A estrutura da prisão, onde suas pedras que se preenchiam com musgo, a apresentavam em ruínas para os visitantes, agora marcavam o início de um novo rumo para o grupo. Seus passos ecoavam pelas escadarias, ao descerem até a saída, um seguido de outro. O uivar dos ventos gélidos os recepcionavam, com os céus em um tom azul, que se tornavam levemente cada vez mais escuros. Logo, seus pés pesavam sobre a neve, se aproximando de seus cavalos, que os aguardavam em meio a neve.
— E então, como é estar livre novamente? — Annastasia perguntava para Rodrick, seus olhos seguiam até ele, enquanto sua cabeça se inclinava suavemente em sua direção — Deve ser bom respirar um ar puro, e que não esteja cheio de poeira e musgo.
— Nem me fale, a ficha vai demorar para cair — O príncipe comentava, seu tom ainda cansado, enquanto seus olhos não escondiam as olheiras que começavam a se formar — Aliás, algum de vocês vai ter de me conceder uma carona a cavalo.
O grupo arrumava suas montarias para partirem em direção a região Sul. Ao ouvirem Rodrick, o guerreiro comentava para ele, apontando brevemente com sua cabeça, para o cavalo de coloração caramelada de Annastasia.
— Devo imaginar que passar anos preso, o faz esquecer como é o mundo lá fora. Mas, quanto a carona, o cavalo de Annastasia parece ser a melhor escolha.
— Ora! — Anna olhava para Ethan, enquanto esboçava para ele, ao cruzar seus braços.
— É só dessa vez, Anna — Allianore comentava para ela, após subir em seu cavalo branco — Tenho certeza que seu cavalo não vai reclamar.
— Tá bom. Mas, agora você está me devendo uma bebida, viu? Ethan! — A pistoleira comentava, subindo em seu cavalo, seguido por Rodrick.
— Quando eu conseguir mais moedas de ouro, eu te pago uma, não se preocupe — Ethan respondia, estando pronta para partir junto a eles.
— Ah se vai, eu vou cobrar!
O comentário de Annastasia, seguindo pelos sorrisos descontraídos do quarteto, antecipavam a partida do grupo, os cavalos avançam sobre a neve. O silêncio que tomava conta do ar, indicava uma concentração e um foco profundo do grupo na missão que tinham pela frente.
A fronteira com a região Sul se aproximava cada vez mais, o frio parecia menos intenso a medida que avançavam. O silêncio que permanecia nos arredores, logo era interrompido, assim que Allianore franzia suas sobrancelhas, ao avistar silhuetas adiante, em meio a sutil neblina do Norte.
— Há figuras adiante — Ela revelava ao grupo de imediato, sem esperar um único segundo.
— Você disse figuras? Alli. Não me diga que os bichos feios estão andando em bando agora — Annastasia comentava em tom exagerado. Mas, que mostrava o quanto ela desgostava das criaturas que já havia presenciado.
As silhuetas que se mostravam na neblina, se revelavam como cavaleiros montados em cavalos robustos, assim como, uma multidão vestida em mantos quentes e andando sobre a neve. Os cavalos reduziam o seu ritmo, até quase pararem por completo.
— Eu conheço essa gente... — Rodrick sussurrava, em tom alto o suficiente para Annastasia o ouvir de forma clara.
Ambos os lados paravam, um diante do outro. Três cavaleiros se mantinham em frente da multidão, enquanto alguns outros se mantinha em suas laterais. Uma das figuras mais a frente, perguntava enquanto observa todos do quarteto.
— Príncipe Rodrick? — Suas mãos se mantinham nas rédeas de seu cavalo, sem demonstrar nenhum comportamento suspeito para eles.
— Ainda sou considerado um príncipe para vocês? — Rodrick questionava o homem, o olhando diretamente, enquanto prosseguia — O que significa isso?
— Houve uma aparição de criaturas na região Sul — Um dos outros dois cavaleiros levantava uma de suas mãos, ao iniciar sua fala, revelando em seguida — Mas, a noticia mais preocupante, é que elas aparentavam obedecer a Lady Vermilion.
— Isso é sério mesmo?! — O príncipe fechava com punhos e os pressionava, suas sobrancelhas se franzem, enquanto seu próximo comentário, fortificava o seu desejo por ver o fim do reinado da imperatriz — Então ela ousou se voltar contra seu povo...
— Quer dizer que agora tem um monte de criaturas justamente no nosso destino? Isso que é azar! — A pistoleira comentava, o gesto de suas mãos não indicavam mais que indignação.
Um breve silêncio prevalece entre os dois lados, Allianore apenas observa e ouvia atentamente cada palavra dita. Até que o primeiro cavaleiro dizia para eles.
— A maior parte dos guardas ficou combatendo as criaturas no reino. Estamos levando os cidadãos até a cidade subterrânea.
— Nesse caso... — Ethan se aproximava com seu cavalo, revelava o mapa do Norte e o entregava ao homem, falando a ele — Um mapa do Norte, vai os ajudar a achar a cidade de forma bem fácil.
— Espero que consigam descansar e se recuperarem — Allianore comentava para todos da multidão, olhando um a um em seus olhos.
Os cavaleiros acenavam em positivo com a cabeça, Ethan voltava para próximo de seu grupo, enquanto Rodrick olhava para os céus, notando seu tom azulado se escurecer cada vez mais, logo afirmando aos ventos.
— Temos que seguir logo, cada segundo a mais aqui, nos impossibilita a salvar mais pessoas.
— Receio não servir mais a você, não é mesmo? Príncipe Rodrick — O mesmo cavaleiro perguntava para ele, estavam quase continuando sua jornada em direção a cidade.
— Vocês tem pessoas para proteger, deixem essa missão conosco — Rodrick dizia brevemente, em um tom de confiança em seus companheiros.
Os cavaleiros que estavam a frente da formação, giravam seus olhares, olhando para a multidão atrás de suas costas, fazendo um gesto com suas mãos, indicando que iriam seguir com a viagem, ao lançarem suas ordens a todos os sobreviventes do Sul.
— Seguindo caminho!
Os cavalos voltavam a seguir caminho, passando pelo quarteto. Os olhares vazios e preocupados da multidão que passavam pelo grupo, os fazia sentir suas dores, tornando seus olhares sérios, conforme os observam. Assim que o caminho se libera na frente do quarteto, Allianore avança com seu cavalo por primeiro, em silêncio e em respeito a todas aquelas pessoas.
A noite começava a se mostrar presente, os céus se preenchiam de uma tonalidade escura, enquanto os cavalos se aproximavam das fronteiras com a região Sul. Os olhares de todos se olhavam até o horizonte, alcançável apenas com os olhos, e então todos diziam a si mesmos, aquela não era uma simples missão, era o dever de todos eles.