Foi então que Empty se aproximou. Seus passos foram quase inaudíveis sobre o pó do chão. Ele estendeu a mão, oferecendo outro item de sua coleção para ela — um pequeno brinquedo mecânico enferrujado, um pássaro de lata com uma asa quebrada. Luna apenas o encarou, paralisada, os dedos crispados de medo ao lado do corpo. Ela não aceitou o objeto, mas também não recuou.
A noite chegou por fim, envolvendo a casa em sombras profundas e num silêncio ainda mais opressivo. Empty finalmente parecia adormecer, sentado no chão em um canto, imóvel como uma estátua, sua respiração (se é que respirava) imperceptível.
— Isso é... estranho — Luna sussurrou, sentada no chão ao lado do irmão, mantendo uma distância segura de Empty. — O Perseguidor... Não fomos teleportados tão longe assim. Ele já devia ter nos encontrado.
— Eu... percebi isso também — Raphadun concordou em voz baixa, seus olhos também voltados para a forma escura. — Será que é... por causa dele? — ele apontou discretamente com o queixo.
— Eu não sei — Luna murmurou, abraçando os joelhos. — Como é possível alguém sobreviver aqui sozinho? E por que ele não fala? Por que essa armadura? Parece... parte dele.
— Não devemos mexer com isso, Luna — Raphadun tentou acalmá-la, colocando uma mão em seu ombro. — Só... tenta descansar. Dormir um pouco.
— Dormir? — ela revirou os olhos, um fio de histeria na voz baixa. — Você quer que eu durma perto de uma maldição, Raphadun?
— Nem sabemos se ele é uma! — Raphadun insistiu, mas sua própria voz não soava totalmente convincente.
— Ele é... — Luna engoliu seco, seu olhar percorrendo a armadura negra que parecia fundir-se com as sombras. — Apenas olhe para ele e tire suas próprias conclusões.
O tempo arrastou-se no silêncio pesado. Os olhos de Luna não abandonavam a silhueta imóvel de Empty. Ao seu lado, Raphadun sucumbira ao cansaço, adormecido. Na quietude, uma necessidade urgente cresceu dentro dela – precisava ver.
Movendo-se como uma sombra, ela rastejou pelo chão empoeirado. O coração batia forte em seus ouvidos. O ar ficou frio perto dele. De joelhos agora, suas mãos tremeram no ar, hesitando.
Com um suspiro preso na garganta, seus dedos se fecharam por fim no contorno gelado da máscara.
Ela a puxou.
Quando o metal se separou da face, Luna não gritou. O horror foi silencioso e absoluto. Suas pupilas se contraíram até virarem pontos agulhados. O que ela viu sob a armadura fez seu corpo entrar em choque; o suor frio brotou instantaneamente em sua testa e seus pulmões travaram, recusando-se a inalar o ar que tocava aquilo.
Empty despertou num instante. Sua espada materializou-se no ar com um som metálico cortante, e sua mão recuperou a máscara com um movimento fluido, apontando a lâmina imediatamente para a garota. Raphadun acordou em desespero.
— Não faça isso, Empty! Por favor! — gritou, se arrastando para frente.
Empty olhou para Luna, petrificada diante dele, e depois para Raphadun, suplicante com as mãos estendidas. Aos poucos, a tensão em seu corpo diminuiu. Ele baixou a espada e voltou a se sentar, virando o rosto para longe.
— O que deu na sua cabeça, hein? — Raphadun brigou, puxando a irmã pelo braço com força.
— Eu vi… — Luna engoliu em seco. — Ele é uma maldição.
— Isso é… — Raphadun começou, mas parou.