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Devoradores de Asteróides
A criatura é como a descrição de Reni, um corpo de estatura média, com um grande manto branco com detalhes em vermelho e poucas manchas amarelas, ele tem um rosto que é praticamente um cone vermelho, com espinhos no final, tem dois buracos que soltam um brilho amarelado, em formato de olhos, e de dentro desse cone caindo para baixo, existem três línguas longas, elas tem um tom rosado mas pálido, e se movem de forma independente.
Bane que estava preparado para lutar, é puxado contra a vontade na direção do inimigo, não por ele, mas pelo vácuo espacial que começava a puxa-lo, a criatura não parecia se mover, só os detalhes de seu manto e as línguas que balançavam para fora da espaçonave – Bane se segura em uma das paredes da cozinha, olhando para Veronika de entreolhar.
- Veronika, cuida dessa pra mim?
- Deixa comigo!
Ele entra para a cozinha, onde não seria puxado – Veronika que havia pego seu cajado a poucos segundos, aponta ele para a parede, e rapidamente o “X” se forma, dele saindo uma linha de luz azul que ao invés de fazer como a flecha dos ataques passados, ele se transforma em um quadrado, que logo tapa o buraco circular que a criatura havia feito, quase como uma cúpula.
- Deu certo! Pode ir Bane!
- Vai ser só uns segundos, aguenta aí!
Bane passa por debaixo do feitiço de Veronika, tirando a espada de dentro a luva de forma bem rápida e partindo para cima – Um ataque defletido, a criatura defende com suas mãos vermelhas, que parecem tão resistentes quanto o casco da nave, Bane vai para trás preparando outro golpe direto na cabeça da criatura.
Defendido novamente, ele para na cabeça de cone de um vermelho sangue do alien, o ataque talvez não tivesse sido forte o bastante ou o casco da criatura era impenetrável – Mas independente do porquê, ela faria um ataque contra claro, o cone em sua cabeça começa a girar como uma furadeira, talvez tivesse sido assim que ele entrou na nave.
A criatura desce em fúria tentando cravar sua cabeça no corpo de Bane, que segura com a espada logo na ponta, o barulho ensurdecedor da carapaça contra o metal era ruim de se escutar, mas ele não poderia fazer outra coisa além de defender.
- Bane!
Veronika olha com olhar preocupado, antes que da cúpula mágica, se criassem duas grandes mãos azuis que seguram a criatura e começam a puxar ela para trás, fazendo mais força do que julgaria necessário, a criatura desencosta da espada de Bane, que logo dá um chute no peito do alien e pula para trás, recompondo a postura – Bane rapidamente solta a espada, puxando outra coisa de dentro de sua luva costurada, ele pega no cabo de uma pequena espada, quase como uma adaga ou um facão, ao que ele puxa, um grande fio enrolado de alguma linha sai, um fio que parecia reluzir em uma cor azulada mas lilás, mas não era isso que importava – Assim que Veronika larga da criatura, Bane parte para cima, e o alienígena também, com sua carapaça girando enfurecidamente.
Os dois se chocam, a adaga de Bane riscando o capacete profundo da criatura, mas como um ataque preparado, ele passa o fio pela ponta do cone, que começa a girar junto com ele, a torção fazendo com que mais da linha saísse de dentro da luva, e mais se enrolasse, Bane passa para trás do alienígena e espera alguns segundos, antes que a criatura pudesse se virar, ele puxa a linha para cima, fazendo a cabeça de cone também subir para cima, ele puxa com força, e chuta o manto branco do alienígena que cai no chão com um estrondo.
As línguas daquela coisa começam a se mover no fio, como se quisesse se desenrolar, mas não conseguiria, afinal Bane já estava no controle da situação, com um golpe final, enquanto puxa o fio com a adaga, ele pega a espada que antes estava caída no chão, e com extrema velocidade e um corte limpo, corta o pescoço do ser, fazendo com que sua carapaça parasse de perfurar o ar, e seu corpo desistisse imóvel.
- É.. Foi..
Ele olha para Veronika, que ainda tenta se forçar a segurar o casco quebrado da nave, Bane começa a olhar para todos os lados, procurando algo em potencial.
- Aguenta as pontas!
Bane pega a cabeça agora decepada do alienígena, e olha para Veronika, que logo desfaz sua magia, e com um puxão do vácuo, o cone entra no buraco de forma perfeita, selando o local de forma praticamente total.
A garota larga o cajado, que logo some em um passe de mágica, as pernas dela tremem levemente, e um pouco de sangue começa a sair de seu nariz, mas ela logo limpa, respirando fundo e indo até a geladeira quase instintivamente, ela abre e pega um suco de laranja de caixinha, bebendo como se fosse uma forma de recompor.
- Foi bem Bane!
- Depois a gente dá um jeito melhor ali na parede, por enquanto acho que serve.
Ele dá um carinho leve no cabelo da garota, que logo olha para ele com um olhar desconfiado, e se afasta um passo.
-
Embora tenham acabado com o alienígena, o barulho na nave não parece cessar, mas nada tão ruim, até que os dois escutam um estrondo vindo do outro lado, um barulho de algo sendo jogado contra uma superfície de ferro, eles logo saem andando até o lugar, não estavam tão preocupados assim.
Assim que atravessam a sala de estar, o barulho de Reni apertando diversos botões parece chamar atenção, enquanto a grande janela principal da nave dá visão do fim do mar de asteróides que os rodeavam.
- Deu boa ali? Era o que eu poderia perguntar! Se não tivesse aparecido outro, eu ia dizer para vocês, eles vem em pares!
Eles apressam o passo, chegando no corredor dos quartos, mas logo param, com um olhar nada surpreso, enquanto com um soco Dash jogava a criatura para fora da nave, pelo mesmo buraco que ela havia entrado, um buraco menos uniforme que o último.
Stile estava preparado com sua arma do lado, e Mark pairava atrás enquanto acabava de fazer uma parede de luz para que o vácuo não puxasse qualquer um para fora assim que o alien fosse jogado, algo que poderia parecer impossível, mas sua manipulação de luz talvez fosse um pouco diferente, algo que o resto já estava acostumado.
Dash olha para trás, ofegando um pouco, mas logo se recompõe.
- Opa pessoal! Já deu tudo certo aqui.
Ela passa por Mark, cumprimentando Bane e Veronika, antes de se dirigir ao cockpit da nave, os dois encaram ela momentaneamente, antes de se entreolharem e darem de ombros.
Stile sai do quarto também, passando pelos dois sem encarar qualquer um, sua mão treme levemente ao colocar a arma devolta na pequena bolsa atrás das costas.
Bane pega no ombro dele antes que saia de vista, e o colega se vira.
- Tá bem?
Stile olha, mas não se importa muito, e continua seu caminho até a pequena sala, pouco depois que ele some de vista, Mark também segue Dash e Stile, ainda quieto como sempre.
- O que deu com ele?
Veronika fala baixo, quase como um sussurro.
- É o que eu disse, foi ontem, aquela situação do tique-taque.
- Ah.. Claro..
“Agora é um momento bom?..”
Ela segura levemente a camiseta de Bane, a confissão sobre Stile quase saindo, mas logo solta.
“Não..”
- Vamos lá com eles então?
Ela se vira, e volta para a sala, Bane seguindo logo atrás.
-
Os dois se sentam no sofá, Veronika ainda bebendo seu suco de caixinha, enquanto Stile nem ali estava, talvez estivesse na cozinha ou banheiro, Mark estava no cockpit sentado em uma das cadeiras próximas de Reni, os dois pareciam conversar, e Dash estava próxima também, de pé, parecendo confusa.
- Então, são quatro os planetas desse sistema?
Mark pergunta, e Reni afirma enquanto mostra uma imagem de ilustração ao lado, quatro planetas em pontas diferentes que um sol que circulava ao meio.
- Isso isso, aqui é Nublus, o que a gente vai parar, aquele ali inclusive!
Ela aponta na imagem de ilustração, mas logo ergue a pequena TV que cobria o olhar dos dois, mostrando a janela principal, que agora após o mar de asteróides, conseguia mostrar algo ao horizonte vazio do espaço, um grande planeta cheio de estruturas claras, algumas naves pairavam ao redor e luzes bem chamativas podiam ser vistas mesmo pela distância deles.
Se assemelhava a uma metrópole qualquer da Terra, luzes chamativas, tecnologias inovadoras e que poderiam fazer os olhos de qualquer um brilhar, talvez um lugar mais avançado que a terra, mas mais cheio de coisas também, qualquer paisagem além dos prédios não parecia poder ser vista.
- Parece muito a Terra não parece?
Dash se aproxima, um olhar de certa forma maravilhado enquanto a luz refletia na viseira de seu capacete.
- Sim sim, mas esse é o charme de Nublus, ele serve como uma capital estelar também, muitos alienígenas vem aqui de longe pra trabalhar, ou somente descansar, é um planeta todo que nunca descansa na verdade!
- Tipo Las Vegas?
- Dá de comparar talvez.
Mark observa, claramente curioso com aquilo.
- Mas, parece menor que a Terra, bem menor eu diria.
- Sim, o sistema em geral é bem reduzido se formos comparar com os planetas do nosso, mas eu acho que isso torna tudo mais interessante!
Ela puxa a TV para baixo novamente, o pequeno mapa que mostrava os quatro planetas e o sol na tela novamente.
- Aqui então é Nublus, esse planeta mais acinzentado, na esquerda, tem Norradia e Korradia, esses são os gêmeos!
- Não me parecem dois planetas, e sim somente um, mas fraturado?
A ilustração em questão era um planeta, com superfície vermelha, mas que parecia quebrado ao meio, como se algo o tivesse rachado como um ovo, no meio, um grande fio amarelado, quase como o caule de uma árvore parecia manter os dois juntos, como se tivessem grudados.
- Por que tem nomes diferentes, se são o mesmo?
Dash puxa a outra cadeira e senta do outro lado de Reni, quase como se Mark e ela estivessem sendo ensinados pela garota de menor idade.
- É bem curioso isso na verdade, antigamente, somente o povo Norradiano morava aqui, mas depois de algum tempo, outro povo veio de um planeta que hoje em dia não existe mais, eles se instalaram no subsolo do planeta, mas isso acabou deixando os Norradianos bem bravos, e eles entraram em guerra.
Ela vai explicando e gesticulando, enquanto os dois parecem somente acenar que entendem.
- Os Norradianos tinham uma arma nuclear bem destrutiva na época, e acabaram destruindo e quebrando no meio o próprio planeta, não por completo por que ele ainda se manteve ali né!
- E daí as duas raças acabaram em acordo de paz depois disso e cada um vive de um lado?
Mark aponta e toma a fala de Reni, assumindo o que seria lógico para ele.
- Na verdade não, as duas raças quase se destruíram por completo, e o que sobrou ainda tá em guerra até hoje, são duas raças bem egoístas na verdade pelo pouco que eu li!
Ela dá um sorrisinho, falando entusiasmada por saber tanto sobre o extermínio das raças de Norradia – O que na verdade era meio macabro, ou inteligente.
Ela vira a cadeira em direção aos outros dois que estavam sentados no sofá conversando sobre alguma coisa, e levanta, falando mais alto como se fosse uma comandante.
- Então, daqui algumas horas vamos pousar! Descansem o que tem que descansar tá bom? Eu vou tirar um cochilo antes de tudo, então assumam as pontas por aí.
Assim que termina de falar, o olhar cansado toma conta de seu rosto antes feliz, e a postura quebra totalmente, enquanto ela anda lentamente até os quartos – Talvez ela não tenha dormido até agora.
- Eu assumo o controle enquanto ela dorme.
Mark senta na cadeira confiante, observando os botões.
- Entendo sobre esse tipo de nave desde que saí do meu planeta natal na verdade, então sou o mais preparado para isso.
Ele planeja tocar no botão, o dedo pairando a centímetros dele, antes que vacile e desista, se reencostando – A verdade é que ele não entendia nada de naves, o que é irônico na verdade, mas ele nunca pilotou nenhuma.
- Por que você não disse que sabia pilotar antes?
Dash chega próximo dele com a cadeira, observando o painel também, um contraste bem grande quanto a forma violenta de rejeitar ele antes, mas com razão.
- Eu.. Não poderia revelar esse segredo para a garota.
- Ela nem tava na sala.
- ...
-
- Quando a gente pousar, posso conversar com você?
Veronika fala, enrolando o cabelo lentamente enquanto olha para baixo.
- Claro, mas sobre o que?
- Eu digo quando a gente for.. Vou no banheiro, já volto.
Ela levanta do sofá, indo para o corredor dos banheiros, somente para assim que levantar o olhar, encontrar Stile no cômodo da cozinha, ele estava na pia, ofegante até demais, o cheiro de vômito era indistinguível, ele parecia estar com o olhar vidrado no ferro refletivo, talvez olhando seu próprio borrão na pia enquanto estava naquele estado – Deplorável eu diria.