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Planejamento
- Ela parece estável já, provavelmente acordará em no máximo dois dias.
O médico nublusiano sai da frente da porta do quarto de Dash, anotando algumas coisas em uma prancheta enquanto arrumava um óculos de forma oval que cobria seus olhos. Bane abre a porta devagar, e entra no quarto em passos medidos, em parte ele não gostaria de complicar a recuperação da moça – Era um quarto simples como qualquer outro, com somente um leito onde a mulher estava deitada, seu capacete estava deixado ao lado da cama, enquanto seu rosto estava quase completamente enfaixado, era um estado assustador para uma heroína mundial, mas ele já havia visto Stile de uma forma pior em torno de um mês antes.
Ele observa por alguns segundos em pé, não tinha muito o que fazer naquele momento a não ser observar e esperar o melhor, esperar que acorde bem.
- Ela ainda não acordou?
Stile estava pairando próximo a porta, agora bem mais disposto do que a alguns dias atrás quando chegaram no hospital. Ele estava vestido com uma roupa de hospital simples por mandato do médico que estava os observando, mas mesmo assim por baixo utilizava seu uniforme de herói que cobria quase todo o seu corpo e principalmente queimaduras.
- Não, ainda não, o médico acabou de sair daqui dizendo que vai mais uns dois dias.
- E o Mark? Viu ele em algum lugar?
- Também não, talvez ele esteja na biblioteca ainda. Você sabe que ele é desse jeito, vai esperar que a gente chame ele.
- É.. E a Veronika?
- Ela tá bem, os sangramentos passaram e ela tá descansando e se recuperando, eu fui na nave algumas vezes para ver a outra garota e pegar alguns sucos de laranja pra ela, em geral, tudo certo.
- É bom de ouvir isso, mas é hoje não é? O Confiança prometeu pra gente que vai estar lá hoje.
- Confiança? É esse o nome dele?
- Eu acredito que esse seja o codinome dele como um dos dez assassinos do Arqueólogo.
- Faz sentido.. Enfim, é hoje sim. E eu quero lutar com ele hoje.
- Sabia que você ia dizer algo assim, e eu te pararia se fosse em outro momento, mas eu tenho um plano.
- E é bem isso que eu esperava ouvir. Diz aí, tô escutando.
Bane dá um sorriso de lado, se sentando na poltrona desconfortável daquele quarto, e se vira para Stile esperando que ele comece a explicar o que havia pensado. Eles haviam trabalhado muitas vezes juntos no exército antes que Stile sumisse de repente, e um dos padrões mais específicos e interessantes de Stile eram seus longos e detalhados planos com pouco tempo de análise.
- Certo.. Então, não tem muito o que eu dizer, somos dois, ele é um, e essa é uma batalha simples e que a gente planeja sair com o mínimo de perdas possível, ou seja, temos que terminar isso rápido. E pra isso eu preciso principalmente de uma MK22, você tem isso?
- Eu devo ter sim, devo ter praticamente todo o tipo de armamento aqui, então fica tranquilo.
- Certo, então já entendeu não é?
- Um tiro pra acabar com tudo rápido, eu confio em você para isso.
- Mas vamos um pouco mais além, a gente vai encontrar ele em uma área comercial, é um local cheio de prédios altos o bastante para que ele sequer saiba da minha presença antes que morra.
- Você vai se esconder?
- Se ele tem as próprias regras para a luta, vamos lutar contra elas e matar ele de surpresa antes que tente algo.
- Em qualquer outra batalha eu talvez seria contra isso, mas hoje, vendo todos assim, eu prefiro que acabe sem qualquer machucado.
- Fico feliz que não seja contra.
- Você quer que eu comece um papo furado com ele pra que você mire e atire, não é?
- Eu preciso de pouco menos de meio minuto para matar ele.
- Eu lido com isso, pensei que fosse ser mais difícil.
- Mas não podemos contar somente com isso, sempre é bom ter um plano B caso as condições da luta mudem, e o plano B, é ganhar a luta de qualquer outra forma. A gente talvez não saiba metade do que o Confiança consegue fazer, seria bom falar com a Dash que lutou com ele, mas já que não podemos..
- Já tá mais que ótimo, se não for direto a gente lida com ele na porrada mesmo.
- Certo, de qualquer forma, você tem algum item como uma escuta para que utilizemos durante a batalha?
- Tenho sim.. Mas quando vamos?
Stile olha para um relógio que ele sequer entendia, seu rosto baixa de um jeito meio decepcionado.
- Eu vou te esperar na recepção do hospital, não tenho muito o que fazer, mas se você tiver algo vai logo fazer, e daí a gente vai. Não vamos demorar lá de qualquer forma.
- Certo, já vou indo..
Stile sai do quarto, deixando Bane ali que continua sentado na poltrona por alguns segundos, antes de se virar para Dash.
- É isso aí, eu vou indo, vê se acorda.
Ele se levanta e também sai do quarto, fechando a porta e deixando a mulher lá dormindo ainda, depois disso toma rumo entre os corredores do hospital passando por outros alienígenas em seu dia a dia naquele lugar, Bane sobe alguns andares e chega a um quarto específico, e toca na maçaneta, mas pensa por um segundo e não abre – Ele olha pelo pequeno vidro que tinha aquela porta, e observa a garota olhando para a janela deitada em sua cama, Bane para e por alguns segundos pensa, mas dá as costas e volta a entrada.
-
Stile pega de seu bolso uma pequena caixa com um rótulo na língua alienígena e abre, pegando uma pequena pílula branca de dentro, ele joga em sua boca e toma um gole de água de uma garrafa que tinha pego de seu quarto.
- Então, vamo lá?
Bane chega atrás de Stile que estava sentado em uma das cadeiras da recepção, que se assusta e arruma a caixa de remédios no bolso rapidamente, mas não antes que Bane visse.
- Vamos, claro.
Ele levanta e vai andando para a entrada, Bane o acompanha enquanto os dois saem do prédio, a luz do sol brilhava no céu mas já dando pequenos indícios do fim do dia curto que esse planeta sempre tinha, eles logo tomam rumo para o lugar da luta.
- Você pediu remédios daqui?
- É, foi.
- Depois daquele dia seus remédios tinham acabado? Por isso?
- Não, eu na verdade... Eles não estavam na mala.
- Você esqueceu os remédios em casa? Que estranho, mas pelo menos agora tem outros, vê se cuida disso viu?
- Eu tô me cuidando, na verdade tô bem melhor que a alguns dias atrás, a dor das queimaduras tava horrível.
- Só, toma os remédios direito. Teve aquela vez na nave, e também a.. Você tava mais estranho, a gente precisa de você bem da cabeça pra equipe.
- Sim sim, claro, eu agora tô melhor.
Stile olha para o chão, estava levemente desconfortável com a conversa, na verdade a utilização dos remédios dele era um assunto bem mais a fundo do que ele gostaria de revelar. Os dois andam por mais alguns minutos, estranhamente o clima estava tenso de certa forma.
- Você tá bem mais próximo da Veronika, não é Bane?
- Eu acho que sim, tô conhecendo ela melhor.
- ....
- Acho que a gente precisa criar laços como equipe, isso é importante.
- ... Você acha a Veronika importante pra equipe?.. Quero dizer, é claro que ela é importante para a equipe, mas vendo bem, ela é quase inútil.
- Não fala assim dela Stile, ela tem bastante importância assim como qualquer outro de nós.
- Se a gente for colocar no papel, ela tá em um patamar infinitamente menor que qualquer um de nós quatro, ela é como um pedaço de papel, mesmo que os ataques dela sejam bem destrutivos quando ela utiliza bem.
- Não fica pensando nessas coisas, só seja legal com ela, ela pode ser tão importante quanto você alguma hora, como eu disse e vou repetir, somos uma equipe, cada um tem seu papel nela, e nenhum é insignificante.
- Tá, tá, desculpe eu talvez esteja pensando em coisas demais.
Novamente o silêncio toma conta enquanto eles continuam andando pela rua, indo até o local marcado pelo vilão, era desconfortável de certa forma, Stile sentia algo de diferente entre ele e seus colegas, algo que ele não sabia explicar e só conseguia se dar conta agora que estava mais lúcido – Mas pensando bem o próprio já sabia o que era, o tempo que passou no hospital após aquilo talvez o tenha afastado dos outros mais do que o normal, mais do que já era, embora mesmo assim ele nunca tivesse se sentido próximo o bastante de qualquer um deles.
-
Conversas continuam por um longo período de tempo, mas nunca nenhum assunto longo o bastante para que durasse e o silêncio sempre acabava pairando entre eles – Os dois se aproximam do local, era perceptível pela quantidade menor de prédios e a arquitetura um pouco mais simples do que o resto, e talvez até meio adornada.
- Acho que aqui já é um bom lugar para preparar o que resta ser arrumado, o ponto onde a gente havia lutado fica logo ali na frente.
Stile comenta e logo olha para Bane, que pega a sua luva, começando a tirar os itens que iriam usar e arrumando os itens que já tinha em mãos, embora não pretendesse utilizar muitas armas.
- Olha Bane, eu vou estar lá em cima, e vamos fazer como planejamos, um tiro ou dois e ele vai estar no chão.
- Eu sei, de qualquer forma vou dar meu máximo pra segurar ele.
- E, se o plano falhar e de alguma forma ele desviar do tiro ou parar, a luta pode tomar outro rumo, então conto com você para que a gente ganhe essa de qualquer outro jeito necessário.
- Fica tranquilo, em menos de trinta minutos a gente tá naquele hospital de novo, e se der tudo certo, vamos estar ainda melhores do que agora.
- É isso que eu espero.
- E é isso que vai acontecer Stile.
Assim que terminam de ajeitar todos os equipamentos que usariam, Stile levanta e começa a tomar rumo para entre as construções fora da rua, mirando sua visão especificamente em um prédio que não estava tão longe assim, quase no mesmo local onde havia sido a luta.
- Eu vou subir naquele prédio, de lá acredito que eu tenha uma ótima visão de toda a luta. Boa sorte aí.
- Digo o mesmo, um tiro e acabou.
Finalmente os dois se despedem e tomam os rumos próprios, embora com o mesmo objetivo e quase no mesmo local.
-
Stile entre em um pequeno prédio, parecia um prédio de escritórios ou algo do tipo, não que o mesmo se importasse, uma recepcionista chama ele mas rapidamente ele a responde pegando o distintivo dourado que havia recebido assim que chegou no planeta, logo a alienígena assente e deixa que ele entre no prédio – Stile entra em um elevador e logo coloca o botão para o último andar, teria que pegar um lance de escada além disso provavelmente também.
Ele tremia levemente, um nervosismo irracional tomava conta antes dessa batalha, assim como antes de todas.
“E se o plano falhar?”, “E se alguém morrer?”, “E se não for como eu pensei que seria?”, “A gente deveria ter esperado mais?”, “Talvez uma abordagem diplomática fosse melhor?” eram pensamentos que passavam pela cabeça dele constantemente enquanto o elevador subia andares, mais de sua insegurança e medo de não conseguir começavam a aflorar – Mas Stile respira, agora tinha um controle melhor de seu sentimento, do que sentia, de sua ansiedade em momentos como aquele. Depois de tudo aquilo, quando entrava em momentos de estresse suas queimaduras doíam, mas dessa vez não, ele se controlaria e teria o controle de toda a situação também.
O elevador abre com o som metálico e um pequeno “plim” tirando Stile de seu momento pensativo. Ele dá passos para fora, logo achando a escada e subindo até o terraço daquele prédio, ele abre uma porta enferrujada e logo uma brisa suave e fria é sentida, Stile olha ao redor, um terraço simples, somente algumas saídas de ventilação e bastante sujeira, talvez não pisassem aqui para limpar a alguns meses. Ele toca na escuta.
- Alô, Bane, na escuta?”
Enquanto esperava a resposta, ele logo acha a rua onde iriam lutar, e lá de cima consegue ver as duas silhuetas, a grande tartaruga azul Confiança, e o homem Bane, pareciam conversar enquanto Bane ainda se aproximava.
“Droga, é verdade, ele não pode me responder agora.”
- Vou acreditar que você tá me ouvindo, eu tô em cima do terraço e já tenho você na visão, vou arrumar a arma, mantenha ele.
Ele abre a grande mochila onde mantinha a arma e começa a arrumar ela com proficiência, afinal era um modelo ao qual já estava acostumado, em pouco tempo já estava totalmente montada e pronta para uso, o silêncio que ele pairava lá em cima era tenso de alguma forma e fazia com que Stile suasse, embora ainda se mantesse ali.
Ele se posiciona, e carrega a arma, com cuidado começa a mirar em Confiança ao qual estava lá embaixo, ele mantinha foco total enquanto não apertava o gatilho e mirava na cabeça do alien, logo aonde acreditava que ficaria o cérebro de Confiança.
Alguns poucos segundos se passam, e finalmente ele consegue a mira.
- Vou atirar.
Stile respira fundo, e aperta o gati-
A arma é jogada para o lado com um estrondo, algo parece fincar a arma como um ataque e joga-la das mãos de Stile e do suporte, mas pelo menos atira, antes que Stile conseguisse pegar seu equipamento, ele cai prédio abaixo, e Stile olha para trás assustado e procurando o motivo, até que acha uma pequena silhueta pairando no ar como uma fada.
- Violência não é bom moço!