13
Amor Momentâneo
Horas depois, Stile abre os olhos, estava sentado na cama e nem tinha dado conta de que havia dormido, o tablet jogado em seu lado, ele se deita no colchão, não era um cansaço corporal, talvez mental.
Ele suspira, olhando para o teto da nave, o silêncio era ótimo naquele momento, um pouco de descanso ao tanto que ele pensava – Mas não duraria tanto, como uma grande pontada ele se levanta, uma dor de cabeça forte, e pior ainda, seguida de um “tique-taque” que ele poderia sentir em sua cabeça, como um relógio de pêndulo batendo de um lado para o outro em seu crânio.
Stile coloca a mão no rosto, um gemido de dor saindo contra a vontade de sua boca, não era uma dor fácil de aguentar, era difícil de suportar – Ele se levanta da cama, procurando amparo nas paredes como teria feito aquela noite com Bane, sai pelo corredor da nave para ir até a cozinha ou banheiro, mas no fim do corredor algo o chamou atenção.
Enquanto tentava deixar os olhos abertos para resistir a dor, um relógio captura sua atenção, uma mão enfaixada segurava ele, no meio do escuro do corredor era possível ver a silhueta das faixas marrons caídas, e por um momento, o relógio que soava na cabeça do homem, agora estava naquele pequeno relógio de bolso na mão da silhueta misteriosa.
Stile olha e corre até ele em desespero, talvez uma forma de que o tique-taque parasse de soar, ou uma comprovação de que não era a falta de remédios – Assim que chega ao fim do corredor, a silhueta parece também correr, Stile segue por onde achava que estaria, passando pela sala e indo até a parte de fora da nave correndo em desespero.
Recuperando os sentidos, a figura parecia ter sumido em meio ao estacionamento de naves, e o tique-taque começava a desaparecer, Stile continua andando agora um pouco mais calmo ainda procurando o ser – Ele chega na entrada do estacionamento, e escorada contra uma guarita, uma silhueta esbelta de quase sua altura estava de costas.
Agora que tomava conta, Stile olha para cima e percebe o céu noturno coberto de estrelas, mas que não era tão perceptível pelas luzes fortes da cidade, independente disso, ele olha para a figura que vestia um grande vestido verde de estampa florida.
Seu cabelo de um marrom escuro era preso para trás chegando até quase suas pernas, e ela continuava parada como se esperasse alguém – Stile chega atrás da moça, e toca em seu ombro, agora o tique-taque já havia parado, mas a esperança de ver a silhueta ainda persistia.
- O-olá, moça, você viu alguém saindo desse estacionamento?
Ele balança a cabeça e abre os olhos mais, agora voltando totalmente ao controle, mas assim que a mulher vira, seu olhar é pego instantaneamente pelo olhar dela.
- O-oi..! N-não, não vi ninguém..
Assim que ela se vira, o único olho de Stile foca no olhar da mulher, ou nos seis olhares na verdade, são seis olhos laranjas sem pupilas, eles brilhavam de forma encantadora no meio daquele estacionamento que era iluminado pelas luzes dos prédios ao redor.
Em seu rosto, além dos seus seis olhos, ela não tinha qualquer forma de nariz, somente uma boca que estava feita em um sorriso constrangido, mas amigável o bastante – Ela tinha orelhas, quase como as de um cachorro, eram quatro aos lados de sua face que abanavam como a de um filhotinho triste. Seu vestido verde era tão simples que parecia que poderia cair a qualquer segundo, não parecia uma vestimenta, e sim somente um tecido que cobria ela de forma que fosse mais aceitável para a sociedade.
Uma flor rosa pairava como acessório no meio de seu vestido acima de seus peitos, sua pele acinzentada se misturava com a noite, e reluzia no clarão das luzes, e em seu cabelo, numerosos enfeites de rosa como o do vestido estavam presos em todo o comprimento dele.
Ao que Stile consegue a perceber, seu olho traça toda a sua roupa e seu corpo, como se deslumbrasse cada centímetro do ser alienígena em sua frente – Esqueceria do tique-taque e da silhueta naquele momento, sua mente se tornava nubla com pensamentos que passavam da impureza categórica e de qualquer lei que algum dia poderia proibir relações interplanetárias.
- A-ah.. Claro claro.. D-desculpa o incômodo.
Ele abaixa o rosto e vira para o lado, como se quisesse fugir, tomando um rubor fora do normal e perceptível além de qualquer outro – Embora sua mente criasse cenários que nem ele imaginava possíveis, ele ainda tinha ética o bastante e resiliência mental para diferenciar tudo.
- Não! Tudo bem, por acaso você sabe onde estão os “Heróis Mundiais”? Eu tenho uma entrega e preciso de uma ajuda.
Instantaneamente Stile sobe o rosto, como movimento involuntário.
- Sim sim, eu sou um deles se não se importa!
Ele coloca as mãos na boca, como se sua fala não fosse de si próprio, e talvez até não fosse mesmo.
- Então, pediram um motor de nave novo, acredito que para explorar melhor o sistema.. Eu deixei ele aqui em uma garagem próxima por que não tenho força para trazer.. Sabe se tem alguém que poderia me ajudar?..
Ela encosta os ombros contra os dele, os sinais pareciam claros, o jeito que falava, ela já sabia que ele a ajudaria – E Stile começava a pensar aonde aquilo ia dar, ele dá passos nervosos para trás, com as mãos ainda na boca, mas logo solta novamente.
- Eu ajudo! Eu te ajudo a trazer, sou forte!
Ele sabia que não teria falado isso – Ou falaria? Sua mente se tornava cada vez mais confusa, quase como se fosse apagando de pouco a pouco.
Quase como em flashs, ele vê sua mão sendo agarrada pela mulher que sorria para ele, seu corpo sendo levado pelos becos da cidade – Parecia que estava bebâdo, mas ao mesmo tempo sabia que estava totalmente sóbrio, tinha se embriagado? Mas de quê?
Em poucos segundos, Stile se via entrando em, o que parecia ser um hotel, havia concordado com isso? Mas não resistia, ele subia o elevador, por si próprio apertava o botão, e quando percebe, suas mãos estavam na cintura da alienígena que ele beijava de forma apaixonada.
Como se tomasse consciência, Stile de desvencilha dela, e olha para os lados – Um quarto luxuoso, talvez o último do prédio? As estrelas podiam ser vistas claramente, eram tão bonitas, tão romântico.. Não! De forma alguma.
Tinha uma cama de casal no centro, uma cama totalmente decorada, fitas vermelhas por todos os lados, os cobertores já prontos e a cama totalmente arrumada – De resto, o quarto era tão vazio, parecia ser próprio para que passassem somente uma noite, que mal faria Stile? Esqueceria seus problemas por nem que fosse um segundo.
Ele por um segundo pensa, olha para ela que ofegava esperando por mais, assim como ele também esperava – E sem pensar mais do que já fez, ele agarra na cintura dela novamente, enquanto o próprio abria a roupa da alienígena que não se opusera em segundo algum.
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A partir daquele momento, a noite para Stile não passou de sensações, sentimentos irracionais e carnais, era assustador o que teria feito para esquecer pelo tanto que havia passado, pelo estresse que sua mente tinha tomado como dele – As estrelas passavam pelo céu como um piscar de olhos, Stile não sabia onde nenhum de seus colegas estava, nem ele próprio sabia onde estava, mas não ligava para isso, por que ligaria? Teria todo o sentimento de amor que precisava ali mesmo.
- Eu.. Te amo.
Amava? Amava mesmo? Nem ele próprio sabia, mas naquele momento, não parecia importar.
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Stile abre seus olhos, a luz do sol entrava pela grande janela na parede em suas costas, ele estava deitado na cama, seu corpo praticamente jogado após tanta coisa que.. Ele não se lembrava – Se sentia fraco, não conseguia mover seus braços, mas não precisava naquele momento, sua mente ainda estava nubla o bastante para que se sentisse bem pelo o que fez.
- Ah.. Foi ótimo.. Revigorante no mínimo.
A mulher vestia novamente seu vestido em frente a cama, enquanto estava de costas para Stile, ele.. – Ela era tão acinzentada assim? Seu cabelo era tão feio? Essas orelhas, um animal.
Stile olha com estranheza para ela, cadê a mulher que a poucas horas dizia que amava tanto? Talvez, fosse somente um amor momentâneo – De pouco a pouco sua mente volta a pensar normalmente, a ser clara.
- Amor.. Você sabe o significado disso?..
Ela dá uma risadinha, sua voz parecia mais arranhada do que antes.. Talvez fosse impressão pelo tom agora usado.
- “Eu te amo”, tão convincente.. Foi ótimo de ouvir, gostaria de ouvir mais uma vez, me faz esse favor?..
Ele tosse um pouco tentando falar algo, mas nada além de um murmúrio rouco sai, parecia que tinha pegado uma gripe de um momento para outro, o corpo estava fraco.
- Não consegue.. Que peninha Stile, você lembra de algo de ontem?
Ele começa a pensar.. Não lembrava de nada após começarem a se despir, parecia errado, eles beberam depois?
- N-não..
Stile murmura para ela, enquanto tentava sentar na cama, suas pernas e braços doíam.
- Esperado.. Sabe, eu acho que amor não é muito mais que.. Isso que a gente teve, aquele sentimento natural que aparece como uma flecha, como um ataque, e a partir de quando você sente, você.. Para de pensar..
Ela começa a arrumar o cabelo, escovando ele em um dos cantos do quarto – Stile olha para ela, aos poucos ele começa a pensar, lembrar do tablet, suas mãos tremem.
“Amor?.. Por que ela insiste tanto nisso?.. Amor.. Amor.”
Ele olha para os lados, jogado ao canto do quarto estavam suas roupas, juntamente com suas armas, ele se segura na cama, pronto para qualquer ataque – Um dos dez seguidores era dito como amor, talvez fosse ela, era lógico, teria sido trazido para cá como um feitiço, talvez um poder.
- As vezes eu tenho uma dózinha de fazer isso sabe.. Mas é meu trabalho! O que eu poderia dizer né? Se você tivesse sido melhor que outros, eu poderia talvez brincar um pouco mais.
Ela se vira, e lambe os lábios, sua língua parecendo mais longa que a de um ser humano – Ela puxa seu cabelo e abraça o rabo de cavalo, girando levemente, com um piscar de olhos, da ponta do cabelo, uma grande esfera aparece, espinhos reluzem dela.
A mulher olha para ele, dá uma risada, e gira a maça em seu cabelo, era uma arma, mas como antes o cabelo parecia tão leve? – Não era hora de pensar nisso.
Stile continua preparado, não estava tão surpreso assim pois naquela hora, já era mais que esperado – A mulher gira a maça, e rapidamente joga ela de forma a varrer o quarto de um lado para o outro, uma grande corrente sai de dentro do seu cabelo, esticando ainda mais a massa que já alcançava talvez dois a três metros de distância.
A arma varre e quebra as quatro pontas do teto de madeira que a cama tinha, as sustentações de uma madeira luxuosa eram quebradas rapidamente, e antes que a parte de cima da cama caísse em sua cabeça, Stile pula para frente, desviando por baixo da arma que passava a centímetros de seu cabelo.
Ele cai na frente da cama, suas pernas falhavam ao rolamento, não deveria acontecer algo assim, talvez essa fraqueza fosse efeito do poder – Era o que ele pensava naquela hora, ele visualiza sua arma, sabia que no combate corpo-a-corpo talvez fosse falhar na situação que estava.
Stile dá um pulo e corre com destreza até as armas, mas antes que pudesse alcançar, a mulher lança a massa a centímetros de seu rosto, ele se lança para trás com rapidez desviando e poucos segundos depois teria que executar um segundo desvio, quando ela gira a arma que passa por seu lado novamente – Se vendo livre enquanto ela puxa a massa novamente para gira-la em motivo de fazer mais um ataque, ele se joga para cima das armas e de suas roupas, e pega o seu fuzil já apontando para a mulher.
- Você é rápido, mesmo que esteja fraco.. Mas daqui a pouco, isso vai acabar..
Assim que ela termina de falar, Stile sente uma pontada de dor no peito, caindo sentado no chão, por um segundo, uma falta de ar repentina o toma, ele começa a hiperventilar e tremer, soltando a arma.
“O.. Oque é isso? É alguma habilidade dela? O que ela fez comigo?”
Sem muito tempo pra pensar, ele tenta levantar mas suas pernas falham, enquanto ela gira a maça de forma confiante o bastante.
- O que tá acontecendo? O que você fez?
Ele aponta a arma para ela, agora suando e tremendo, Stile tinha medo, sua visão estava começando a ficar levemente escurecida.
- Ahh.. Queridinho.. A nossa raça tem uma habilidade muito útil contra seres de mente fraca como você..
Ela começa a circular o quarto, chegando levemente mais próximo dele de forma ameaçadora mas ao mesmo tempo encantadora.
- Em condições específicas como a sua, os cheiros e fluídos que soltamos produzem formas de atração praticamente irresistível, isso nos permite influenciar as ações de nossos alvos com muito mais facilidade, como.. Se estivessem bêbados.
Stile tenta retomar a consciência dando tapas em sua cabeça, mas ele olha para baixo, e de pouco a pouco, pingos de sangue caem no tapete luxuoso, ele passa a mão em seu nariz, estava sangrando – Ele tenta levantar a arma, mas parecia grudada no chão, sua força era mínima para se sobressair em uma condição dessas.
- E caso passem a ingerir ou entrar em contato direto com esses fluídos, eles podem entrar no seu sangue a partir de qualquer entrada para o seu corpo, e nisso, a sensação de êxtase e fraqueza que já sentia só de sentir meu cheiro, toma todo o seu corpinho.. É interessante né?
Ela para de girar a massa, observando Stile que parecia perdido no chão olhando para o próprio sangue enquanto caia em suas mãos.
- Mas não se preocupa queridinho.. Essa sensação vai passar, mas antes disso, você não vai conseguir nem se mover normalmente.
Ela dá uma risada quase maléfica, digna de ser dada por um vilão antes de concluir seu plano maligno – E de um segundo para o outro, joga a massa na direção de seu peito, mas para a surpresa da mulher.
Stile pega a faca que estava perto de seu joelho e antes que a maça o atingisse, ele deflete ela com a arma, sem força alguma para defender, mas pelo menos, ele acaba fazendo o item deslizar e mudar a trajetória, caindo em seu lado, mas levando a faca junto infelizmente.
Ele aproveita esse momento, e pega a sua pistola, era relativamente mais leve que o fuzil e de fácil manuseio, mira com todo o foco que podia na mulher e atira – O tiro passa raspando em seu vestido, queimando levemente o canto.
“Droga, eu não consigo mirar. Preciso dar um jeito de esperar isso passar, preciso melhorar.”
Como não consegue andar por si próprio, ele usa a força de impulsão com seus braços e pernas para se jogar para frente, rolando até um outro canto do quarto – Seus olhos correm pelo cômodo inteiro a procura de alguma forma de se proteger, algum escudo, mas o local era tão vazio que nada parecia poder o ajudar naquele momento.
- Vem aqui vai, você não tem como fugir! Aaahhh.. Minha irmã adoraria você, mas eu não tenho tanta paciência assim.
Ela puxa a massa novamente, subindo até o topo de sua cabeça e descendo de forma a tentar acertar Stile, que se lança para trás novamente contra a parede do quarto, era uma parede fofa, espuma de isolação acústica.
“Gritar pra qualquer um me ajudar tá fora de questão.. Não que eu fosse fazer isso.”
A arma da inimiga era lenta o bastante para que Stile continuasse desviando sem tantos problemas, mas se sua condição de fraqueza piorasse, seria acertado com toda a certeza, não havia forma de sair daquele combate, e poucas formas que ele via de se proteger – Era questão de tempo até que ela acertasse um ataque em Stile, e ele precisava fazer de tudo para evitar isso, embora a munição de sua pistola estivesse quase completa, poderia acabar a qualquer momento, assim como suas opções.