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Seis Balas
- Que cidade mais horrível.. Tá pior que os corredores lá do prédio da Associação.
Eles caminham pelo local, mas quase enfileirados, as casas, comércios e locais são tão significativamente pequenos e estreitos que não parecem existir, uma estrutura tão ruim assim não deveria ser real.
- eu concordo, mas esse lugar aqui não parece que é pra aquele tipo de alien que a gente encontrou no deserto.. Enfim, tá tudo certo aí atrás grandão?
- Mim não passar direito, mas dar um jeito.
Ele praticamente destruía casa por casa com o martelo para passar, mas tentando ser o máximo gentil possível mesmo que isso fosse ligeiramente difícil para alguém do seu porte.
- Bane, olha aqui..
Dash chega até o corpo de mais um dos alienígenas, o corpo jogado no chão e sangrando aquele mesmo líquido verde parecido com sangue, mas o que chama a atenção dela é as marcas de tiro em seu corpo.
- O que é? Todos tem essas marcas, foi um atirador.
- Sim, eu sei, mas você que manja de armas um pouco, isso não é buraco de tiro normal não né?
Bane coloca um joelho no chão, se aproximando e analisando com cuidado.
- Na verdade dá de saber um pouco mais agora que você apontou sobre isso.
Ele passa a mão pelo buraco do tiro, apertando um pouco e analisando como se entendesse do assunto, afinal ele realmente entende – E logo ele levanta, com um sorriso um pouco maior no rosto.
- Realmente, não é uma arma normal, pelo menos não uma que eu conheça, e pelo que parece, até o material do tiro é diferente, tá quente, como se tivesse perfurado com algo em chamas, na verdade ainda mais quente que isso.. Enfim, e por estar quente, dá de pensar que ou é uma arma extremamente potente, ou ele passou aqui à poucos minutos.
- E qual é o mais provável?
- Daí já vai além de mim, se eu soubesse que arma ele usa poderia logo tentar entender os dois.
- Falta faz o Stile né?
- Pelo menos consigo fazer um pouco do papel dele.
- Papel quem?
- De um colega nosso Tohrr.
- Seu colega.
- Enfim, vamos procurar logo ver se ele tá aqui.
Bane volta a andar na frente dos outros dois, eles observavam a estrutura de cada casa, como era feita, como parecia ser mobiliada, os a maioria feita somente de uma madeira simples e quase todas podres, parecendo que foram feitas a anos atrás, as praças pequenas, a grama que não parecia ser cortada a tempos, era tão antiquado.
- Parece quase como um reino daquelas séries né? Tipo de Match of Crowns, não acha? Só que bem mais horripilante e claustrofóbica..
- Nunca nem ouvi falar.
- Você não assiste nada né.. Vê se começa a se divertir um pouco.
- Eu treino, pra mim já é o bastante.
- A gente treina junto pô! Mas eu não faço só isso da minha vida. E olha, você agora com a Veronika vai ter que dar uma mudada nessa sua cabeça dura aí.
Bane para por um segundo, ele fica realmente curioso e se vira para Dash que estava com um sorrisinho no rosto e dá uma risada assim que vê a expressão dele.
- Como assim cabeça dura?
- Eu tô te dizendo, você acha que ela vai ficar te acompanhando nos seus treinos de dez horas? Vai ter que dar uma mudada na rotina! Achei que você era experiente em mulher.
- Eu já saí em uns encontros sim, deu certo com uma ou outra mas tipo..
- O teu certo é ter uma noite com a mulher?
- Não é bem isso..
- Tipo, eu entendo que você tem um corpão, é bem atrativo pra falar a verdade! Mas ter um corpão não quer dizer que uma mulher vai querer continuar com você, e do jeito que você é tenho certeza que quer ser casado e ter filhos, coisa típica.
- É, sim.
- Então, vai ter que ser melhor do que isso se quiser manter, principalmente a Veronika por perto, acho que ela não é muito disso de corpo e esse tipo de coisa.
- Não tô entendendo muito bem..
- Tipo, você mandou bem aquela hora lá! Falou bonito, e é desse jeito que tem que fazer, não é só sobre ser forte e protetor, é sobre ser romântico também.
- Acho que tô começando a entender, mas tipo, eu sei flertar muito bem.
- Acho que na verdade não é nem que você sabe flertar, acho que você é só muito atrativo mesmo.
- Tohrr ir andando sozinho, dois heróis não quererem ajudar Tohrr.
- Tá bom Tohrr, já te alcançamos! Vê se você não faz nada errado.
Tohrr olha para os dos e segue em frente pela cidade do mesmo jeito que estava, com a grande confiança que tinha em seu martelo.
- Enfim, continua.
- A Veronika é uma mulher diferente das outras sabe.. Acho que você tirou boa sorte em conseguir fazer ela se apaixonar, mas o difícil é manter.
- Tipo, eu entendo que ela é bem diferente, mas tem algo específico que eu tô fazendo e não deveria fazer sobre?
- Vamos fazer um “Dissecando a Veronika” aqui então, primeiro... O que é aquilo ali?
- O que?
Dash aponta para o meio de um dos corredores, e Bane logo olha, ele imediatamente arregala os olhos.
- É esse aí.
Um ser de mais ou menos um metro e setenta de altura, ele tem um pescoço largo e sua pele é completamente amarela como areia, embora apareça pouco, no topo de sua cabeça um chapéu de cowboy com alguns enfeites pendurados, e um óculos também, além de uma fita verde. Ele veste um poncho largo que cobre praticamente tudo abaixo do pescoço até os joelhos, um poncho marrom claro com listras verdes e pequenos enfeites nas pontas assim como o chapéu, além de uma bota marrom com esporas no calcanhar – Ele parece estar totalmente parado, e não é visível para onde está olhando pelas sombras da silhueta no corredor.
- É mesmo? Parece que tá parado..
- Parece ser..
Os dois sussurram, totalmente parados também esperando que ele fizesse algo para que eles pudessem contra-atacar, mas a princípio não parecia que nada de interessante fosse acontecer naquele momento, todos estavam parados assim como estaturas.
- EI VOCÊ A-..
Dash levanta dando um grito para realmente ter certeza se era alguém, mas enquanto fala a silhueta reage com velocidade impressionante, sacando uma arma e atirando uma esfera branca que brilhava em várias cores distintas, quase como um plasma – Dash desvia com certa dificuldade, se assustando ao ver o rasgo e o calor do tiro em sua pele, mas se assustando mais ainda ao perceber que havia realmente sido difícil de desviar mesmo com sua velocidade, talvez fosse só por ser pegar de surpresa.
- É ele mesmo Bane.
- Sai da frente então.
Os dois vão para lados opostos, pegando cobertura nas casas, e aproveitando o espaço pequeno que existia ali, eles se entreolham enquanto escutam os passos do cowboy no chão de areia e rochas que tinha aquela cidade.
- Era uma bolinha de energia que ele atirou eu acho..
- Foi rápido demais para ver Dash, é um pistoleiro com a mão no gatilho.
- Realmente. Mas eu pego ele fácil, você acha que pistoleiro consegue contra a minha velocidade? Vou dar a volta, só olha.
- Ainda nã-.. Ela já foi.
Dash sai correndo em ótima velocidade com seu poder, fazendo as curvas fechadas daqueles becos como uma ótima piloto e acumulando metros como podia, ela consegue dar uma volta completa em pouco menos de dois segundos, vendo o alvo pelas costas que ainda caminhava lentamente para onde os dos estavam, ela se lança contra ele para um soco – Mas com uma velocidade impressionante, quase pareando a que ela já tinha ganhado correndo, e enquanto ela voa, ele puxa a arma mesmo sem se virar, mirando com certeza além de conta diretamente no peito da mulher, que recebe o tiro e cai para trás com dor, grunhindo e perdendo toda a velocidade de seu poder ao ser acertada.
- C-como ele fez isso?
Ela desliza no chão, totalmente assustada e sem se mover vendo ao que ele se aproximava, enquanto as sombras do local revelavam para ela seu rosto, ou melhor, ele não tinha rosto algum, era somente uma massa amarela sem mudar nada do pescoço, parecendo uma cobra ou algo assim, embora não tinha nem olhos, orelhas ou qualquer característica, ele mira a arma para o rosto de Dash.
- Porra Dash!
Bane sai de trás da casa onde se escondia, partido para cima com a sua espada, assim que ele fala e corre, o cowboy muda toda sua expressão corporal, e mesmo “olhando” para Dash, ele atira para trás, diretamente em Bane com velocidade impressionante, Bane defende com a espada, mas com a energia do tiro dele, a espada sequer aguenta muito antes de ser despedaçada com um claro buraco do tiro em sua lâmina – Dash aproveita a deixa e sai correndo dali, mas não antes que o cowboy tente atirá-la, errando por sua trajetória desesperada, Bane olha e faz o mesmo, se jogando contra a janela de uma casa e evitando um tiro iminente, ele dá a volta, saindo para outro corredor de casas.
- Porra, são todos iguais.
Ele corre um pouco entre aquelas estruturas, antes de se esbarrar com Dash que para assim que o vê, deslizando na areia – Ela cobre o buraco do tiro em sua barriga com a mão, mesmo que o sangue continue passando por ele, claramente ofegante e meio assustada.
- Espera, um pouco, acho que deve ter alguma bandagem aqui em algum lugar.
Ele coloca a mão dentro de sua luva, entrando de forma sobrenatural para dentro do tecido, mas já estava acostumado com isso, logo ele tira um rolo de bandagens parcialmente usado e ajuda a mulher a se enfaixar.
- Não dá de lutar sangrando demais né, melhor ficar com essa faixa.
- E-ele é muito rápido Bane, ele puxou a arma sem nem se importar com o quão rápida eu tava e puxou o gatilho, isso não deveria ser nem possível direito.
- Tem algo bem errado com ele, é um assassino, e pra fazer um massacre desse tamanho, a cidade inteira deve ter ido pro caralho.
- Esse é mais forte que o lobo então né?
- Tenho certeza que sim.
Os dois ficam em silêncio por alguns segundos, em algum lugar da cidade era possível escutar o barulho do cintilar das botas dele, e por outro lado, um barulho de coisas sendo quebradas.
- Deve ser o Tohrr.. Temos que ir avisar ele.
- O grandão consegue se virar, o mais importante agora, você consegue lutar?
- Foi um tiro, não um braço perdido!
- Então tá tranquilo, vamo lá.
Os dois voltam a andar pelas ruas da cidade, tomando cuidado e seguindo o som do alienígena que estavam ajudando enquanto continuavam atentos aos arredores.
- Qual que é o poder desse? Será que é a arma diferente?
- Talvez seja super-velocidade, ele era rápido demais..
- De qualquer forma, é melhor a gente tomar cuidado e tentar entender isso primeiro, se entendermos o poder talvez a gente ganhe.
- Isso seria algo que o Stile diria..
- Por que você tá falando tanto do Stile?
- É por que geralmente ele que faz a parte de ser inteligente.
Bane dá um suspiro e logo acham Tohrr, que nesse momento estava para com o martelo solto mexendo no corpo de um alienígena já morto, e sussurrando algo bem baixo.
- O que que deu aí grandão?
- Ele vivo ainda.
- Acho que ele não tá não Tohrr..
- Morreu?
- É morreu.
Ele levanta, e pega o martelo claramente triste, enquanto os dois chegam perto dele.
- Então, a gente achou o assassino, ele tá andando por aí.
- Acharam o matador?
- Sim, e ele é bem forte, então é melhor a gente pensar juntos.
- Eu geralmente não montar estratégias, ataco com o martelo só.
- É o que a gente imaginava.
O barulho do cintilar das botas do assassino chegava cada vez mais perto, Bane faz um gesto para que os dois fiquem quietos e prontamente obedecem, se mantendo postos a atacar ou contra-atacar qualquer coisa – Em menos de um minuto a silhueta já estava ali, mas ela para na frente de todos, provavelmente indo seguir reto como se nem tivesse os percebido ainda, ele estava perto o bastante para atacar, e Tohrr não perderia essa chance.
- VOU MATAR!!
Ele pega o martelo e vira de lado, rapidamente o foguete liga, balançando e quebrando todas as casas ao redor até chegar no assassino, que em menos de poucos segundos aponta a arma diretamente para Tohrr e atira uma rajada de esferas de luz bem maiores que as outras – Mas mesmo assim ele não consegue desviar, sendo pego pelo martelo e jogado de forma estrondosa contra várias casas, quebrando diversas paredes uma atrás da outra fazendo subir uma fumaça visível que prontamente os faz não ver onde ele caiu.
- HGMMN..! MALDITO!
Tohrr fraqueja, quase soltando o martelo, Bane e Dash tentam ajudar ele mas o próprio segue reto para onde o inimigo estava com raiva emplacada em seu olhar, ele destrói algumas casas balançando o martelo com mastria, mas.. – Um raio rápido e certeiro passa por Tohrr, e imediatamente seu braço esquerdo desmonta e cai no chão, como se uma lâmina extremamente afiada tivesse feito em um corte limpo aquilo, Tohrr olha para o lado mas não antes que reaja uma rajada de tiros que acerta seu rosto, fazendo com que a parede que era esse alienígena, simplesmente pare de se mover em segundos, mas sem cair por sua estabilidade perfeita das quatro pernas.
- O que aconteceu?
Dash e Bane olham de trás, eles tinham visto tanto o raio quanto a rajada de tiros passando pelo corpo do ser, e sentem um frio na espinha gigante assim que ele para de se mover, deixando o martelo cair no meio do chão de forma silenciosa pela areia fofa e gravidade – Bane logo toma a frente e puxa a mulher para trás de uma das casas, assim que na mesma hora uma rajada de tiros vai até o martelo de Tohrr, atirando nele também assim que cai no chão.