No Reino de BARZEL CHAZAK
No coração de Barzel Chazak, erguia-se uma montanha impossível.
Inteiramente feita de ferro.
Suas encostas negras refletiam a luz do céu como lâminas gigantes, e no topo, uma longa ponta metálica rasgava as nuvens — um condutor perfeito. Era ali que os senhores de ferro atraíam os raios, domando a fúria dos céus para alimentar suas forjas.
Ao redor da montanha, a capital se espalhava.
Bigorna.
Cidade onde gigantes de ferro moldavam as armas mais temidas de Aldernys.
O som constante de metal sendo martelado ecoava como um coração batendo.
Pesado.
Implacável.
Dentro do castelo, o ar era denso.
As paredes estavam cobertas por troféus de guerra: armas quebradas, bandeiras rasgadas… e acima do trono, o crânio de um mamute colossal, lembrando a todos que até os maiores podiam cair.
No trono de ferro e lã, estava ele.
Boryk Chazak.
O Rei de Ferro.
— Isso é uma convocação mundial — disse ele, a voz grave ecoando pelo salão.
À sua frente, Aleksandr permanecia imóvel.
— Eu também recebi uma carta do Rei do Horror. Assim como vocês.
Boryk estreitou os olhos.
— Foram os pássaros da morte?
— Não. — Aleksandr respondeu seco. — Como deve ter ouvido… um pequeno grupo de marydianos chegou a Marvet.
O rei assentiu lentamente.
— Ouvi. Por um tempo, só se falava do retorno dos filhos de Maryd.
Houve uma breve pausa.
Então Aleksandr continuou:
— O que poucos sabem… é que junto deles veio um jovem que se intitula rei de Verdevalia.
O impacto foi imediato.
Boryk se inclinou para frente, o ferro do trono rangendo sob seu peso.
— Rei de Verdevalia? Você confirmou isso?
— Ele possuía os traços da linhagem de Valia. Cabelos verdes. O brasão.
O silêncio caiu como uma lâmina.
— Então… teríamos um aliado no oeste — murmurou o rei.
Aleksandr não mudou a expressão.
— Teríamos… se ele não fosse servo do Senhor da Carnificina.
O som que veio em seguida ecoou pelo salão.
CRACK.
A mão de Boryk esmagou parte do trono de ferro.
Seus olhos se fecharam por um instante.
— Isso… não é nada bom.
Ele respirou fundo.
— Pelo visto… Gregan estava certo.
Aleksandr ergueu o olhar.
— Ouvi rumores sobre a morte dele. Dizem que foi o próprio irmão.
Boryk assentiu, pesado.
— Foi.
Um silêncio respeitoso pairou antes que ele continuasse:
— Antes de morrer, Gregan disse ao pai que o rei que Verdevalia aguardava viria.
Uma pausa.
— Mas não como rei.
Seus olhos encontraram os de Aleksandr.
— Como escravo de Blasfemo.
Aleksandr fechou os olhos.
Um suspiro escapou, baixo.
— Maldição…
Boryk então se inclinou novamente.
— Você o deixou vivo. Por quê?
— O que pretende com isso?
Por um instante, Aleksandr não respondeu.
Parecia distante.
Preso aos próprios pensamentos.
Então… um leve sorriso surgiu.
Frio.
— Tenho certeza de que ele tentará matar meu irmão.
Seus olhos abriram.
— E é por isso que ele ainda está vivo.
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Boryk permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então, lentamente, levantou-se do trono.
O som do metal ecoou enquanto ele descia os degraus.
— Meu pai viveu trezentos anos.
Mais um passo.
— Meu avô… mal chegou aos duzentos.
Outro passo.
— Eu tenho quinhentos.
Ele parou diante de Aleksandr.
— Estou à beira da morte.
Seu tom não carregava medo.
Apenas aceitação.
— A velhice vem para todos. E depois dela… só resta a morte.
Aleksandr cruzou o olhar com o dele.
— Não sabemos ao certo o que vem depois. Em Marvet, acreditamos que aqueles que matamos se tornam nossos escravos após morrermos.
Um leve sorriso surgiu no rosto do rei.
— Claro que acreditam nisso.
Ele deu um passo à frente.
— Mas nem vocês negam… que a morte vem para todos.
Uma pausa.
— Por sorte, nós, os Senhores de Ferro… fomos agraciados com mais tempo.
— Mesmo assim — respondeu Aleksandr — a maioria não chega aos quinhentos.
Boryk soltou uma leve risada.
— Sabe por que eu cheguei?
— Não faço ideia.
O sarcasmo foi leve.
Mas presente.
O rei sorriu.
— Porque eu não desejei o que meus antecessores desejaram.
Aleksandr ergueu levemente a sobrancelha.
— E o que seria?
Boryk parou.
Seus olhos se tornaram mais profundos.
— Vingança.
O silêncio voltou.
Pesado.
— A vida é bela demais para ser gasta com rancor… ódio… vingança.
Ele deu mais um passo.
— Quando fazemos isso… nos tornamos escravos daqueles de quem queremos nos vingar.
O sorriso de Aleksandr desapareceu lentamente.
— E por que está me dizendo isso?
Boryk o encarou diretamente.
Sem hesitar.
— Porque você é um escravo, Aleksandr.
O ar ficou pesado.
— Um escravo que pode ser livre…
Uma pausa.
— Mas insiste em apertar as próprias correntes.
Aleksandr fechou os olhos.
Respirou fundo.
— Não se preocupe, Boryk…
Ele abriu os olhos novamente.
— Eu não sou um escravo.
E começou a caminhar.
Passou pelo rei.
Mas foi interrompido.
— Vai voltar para Marvet?
— Estive fora tempo demais. Quintos e Alby devem estar exaustos.
Boryk assentiu lentamente.
Então sorriu.
— Nesse caso… leve meu filho com você.
Aleksandr parou.
Seu olhar mudou.
— Quer que eu leve… o Nobre Cão para Marvet?
— É um pedido do Rei de Ferro.
A voz de Boryk endureceu.
— Não ouse recusar.
O silêncio se estendeu.
Aleksandr levou a mão ao rosto.
Pensativo.
Cansado.
Por fim… suspirou.
— …Está bem.
A decisão estava tomada.
E, com ela…
Novos problemas começavam a se formar.