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Chamas da Vida
As gotas pingavam no chão, o suor de Bane era muito mais constante do que deveria, talvez pelo calor intenso que o seu inimigo fazia, era quase insuportável – 1.400°C era a temperatura mínima que uma chama azul apareceria normalmente, e o corpo humano, poderia suportar no máximo 126°C seria o máximo que um corpo humano aguentaria por certa de vinte minutos – Bane não aguentaria muito tempo a curta distância do dragão, e não tinha muito o que fazer, afinal seu combate principal era a curta distância.
Veronika atrás, se afasta até um local com um calor um pouco mais suportável, embora ainda fosse ruim, ela preferia não se afastar muito de Bane, rapidamente, com seu cajado ela cria quatro flechas de luz, e junta a magia, criando um laser como havia usado com Girls Don’t Cry.
Ela segura por alguns segundos antes de soltar na direção do inimigo, que com sua espada deflete, segurando o laser não tão potente, e o resto que iria para a sua armadura, nem sequer afetava ele realmente.
- Vocês acham que podem vir a um sistema totalmente diferente do de vocês, e falar que são os mais fortes por aqui? Que resolveriam um problema que nem sequer é de vocês? Não, de forma alguma, vocês vieram aqui para morrer, essa cidade vai ser o túmulo de vocês!
Assim que o poder de Veronika acaba, ele segura a espada de forma quase majestosa, ela parecia maior que antes, mas independente do porquê – Ele faz um corte limpo em todo o prédio, a labareda de fogo e o corte de sua espada passando de uma ponta a outra, quase acertando Bane, que olhava de forma praticamente incrédula.
O lado direito do prédio começa a deslizar para baixo fazendo um grande estrondo e se chocando com uma estrutura lateral, que quebra também, uma pequena catástrofe do dia-a-dia – Mas o mais importante, assim que o dragão empunha a espada com o corte limpo, Bane que estava observando percebe algo que não havia percebido antes.
“Quando ele colocou anéis nos dedos?”
Não anéis normais, mas eles brilhavam, com chamas que tomavam a pele dele por completo, talvez aquela fosse a fonte do poder que aumentava, talvez aquilo fosse o segredo das chamas.
“Se eu usar o novelo, vai ser inútil, as chamas destruiriam em segundos.. Eu tenho que dar um jeito de cortar a mão dele fora.”
Talvez fosse idiota se apegar a essa forma de vencer a luta, mas por agora, era a única forma que Bane via.
Bane observa enquanto ele retrai a espada após o corte, agora não bufando mais de raiva, ele parecia mais calmo tendo o controle na situação, vendo a incredulidade no rosto dos heróis, talvez fosse uma ótima fonte para seu egoísmo cego.
- Vejam! E entendam como a morte iminente de vocês é impossível de ser parada!
Ele anda em passos majestosos na direção de Bane, girando a espada com confiança, e sua cabeça levantada, como se fosse maior que os outros dois.
Bane segura a espada com força, com sua pose defensiva de sempre.
E o dragão sem pensar duas vezes parte em um passo rápido em velocidade a Bane, que tenta defletir o ataque, mas sua espada, é jogada longe com a força agora maior do inimigo – Seus ataques estavam melhores do que antes, todo o lado esquerdo de Bane havia sido queimado com esse ataque, queimaduras leves pela passagem rápida, mas que ele ainda sentia.
Ele olha para Veronika, e corre em direção a ela, pulando da ponta do prédio confiante – A garota em movimento rápido, cria duas grandes mãos com sua magia, segurando Bane e o puxando para perto, enquanto ela começa a se afastar do dragão, eu diria que é somente uma tomada estratégica de distância.
- O-o que a gente faz Bane?
- A mão dele, eu preciso tirar os anéis de alguma forma, você consegue imobilizar ele por alguns segundos?
- Minha magia perde força com o calor ou frio demais! Eu não sei se consigo.
- Me deixa ali.. Vê se tenta, eu não preciso de mais do que cinco segundos.
Veronika larga Bane em um prédio a até que uma certa distância, os dois ainda conseguiam ver o inimigo ainda, que parecia vir enfurecido – Ele pulava de um prédio a outro, como se usasse as chamas e sua espada ao seu favor para impulsão, vindo em velocidade extrema até Bane bufando novamente de raiva.
- EU DISSE, QUE VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE ME DEIXAR LUTANDO SOZINHO!
Ele chega praticamente voando na direção de Bane, que em poucos segundos puxa a espada antes usada e usa para defletir o ataque, a espada mais fraca que a anterior, é cortada no meio pelas chamas da espada do dragão e a pressão da força que aumentava cada vez mais, Bane tenta desviar, mas antes que pudesse, a espada acerta o lado esquerdo de seu rosto em cheio, a arma em chamas começa a atravessar a face dele com facilidade.
- VOCÊ NÃO TEM DIREITO DE NADA!
Mas antes que o ataque pudesse ser fatal, Veronika utiliza suas mãos de magia e agarra o inimigo, jogando ele com tudo para um prédio próximo, sua armadura em chamas quebra a parede e entra para dentro do prédio com facilidade – De forma desesperada ela vai até Bane e começa a aplicar sua magia “+” em sua ferida do rosto, cauterizando a queimadura antes que pudesse virar algo pior, mas ela não para com só um pouco da ferida curada, ela continua aplicando.
A medida que o rosto de Bane se cura de forma desesperada, o nariz de Veronika sangra, primeiro um pouco, mas cada vez mais.
- Bane, Bane, acorda Bane!
Os olhos de Bane abrem de pouco a pouco, seu olhar mais sério que anteriormente, enquanto Veronika começava a querer chorar em sua frente, ele se desvencilha dela e se levanta, de sua luva ele tira de pouco a pouco um item de grande cabo, que se revela sendo uma foice própria para batalhas.
Ao longe dos dois, o dragão levanta, furioso mais uma vez, ele pega de seu baú mais um dos anéis de vários que tinha, e coloca em um de seus dedos, pelas próprias contas, já haviam seis – Sem pensar muito, ele parte em direção do prédio com um pulo.
Mas antes que alcançasse qualquer um dos dois, Bane esperava na ponta do prédio com a foice a postos, enquanto o dragão se aproximava, o homem respirava fundo enchendo seus pulmões, levanta a foice, e aplica toda a sua força no cabo da arma antes de dar um corte no ar com toda a sua força, o “Destruidor de Montanhas” seu maior ataque em toda a sua força – Um corte passa por todo o ar, atingindo o dragão de cima para baixo que com a pressão, tenta aguentar por alguns segundos, mas é lançado contra o chão como se tivesse sido atingido nas costas por um dos prédios, ele cai com tudo, o barulho da armadura rachando, e um buraco se forma no chão afundando ele cada vez mais, uma pressão de um ataque que havia sido feito a segundos atrás, ainda poderia ser visto e sentido.
Bane desce de cima do prédio com um só salto, Veronika vem logo atrás preocupada, ele anda com certa imponência até o dragão, o que restava em sua mão era somente o cabo da foice agora quebrada.
- Me diz, que você é mais forte.
O dragão começa a murmurar e cuspir sangue, seu corpo ainda em chamas sem cessar.
- C-como você fez isso? Seu merdinha, um golpe de sorte.
- Eu usei a foice para me ajudar a direcionar o ataque para baixo, ao invés de destruir tudo, eu só queria destruir você.
Ele agacha lentamente, próximo o bastante para sentir o calor, mas não ligava tanto.
O inimigo começa a tentar se levantar do chão, ele crava a espada e começa a se mover, com dificuldade enquanto o sangue cai pela grade da parte da boca de sua armadura, logo evaporando no calor das chamas.
- N-não acabou! Eu continuo sendo o mais forte!
Bane puxa mais uma espada de sua luva, talvez mais resistente que a anterior, e olha com entreolhar para Veronika.
Veronika rapidamente aponta seu cajado, e dele saem duas mãos grandes que prendem o dragão no chão novamente, agora que suas pernas tremiam e ele não estava tão confiante, a espada presa no chão junto de seu corpo, somente uma de suas mãos poderia ser vista.
Bane respira fundo, não era burro o bastante para entrar nas chamas, e mais uma vez utilizando seu ataque de forma mais fraca, ele causa um corte lateral que pega a mão do dragão, e afunda ela ainda mais no chão, não parecia ser o bastante.
- Que saco.
O homem pula, e assim como o dragão havia feito bem anteriormente, ele entra nas chamas com um ataque descendente, diretamente no pulso do dragão, que finalmente acabava sendo decepado fora, assim quase instantaneamente, todas as chamas de seu corpo se apagando, e se mantendo somente na mão onde os anéis se acumulavam.
- NÃO! MERDINHA! C-COMO?
- Se enche de anel pra ficar forte.. Já eu? Sou natural bebê.
Ele pega a espada, e uma pequena risada escapa do canto de sua boca, antes que ele olhasse para o dragão no chão, e finalmente cravasse a arma em sua cabeça, atravessando a armadura e mantendo ele ali, segurado contra o chão.
Assim que Veronika desfaz a magia, ela cai de joelhos no chão, seu nariz sangrando mais que o normal, ela limpa, mas o sangue não parava de sair – Sem muito o que fazer, ela se reencosta na parede do prédio.
Bane, olha para ela preocupado, mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa também, sua visão começa a se ofuscar, e ele cai no chão desacordado, talvez o calor ou o esforço tenham sido demais para ele.
Ela continua reencostada no prédio, não conseguiria se mover por umas horas talvez – Mas instintivamente, ela dá um sorrisinho, estava feliz com a batalha, e com o resultado.
-
Stile chega na nave, ainda estava pensativo quanto ao tablet e seu conteúdo – Ele entra pela porta.
- Reni?
A garota a princípio não responde, mas o murmúrio dela não enganava a Stile – Ele vai até a sala e anda até o cockpit, virando a cadeira da piloto e vendo Reni que estava sentada em posição fetal escondida, ela olha para Stile e dá um sorrisinho, em seu colo, uma..
- O que é isso?
- Eu não sei, ele veio rastejando aqui.. Mas é fofo, não acha?
Era uma larva de cor totalmente preta, com coisas como fios verdes em sua pele, era estranha e meio nojenta.
- Tá bom. Enfim.. Olha aqui.
Ele puxa uma cadeira e senta do lado dela, pegando o tablet que a rainha havia entregado, e mostrando para Reni, que se aproxima curiosa.
- Cadê o resto?
Ela vira o rosto olhando pelo salão curiosa quanto aos outros.
- Não importa, foram pesquisar, mas eu vim te trazer as informações importantes.
Ele vira a cadeira dela de volta para o tablet, tentando fazer com que a garota foque.
- A rainha nos disse que nossa missão aqui, é achar e derrotar um tal de “O Arqueólogo”, que tem o poder de sumir com planetas inteiros e tá ameaçando o sistema solar daqui, ele tem dez seguidores, que tem codinomes que ressaltam sentimentos ou conceitos em si.
- Certo certo..
- Então, a ideia é que a gente vá ter que derrotar esses dez seguidores, e derrotar ele no final, mas segundo a rainha, eles tem poderes que poderiam dizimar uma raça alienígena inteira.
- Nossa.. Mas é forte demais isso né?
- É CLARO!.. Eu realmente não sei se a gente consegue lidar com algo assim.
- Vocês conseguem, eu confio!
Reni dá tapinhas nas costas de Stile como forma de motivação, mas ele levanta da cadeira e sai dali, indo até seu quarto.
- Não sei porque procurei apoio em uma criança.
Ele anda em direção ao corredor dos quartos, e logo vai até o seu próprio, sentando na cama como havia feito diversas vezes já – Ele tinha medo, medo de enfrentar seres com poder tão grande, não por medo da morte, mas por medo de que ele não conseguisse derrotar nenhum deles, que seu poder de fogo bem treinado não fosse nada.
Mas não é hora de pensar nisso, agora, ele tem que pensar melhor em toda a situação e entender ela.