente. O silêncio caiu sobre o grupo. Os três o encararam — especialmente Sanstone, cujos olhos frios pareciam perfurar a alma do capitão. Alexandre suspirou e recomeçou:
— Bem, pelo que percebi, alguém não entendeu. Vou recapitular: nosso objetivo é comandar os esquadrões em uma ronda completa pelo castelo e pela cidade. A meta é desencorajar o crime. Apesar de o Exército Real do Imperador estar cuidando das ruas hoje, devemos mostrar que a nossa brigada está mais do que pronta para qualquer emergência. Entendido?
Marcos abaixou a mão, fazendo um sinal de positivo, e agradeceu a Alexandre com um sorriso largo por ser "o único que tinha paciência para explicar". Sanstone apenas revirou os olhos e virou-se para o esquadrão das Valquírias.
— Garotas, comigo. Vamos realizar as rondas do dia. Se encontrarmos encrenqueiros, eles conhecerão as celas hoje mesmo.
O grupo se dividiu. Algumas garotas seguiram Sanstone para o Norte da cidade, enquanto outras foram com Laura para o Sul. Enquanto marchavam, as recrutas cochichavam incessantemente, bajulando Laura e Sanstone.
Observando a cena de longe, Marcos e Alexandre trocaram um olhar cansado.
— Essas garotas... — disseram em uníssono.
Recuperando a postura séria, eles partiram. Alexandre assumiu o Leste da cidade e Marcos, o Oeste. Cada esquadrão contava com cinco soldados, todos armados com espadas e escudos, prontos para a ação.
Norte da Cidade
Sanstone caminhava à frente da patrulha, sua postura impecável. Atrás dela, o zumbido dos cochichos sobre o quão "incrível" e "poderosa" ela era começava a irritá-la. Sanstone parou bruscamente, respirou fundo e girou nos calcanhares.
— Garotas, eu não vou tolerar esse desleixo! — Sua voz não era alta, mas carregava uma autoridade esmagadora. — Em uma patrulha, a atenção deve estar nos civis e no ambiente. Se isso for um problema para vocês, então…
Ela lançou um olhar gélido para as Valquírias, que imediatamente engoliram em seco, entraram em alerta e pediram desculpas em coro.
Sanstone voltou a caminhar, cruzando os braços. Seus olhos vermelhos varriam a multidão. Ela percebeu que muitos civis a observavam, a maioria com curiosidade ou respeito, logo voltando às suas rotinas. Entretanto, uma sensação incômoda percorreu sua espinha.
"De todos aqueles olhares, um me chamou a atenção," pensou ela, estreitando os olhos. "Parecia que alguém me observava com... fome. A malícia era palpável. Devo reportar ao Comandante quando voltarmos. Pode ser uma sociedade secreta, um assassino ou algo do gênero."
Com o enorme escudo nas costas e a mente alerta, ela continuou a marcha.
Sul da Cidade
Laura tentava manter o profissionalismo, mas estava sendo difícil. Ela era mais branda que Sanstone, o que encorajava as garotas a fofocarem sem parar. Das sombras de um beco, alguém observava o grupo passar, sorrindo maliciosamente, mas Laura, distraída com a tagarelice, não percebeu.
Ela começou a sentir que sua leniência estava prejudicando a missão. Resolveu erguer a voz, empurrando levemente o ar com as mãos para pedir silêncio.
— Meninas, acalmem-se! Estamos em uma missão importante. Falamos da Sans mais tarde. O Comandante conta com a gente.
Uma das Valquírias bufou e falou abertamente, sem medo:
— Ah, fala sério, Sargenta! Aquele comandante é uma fraude. Ganhou da Sans? Até parece. Um cara como ele é um lixo.
Alguns civis próximos ouviram e começaram a murmurar: "O comandante é assim?", "Ele é um nada?", "Bem que eu devia desconfiar dessa nova academia militar..."
O sangue de Laura ferveu. Em um movimento rápido, ela sacou seu chicote de ferro. O estalo cortou o ar, e a ponta de metal acertou a boca da recruta com precisão cirúrgica. Um fio de sangue escorreu, e o silêncio que se seguiu foi absoluto.
— Eu avisei — disse Laura, sua voz agora desprovida de qualquer doçura. — Ser desrespeitosa com um superior é crime militar. Na próxima, é prisão.
As outras garotas tentaram protestar, mas Laura as encarou com um olhar repugnante que as fez recuar.
— Estamos em uma missão sob as ordens do Comandante e da Vice-Comandante. Se eu ouvir mais um pio de desrespeito ou falta de disciplina, usarei o chicote com potência máxima. E garanto que vocês ganharão uma nova cor permanente nesses rostos bonitos. Agora, em formação!
As garotas, pálidas e trêmulas, obedeceram imediatamente. Laura suspirou, guardando a arma, e se perguntou como os outros estariam se saindo.
Leste da Cidade
Alexandre caminhava à frente de seu grupo. Os soldados cumpriam a ronda corretamente, mas seus rostos estavam mergulhados em uma tristeza profunda. Alexandre parou em um canto mais deserto da praça e virou-se para eles.
— Vamos lá, pessoal. Me falem o que aflige vocês. Essas caras de enterro não parecem ser dores musculares do treinamento.
Um dos soldados deu um passo à frente, cabisbaixo.
— Senhor... é que nós estamos tendo problemas com as Valquírias. Elas parecem nos desprezar de verdade. Nós só queríamos ter um bom relacionamento de equipe.
Alexandre cruzou os braços e fechou um dos olhos, analisando-os.
— Só isso? Tenho certeza de que tem mais alguma coisa.
Os soldados se entreolharam, envergonhados, até que um admitiu:
— E... bem, a gente também queria ter uma chance de pedir elas em namoro. Mas sabemos que não podemos, devido às leis de casamento entre patentes…
Alexandre não aguentou e começou a rir.
— É só isso? Hahaha! Relaxem, pessoal. Tenho uma boa notícia: essa lei de restrição só se aplica a oficiais de alta patente. E, nesta brigada, os únicos de alta patente somos eu e a Sans. Vocês estão livres.
Os soldados comemoraram ruidosamente, abraçando-se. Mas, logo em seguida, a alegria deu lugar a olhares de pena direcionados ao Comandante.
— Nossa, Comandante... — disse um deles com a voz embargada. — Então o senhor não pode ter nenhuma mulher? Meu Deus, ser líder é pior do que eu imaginava. Fico feliz de ser apenas um soldado.
— Pois é — completou outro. — E eu que acreditei que o senhor ia ficar com a General Sanstone.
O rosto de Alexandre ficou instantaneamente vermelho.
— C-Como assim "ficar"? V-Vocês são loucos?! — gaguejou ele, agitando as mãos. — Ela jamais ficaria comigo! A Sans merece alguém muito melhor, um guerreiro de verdade!
Os soldados balançaram a cabeça, discordando com convicção.
— Mas, Comandante, o senhor é o melhor partido para a General! Além de ser extremamente inteligente, teve a melhor pontuação em tudo.
— Sem falar que o senhor a derrotou num combate mano a mano, mesmo sendo um plebeu!
Alexandre suspirou, recuperando a compostura, mas com um sorriso triste.
— Não sejam assim. Sanstone é poderosa, ela pode ter qualquer homem que quiser. Eu sou apenas um peixe pequeno no meio de tubarões. Além disso, ela sempre me olha com aquele jeito frio... Duvido muito que ela goste de mim. Mas espero que ela encontre alguém digno.
Ao ouvirem a humildade do líder, os homens ficaram extremamente comovidos, alguns até limpando lágrimas discretas.
Oeste da Cidade
No lado Oeste, Marcos liderava a ronda de forma despreocupada. Nas sombras dos telhados, vultos encapuzados o observavam, mas desapareceram tão rápido quanto surgiram. Marcos, alheio a isso, conversava com seus subordinados.
— Meus caros, por que vocês estão sempre fugindo das Valquírias? Elas são pessoas, assim como nós.
Os soldados tremeram só de ouvir a pergunta.
— É que elas nos odeiam por sermos homens, Capitão — respondeu um deles, gaguejando. — Algumas nos chamam de "criaturas repulsivas". Isso quando não falam...
— Falam do quê? — indagou Marcos, franzindo o cenho.
— ... Do Comandante, senhor. Elas o odeiam pra valer. Dizem que ele trapaceou no exame e que não merece o cargo.
Marcos parou de andar. Seus punhos se fecharam com tanta força que as luvas de couro rangeram.
— Nossa... coitado dele — continuou o soldado. — O Comandante é tão malvisto e elas têm nojo dele.
Marcos virou-se para os recrutas, sua expressão geralmente jovial agora substituída por uma seriedade assustadora.
— Já chega dessa patrulha. Vamos resolver uma coisa agora mesmo. Preciso trocar uma palavrinha com a General Sanstone sobre essa "disciplina" que ela ensinou.
Ele marchou em direção ao ponto de encontro, pisando duro.
O sol já estava se pondo quando Sanstone chegou ao local combinado.
— Onde eles estão? Já era hora de chegarem — murmurou ela, impaciente.
De repente, Marcos surgiu na rua principal. Ele caminhava de cabeça baixa, emanando uma aura de fúria. Sanstone manteve sua expressão fria e indiferente.
— Que irônico você chegar primeiro que os outr...
Sem aviso, Marcos avançou. Ele desferiu um soco direto contra o rosto dela. Sanstone reagiu instintivamente, segurando o punho dele com a palma da mão. O impacto foi forte o suficiente para gerar uma onda de vento que agitou os cabelos de ambos.
Sanstone estreitou os olhos, calma.
— Percebi que você estava diferente. Trate de se recompor...
— Quieta — rosnou Marcos, com uma voz grave e irreconhecível.
Sanstone abriu um pouco os olhos, surpresa.
— Uma pessoa que deixa suas soldadas fazerem o que quiserem com seu superior, e eu tenho que me recompor? — continuou ele.
Nesse momento, uma das Valquírias, vendo a cena, sacou a espada.
— Solte a General agora!! — gritou a garota, correndo em direção a Marcos.
Marcos permaneceu imóvel, encarando Sanstone. A Vice-Comandante percebeu o perigo iminente.
— Recruta, pare com isso!! — ordenou Sanstone.
Mas foi tarde demais. A Valquíria, movida pelo pânico e lealdade cega, enterrou a espada no ombro de Marcos. O sangue jorrou.
Marcos não gritou, nem se moveu. A recruta soltou a espada, aterrorizada com o que tinha feito. Sanstone empurrou a menina para longe e os soldados de Marcos correram para ampará-lo.
Laura e Alexandre, que chegavam naquele exato momento, viram a aglomeração.
— Mas o que houve aqui?! — gritou Alexandre, correndo.
Ao chegar, viu Marcos sendo segurado pelos soldados, pálido, e Sanstone dando uma bronca feroz na recruta que tremia.
— O que aconteceu?! — exigiu Alexandre.
Um dos soldados explicou rapidamente:
— Senhor, o Marcos veio bravo por conta do comportamento das Valquírias e foi tirar satisfação com a General. Foi quando…
— ... Este homem atacou barbaramente a General! — interrompeu uma Valquíria. — E uma de nós tentou defendê-la!
Alexandre olhou para sua Vice.
— Sans, quero a sua versão.
Sanstone parecia incrédula, ainda processando a estupidez da situação.
— Esse louco veio me bater. Eu defendi, claro. Mas então uma das minhas subordinadas atacou... e ele nem tentou desviar.
Percebendo a multidão de civis se formando, Alexandre tomou as rédeas.
— Todos para a base, AGORA!!! Eu vou decidir o que vai acontecer lá dentro.
No QG, o clima era pesado. Alexandre ordenou reforço na guarda e chamou o médico do castelo. Em seguida, marchou para sua sala, seguido por Sanstone e Laura.
Ao entrarem, Sanstone tentou falar:
— Acho melhor todos ficarmos calmos...
— CALADOS! — Alexandre bateu a mão na mesa com força e sentou-se bruscamente. Seu tom era autoritário, algo raro de se ver. — Vocês duas, sentem-se agora!
Laura, com lágrimas escorrendo pelo rosto, obedeceu. Sanstone sentou-se com sua postura rígida habitual.
— Essa história está muito mal contada — disse Alexandre, fuzilando-as com o olhar. — Marcos não seria agressivo a menos que a situação fosse extrema.
— Aquele bobalhão veio para cima de mim — defendeu-se Sanstone. — Eu apenas me defendi.
— Vice-Comandante! — cortou Alexandre. — Quero saber exatamente como você falou com ele. Todo o diálogo.
Sanstone virou o rosto, fechando levemente os olhos com desdém.
— Eu... o menosprezei. Disse que era irônico ele chegar cedo.
Alexandre cobriu o rosto com as mãos, exasperado. Antes que pudesse responder, Laura levantou-se, enxugando as lágrimas com raiva.
— Eu não tenho tempo a perder com essa burocracia. Vocês dois fiquem aí, eu vou salvar a vida dele.
Ela saiu correndo. Alexandre suspirou.
— As coisas estão complicadas. Vamos esperar Marcos acordar para ouvir a versão dele.
Sanstone franziu a testa, ofendida.
— Quer dizer que você não confia em mim, Comandante?
Alexandre levantou-se e caminhou até a porta.
— Não é isso. Preciso saber de todos os lados. Vou interrogar as Valquírias e os Juggernauts.
Quando ele ia sair, Sanstone segurou sua mão.
— Alexandre... Ele parecia chateado com algo antes mesmo de tentar me bater. Eu só notei isso agora, repassando a cena na minha cabeça. Os olhos dele não tinham ódio de mim, mas... decepção.
Alexandre assentiu, sério, e os dois caminharam juntos até a enfermaria.
Na ala médica, Laura terminava de enfaixar o ombro de Marcos. Ao verem os oficiais entrarem, Laura lançou um olhar furioso para Sanstone. Marcos, deitado, evitou olhar para a Vice-Comandante.
— Marcos, você está bem? — perguntou Alexandre.
— Não — respondeu Marcos, a voz fraca, mas firme. — Este lugar precisa de disciplina urgentemente.
— Eu sei. Vou providenciar isso. Mas conte o que houve.
— Só falo em particular. Com você e a Laura — disse Marcos.
Sanstone respirou fundo, engoliu o orgulho e saiu da sala sem dizer uma palavra, fechando a porta.
— Eu não aguento mais ouvir as Valquírias — desabafou Marcos assim que ficaram a sós.
— Que tipo de superiora deixa as subordinadas pensarem que todos os homens são lixo?
— Mas Marcos, a Sans não pode controlar o pensamento delas... — tentou Laura.
— Laura, por favor! — interrompeu Marcos. — Comandante, o comportamento delas é lamentável. Elas só seguem a Sanstone. Esse desprezo pode causar erros graves, prisões injustas de civis ou... o que aconteceu hoje.
— E você, como um bom cabeça-dura, resolveu sacar a arma para a Sanstone? — perguntou Alexandre.
— Eu não saquei arma nenhuma! — retrucou Marcos. — Eu fui dar um soco nela. Eu sabia que ela defenderia sem problemas, ela é a Sanstone! Eu só queria chamar a atenção dela para a gravidade da situação. Mas aquela recruta... ela veio para matar. E eu fiquei imóvel porque estava discutindo com a Sans.
Alexandre e Laura ficaram chocados. Laura levantou-se, o cabelo cobrindo os olhos, e saiu da sala batendo o pé.
— Laura, espera! — gritou Alexandre.
Marcos segurou o braço de Alexandre com a mão boa.
— Rápido, Ale, me escuta! — A voz de Marcos estava cheia de urgência. — Você precisa treinar essas garotas. Se isso continuar, vamos perder metade da nossa força. Aquela menina que me atacou... ela ficou aterrorizada depois. Elas não têm disciplina emocional. Vamos usar essa crise para ensinar uma lição a elas.
— Mas você está ferido!
Marcos sorriu e piscou.
— Sou resistente, lembra? Eu entro no personagem. Vou dizer que vou sair do exército. Isso vai chocá-las.
Alexandre percebeu a jogada. Seu amigo podia ser pateta, mas tinha um coração de ouro e uma visão tática surpreendente.
— Certo. Deixa comigo. Vou dar uma lição de moral nelas.
Minutos depois, as portas da enfermaria se abriram. Laura entrou, seguida por Sanstone, que trazia a recruta culpada pelo braço. Vários soldados e Valquírias se aglomeraram na entrada para ouvir.
— Essa aqui é a responsável! — anunciou Laura.
Alexandre aproximou-se da garota, que tremia.
— Conte o que houve.
— Eu... eu apenas estava defendendo a General! — choramingou a recruta. — Ele veio descontrolado!
Alexandre suspirou, balançando a cabeça em decepção teatral.
— Então você não vai contar a verdade. Pelo jeito, aquilo que o Marcos falou vai se concretizar.
— O quê? — perguntou Laura, genuinamente assustada.
— O Capitão Marcos pretende dar baixa no exército — anunciou Alexandre.
Um murmúrio de choque percorreu a sala.
— Eu não aguento ver tamanho desrespeito — disse Marcos, dramaticamente, olhando para o teto. — Somos da mesma pele, carne e ossos. Se preferem viver numa guerra de gêneros, eu estou fora.
— É brincadeira, né? — Laura sorriu nervosamente. — Marcos, para com isso!
— Não é brincadeira — interveio Alexandre. — E se ele sair, eu também saio. Passo meu cargo para a Sanstone.
As Valquírias ficaram mudas. O peso da culpa caiu sobre elas. Sanstone cerrou os dentes e fechou os punhos. Um soldado dos Juggernauts deu um passo à frente.
— Comandante, se vocês saírem, nós também saímos! Ninguém aguenta mais ser tratado como lixo por elas!
A recruta que feriu Marcos desabou no chão, chorando.
— C-Calma! Eu não queria ferir o Capitão! Eu achei que ele desviaria! Ele é forte, e eu sou lenta... Por favor, Capitão Marcos, me perdoe! Me condene à morte, mas não deixe o exército!
— Você devia saber — disse Alexandre, severo — que a regra número um é: Não se levanta armas contra companheiros.
— Marcos, por favor, não vá! — suplicou Laura, com a mão no coração. — A gente precisa de você. Eu preciso…
Sanstone deu um passo à frente. Sua expressão era um misto de raiva e respeito.
— Marcos, pare de bobagens. Precisamos da sua força. Eu não consigo fazer isso sozinha. Você treinou um exército inteiro.
— É mesmo? — retrucou Marcos, ainda "atuando" um pouco de rancor. — Até parece que a grandiosa Sanstone precisa de mim. Você parou meu soco com uma mão só.
Sanstone olhou nos olhos dele e, pela primeira vez, baixou a guarda. Colocou a mão no peito da armadura.
— Indiferente disso... Eu posso ser mais forte fisicamente, mas você treina soldados incríveis. Tenho muito a aprender com você. Ou melhor... todas as Valquírias têm. Mesmo ameaçado e ferido por uma recruta, você não sacou sua arma contra ela. Você respeitou o código até o fim. Só por isso, você já é um combatente acima da média. E muito superior a mim no quesito liderança moral.
Marcos arregalou os olhos. Um sorriso genuíno escapou de seus lábios, seguido por uma risada leve.
— Hahaha…
— O que é engraçado? — perguntou Sanstone, confusa.
— Não é sobre você, Sans — explicou Alexandre, sorrindo. — É que o Marcos nunca imaginou que receberia um elogio desses vindo de você. Ele está emocionado.
Marcos assentiu.
— Fico lisonjeado, Sanstone. Não se preocupe, eu ficarei. Mas só se as Valquírias prometerem mudar de atitude e seguirem as regras de respeito mútuo.
As garotas, aliviadas e chorosas, bateram continência vigorosamente.
— Sim, senhor, Capitão!
Alexandre e Sanstone saíram da sala, levando os recrutas para dispersar a multidão, deixando Laura e Marcos a sós.
Laura aproximou-se da cama e deu um soco leve no braço bom de Marcos.
— Isso é por me enganar com essa história de sair do exército…
Marcos esfregou o braço, rindo, mas antes que pudesse falar, Laura o puxou pela gola da camisa e o beijou. Foi um beijo intenso, carregado de alívio e paixão. Ao se separarem, ela sussurrou:
— E isso... é por todo o resto.
Marcos sorriu bobamente, completamente apaixonado.
— Laura... Você é como um anjo. Eu estava com medo de que você descontasse na Sanstone e se machucasse.
— Eu jamais lutaria contra a General Sans, ela me destruiria — admitiu Laura, acariciando o rosto dele. — Mas por você? Por você eu enfrentaria o mundo inteiro.
Eles se beijaram novamente, esquecendo-se momentaneamente da guerra e da hierarquia.
Enquanto isso, Alexandre e Sanstone caminhavam pelo corredor em direção à sala de comando. Ao entrarem, Sanstone trancou a porta. O silêncio era tenso.
— Conseguimos recuperar a moral da tropa e resolver a rixa entre os gêneros — disse Alexandre, sentando-se exausto. — Mas precisamos manter a vigilância.
Sanstone sentou-se à sua frente. Sua expressão estava sombria.
— Acalme-se, Comandante. O que houve hoje foi um teatro necessário, mas resolveu a ferida interna. Porém... tenho algo muito mais sério para relatar.
A calmaria de Alexandre desapareceu. Ele se inclinou para frente.
— Prossiga.
Sanstone fechou os olhos por um momento, relembrando a sensação na rua.
— Eu senti que tinha alguém de olho em mim. E não foi apenas durante a briga. Foi durante toda a patrulha, até eu entrar no QG. Eram olhos pesados... famintos.
— Olhos ruins, você diz? — perguntou Alexandre, baixando o tom de voz.
Sanstone abriu os olhos, e o vermelho de suas íris parecia mais intenso.
— Sim. Meu pai sempre me disse: quando alguém olha demais para um oficial da justiça sem desviar o olhar, essa pessoa não quer admirá-lo... ela está calculando.
Notas Finais
Olá meus lindos, tudo bem? depois de muito eu ficar extremamente doido de tanta coisa na cabeça consegui fazer o capítulo 3, resolvi fazer devagar e não rushar a história dando uma certa delicadeza para os personagens secundários, mas sem tirar a história principal, devido a tudo isso vamos para o próximo capítulo lá pra terça feira lanço prometo.