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Nisantro
Reni continua sentada no chão, ela abraça o capacete de Dash e chora por algum tempo – Mas bane se levanta e olha para Zero que tinha se desacoplado da nave.
- Larva, vamos para o próximo planeta.
Reni se assusta e arregala os olhos, ela se levanta soltando o capacete e olha para Bane que permanece sério sem olhar nos olhos da menina.
- Como assim Bane? Nisantro? Mas a gente não ia pra casa?
- Você vai.
- Como assim eu? Você tá fazendo o que?
Zero volta até a nave e começa a subir voo, saindo da atmosfera do planeta – Bane finalmente olha para a garota, os olhos marejados mas sem derrubar lágrimas.
- É uma vergonha ir embora depois disso tudo, todos morreram aqui e se sacrificaram, eu disse que ia proteger cada um mas não fiz nada disso, então eu vou proteger você Reni, e esse sistema solar inteiro, eu vou matar o Arqueólogo.
- Você tá ficando maluco Bane?? Como assim? A gente nem sabe o poder dele, é suicídio! E se tiver mais assassinos esperando lá?
- Eu vou matar todos que estiverem naquele lugar, isso já é algo maior do que uma escolha minha, é um dever.
- Eu não tô te entendendo, é impossível!
Uma raiva aparece nos olhos de Bane, que ele tenta suavizar rapidamente mas não consegue, algo além do que ele sentia.
- Imagina se o maior herói do mundo é o único que volta, ileso, eu vou dizer o que? Que eu não fiz nada? Não salvei ninguém?
- Você não é assim..
- Eu sei que não sou, mas isso não é por mim, é por eles. Eu falo e eles me desobedecem, pensam e agem como bem entendem, então por uma vez eu vou desobedecer a mim mesmo e fazer assim como eles fariam, eu quero honrar os Heróis Mundiais, e quero terminar essa missão.. Ou pelo menos, se morrer vamos poder dizer que todos morreram na mesma missão.
- Não faz isso.. Eu preciso de você aqui também, como eu vou voltar?
- Você não precisa de mim, o Zero já vai fazer um ótimo trabalho cuidando de você, ele é uma larvinha forte, e além disso, tem comida de sobra pra você se empanturrar na volta.
- Eu não quero que você fique, você vai voltar junto comigo sim!
Bane sorri para Reni, que volta na hora, olhando para baixo.
- É uma escolha minha.. Algum dia você ainda vai entender ela.
- E se você não morrer?..
- Eu não acredito que eu vá sobreviver.. Vou dar tudo de mim independente do combate.
- Mas por que Bane.. Eu não consigo entender..
- Por que eu quero.. A minha vida toda nos heróis mundiais eu fiz missões pra lá e pra cá com aqueles cinco, eles viraram uma família pra mim, mas eu nunca tinha percebido a importância disso.. Vir pro espaço e ter esse tempo com cada um, saber mais sobre eles, conversar e conhecer me fez ver que eles são minha família tanto quanto outros..
- Você não tem mãe? Pai?
- Eu tenho minha mãe, mas ela é uma mulher forte, vai lidar bem sem mim, eu quero morrer com as pessoas que eu mais considero minha família além da minha mãe. Eu entendo os pensamentos deles, o que sentiam, entendo mais do que já senti em toda a minha vida Reni, então eu vou cavar a cova de todos os Heróis Mundiais nesse sistema solar. Agora, vamos ficar quietos, e esperar chegar.
- T-tá bem..
Ela desiste, percebendo o quão decidido o homem estava e sabia que o próprio não mudaria de ideia fácil, e nem ela conseguiria fazer ele mudar de ideia tão cedo – A viagem continua com os dois quietos sem sequer trocar uma palavra, Reni olha para Bane de vez em quando, e percebe as lágrimas escorrendo pelo canto de seus olhos mesmo que ele não faça som algum, ele sofria tanto quanto ela.
-
Finalmente eles se aproximam do planeta, Nisantro era um planeta pequeno ao qual era possível ver seu horizonte e onde ele próprio girava a olho nu de cima sem tanto esforço, eram visíveis várias casas e estruturas quebradas e desfeitas pelo tempo, talvez as coisas que aquele arqueólogo procurava – Assim que a nave pousa, Bane se levanta e a porta abre, mas Reni agarra na camiseta dele antes que se mova.
- Você tem certeza??
- Eu já decidi isso faz tempo.
- M-mas.. Pelo menos deixa eu te esperar aqui.
Ele para por alguns segundos e pensa, dando uma risadinha.
- Tudo bem.. E olha Reni.
Bane se vira para a garota, agachando e ficando na frente de seus olhos, ele mantinha uma pose forte e um sorriso amigável embora seus olhos estivessem inchados de tanto chorar.
- Eu não quero que ache que você tem que carregar a gente no seu coração ou algo assim, você é uma menina forte, é inteligente e passar esses dias com você na nave me fizeram ver que você não é só uma garota, é quase como um computador, é alegre, gosta de descobrir as coisas e isso é perceptível..
- B-bane..
- Eu não quero que tudo o que você tenha passado aqui vire uma ferida aberta no seu peito, mas sim uma cicatriz que você vai olhar e se lembrar, não de forma ruim, mas lembra dos sorrisos, das brincadeiras, das amizades e da gente, e que isso te leve mais longe! Quero que estude, se torne uma garota ao qual qualquer um se orgulharia, por que a gente vai continuar te olhando, não importa o quão longe, a gente tá aqui com você.
- Por favor.. Não vai..
- Eu vou ir pirralha.. Mas antes..
Ele pega a sua luva do bolso, a mesma que contém a infinidade de itens que utilizava, e pega um grande machado, melhor do que o que queria utilizar anteriormente, além disso Bane pega um fuzil e arruma com a alça em seu corpo e finalmente, coloca a luva na mão de Reni.
- Usa isso aqui, eu não vou precisar mais, usa pra guardar seus materiais, ou não sei o que você vai precisar. Eu usava pra guardar umas coisas pra comer quando tinha missão longa viu?
Reni observa, mas logo cai em cima de Bane o abraçando com somente o braço que tinha enquanto lágrimas escorriam em seus olhos e ela soluçava.
- Não faz isso viu? Despedida fica mais difícil quando alguém chora..
- E-eu não quero isso...
- Eu também não quero, mas tem coisas na vida que a gente não escolhe, não podemos mudar o destino como quiser..
Ela finalmente se afasta, olhando para ele que finalmente se levanta, colocando um pé para fora e olhando para a garota por uma última vez antes de ir para combate.
- Eu vou estar aqui esperando Bane..
- Tudo bem.. Se cuida pirralha, até mais.
Ele sai da nave e fecha a entrada, respirando por alguns segundos, e por último olha para trás e dá algumas batidas na lataria da nave.
- Zero, quando eu começar a lutar você vai embora, não importa o que ela diga, leva a pirralha em segurança para a terra.. Tô contando contigo.
Bane dá começa a andar na direção dos escombros de uma cidade que tinham mais a frente, as casas baixas quebradas cheias de uma areia visível, embora tivesse grama e plantas no chão, era um planeta pequeno e parecido com a terra – Ele observa um pouco umas pequenas escritas que haviam e o mesmo não entendia, mas naquele momento não era o que ele procurava.
- Que silêncio..
Ele continua a andar por mais algum tempo, até achar uma nave, ela estava totalmente quebrada e parecia ter caído naquele planeta, era pequena talvez coubesse uma ou duas pessoas no máximo – Ele chega e analisa a nave, embora não tivesse muito o que entender ali, eram escritas e botões que não faziam sentido, Bane já não entendia nada sobre isso normalmente, e não seria agora que pararia para estudar.
- Você chegou..
Uma voz feminina fala, Bane arregala os olhos e pula para trás, segurando o fuzil com força enquanto foca em seu arredor – A areia que tinha se acumulado nas casas começa a levantar em uma tempestade, Bane observa o quão estranho isso era e começa a observar o arredor.. Parece que ele chegou.