Após a batalha, saída do galpão. Lá fora, o vento chicoteava o silêncio, levantando nuvens de poeira cinzenta que parecia ser a única coisa viva naquele lugar morto.
No caminho, vozes reais romperam o silêncio. Dois humanos cruzaram seu caminho em fuga desesperada. Um rapaz carregava uma garota nos braços, clamando por socorro. Empty suspeitou de uma nova armadilha, outro truque das maldições, mas sentiu uma presença esmagadora vindo logo atrás deles.
Era uma maldição de elite, vestindo um uniforme de soldado e uma máscara de chumbo, escoltada por um lobo gigante. Empty preparou-se para o embate, pulando em direção ao perigo eminente que aquela maldição emanava, mas o rapaz gritou:
— Teleportar!
O cenário transmutou-se num piscar de olhos. Empty foi arrastado pelo fluxo.
— Merda! — exclamou o garoto, percebendo o intruso. Estava ferido, protegendo a irmã desmaiada, seu rosto marcado pelo desespero. — Você... uma maldição! Não chegue perto!
Empty se moveu até ele. Movido por uma curiosidade crua, estendeu a mão e tocou o rosto do jovem. Era quente. Era real.
— O que é você... — o garoto balbuciou, tomado por um pavor profundo.
A garota despertou com um sobressalto, lutando para se erguer com as últimas forças.
— Afasta… do meu irmão...
Tentou conjurar a luz, mas o corpo falhou. Antes que caísse, Empty a amparou. O gesto foi delicado, quase cuidadoso — um contraste brutal com a armadura negra que o envolvia.
Aquilo não era uma ilustração. Eram pessoas de verdade.
— O que é… esse cara… — murmurou o garoto, antes de desmaiar.
Empty permaneceu ali, imóvel, segurando a garota.