Empty inclinou a cabeça para o lado, seu olhar visível atrás da máscara refletindo uma confusão genuína. Enquanto Raphadun tentava, em vão, explicar o inexplicável com gestos exagerados e expressões faciais intensas, a garota finalmente despertou.
De cabelos loiros e longos, emaranhados pela fuga e pelo desmaio, ela abriu os olhos verdes com dificuldade. A visão foi se ajustando lentamente: primeiro a silhueta familiar do irmão, sentado em uma cadeira improvisada, seu rosto pálido mas alerta. E depois, ao lado dele, a figura escura e imponente de Empty, imóvel como uma sombra solidificada.
Ela se sentou de repente, um movimento brusco impulsionado pelo instinto. O coração disparou em seu peito, batendo com tanta força que parecia querer escapar. Os olhos, ainda turvos, fixaram-se na armadura negra, e sua mão voou instintivamente para a cintura, onde uma adaga deveria estar — e não estava mais.
— Luna! Você acordou! — Raphadun se virou de repente, um alívio breve e genuíno iluminando seu rosto cansado.
— O-onde estamos? Raphadun… — os olhos verdes de Luna percorreram o ambiente desconhecido antes de se fixarem na figura escura. — A maldição, ela está ali, por quê? — sua voz era um misto de sono pesado e pânico crescente.
— Luna… Esse é o Empty. Ele… nos ajudou. Nos trouxe para cá depois que você desmaiou.
— Você está dizendo que uma maldição nos trouxe para cá e ajudou? — a voz de Luna subiu de tom, carregada de incredulidade e medo. — Está louco, Raphadun? Temos que fugir, o Perseguidor vai nos encontrar!
Luna tentou se levantar num impulso, mas as pernas fraquejaram sob seu peso, tremendo incontrolavelmente. Ela quase caiu, agarrando-se à borda de uma mesa empoeirada para se equilibrar.
— Luna! Relaxa… — Raphadun estendeu uma mão, sua voz firme mas cansada. — Ele não é uma ameaça. Olha para você, nem consegue ficar de pé. Faz aquilo, pelo menos. Vamos nos recuperar primeiro.
O olhar dela se acalmou um pouco, mas a desconfiança permanecia como um muro sólido entre ela e a aura misteriosa que Empty emanava. Respirando fundo, como se fizesse um esforço para se concentrar, Luna ergueu as mãos. De suas palmas, uma luz suave e amarelada começou a brotar, coalescendo em esferas brilhantes e quentes que flutuavam no ar. Ela entregou uma a Raphadun, que a pegou com gratidão, e criou outra para si mesma. Ambos trouxeram as esferas à boca — ao tocarem os lábios, a luz se dissolveu em energia pura. Era assim que suprimiam a fome e a sede neste mundo devastado, um poder único de Luna.
Empty observou a cena com um fascínio intenso, quase infantil. Inclinou a cabeça para o lado, seus olhos fixos no processo como um cientista diante de um fenômeno inexplicável.
— Não podemos perder você, Luna... Você sabe da sua importância — Raphadun sussurrou, os olhos sérios. — O Empty... pode ser perigoso, mas é nossa única opção agora. Podemos... testar do que ele é capaz.
— Eu não sei se concordo com isso — respondeu Luna, a voz ainda carregada de hesitação, seus olhos verdes fixos na figura escura do outro lado da sala.