O Homem Vazio
Capítulo 2 - O que é viver? Parte 2
Enquanto o corpo dela desabava contra a areia, o horror era inexistente: ao redor, as pessoas continuavam a rir.
Ninguém se assustou.
Então, a ilusão começou a derreter. O céu azul dissolveu-se em fumaça e o chão de areia cedeu lugar ao concreto gélido do galpão escuro.
Aquela praia não passava de uma lembrança, uma armadilha de uma maldição que, em algum momento, fora humana. O homem apertou o cabo da espada — ele nunca a soltava.
Lutar contra aqueles monstros era a única linguagem que ele dominava. Naquele momento, ele estava em um lugar morto, sem vegetação, onde não existia vida. E naquele local, nada poderia surgir ali.
Um movimento nas sombras atrás dele rompeu a calmaria. Com um salto instintivo, ele esquivou-se do ataque. Outra maldição emergiu da escuridão.
As duas maldições começaram a atacá-lo, eram horripilantes, com uma aparência monstrificada e completamente morta.
A luta explodiu.
O homem de armadura movia-se com uma velocidade antinatural, desviando de golpes com passos curtos e precisos.
Concentrou uma energia sombria nos pés, fazendo o chão rachar sob a pressão.
O impacto o arremessou para o alto.
Com a espada erguida, preparou o golpe final, e tudo se dissipou.
...
O tempo simplesmente parou.
Dezesseis anos atrás, a resposta parecia definitiva.
Ele cresceu na solidão de um mundo devastado.
Ainda bebê, sobreviveu em uma casa deserta, mantido por uma força estranha que se recusava a deixá-lo partir. Era frágil.
Sua pele possuía uma transparência cadavérica e seu corpo era magro como um esqueleto. Não comia, não bebia; era apenas um cérebro pulsante e uma força misteriosa que o ancorava ao mundo.