Capítulo 1 — Encontro com Deus
Assim que despertei, vi o mesmo velho sentado tranquilamente no centro daquela sala branca.
Confuso, me levantei devagar e caminhei até ele.
Antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele abriu um pequeno sorriso.
— Bem-vindo, Alexander.
Ainda tentando entender a situação, apenas assenti.
— Onde estou?
O velho acariciou a longa barba branca antes de responder:
— Hmm… essa é uma pergunta complicada. Mas antes, sente-se.
Antes que eu perguntasse onde, uma cadeira surgiu atrás de mim.
Hesitei por um instante, mas me sentei.
Então o velho começou a falar:
— Meu nome é Zarathiel. Sou o Deus da Criação de outro mundo. A deusa da reencarnação, Nytheris, foi quem trouxe sua alma até aqui.
Minha mente travou por alguns segundos.
Deus?
Reencarnação?
Aquilo parecia absurdo demais até para um sonho.
— Você se lembra do que aconteceu? — perguntou ele calmamente.
Baixei os olhos.
As imagens da minha mãe voltaram imediatamente à minha cabeça.
— …Sim.
Minha voz saiu falha.
— Eu morri.
— Exato. Mas aquela não deveria ter sido a sua hora… nem a da sua mãe.
Ergui a cabeça imediatamente.
— O que quer dizer com isso?
— Sua mãe deveria ter encontrado você quando descesse do ônibus. Ela havia saído ao mercado naquele dia.
Senti meu peito apertar.
— Então… por que aquilo aconteceu?
Zarathiel ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Não sei.
Aquilo me surpreendeu.
— Existe um ser responsável pelas linhas do destino. O Deus do Destino, Oryndral. Mas até mesmo eu perdi contato com ele há muito tempo. Algo alterou o fluxo natural do destino de vocês.
Cerrei os punhos.
— Então foi tudo… um erro?
— Talvez.
A resposta vaga me irritou, mas eu já não tinha forças para discutir.
Então outra dúvida surgiu na minha mente.
— Minha mãe…
Zarathiel voltou a me encarar.
— Ela esteve aqui também?
Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.
— Sim.
Meu coração acelerou.
— Então ela reencarnou? Você pode me mandar para o mesmo lugar que ela?
Mas o sorriso dele desapareceu.
— Não. Sua mãe recusou a reencarnação.
Meu corpo congelou.
— …O quê?
— Assim que chegou aqui, tudo o que ela queria saber era como você estava.
Minha garganta secou.
— Quando descobriu o que havia acontecido com você… ela chorou.
Zarathiel desviou o olhar por um breve instante antes de continuar:
— Eu ofereci a ela uma nova vida. Uma segunda chance. Mas sua mãe recusou.
O silêncio daquela sala branca parecia esmagador.
— Ela disse que já havia vivido uma vida feliz. Disse que teve uma família maravilhosa… e um filho que abandonou os próprios sonhos para cuidar dela até o fim.
Senti minha visão embaçar.
— Então ela fez apenas um pedido.
Minha respiração falhou.
— Ela pediu para que todas as bênçãos destinadas a ela fossem entregues a você.
As lágrimas começaram a cair antes mesmo que eu percebesse.
— Ela sabia que você carregaria culpa… impotência… dor. Então desejou que, em sua próxima vida, você pudesse finalmente correr atrás do próprio sonho.
Zarathiel então sorriu de forma gentil.
— As últimas palavras dela para você foram:
“Seja feliz… e nunca deixe de ser quem você é.”
Não consegui suportar.
Toda a dor que eu vinha tentando segurar simplesmente desabou.
Caí de joelhos chorando como uma criança.
Zarathiel permaneceu em silêncio o tempo inteiro.
Esperando.
Somente depois de muito tempo consegui recuperar o controle.
Respirei fundo e enxuguei o rosto.
Então ergui a cabeça.
— Já decidiu? — perguntou ele.
Fechei os olhos por alguns segundos.
Então respondi:
— Sim.
Minha voz saiu firme dessa vez.
— Eu quero reencarnar.
O velho abriu um leve sorriso.
— Então vou explicar para onde você irá.
Ele bateu o cajado levemente contra o chão branco.
— O mundo para onde será enviado se chama Onmyokai.
O espaço ao nosso redor começou a se transformar lentamente, revelando montanhas gigantescas, cidades muradas e céus cortados por criaturas voadoras.
— Um mundo de espadas, magia e criaturas além da imaginação humana.
Observei tudo em silêncio.
Parecia um sonho.
Ou talvez um jogo.
Como se tivesse sido arrancado diretamente de um MMORPG.
— Neste mundo existem várias raças além dos humanos. Elfos, anões, homens-fera, dragonoides… além de outras que desapareceram com o tempo ou estão próximas da extinção, como os High Elves e os Dark Elves.
— Outra coisa importante é o Sistema de Classes. Nesse mundo, a classe de uma pessoa praticamente define toda a sua vida.
— Como em um RPG?
— Exatamente.
— Além das classes, existem também as chamadas Habilidades Únicas.
Seu tom ficou mais sério.
— Elas não podem ser ensinadas, herdadas ou copiadas. Surgem apenas em indivíduos escolhidos pelo destino.
— E o que elas fazem?
— Isso varia. Algumas são simples, como ampliar os sentidos ou acelerar o aprendizado. Outras… possuem o poder de mudar o rumo do mundo.
Fiquei em silêncio.
Aquele mundo parecia cada vez menos um simples jogo.
— Mas não precisa pensar demais nisso agora.
O cenário ao nosso redor começou a desaparecer lentamente.
— Você terá bastante tempo para descobrir tudo isso quando chegar em Onmyokai.