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A Heroína
Melancolia voava ao redor do planeta várias e várias vezes em poucos segundos, soltando um raio de energia e de luz que aquecia o planeta cada vez mais, derretendo o gelo que o formava de forma preocupante, Dash olha para o céu enquanto ele se iluminava com esse raio que passava incrédula, assustada e sem saber o que fazer – Ela escuta um barulho atrás de si, se virando assustada, de uma pequena caverna naquela cratera uma criatura sai, alta de entorno de dois metros e meio, sua pele era azulada como se fosse congelado, era magro e esguio com braços que alcançavam o chão e uma sihueta digna de filme de terror, seus olhos amarelos eram vidrados na mulher, ele vestia um manto branco como se se escondesse.
- O-oi?! Quem é você?
Uma voz baixa sai daquela coisa enquanto Dash se afastava, mas logo ela escuta.
- Eu sou um residente deste planeta.. Posso lhe ajudar, mas tenho uma súplica para você heroína.
Dash se aproxima meio assustada mas tentando relaxar, provavelmente nada ali seria pior do que o que estava acontecendo lá fora – O alienígena também se aproxima, tentando ser o máximo amigável possível mesmo com sua aparência.
- Certo.. Pode falar senhor alienígena.
- Poderei te ajudar a sair deste local.. Mas por favor.. Ajude meu planeta, com tanto calor não sobreviveremos, o frio é necessário para existência minha e de meus irmãos..
- Você mora aqui nessa cratera?..
- Sim.. Estava escondido..
- Entendo..
Dash olha para o lado, para a mão decepada de Mark caída no chão, para suas próprias mãos, para o alienígena e por último para a catástrofe que se intensificava lá fora – Um dilema começa a aparecer na frente da mulher, salvar o planeta inteiro com riscos? Ou ir embora e permanecer com mente pesada de não ter ajudado um povo de uma catástrofe que ela mesma fez?...
- Eu.. Posso tentar ajudar.
- Sério? Muito obrigado heroína.. Devemos a você extrema gratidão.
- Foca no que eu disse, eu disse que vou teeentaaarr!
- Isso já é ótimo, muito obrigado.
- Agora, me ajuda a sair daqui vai.
Os dois se aproximam da entrada da cratera, e o alienígena facilmente agarra Dash com uma força impressionante para seus membros, e começa a subir aquele buraco agarrando as pequenas garras de seus pés nas pedras de gelo, subindo com extrema facilidade sem deslizar.
- Somos feitos para coisas como essa, nosso corpo não desliza.
- Que legal viu? Eu não queria ser assim, imagina correr e não derrapar.
Finalmente eles chegam no topo, vendo a luz passando várias e várias vezes e formando uma grande linha no meio do planeta que afundava a cada segundo, o gelo ao redor começa a se desfazer, descongelando e destruindo toda aquela paisagem bonita e congelada, era visível o medo que o alienígena tinha o próprio rosto, e Dash via isso e se compadecia – Ela vira para ele.
- Certo.. Eu vou dar o meu melhor.
- Vi suas habilidades em batalhas, elas parelham tal inimigo.. Confio que você consiga mulher roxa.
- Muito obrigada também Nevaiciano.
Ela olha para aquilo novamente, e sem perder muito tempo começa a correr na direção contrária dá de Melancolia, ela já tinha um plano em mente.
- Se eu alcançar ali em cima.. Só um soco na cabeça e eu derrubo.
Dash começava a correr e acumular metros, mas mesmo que estivesse utilizando seu poder, Melancolia era bem mais rápido que ela, ela corria e subia as montanhas nevadas enquanto ele dava duas, três voltas facilmente, descongelando cada vez mais aquele local que ficava mais liso e difícil de andar.
- Se eu pegar altura.. Talvez alcance ele, só preciso acertar a hora que ele passa.
Ela acha uma montanha nevada ao qual ele passava do lado, ela estava começando a descongelar e provavelmente cairia rapidamente, então a garota tinha pouco tempo para ter certeza de quando ele passaria e dar o ataque – Ela começa a observar ele passando, contando.
- Um.. Dois.. Três.. Quatro.. Hm..??? Acho que sete? Agora!
Ela sobe rapidamente aquela montanha utilizando o poder enquanto ele passa, quando ele vai fazer a segunda volta ela se prepara, pulando do penhasco mas deslizando e quase caindo – Ela consegue chegar até ele, acertando o soco mesmo que não totalmente, mas ele passa reto, era formado de luz e ele corta o punho armado da garota, passando totalmente pelo abdômen da mulher e perfurando ele enquanto passa disparando o mesmo raio como se sequer tivesse percebido.
- ...??!
Ela é jogada de lá de cima, caindo diretamente ao chão e deslizando pela neve e gelo que descongelavam, Dash coloca a mão na barriga, vendo o sangue escorrendo do buraco queimado que tinha, seu punho também estava totalmente queimado, mesmo que parte do dano tivesse sido bem segurado pela luva específica que utilizava, ela se arrasta um pouco para longe do buraco que o raio de Melancolia estava fazendo e retira o capacete para respirar melhor, cuspindo um pouco de sangue.
- Como que eu faço para ganhar disso?..
Assim que ela decide se levantar, algo estranho acontece e ela recebe uma pontada estranha na própria cabeça, caindo de joelhos, sua visão começa a ficar turva e a própria sente como se tivesse em um feito alucinógeno, em sua mente vários flashbacks passam, a nave, seus amigos que foram junto com ela, a comida, aquele planeta estranho, e é claro – A carne, os cortes, as mortes, as súplicas pela comida que a própria escondia dos outros, coisas que ela não queria mas lembrar mas tava sendo forçada a fazer.
“Seu egoísmo é o último passo que te traz para longe de ser uma heroína, quantas pessoas você matou? Quer que aconteça novamente?”
Ela trava, com a boca aberta olhando para a neve e chorando como se fosse vomitar dezenas de vezes, tinha algo dentro dela, algo que crescia – Lindsay cai segurando a própria barriga na neve, e olha para seu capacete, ela via a si mesma, o rosto desesperado e traumatizado de coisas que tentou tanto esconder.
- Lindy, lindy.. Finalmente decidiu lembrar né?
- N-não fui eu!.. Eu não sei o que aconteceu!
- Por que omitir tanto os fatos pro Bane, você mentiu pra ele não foi?
- Eu não menti.. Eu só não contei tudo.
- “Única sobrevivente” não é uma mentira? Poderia ter mais se você não pensasse só em si mesma né?
- Não é culpa minha! Já tinham se passado dois meses, como eu ia saber?
- ...
- Me diz?..
- Deixa isso de lado Lindy.. Eu acho que nosso passado não é algo que a gente tem que ser aberta sobre, existem feridas que não devem ser abertas..
- Finalmente você disse isso, finalmente me entende!
- Mas, você sabe o que tem que fazer agora né? Se não essa culpa nunca vai passar.
- Eu.. Eu sei, mas não sei se quero..
- Chegou a sua hora, a hora que você vai se sentir completa, salve os outros mais do que já fez, faça uma boa ação que não vai se arrepender Lindsay, eu prometo que te ajudo nessa.
- Mas e o Bane? A Reni? Eu não quero que eles se sintam pior.
- Mas me diz, você vai querer continuar vivendo com essa culpa? Essa angustia no seu coração?
- Você sabe que eu não quero..
- Então termina aqui a jornada da heroína, um último ato heroico que vai ter fazer sorrir sem sentir culpa.
- E-eu.. Eu tenho medo disso.
- Então levanta! Coragem Lindy! Eu não fiquei com você por todo esse tempo pra você não se desenvolver, mostra pra mim que aprendeu, mostra pro Joe que você aprendeu.
- ...
- Ele ainda te ama, em alguma dessas estrelas ele tá, então nada melhor do que estar perto do teu amor não é?
- Então.. Essa é a última vez?
- Eu te prometo, a última vez.
- Tá bem.. Então até mais Dash.
- Se cuida Lindy.
Ela se levanta com uma vontade renovada, seu rosto era triste como uma despedida mas ela sabia o que tinha que fazer agora – Lindsay pega o capacete e coloca, agora se sentindo mais completa do que em sua vida inteira, ela observa como toda a situação estava piorando, e toma uma decisão.
- Uma última vez..
Lindsay começa a correr, dando voltas e tentando ao máximo seguir o caminho plano acumulando velocidade, ela vai na direção contrária da de Melancolia vendo aquela coisa iluminar o céu escuro do planeta distante do sol, ela observa as voltas dele, cada vez mais pensativa enquanto sua velocidade aumenta, os metros percorridos, a dificuldade de correr aumenta cada vez mais – Melancolia dava cinco voltas enquanto Linsay uma, ele dava quatro enquanto Lindsay uma, ele dava três enquanto Lindsay uma, ela estava se colocando ao limite da própria corrida, a velocidades que não sabe se conseguiria realmente alcançar, o tempo passa cada vez mais devagar para ela, a cada floco de neve demorar demais para cair enquanto ela continuava acelerando.
A mulher não vê nenhuma montanha que parelhava a altura do assassino, tendo em vista que aquela anterior estava derretendo e não tinha como se estabilizar, a mesma começa a decidir, que própria pularia em um altura que alcançaria ele – Cada vez mais perto, cada vez menos voltas, cada vez mais esforço e mais velocidade.
Seus pés doíam, suas panturrilhas já não aguentavam mais, ela sabia que estava colocando o próprio corpo ao limite para chegar na velocidade de Melancolia, mas não se arrependia, estava disposta a fazer isso e salvar todos daquele planeta – Finalmente ela percebe, as duas velocidades estavam parelhadas, mas ela não podia parar de correr, tudo doía, era como se seus músculos estivessem sendo esmagados pela pressão do ar cada vez mais e com mais força, até que ela observa melancolia vindo, e decide finalmente – Lindsay pula, mas assim que coloca força em somente uma perna, os músculos praticamente explodem lá dentro, e seu osso quebra com um som que ela não conseguiu escutar, mas sabia o que tinha acontecido pela dor no mesmo momento.
Mas ela pula, uma impulsão impossível que nenhum ser humano alcançaria, seu punho preparado para ir direto na cabeça daquele assassino, que assim que percebe Lindsay na mesma velocidade que ele, se assusta virando o rosto para ela, mas quando ele vira o rosto, a mesma chega vendo a possibilidade perfeita – Ela enfia um soco direto no rosto de Melancolia, afundando o próprio punho no crânio e na armadura daquele assassino, seu punho se quebra no momento que continua pressionando contra o inimigo, seu corpo já não aguentava qualquer contato, mas esse ela tinha o prazer de aguentar, mesmo grunhindo de dor.
O soco de Lindsay praticamente gera uma explosão, jogando o assassino diretamente para o chão com velocidade indescritível, no mesmo momento a mulher para de correr, sendo lançada pelo chão e derrapando na neve caindo com o corpo totalmente cansado, ela retira o capacete com a mão que conseguia recuperando o ar, grunhindo com um pouco de dor mesmo que a adrenalina disfarçasse a maioria – Lindsay continua jogada no chão, já praticamente desistindo de tudo, ela olha para seu punho ao qual praticamente estava despedaçado, o osso quebrado exposto, era assustador mas com o êxtase que tinha sentido ela sequer consegue entender tudo isso.
- V-você acha que.. Acha que me derrotou?
Do meio da neve, o corpo que Lindsay achava que estava morto levanta, seu rosto praticamente afundado mas de alguma forma ele se mantinha de pé, Melancolia levita no meio da geleira e olha direto para a mulher que sequer tinha forças para falar.
- C-como você tá vivo?
- Minha armadura é bem resistente.
- Ah.. Claro..
- MAS AGORA, AGORA É A HORA DE VOCÊ APRENDER, EU VOU ACABAR COM ESSE PLANETA TODO AGORA MESMO!
Ele levanta as duas mãos para o alto, criando uma bola de energia que começa a tomar visivelmente alguns gases daquela atmosfera enquanto cresce, e cresce, e cresce, o calor da batalha que Lindsay sentia começa a se intensificar enquanto o inimigo ri maniacamente.
- VEJA O MEU PODER! EU SOU UM DEUS, EU CRIEI UM SOL!
A mulher sequer queria continuar, mas sabia que seu objetivo não estaria cumprido se não fizesse aquilo – Enquanto o calor aumentava, Lindsay fica de joelhos, apoiada na perna que ainda era funcional, ela agarra um pouco dos metros restantes da outra pancada, e não pensa direito, ela só faz.
Lindsay apoia com um braço e uma perna, e usando todos os metros que ainda tinha, se impulsiona diretamente para o inimigo – Enquanto ela voa rapidamente, o calor fica insuportável, seu uniforme começa a se desfazer, sua pele queima como se uma brasa quente fosse colocada diretamente, mas ela não para de voar para cima dele, seu cabelo começa a pegar fogo enquanto ela avança, e o vilão observa, rindo, vendo como ela se desfazia a cada metro que se aproximava, mas ela não para.
Lindsay chega no inimigo, praticamente em carne viva, ela agarra o chifre dele, olha para ele embora ela já nem conseguisse ver direito, aqueles olhos vazios encaravam o assassino, que se enche de medo – Ela tenta, mas não consegue falar, então ela finca o osso exposto de seu outro braço diretamente no pescoço do inimigo que se sentia extremamente assustado, assim que o sangue começa a escorrer ele cai para trás, agoniando e se afogando com o sangue.
- MALDITA POR QUE NÃO D-DESISTE? VOCÊ JÁ TÁ MORTA!
Ele olha para ela enquanto se afoga, mas logo seu corpo só para de se mover, e ele cai imóvel na neve, o sol que havia sido feito continua acima de Lindsay, mas ele começa a colapsar – Ela já não via mais nada, já não sentia mais nada, mas mesmo assim ela olha para o capacete que havia deixado jogado metros atrás, Lindsay tenta sorrir do melhor jeito que consegue, e mesmo sem conseguir tanto, ela fala.
- J-Joe..
E olha para as estrelas, todo o peso que sentia que carregava se desfaz, e seu coração se enche de satisfação em seus últimos segundos. O sol que havia sido feito explode em calor de forma extrema, descongelando coisas a quilômetros de distância, mas prevenindo o pior – O corpo de Lindsay some, carbonizado no calor da explosão, e ela finalmente se despede da existência como uma heroína que aceitou ser no fim da vida.