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Confiança e Coragem
O inimigo parte para cima, sua velocidade era até que impressionante para o seu tamanho, como em um pulo, ele dá um soco de cima para baixo com um de seus braços, tentando acertar direto a cabeça de Dash, que sem muita dificuldade, desvia em alta velocidade – Ela aproveita e dá a volta no alienígena, um soco da esquerda para a direita, mas embora fosse um soco forte, ele segura com seus dois braços, somente sendo arrastado centímetros, sem parecer sentir nada, a pele do ser parecido com uma tartaruga era dura, parecia uma casca ou coisa parecida, embora não fosse.
- Realmente é forte a menina! Não decepcionou!
Ele dá uma risada e flexiona seus braços, girando eles como se estivesse se aquecendo, posiciona seus dois pés com as pernas flexionadas no chão, em uma pose mais estável.
- Você e o outro são os rapidinhos do time não é? Se eu tirar vocês dois da frente, já me ajuda bastante.
- Ham, claro! Mas olha, você não tem nenhuma chance.
- É isso que eu quero ver!
Dessa vez ela parte para cima, fazendo uma sequência de vários socos no alienígena, mas que em sua posição, era arrastado pouquíssimos centímetros para trás enquanto defendia todos com seus braços, ela tenta um ataque por baixo, ele defende, em sua costela, ele também defende, a utilidade de seus quatro braços criavam uma barreira quase impenetrável em sua frente – Mas, ela insiste por mais um tempo, enquanto ele começa a gargalhar se divertindo com a defesa.
- Eu sou ótimo nisso!
Ela dá mais um soco, e se afasta levemente, puxando o fôlego, antes de engatar uma sequência ao redor dele, isso era o que ela mais sabia fazer, socar até que o inimigo cedesse, embora houvesse outras cartas na manga, aquilo poderia ser o bastante para lidar com o inimigo, deveria ser.
Dash soca a canoa em suas costas, que com sua sequência de socos rápidos, não quebra de forma alguma, não parecia nem rachar, na verdade, as mãos de Dash já começavam a doer, era como se socasse uma montanha infinitas vezes esperando que ela quebrasse, até que – Um de seus braços para de defender, e enquanto ela continua socando confusa com tudo, ele agarra ela como se não fosse nada, pegando seu corpo com somente uma das mãos.
- Deu deu.. Agora é minha vez.
Ele aperta a garota com força, uma força definitivamente desumana, como uma prensa hidráulica que a faz cuspir um pouco de sangue instantaneamente, mas o aperto não dura tanto, afinal ele pula, o mais alto que consegue com uma impulsão incrível, e joga a garota no chão com força, que cai, afundando no concreto duro da rua, a dor daqueles ataques, era uma força que talvez somente um maquinário poderia repetir – Mas antes que ela pudesse se mover da pequena cratera, ele cai com tudo, dois de seus punhos parando diretamente na barriga da menina, que se afunda ainda mais no concreto cuspindo ainda mais sangue no visor do capacete.
Embora ela quisesse que aquilo parasse naquele momento, não era o que iria acontecer, ele segura Dash novamente com duas das mãos, e retira seu capacete, jogando ele para o lado no chão, o sangue que havia cuspido em seu interior cai, enquanto o rosto amedrontado dela, e suas lágrimas de dor que caiam, também são expostos, como se ele a despisse com somente aquele movimento – Ela olha para o capacete caindo no chão, uma onda de desespero saindo de seu corpo, ela tinha que se mover, tinha que sair dali, mas independente da velocidade, nada romperia aquele agarrão forte até demais.
- O que tá acontecendo aqui? Que rosto deplorável menina! Eu achei que era forte, mas não tô vendo nada disso por baixo dessa máscara!
Ele aproxima Dash de seu rosto, enquanto a aperta ainda mais, seus membros ficando dormentes com a circulação de seu sangue parando.
- Vou te falar uma coisa.. Pessoas que são corajosas, pessoas confiantes assim como eu diria que você fosse, não se escondem por baixo desse tipo de coisa, não tem um “uniforme de estilo” para se sentirem alguém realmente confiante, elas somente são, e se você precisa disso? Não deveria se considerar nada além da pior escória em uma batalha. E uma escória como essa, não merece ter o mínimo de diversão, o seu rosto condiz com o que deveria sentir menina.
Ele aperta ela ainda mais, o sangue caindo entre seus lábios que ela mordia com tanta dor, mas de um segundo para outro, ele se posiciona, direito no chão, olhando para o seu rosto, sua expressão não havia mudado, ele continua sereno e confiante, embora seu monólogo fosse de ódio, ele não expressava, ele não sentia isso – Ele olha por uma última vez para a garota, antes de jogar ela com toda a sua força na parede de um dos prédios, o corpo imóvel dela atravessa a parede de concreto, e não só a primeira, ela atravessa o prédio todo, explodindo as duas paredes com o impacto, a pressão do ar sentia como se os seus ossos estivessem começando a se dilacerar, antes que ela batesse na parede de outro prédio, parando em um beco sentada.
- E-eu.. Preciso sair daqui..
Ela tenta se levantar, mas era como se seu corpo não funcionasse – Então ela começa a rastejar, talvez se conseguisse fugir um pouco seria bom.
Mas Lindsay não poderia fugir, ela era corajosa, deixaria que alguém com tanto ego passasse por cima dela? Deixaria que fizessem algo assim? Ela era a quarta heroína mundial, não poderia ser considerada fraca, estava entre os mais fortes de onde vinha, não poderia desistir, não agora – Ela conseguia ver ele vindo, em passos lentos, gargalhando passando pelos buracos nas paredes que ele havia feito usando seu corpo como projétil.
- Já tá morta ou vou ter que terminar o trabalho? Melhor se já tiver feito o mais difícil viu!
Ela coloca a mão na parede, se puxando para cima, enquanto tenta equilibrar suas pernas que voltavam a ser sentidas de pouco a pouco – Ela olha para ele, passando a mão em seu cabelo dourado, e de uma hora para a outra, some em um borrão roxo pelo beco, deixando o alien em forma de tartaruga ali parado, ele para por um segundo ao chegar no beco, olha para os lados e gargalha colocando a mão na barriga.
- É, ela fugiu.. Fazer o que, pelo menos o recado tá passado, acho que nenhum deles volta.
Ele se vira, limpando as mãos, mas antes que virasse totalmente seu corpo, ele é pego de surpresa por um raio de borrão roxo chegando pelo buraco da parede em alta velocidade – Lindsay havia dado a volta em vários dos quarteirões enquanto acumulava velocidade para finalmente atacar o alien, em um golpe certeiro em seu rosto, ele acaba defendendo com um de seus braços, e começa a ser arrastado pelo chão, mas era tanta pressão da velocidade da garota, que não poderia conter.
- Eu não fugi! Vou te provar que sou corajosa o bastante para lutar com você!
A pressão acaba fazendo os braços do alienígena cederem, e em um soco direto em seu rosto, ela lança ele passando pelo prédio atrás, explodindo as duas paredes de concreto do outro prédio como ele havia feito com ela, ele é jogado em uma rua do outro lado, arrastando no chão de concreto enquanto caia, ainda estável o bastante – Lindsay balança sua mão, estava acostumada a dar socos fortes, mas como havia referenciado antes, era como socar uma montanha esperando que dilacerasse ela totalmente. Embora dessa vez tenha feito um estrago aceitável.
- Opa.. Agora eu gostei de ver. Mas pra mim, ainda não foi o bastante.
Ela some por um segundo, voltando com seu capacete agora, se sentia inteira como Dash, ela se afasta uns passos para trás, sua perna falhando um pouco, embora ainda se mantivesse de pé, os ataques de antes haviam feito ela se machucar demais para aquele momento, mas poderia lidar com isso, por agora – Ele levanta, e dá alguns tapas no rosto, onde ela havia socado, se aproximando lentamente.
- A gente ainda nem começou! Vem aqui menina.
Ela começa a olhar para os lados, quantos metros? Quantos metros poderia acumular de forma a pegar ele de surpresa novamente? Quantas vezes poderia fazer isso novamente? – Ele começa a correr na direção da mulher enquanto ela olha para os lados, tentando agarrar ela, mas que rapidamente desvia, tentando fazer um ataque por baixo, mas era tão fraco que ele nem sentiria, socos normais não funcionariam.
“Dez metros, eu preciso acumular isso no mínimo.”
Dash olha para trás, e sai correndo, fazendo a mesma coisa novamente, embora agora trocasse o caminho que faria, ela acumularia em torno de cem metros por onde gostaria de passar, ela consegue ver ele na distância, dentro do prédio onde havia deixado, e mira novamente, diretamente na cabeça do alienígena – Um soco direto, que ele segura, seguido de outro soco, e mais um por baixo, um combo que gastava em torno de dez metros a cada soco diferente, mas ele defende todos com qualidade impressionante, parecia já preparado.
- Isso é ridículo.. Não tente mais.
Ela se afasta, já pensando no próximo passo, mas escuta um barulho estranho no chão, ao olhar.
“Água? Uma poça?”
Não era somente uma poça, todo o redor no chão parecia começar a ter se tornado um pequeno lago que se tornava mais profundo a cada segundo enquanto ela caia, ela começa a andar para trás, e quando olha para ele, da barriga do ser, um jato de água sai, pegando a garota e jogando para longe, ela vai direto para o chão de concreto, sendo arrastada ao longo do chão assim que a água se dissipa – Ela olha para ele confusa, cada passo que a tartaruga dava, trazia o círculo aquático mais próximo, ele não parecia afundar, embora o local se tornasse um lago de pouco a pouco, como se fizesse do espaço ao seu redor um domínio aquático.
- Se você tem o seu jeito de jogar, vou fazer o meu jeito também.
- Justo.. Eu acho.
Ela limpa as gotas de seu visor, levantando, água não era o problema, afinal acumulando certa velocidade ela conseguiria correr sobre ela, e atacar, desde que não parasse não afundaria – Ele começa a correr na direção dela, a mulher já preparava sua velocidade pensando na melhor forma de desviar de qualquer ataque iminente, três colunas de água saem do lago ao redor da tartaruga, sendo jogados de forma pressurizada na direção dela, que desvia dos três, começando a correr ao redor, evitando a água ao máximo, não sabia qual seria a influência total dele sobre sua área aquática.
Ela gira ao redor dele incontáveis vezes, acumulando metros enquanto desviava dos pilares de água que eram jogados em sua direção incontáveis vezes, o alienígena continuava fazendo ataques em vão, na esperança de a alcançar com cansaço ou não, mas quanto mais tentava, mas Dash ficava rápida – Dash começa a ofegar um pouco, pensando que daqui a pouco perderia o controle acumulando tanta velocidade, então decide atacar.
Ela pula, virando em direção a ele com um chute direto em seu rosto, o inimigo utiliza seus quatro braços para defender, mas a contagem de metros que gastaria era o bastante para que ele perdesse seu equilíbrio total e começasse a descer para o lago, como se fosse um sólido, um chão que pisasse – Ela pula de seus braços, e agarra eles, jogando para baixo antes de começar um combo de socos em seu rosto com todos os metros que havia acumulado, era rápido o bastante para que ele não conseguisse se defender.
Os metros de Dash acabam em meio ao ataque, logo, ela pula para longe para tentar se recuperar, mas não consegue, um puxão em sua perna que a joga direto na água, ele a havia agarrado com rapidez após receber tantos golpes, mas não parecia ter se afetado tanto assim se não fosse pelo chute principal.
Dentro da água, a garota começa a tentar nadar, mas não tinha tanta rapidez assim para isso, deixando com que o alienígena propriamente finalmente se enfiasse dentro do lago, agarrando ela e jogando contra o chão que revestia o fundo, ele segura ela, e começa a socar a garota como havia feito antes, o corpo todo dela era pressionado, como se o inimigo tivesse poder sobre a pressão da água que a rodeava também.
- Foi uma boa tentativa, tenho que reconhecer, não morreu como qualquer uma poderia morrer.
Ele continua com vários socos no corpo de Dash, que não vê brecha para qualquer desvio, eram quatro braços com uma força e pressão que pareciam ter aumentado ainda mais dentro da água, a pele do alien brilhava de forma fosforescente, um brilho fraco mas que iluminava o escuro do fundo daquele lago artificial criado pelo seu talvez poder.
Ela começa a olhar para os lados, procurando alguma brecha, alguma forma de desvio, que não consegue achar, onde estaria Mark inclusive? Por que não voltou até agora? O que aconteceu, ela não gostaria de morrer ali, mas não havia mais jeito algum, a única coisa que poderia fazer era esperar que alguém a salvasse talvez, como já haviam feito antes.
-
- Amiga, você tem certeza que ele vem?
Lindsay olha para o lado, sua colega chega de dentro do estabelecimento passando as portas automáticas, ela pega o celular de dentro do bolso e observa, o horário já estava quase chegando, e nada de Joe.
- Ele disse que viria.. Eu quero esperar mais um pouco.
- Ai amiga, vai que ele se enroscou com o trabalho ou coisa do tipo, sabe como é né?.. Mas é estranho, ele deveria estar aqui com você nesse momento importante né?
Ela procura o contato de seu namorado, e liga enquanto olha para a amiga, e para o horizonte no estacionamento daquela única unidade espacial – Eles não haviam se falado a três dias, não era normal, e Lindsay sabia disso.
- Eu vou esperar lá dentro tá? Já já vão chamar a gente pra se preparar, então vê se não estoura o horário!
- Sim.. Pode deixar.
Ele não havia atendido novamente, um aperto no coração da garota, que olha para baixo, não sabia se estava com medo do que iria fazer, ou decepcionada, talvez preocupada com seu namorado que não havia aparecido.
“Mas ele prometeu..”
Ela começa a dar meia volta para entrar, mas não antes que escutasse o barulho de um motor em alta velocidade, Lindsay olha para trás esperançosa, e lá estava o carro que conhecia, um carro simples, que Joe havia ganhado de seu pai a anos atrás, mas que significava muito para ele – O homem derrapa no estacionamento, sem nem se preocupar de achar uma vaga, e sai do lado do motorista correndo, abrindo a porta como se o mundo estivesse acabado, ele tinha somente um buquê exagerado de flores de várias cores, e estava arrumado como se fosse para um casamento, ele corre até ela ofegante.
- D-desculpa meu amor! Eu cheguei à pouco e tive que vir correndo o mais rápido que pude.. Mas comprei isso para você.
Ela olha para ele, um sorriso envergonhado mas feliz aparecendo no canto de sua boca, ela se aproxima em passos lentos e medidos, o aperto em seu coração havia desaparecido, e o abraça, sem dizer nada – Lentamente, pequenas lágrimas de satisfação caem pelos seus olhos, umedecendo o terno dele sem muita preocupação.
Joe abraça a garota com força, dando um sorriso e jogando toda sua preocupação anterior fora, nenhum dos dois fala qualquer palavra, somente um abraço quente e satisfatório com um clima que se instaura, uma despedida, que seria momentânea, mas demorada – Ele acaricia os cabelos da garota, antes de afastar levemente o abraço, podendo olhar em seus olhos com a mesma ternura que sempre tinha em momentos assim.
- Eu te amo Lindy, eu vou sempre te amar, desculpa as coisas que eu fiz sem pensar, as brigas bestas que eu fiz a gente ter, mas nada disso, nada do que eu fiz sem querer, ou até querendo, poderia superar o amor que eu tenho por você minha flor, desculpa por não te atender, desculpa por não poder estar com você em momentos que você também precisava mais que tudo.
Ela se afasta dele, e dá uma risadinha, enxugando as lágrimas e dando um tapinha no peito do homem, que olha curioso.
- Você tá lendo muito romance viu! Você planejou essa chegada romântica né?
Ele olha para ela, um rubor claro subindo em seu rosto, ele suspira decepcionado, derrotado.
- Só um pouco tá.. Mas não planejei chegar tão tarde assim!
- Idiota! Mas foi fofo vai. Quando eu chegar quero mais desse Joe romântico.
- É claro..
Ele olha para baixo, mas chega nela, e a abraça novamente.
- Mas eu te amo mesmo Lindy, de coração, para todo sempre.
- Também te amo Joe..
- Agora vai lá minha flor, tá no horário, se cuida, e volta bem tá bom?
- Tá bom amor.. E você, fica bem!
- Eu vou ficar.
Ela se solta de seu abraço totalmente, dando um último beijo apaixonado em sua boca, e pegando o buquê que ele segurava, ela adentra o prédio novamente, a porta automática se fechando, mas não antes que ela desse uma última piscadinha e uma risada para ele, que acena de volta – Assim que as portas se fecham, Joe olha para cima, o foguete visível na distância, era tão grande, uma viagem de ida e volta que sua amada participaria e estava tão ansiosa para.
- Eu espero que você fique bem, eu vou te amar, para sempre flor.
Ele dá as costas, vai até o carro e entra, seu olhar agora decepcionado e mais frio após ter se despedido dela, ele olha o foguete no horizonte, as nuvens no céu, e começa a chorar apertando o volante com força, ele dá socos fortes no banco do passageiro ao seu lado – Mas logo respira, e se acalma, colocando a cabeça contra o volante, e ficando quieto enquanto as lágrimas escorriam.
Minutos depois, ele liga o motor do carro novamente, e parte de volta para a cidade.
-
O alienígena sai da água, balançando os braços um pouco e flexionando eles, e dá uma gargalhada.
- Um de cinco, espero que o resto já tenha ido embora.
Ele continua andando, o lago de água atrás dele se desfazendo e trazendo o corpo de Dash de volta para a superfície de concreto agora quebrada, a poça de sangue agora se fazia embaixo – Três tiros, acertam o peito da tartaruga e passam direto, perfurando ele totalmente, e o sangue começa a cair, ele dá um passo para trás, mas não parece ter tido tanto efeito, antes de ele olhar para frente, e ver as três silhuetas.
Mark estava pairando no ar, com algumas de suas bolinhas de luz voando juntamente também, Bane já segurava sua espada novamente, com um sorriso confiante, mas que parecia ter vacilado ao ver o corpo de Dash atrás do alienígena, e Stile com a arma apontada, a fumaça saindo dela.
- Eu marquei ele já.
- Então vamos lá.