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Fé é Algo Maravilhoso
- Nenhum de vocês podem destruir a residência de nosso deus!
O irmão de Mark partia em fúria passando entre as residências que caiam aos pedaços em seu redor, ele segurava uma grande lança de luz e uma armadura branca praticamente igual a de Mark, a tartaruga olha para ele, dando um suspiro, naquele momento vários já haviam tentado o parar tanto quanto os outros assassinos – O vilão segura o homem armadurado antes que ele pudesse desferir um golpe, era claro que a investida era falha e que o residente daquele planeta sequer sabia lutar. Mas não era como se aquele planeta fosse indefeso, eles tinham uma guarda mas que agora havia sido completamente massacrada por sua equipe em diferentes partes daquele planeta.
“Haviam me deixado com a capital, quando isso aconteceu, meu cargo ainda não havia sido rebaixado. Confiança era uma das maiores virtudes.”
- M-Maldito! Por que fazem isso?! Se rendam e pensem na iluminação de nosso deus, ainda podem ser perdoados!
- Perdoados? Me desculpe garoto, mas agora não acredito que exista uma iluminação para mim. Meu paraíso já acabou.
Ele aperta o “herói” enquanto observa o seu redor, ao seu envolta casas e estruturas caiam aos pedaços, inundadas, destruídas, um cenário de uma guerra caracterizada por um homem só, vários corpos de guardas do templo estavam caídos – Mas embora tanto estrago tivesse sido feito em tal cidade, uma única estrutura permanecia de pé, um templo maior ao centro de tudo, com uma estrutura aberta cheia de grandes pilastras feitas de um metal branco como a neve, tudo reluzia de forma extrema, uma paisagem antes limpa mas agora manchada de sangue. A tartaruga observa o templo, olha para os corpos no chão, e começa a andar.
“Era lógico, embora fossem tantos minha natureza era contrária a natureza daquele povo, é o básico que você aprende enquanto cresce, luz é um tipo de energia, e em uma grande concentração de água, não importa o quão forte seja, luz também se dissipa.”
Ele sobe as escadas do templo, manchando o chão de sangue com seus grandes cascos, não havia barulho algum, um silêncio oposto aos gritos e barulhos de onda e destroços na parte de fora disso, uma paz interna poderia tomar conta de qualquer um, Confiança caminhava adentrando mais, até chegar em um pátio interno, cheio de flores e plantas de formas variadas, naturais daquele planeta, algumas flutuavam e outras brilhavam como vagalumes.
“Mas, eu me lembro de algo que havia chamado minha atenção, no centro daquele grande pátio, havia um monumento, um grande pássaro com as asas abertas, em sua cabeça uma coroa dourada e brilhosa, além de um círculo em suas costas como um sol, ele usava adornos e ao seu redor outros pássaros de mesmo tipo. Mas o que me trazia curiosidade, é que aquele tipo de pássaro não existia em galáxia próxima alguma, e nem em seu planeta. Abaixo dele estavam escritos os seguintes dizeres.”
- Pássaros acima, perto do sol..
Ele chega próximo, passando as mãos com certo cuidado pela estátua bem esculpida, tomando cuidado para que não sujasse com certa reverência fora do comum, ele olha para cima e vê o céu branco daquele planeta, que quase o cegava, o sol lá era mais próximo mas não queimava qualquer um deles. Confiança olha ao redor e agora percebe gravuras nas pilastras e no chão que cobria aquele pátio, pequenos pássaros e desenhos de inúmeros sóis – O irmão de Mark somente observava silenciosamente a curiosidade da tartaruga.
“Por alguns segundos eu havia parado e minha cabeça trouxe um segundo de clareza, ao que andava por aquele templo, era como se contasse uma história, as gravuras falavam coisas que eu não entendia. Pássaros, uma porta, a escuridão, uma criança escolhida.. Era tão místico, de forma atraente, logo, eu fiz uma escolha, que não me arrependo.”
- Garoto, continue a acreditar em seu deus, por que hoje ele te deu um momento de piedade. Eu vou pedir ao nosso mandante que poupe este templo, mas quero que se alie a nós, fé é uma dádiva.
O Confiança solta o garoto, que cai no chão suspirando aliviado, como se já acreditasse nisso.
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- Assim, o Fé entrou para o nosso grupo em mudança a Bondade que morreu naquela invasão. Mas, esse fardo talvez tenha sido grande demais para ele, constantemente eu via ele visitando o templo de seu deus.
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Confiança sobe as escadas do templo, o silêncio ainda tomava conta daquele santuário mais do que nunca, ele anda até o pátio central onde de pouco a pouco as plantas exóticas tomavam conta da flora local, enquanto os ladrilhos brancos do chão se enchiam de musgo, a estátua continuava intacta ao que o irmão de Mark limpava constantemente.
“Ele passava horas, as vezes dias ajoelhado rezando ou murmurando coisas as quais eu não entendia, eram preces ou coisas parecidas. Mas com o passar do tempo isso foi mudando.”
- Ainda rezando Fé?
“Ele sempre tava ajoelhado, mas teve um dia.. Ao qual eu me lembro bem, ele tava de pé olhando direto pra aquele pássaro”
- E se ele não existir confiança?
Foi como um baque, uma pergunta direta mas que contrariava tudo que o irmão de Mark falava acreditar pelos últimos anos.
- Como assim? Por que isso agora?
- Eu passei anos da minha vida aqui ajoelhado, limpando essa estátua por horas e evitando que quebrasse, retocando cada detalhe enquanto falava e repetia todas as preces que aprendi durante a minha existência, mas nunca fui ouvido. Nunca o sol brilhou para mim.
Ele se vira devagar, e embora utilizasse aquela armadura e máscara que cabiam perfeitamente em seu corpo de forma justa, mesmo assim, era como se chorasse, as lágrimas caiam de onde seus olhos deveriam estar e desciam, pingando no chão, lágrimas de pura dúvida e medo.
“Eu poderia descrever como se, talvez, nem que tivesse sido por um segundo, mas essa dúvida trouxe escuridão para o seu corpo iluminado.”
- Não pense assim.. Por que duvidaria agora? Você faz isso desde que nasceu Fé, esse templo é a amostra disso, do que você sempre acreditou, se é isso que te move até o futuro, não deveria duvidar!
- Você diz isso, mas as vezes eu penso que seria melhor que eu estivesse morto com meus progenitores. A minha vida toda foi ao redor de uma religião e de uma profecia que eu nem sequer sei se é verdade, foram centenas de anos procurando uma criança perfeita que pudesse completar isso, e quando tiveram, por que gêmeos? Meu irmão foi um ser de iluminação predestinado a um lindo futuro, e o que me sobrou? Ver minha raça perecer e continuar aqui a espera do fim dessa profecia, ou a espera de que meu irmão esteja vivo? Que tipo de vida é essa confiança?
Sua voz começa a subir de tom, como se um rancor estivesse tomando conta pouco e pouco de seu corpo o quanto mais questionava, o quanto mais chorava as lágrimas escureciam e sua voz quebrava para uma forte melancolia junta de uma raiva sem precedentes, ele começava a gesticular e mostrava sentimentos aos quais parecia nunca ter sentido antes, como se uma chave tivesse virado em seu sistema e agora ele pudesse sentir tudo.
- Por anos da minha vida vivi trancado longe de meu igual, aqueles anos foram anos de reza, de preces para que algo mudasse, para que tudo desse certo. E nada, nada deu certo, nem antes, nem agora, e nem nunca enquanto eu continuar me ajoelhando em frente a algo que desconheço.
Ele olha para Confiança, e rapidamente cria uma grande lança de luz, cortando a cabeça da estátua sem sequer olhar para o pássaro, a cabeça cai com um grande baque no chão, um estrondo que parecia ser além de um som. Mas Fé dá as costas e sai do templo sem olhar para trás, como se tivesse medo de encarar aquilo, talvez sobrasse algo dentro de seu coração, mas agora tomado por uma escuridão sem precedentes.
“Depois que aquilo aconteceu, ele mudou realmente, a fé que havia visto nele e que tinha despertado certa empatia sumiu, e de pouco a pouco ele subiu seus cargos, massacrando planetas inteiros destruindo eles de dentro pra fora.”
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- Depois de um tempo, seu nome se tornou Melancolia, e ele virou um dos assassinos mais fortes. Mas eu nunca julguei essa escolha dele, era um fardo grande demais para carregar em só uma pessoa, a religião inteira de um povo, todos os seus costumes, a sua vida em torno de acreditar em algo, ser o único vivo de uma espécie é como carregar toda uma esperança, e isso pode escurecer o seu coração.
Confiança soltava levemente o aperto de Mark enquanto contava a história, mas Mark nunca tinha se movido um músculo, ele escutou tudo quieto, como se não pudesse mais falar, e assim que a tartaruga terminou a história e voltou seu olhar para ele, não havia nada o que falar, ele não agiu, não se moveu.
- Fé é algo maravilhoso, não é? Essa é uma pouca de tantas histórias do velho aqui.
Confiança desfaz a bolha de água que estava ao redor dos dois, embora ela já fosse falha a algum tempo, desmanchando ela em água que molha o concreto escuro da rua – Ele solta o aperto de Mark, mas antes que faça isso, Mark toma a iniciativa e se dissipa em luz, saindo do aperto sozinho, e como um foguete partindo para cima em luz completa, iluminando todo o céu de surpresa enquanto ele voa.
- Eu não faria diferente..
Mark voa pelo céu com a maior velocidade que consegue, saindo da atmosfera em pouquíssimos segundos, ele olha para o sistema em que estavam, os vários planetas, e por mais uma vez olha para baixo, por um segundo somente sua equipe passa por sua cabeça, mas é substituída pelas palavras de confiança, e em velocidade ele parte para qualquer lugar que seja.