O dia amanhece ao raiar do sol na taberna, os ventos frescos entravam pela janela do quarto, voando e tocando o rosto do trio. Eles levantavam sem muita pressa, Allianore permanecia sentada á beira de sua cama, ela segurava a garra do carniçal que estava em seu pescoço, ela estava levemente quente, algo incomum devido a noite refrescante. Annastasia e Ethan se arrumavam, Anna colocava o seu chapéu, até olhar para sua amiga por poucos segundos, a observando brevemente antes de comentar a ela.
— Eu não tocaria muito nesse treco, deve ser amaldiçoado ou pior, pode dar azar em jogos de cartas!
Allianore volta a sua atenção para os dois, se levantando da cama e, ao estar arrumada, os três partem para fora do quarto, a lareira não mais estava acesa para os recepcionar e os relembrar da noite passada. Eles desciam as escadas, podendo ouvir o som do salão da taberna, perfeitamente calibrado, sons de conversas em um tom nem muito alto e nem ao menos muito baixo. Seus cavalos estavam descansados e prontos para a viagem que se daria inicio.
— Todos prontos? — Ethan perguntava para ambas, ao estar montado em seu cavalo.
Allianore e Annastasia acenavam em positivo com a cabeça, montando em seus cavalos e enfim prontas para a viagem. Seguindo para a saída do vilarejo, a jornada continuava, com o sol os acompanhando a cada minuto que se passava, os cavalos corriam sobre as areias do deserto, se aproximando cada vez mais das fronteiras com a região Leste.
Allianore olhava para frente, seu olhar era firme, contudo, algo estava errado, havia uma preocupação em seu olhar, ela não sentia sua essência tão viva como antes, parecia uma chama fraca, prestes a se apagar dentro de si. O sol forte esquentava o seu rosto, ofuscava sua visão, a garra em seu pescoço brilhava sutilmente, até um feixe de luz branca, rápido e único surgir diante de seus olhos, o ambiente mudava de uma hora para outra, sem aviso, sem conselhos. As areias e o deserto do Oeste se esvaem em um segundo, sem despedidas para ela.
Agora, Allianore se via em um grande salão, de costas para um grande portão, em sua frente um longo corredor, levemente iluminado por tochas. Ela olhava em volta, estava sozinha com o silêncio, ela pronunciava buscando seu grupo, confusa e preocupada.
— Anna? Ethan? Onde vocês estão?
Sua voz ecoa pelo salão, o atravessando de um lado a outro, sem resposta vindo ao seu encontro, ainda assim, o silêncio a ouvia atentamente, com curiosidade. Ela caminha a frente, cada passo fazia seu coração bater como um forte tambor, quando estava prestes a chegar ao final do salão, o feixe de luz branca ressurge em sua frente e, diante de si, agora havia um trono vazio, não havia imperador, não havia coroa, apenas o vazio.
— Espera...
Seu coração acelerava e após poucos segundos, o feixe de luz voltava, agora Allianore estava diante de uma mesa redonda com um mapa de Eincland sobre ela, Alli se aproximava e o observa, o nome das quatro regiões estavam presentes, contudo, ao olhar para o nome de cada uma delas, as escrituras se apagavam, como se nunca houvessem existido. Ela abria seus lábios levemente trêmulos, dizendo em um tom baixo, o suficiente para o silêncio ainda assim a ouvir.
— Não pode ser...
Sua cabeça se ergue em direção a sua frente, ela avistava um espelho alto apontado em sua direção, ao olhar atentamente para ele, Allianore percebia que seu reflexo não estava nele. Pela primeira vez, ela sentiu como se seus esforços não nutrissem resultado, como se ela não fosse reconhecida, como se ela não fosse ninguém.
Seu coração estava mais acelerado que nunca, e logo o silêncio era interrompido com exclamações, chamando pela jovem que até então estava em um lugar misterioso e sozinha, presenciando algo que jamais imaginaria.
—Alli!
Tudo parecia voltar, o deserto e o calor escaldante. Os cavalos e o trio estavam parados, Ethan e Anna olhavam para Allianore, comentando.
— Está tudo bem? Você não falou nada a viagem inteira.
— Precisamos chegar logo ao Leste, há algo muito errado com este resquício — Allianore comentava, a garra misteriosamente estava fria perante o sol quente, ela já mostrou o que queria, sem dizer uma palavra. Mas, revelando o suficiente.
— Estamos na fronteira — Ethan comentava, mirando seu olhar para frente — Estamos quase chegando.
— Espero que os anjos saibam o que fazer — Ela comentava brevemente, em seguida prosseguindo junto aos demais.
A viagem se completava de forma mais tranquila. Allianore olhava para o objetivo em frente, com olhos levemente preocupados, não era dúvida, era receio. Sem muita demora, um grande monastério se erguia e se desenhava diante do grupo, repleto de sabedoria e respeito. Eles adentravam o lar dos anjos e seres de gema, logo após poucos minutos, eles chegam diante do centro do monastérios, uma grande escadaria se formava diante dos olhos do trio.
Uma voz suave os recepcionava atrás dos trio, desta voz se revela uma figura angelical, suas asas brancas como a neve levemente abertas, seus cabelos longos e loiros como ouro desciam pelos seus ombros e costas e sua presença exalava paz e tranquilidade
— Uma surpresa agradável. O que os trazem a região?
Allianore a olhava em seus olhos e se pronunciava, contando do objetivo do grupo, sua voz buscava clareza e fazer a vontade de salvar a sua terra, se sobressair perante sua preocupação.
— Nos deparamos com criaturas misteriosas e hostis durante nossa viagem para o Sul, uma delas deixou isto — Ela mostrava o resquício da garra para a figura, a estendendo suavemente.
— Isso pode ser um tanto incomum. Mas, o aviso foi dado décadas atrás, vocês se esqueceram, contudo, a profecia não se esqueceu de vocês. Aliás, vejo muitas coisas em seus olhos, ainda assim, não vejo um nome, como devo chama-la?
— Profecia? — Ela questionava, em seguida, se apresentando a ela — Sou Allianore, viemos do Oeste.
— Allianore — A figura angelical recitava — Um nome que não consta na profecia, isso é intrigante. Sim, a profecia do fim dos tempos...
— E então, o mundo se afundará em escuridão — Ethan recitava, ele ainda recordava, mesmo não tendo boa visão sobre a profecia.
— Fala disso aí não, eu ainda quero beber por longos anos! — Annastasia comentava, uma mistura de preocupação com sua bebida e descontração para aliviar o clima.
— Mas, o que seria isso? é o início? — Allianore perguntava para a anja.
— O início foi há muitos anos, isso é apenas a consequência do esquecimento e da falta de precaução — A figura comentava, em seguida, completando — O Oeste pede, o Sul ordena, o Leste mostra e o Norte responde.
Os olhos do grupo se estreitam em dúvida, até que Allianore pergunta para a figura, ela pensava em algo que estava nas entrelinhas.
— Então, a resposta está no Norte?
— Não é o que nasce lá por origem, é o que reside lá neste momento — A anja responde, ela não podia mudar o destino. Mas, Allianore podia.
— Certo, então temos que ir lá o quanto antes — Allianore dizia em tom firme.
— A cidade subterrânea dos anões e dos gnomos nos aguarda — Ethan comentava, olhando para o norte.
— Certo, certo. Mas, antes de irmos para lá, alguém pode me ver um outro casaco? Não quero congelar naquela neve!
O grupo partia, montando em seus cavalos e avançando para o norte, a figura angelical observa a partida dos três, principalmente de Allianore. Suas asas brancas se recolhiam, enquanto ela dizia.
— Seria essa uma mudança no destino? Há algo curioso no ar, agora nem mesmo o futuro é previsível, e o tempo é o que finalizará essa história, amarga ou doce, será obrigada a ser experimentada por todos.