30
Norradia
O sol passa em pequenas fitas pelo vitral da igreja, mostrando os desenhos sagrados daqueles montes de tesouros e dinheiro, de guerras passadas que se mantinham até hoje e de mortes importantes que haviam acontecido em momentos que os habitantes sequer tinham lembranças – O alienígena dá passos pesados com suas grandes botas que cintilavam com as esporas nos calcanhares, uma visão de longe de duas silhuetas, um grande cowboy com um chapéu icônico e um poncho bem ornamentado apontava uma arma diretamente para a cabeça daquele alienígena que se assemelhava a um grande amálgamo, gordo, quase como um sapo de pele verde que era iluminada pela pouca luz azulada, a coroa em sua cabeça brilhava no tom de dourado que havia sido feita.
- NÃO! EU FAÇO TUDO, TE DOU DINHEIRO, EU PROMETO! NÃO ME MATA, TE DOU TODOS OS MEUS SÚDITOS.
A figura com a pistola se mantém quieta, observando por mais alguns segundos aquela espécie asquerosa se debater enquanto suava de forma quase impossível, até que ele atira, o tiro ecoa pela igreja enquanto a cabeça daquela coisa havia sido estourada com o sangue verde escorrendo para todo o lado e sujando as paredes daquele local sagrado – O cowboy bate as botas no chão, antes de somente dar as costas e desde as escadas devagar, abrindo a ponta dupla grande daquele lugar e saindo.
-
- Eu não sei dizer também.. Como a gente imaginou é um deserto grande né? Olha que areia fofa.
Dash se agacha pegando um pouco de areia e mexendo nela, parecia quase como uma massinha de modelar estranha, não parecia realmente dividida em grãos e sim uma grande massa fofa, como neve – Ela olha para Bane que estava visivelmente preocupado, e dá um suspiro.
- Que tal a gente procurar aquela cidade que você tinha falado? Eles devem ter uma nave pra gente dar a volta.
- É claro, bem pensado Dash.
Ele imediatamente se alivia um pouco, observando o cockpit quebrado por uma última vez antes de esperar a mulher para que eles andassem pelo deserto.
- Será que aquele merda ainda tá vivo? Ele me olhou direto e usou o poder.
- Acho que não, o Stile me disse que o poder da garota era manipular as coisas que ela joga o chifre, talvez ela tenha feito algo com ele, ou usado o poder por ele.
- Mas parecia muito que ele tava vivo.
- O que podemos fazer é esperar que não, e se tiver a gente mata ele.
- É, eu acho que é isso..
Bane continuava visivelmente nervoso e ansioso, sua mente estava a mil por hora, queria ele ter feito algo para que tudo isso não acontecesse, talvez se ele mantivesse o corpo do lobo na nave? Mas daí seria pior para a Veronika.. O que poderia ter feito.
- Ei, vê se tenta focar viu? Eu preciso de você aqui também.
- Eu sei, me desculpa.
Ele balança a cabeça como se tentasse afastar os pensamentos, Dash olha para baixo, não sabia o que dizer, e assim como tinha falado para Veronika ela era horrível em dar conselhos ou consolar pessoas, mas queria tentar pelo menos – Os dois seguem por alguns minutos pelo deserto a fio, sem ver qualquer coisa, Bane não parecia querer falar e Dash não queria se intrometer nos pensamentos do homem, mas até que algum tempo depois, ao longe eles avistam algo.
- Olha ali! Tem alguma coisa
Bane observa, mas coloca a mão na frente de Dash para que ela não fosse, era uma coisa verde jogada no meio da areia, parecia se mover lentamente e de longe eles escutavam sons estranhos vindos daquilo, ele segura a espada com força enquanto olha para o objeto.
- Espera, parece ser algo vivo, talvez seja algum assassino ou coisa parecida, eles nos emboscariam aqui.
- Tá bem, mas vamos juntos.
Os dois chegam perto em passos cuidadosos, pisando na areia fofa que os deixava quase impossíveis de escutar, mas logo eles escutam, uma voz gutural quase quebrada, ela parecia grunhir de alguma forma, e eles conseguem ver melhor – Era um ser de quase dois metros de altura, mas ele estava jogado na areia como uma bola verde, seu corpo se assemelhava ao de um sapo parecido com um porco, tinha uma estrutura feia e acabada, seus dois olhos eram fixos e desesperados, enquanto suas orelhas verdes abanavam com fraqueza.
- A-ajuda.. Po-rfavor..
Dash quase parte para ajudar, mas Bane segura ela novamente, se aproximando ainda lentamente.
- Fica atrás, eu vou, se der algo você acumula metros daqui e tira ele de perto.
- Tudo bem..
Bane se aproxima com cuidado, chegando até o alienígena e ficando em pé, segurando a espada já pronto para qualquer golpe – O alien por sua vez, olha para Bane, abrindo um sorriso em sua boca maior que o normal, quase esperançoso.
- Ó.. Salvador, nos ajude, acabe com o massacre..
- Massacre? O que aconteceu?
- U-um Korradiano.. De espécie desconhecida, nos atacou, ele decidiu matar um por um dos nossos, sem pie-piedade alguma..
Bane olha com mais cuidado para o corpo do ser, alguns pequenos buracos podiam ser vistos, como se ele tivesse sido alvejado com tiros múltiplas vezes.
“Era o Stile?”
- Como ele era? Consegue me dizer?
- Ele vestia roupas exóticas.. Um chapéu pousava em sua cabeça e sua pele era como a areia..
- Entendo.. Não é o Stile.. Enfim, tem alguma forma de eu te ajudar?
- Receio que para mim não exista mais salv-vamento.. Só a morte me resta, faça o favor de tirar meu sofrimento.
- Como quiser sapinho.
Ele enfia a espada diretamente na cabeça da criatura, que imediatamente para de respirar e de grunhir com sofrimento, Dash olha e se aproxima, curiosa.
- O que aconteceu?
- Acho que ele é daquela cidade, parece que foram atacados por alguém..
- Sério?
- Vamos ir rápido, talvez dê de descobrir algo lá, e se tivermos sorte é um dos assassinos.
- Um dos assassinos? Mas não seria melhor juntar a equipe então?
- Pra falar a verdade, eu acho que nesse momento, mesmo juntando a equipe, só nós dois ia lutar, então já vamo acabar com isso, vai me deixar até mais leve sabendo que pelo menos mais um tá morto.
- É verdade, a gente não tem mais muita gente, então vamo lá!
Eles começam a se afastar do corpo, continuando o caminho pelo deserto por mais algum tempo – O suor já escorria por seus rostos.
- Mas a gente tem que ter em mente que pode ser uma armadilha também, é conveniente que um alienígena tenha ficado tão longe da cidade, talvez seja uma emboscada.
- É bom pensar nisso mesmo né? Vou deixar isso como uma anotação mental!
Um pouco depois, eles conseguem avistar duas coisas que chamam muita atenção. Um grande muro de concreto cinza com algo como uns vinte ou talvez mais metros de altura, não parecia dar de ver o que tinha dentro, e ele se estendia por quilômetros a fio, a única coisa visível no meio era um grande portão fechado, e na frente dela outro ser – Um alienígena de pele verde, mais alto que os dois, em torno de dois metros e trinta, talvez mais, ele tinha um rosto monstruoso e com várias cicatrizes, seus quatro olhos eram laranjas, e ele tinha quatro pernas como um grande quadrúpede, mas ficando em pé, em suas mãos um grande martelo repousava. Todas as suas roupas eram brancas com detalhes azuis, exceto um colete que ele parecia usar em seu peito, o alienígena parecia frustrado na frente do portão resmungando alto, embora a aquela distância ficasse difícil de ouvir.
- É ele Bane?
- Não parece, não é o jeito que o verdinho lá descreveu, mas esse cara é bem ameaçador. É bom ter cuidado.
- Deixa eu que vou na frente perguntar o que é.
- Não, deixa que eu vou!
- Deixa eu ir, eu também sou forte, você disse que a gente tem que lutar em equipe, então não me protege, eu não sou a Veronika.
Bane abaixa a cabeça, percebendo o quão protetor parecia estar realmente sendo, e ele baixa o braço, deixando com que ela passe.
- Mas eu tô logo atrás, volta se der algo.
- Pode deixar, eu aviso.
Dash corre um pouco utilizando seu poder e para alguns metros de distância do gigante, levantando areia assim que para de correr, ela olha para aquele alienígena que era bem maior que ela imaginava de longe, e fica meio nervosa – Ele ao escutar o barulho se vira, olhando para ela, e ficando com um rosto de bravo, segurando seu grande martelo com mais força.
- Quem é? Alienígena matador?
Ele fala com uma voz extremamente pesada e funda, combinando totalmente com sua aparência ameaçadora, mas estranhamente a sua dicção parecia estranha.
- Eu sou a Dash, e você, quem é?
- Eu ser Tohrr, general comandante Tohrr.
- Tohrr? É um nome legal já que você usa um martelo tão grande.
- Obrigado, e você mulher é Dash, Dash é o que?
- Eu sou uma heroína mundial, tô aqui pra salvar esse planeta!
- Mim também, rainha mandou Tohrr para falar com rei Norradia, mas portão fica na frente.
- Hmm.. Entendi.
“Ele parece ser inofensivo, talvez seja aquele cara que a Veronika falou”
Dash faz um gesto para que Bane viesse, logo ele se aproxima rapidamente dela, segurando a espada com certa força já pronto para qualquer coisa – Dash aponta para Bane, apresentando ele.
- Esse aqui é meu amigo, o Bane, ele é um herói mundial também!
- Prazer.. Grandão.
- Meu nome ser Tohrr.
Bane escuta o nome, e logo dois pontos se ligam na cabeça do homem e ele instantaneamente baixa os ombros com alívio – Imediatamente o mesmo guarda a espada que estava utilizando, mas deixando ela a postos para qualquer ocasião mais a frente.
- Ah sim, você é comandante lá de Nublus né?
- Isso, Tohrr ser general comandante.
- É! O Flop falou de você, enfim, estamos aqui pra ajudar.
- Flop amigo.
- Então ele é o cara que o alienígena falou?
- Sim sim, ele mesmo, qual que é o problema grandão?
- Mim vir aqui ajudar com problema, e porta não abrir.
- Entendi, e não usou esse martelão pra quebrar?
- Porta não quebrar também, muito resistente.
Bane chega próximo ao grande portão, ele analisa um pouco, passando a mão pelo material escuro que parecia revestir ele, Bane não conhecia e não sabia o que era – Dash começa a observar a muralha que tinha em volta da cidade, era estranhamente resistente pelo o que parecia também.
- Aí grandão, dá uma porrada com toda a sua força aí, quero ver se não abre mesmo.
- Tá bom.
O grande alienígena levanta o martelo pesado com as duas mãos, segurando neles com pressão clara e uma força provavelmente comparável a de Confiança, quando em um piscar, da traseira do martelo tecnológico uma chama aparece, e como um foguete ele voa com um ataque diretamente no portão, que dá um barulho estrondoso como um gongo, mas sequer amassa – Tohrr olha para baixo parecendo decepcionado com a própria força, e recolhe o martelo arrastando na areia, Bane olha surpreso, era uma arma extremamente destrutiva de forma bem clara também, mas nunca que o homem conseguiria segurar algo daquele tamanho e peso, ainda mais com os foguetes ligados.
- É um portão bem resistente mesmo.. Dash, não achou nada aí?
Dash balança a cabeça e volta até os dois de mãos vazias, os três pareciam completamente perdidos ali na frente daquele portão – Mas logo na cabeça de Dash uma ideia.
- Que tal a gente fazer que nem aquele dia lá? Quando você me jogou naquele prédio?
- É uma boa ideia, mas você não vai se espatifar?
- A gravidade aqui é bem baixa.. Eu não vou me machucar não.
- Mas e daí como eu e o martelasso aqui fazemos?
- Eu tô contando com a ideia de que tenha algum mecanismo lá dentro que abra o portão é o mais provável.
- Pode ser sim.
- Tohrr ajuda Dash.
- Não precisa grandão, eu já sou experiente em arremesso de Dash.
- Nem precisa se esforçar tanto, se não eu acho que saio voando até alto demais.
- Tranquilo, eu vou jogar de boa então.
Dash abre os braços, e Bane pega a cintura da mulher, ele se afasta um pouco da grande muralha, e observa por alguns segundos, dando aquele sorriso de quem sabe o que tá fazendo.
- Pronta?
- Tô sim!
Ele se prepara, puxa o ar e lança a mulher com força moderada por cima do muro, seu corpo passa com certa facilidade, e começa a cair devagar, quase fluturando, ela dá uma risada animada, assim que cai no chão, mas o rosto dela fica meio desconfortável enquanto olhava para a entrada após o portão – Parecia um grande parque ou praça da cidade, tinha um chafariz no meio que jorrava água, na verdade exceto pelos vários corpos de alienígenas jogados dentro dele que transformavam aquele líquido em um vermelho vibrante assustador, não parando por aí, em todo o chão haviam diversos corpos jogados, vítimas de um provável massacre mesmo, todos iguais aos daquele verde que havia morrido antes, além disso, existiam três passagens, uma seguia em uma escada para cima e uma para direita e esquerda, mas o que era assustador era a largura inexistente dessas passagens, pareciam tão finas que sequer caberiam um desses Norradianos, mesmo que provavelmente fosse o dia a dia deles andar por essas casas em corredores minúsculos.
- Que horror.. Nossa.
Ela observa por alguns segundos, mas logo se vira para o portão, observando como funcionada, e assim como ela imaginou, um grande mecanismo de trava com uma engrenagem se mostrava ali, ele parecia feito do mesmo material do portão, ela rapidamente agarra em uma das alavancas e começa a puxar, era pesado, mas de pouco a pouco ela consegue, puxando o portão para o lado para que eles entrem – Bane e Tohrr entram na cidade assim que Dash termina de abrir o portão, e veem o tanto de corpos que estavam jogados por aí, era uma cena realmente de tirar o fôlego.
- Porra, que cheiro de corpo morto.. Deve ter sido um massacre mesmo assim como aquele cara falou.
- Rei Norradia morto?
- Provavelmente deve tá morto.
Dash recupera o ar após fazer esse esforço, se aproximando dos dois, devagar, e olhando todo o local.
- Eu acho que em geral, talvez esteja todo mundo que vive aqui morto, eu não ouvi nada desde que cheguei.
- Será que ele já foi?
- Talvez?.. Mas no mínimo vamos achar para onde ele foi por aqui.
- Matador foi embora?
- É isso que a gente vai ver grandão.
Os três seguem rumo pela cidade, a procura de talvez alguma pista ou algo que os ajude, ou no mínimo uma nave.