Durante a noite, na campanha de extermínio dos HOR, o castelo da nação de Berk permanecia de pé como uma fortaleza impenetrável.
Suas muralhas eram feitas de pedra negra, altas e espessas, refletindo a luz fria da lua. No topo, uma enorme bandeira tremulava ao vento — um lobo uivando para a noite.
O símbolo de Berk.
Berk não era um reino unificado.
Era dividido em três grandes facções.
A primeira era a Ordem da Fúria, composta pelos guerreiros da tribo berserk. Poucos em número, mas os mais poderosos entre todos.
A segunda era a Ordem da Lua, formada por homens-bestas capazes de assumir formas de lobos humanoides sob a lua cheia. Quanto mais próxima da meia-noite, mais fortes se tornavam — até que, lentamente, voltavam ao normal.
E por fim, os Carniceiros Removidos.
Humanos.
Numerosos.
Divididos entre Berk e Lahab.
E extremamente perigosos.
Todos esses grupos tinham ideologias diferentes.
Mas eram unidos por um único propósito:
Proteger os tronos.
Proteger o mundo… de monstros como Blasfemo.
E dos HOR.
Naquela noite, todos estavam reunidos no Castelo dos Guerreiros para discutir um acordo de paz entre Berk e Horos, a nação dos HOR.
Héctor Stan observava o salão com desconfiança.
— Não confio nem um pouco em Ragnar.
Um dos líderes ao seu lado suspirou.
— Eu também não… mas já passou da hora desse conflito acabar. Amélia já está morta.
O silêncio caiu por um instante.
Então—
As portas se abriram.
Alan entrou.
O mais jovem da família Stan.
Seus cabelos negros estavam mais longos, caindo sobre os olhos carmesim. Sua pele branca contrastava com a cicatriz em sua bochecha, que apenas aumentava sua presença.
— Você demorou — disse Héctor.
— Desculpe. Estava ocupado. Vorax já chegou?
— Assim como você, irmão… acabei de chegar.
A voz veio do outro lado do salão.
Vorax.
Parecido com Alan, mas diferente o suficiente para ser notado.
Cabelos curtos, com fios prateados na frente. Um canino longo demais para sua própria boca. Olhos vermelhos como sangue.
Mesmo sendo da casa secundária de Antony Stan, muitos diziam que ele era tão Stan quanto Alan.
Alan cruzou os braços.
— Onde está o maldito Ragnar?
Vorax sorriu.
— Espero que ele chegue logo. Quero vencer aquela nossa luta.
Alan respondeu sem humor.
— Não seja exibido. Dessa vez, eu venço.
Héctor interrompeu, sua voz firme cortando o ar.
— Um de vocês será o líder de Berk. Não ajam como crianças diante dos outros.
O clima ficou pesado.
Mas então—
O mundo mudou.
Um calor intenso invadiu o ar.
E, do lado de fora do castelo, uma coluna de fogo rasgou os céus.
A noite virou dia.
O calor era tão absurdo que a própria terra começou a reagir.
Maystres surgiram ao redor do castelo, erguendo as mãos, tentando congelar Aldernys para impedir que tudo fosse destruído.
— Que maldição é essa?! — gritou Héctor.
As pedras da muralha começaram a derreter.
O ar queimava os pulmões.
— Se isso continuar, tudo será destruído! — gritou um dos Maystres.
Então…
Ele apareceu.
Uma figura caminhando em meio às chamas.
Cada passo fazia o calor aumentar.
As rochas derretiam ao seu redor.
Vorax sorriu, mesmo diante daquilo.
— Alan… que tal uma aposta? Quem matar aquela coisa primeiro?
Alan estreitou os olhos.
— Não é hora para jogos.
Quando a muralha finalmente cedeu—
A figura foi revelada.
Kuro.
Sua armadura derretia sobre o próprio corpo, tentando se reconstruir constantemente. Apenas uma parte de seu rosto estava visível.
Mas foi o suficiente.
— Andri… o que você está fazendo? — gritou Alan.
Kuro não respondeu.
Continuou andando.
— Fomos claros. Você não deveria voltar — disse Vorax, agora sério.
Então Kuro falou.
Baixo.
Quase um sussurro.
— Dante… Nivy… Daranco… Jackson… Amélia…
O calor aumentou ainda mais.
— Esse era o nome do meu grupo.
Ele parou.
— Nosso lema era simples… não importa quem seja. Plebeu ou rei.
Seus olhos queimaram.
— Sempre nos vingamos.
Héctor avançou.
— Tirem Alan e Vorax daqui.
— Nem ferrando! — gritou Vorax.
— Nesse estado, nem Vália venceria isso — respondeu Héctor.
Antes que pudessem reagir—
Uma enorme serpente de terra surgiu.
Engoliu Alan e Vorax.
Héctor sorriu de leve.
— Obrigado, Quintos.
Kuro continuou avançando.
Mas suas chamas começaram a diminuir.
Os Maystres estavam conseguindo conter o fogo.
Héctor ergueu a cabeça.
— Parece que você está ficando fraco, Kuro. E infelizmente… não vai sair vivo daqui.
Kuro parou.
— Você acha… que esse é o tamanho da minha raiva?
Então—
As chamas explodiram.
Cresceram de forma absurda.
Cobriram Aldernys inteira.
Até os exilados sentiram o calor.
Héctor caiu de joelhos.
Por um instante… pensou que iria morrer.
Mas algo aconteceu.
Algo surgiu da terra.
Uma cabeça humana deformada.
Gigantesca.
Ela abriu a boca.
E começou a devorar as chamas.
— Não pode ser… — murmurou Héctor.
Uma voz ecoou.
Grossa.
Obscura.
— Quem diria… que o próprio Blasfemo teria que salvar Aldernys da destruição.
Quando o fogo desapareceu—
Ele estava ali.
Blasfemo.
Armadura negra adornada com rubis e ouro.
Máscara dourada.
Héctor arregalou os olhos.
— Blasfemo!
Mas ele foi ignorado.
Blasfemo caminhou até Kuro.
— Você está deixando o fogo se libertar. Sabe qual é o resultado disso.
O chão explodiu em chamas.
Blasfemo foi atingido.
Sua armadura derreteu.
E mesmo assim…
Ele sorriu.
No mesmo instante, ossos surgiram da terra.
Perfuração total.
O corpo de Kuro foi atravessado.
Mas o fogo respondeu.
Queimou os ossos.
Restaurou sua carne.
Kuro avançou.
Espada de fogo em mãos.
Blasfemo bloqueou com sua lança.
Ao redor deles…
Tudo morreu.
E depois queimou.
Os dois foram arremessados para trás.
Blasfemo fincou a lança no chão.
— Por que você não está morrendo?
O céu escureceu.
Ossos caíram como chuva.
Kuro começou a se decompor.
Sua pele caía.
Mas voltava.
— Isso é… invulnerabilidade — disse Blasfemo, rindo. — Nem eu tenho isso.
Ele começou a caminhar.
— Você é um problema.
Uma pausa.
— Junte-se a mim.
O fogo crepitava ao redor.
— Nem Domínos seria páreo para você.
Kuro ergueu o olhar.
— Seu nome é Blasfemo… não é?
Blasfemo sorriu.
— Tenho muitos nomes.
— Você e o culpado por esse massacre.
O ar ficou pesado.
— Você é só mais um… que eu vou matar.
Blasfemo assentiu.
— Que seja.
Os dois avançaram.
Fogo.
Morte.
Calor.
Frio.
Quando estavam prestes a colidir—
Correntes surgiram do nada.
Prenderam Blasfemo.
Uma luz desceu.
Impediu Kuro.
EGO.
— Se isso continuar… tudo será destruído.
Outro ser apareceu.
Feito de luz.
Ele lançou uma onda.
Kuro desapareceu.
Foi lançado para longe de Aldernys.
As correntes se quebraram.
Blasfemo se libertou.
— Que maldição…
O ser de luz desapareceu.
Blasfemo olhou para EGO.
— Quanto tempo.
EGO sorriu.
— Não muito bem… desde que você me aprisionou.
Blasfemo virou as costas.
— Foi você quem disse…
Ele começou a andar.
— Que meus desejos deveriam superar os de família e amigos.
EGO abriu um sorriso imenso.
Seus dentes brancos brilharam na escuridão.
— E é por isso…
Uma pausa.
— Que você é o meu melhor conceito.