đŽ AVISO IMPORTANTE (+18) đŽAtenção: esta obra Ă© +18. Ela foca em horror cĂłsmico, gore explĂcito, metalinguagem, ação, violĂȘncia extrema, suicĂdio, psicolĂłgico e suspense.
E fiquem avisados que a protagonista Ă© uma entidade cruel, amoral e sĂĄdica. ESTE AVISO SERVE PARA TODA A OBRA, ENTĂO LEIAM POR SUA CONTA E RISCO. Se vocĂȘ Ă© uma pessoa sensĂvel a esses temas, recomendo fortemente que nĂŁo leia.
E uma boa leitura a todos đ
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CapĂtulo 1: O InĂcio
Em um vazio infinito, antes de haver matéria, energia ou o próprio espaço-tempo, uma garotinha flutuava na imensidão do nada. Ela aparentava ter cerca de dez anos, com cabelos loiros que reluziam como fios de ouro puro e olhos de um amarelo cortante. Seu nome era Penny.
De repente, em meio Ă quele breu absoluto, uma explosĂŁo violenta de energia iluminou a imensidĂŁo. Era o Big Bang. O nascimento do universo acontecia bem diante de seus olhos.
Penny, que havia acabado de chegar àquela história, apenas suspirou, cruzando os braços com os låbios emburrados.
â Que chatice⊠â resmungou ela, observando a energia do Big Bang rasgar a escuridĂŁo cada vez mais. â Quem Ă© que tem paciĂȘncia para observar uma histĂłria desde o inĂcio, sendo que Ă© muito mais divertido ir direto para as melhores partes?
Ela fechou os olhos. Quando os abriu, suas pupilas brilharam tanto que a dimensão escura se tornou inteiramente branca. Penny havia executado um salto temporal de bilhÔes de anos no futuro. Chamem de Fast Forward.
Quando observou os arredores novamente, o cenĂĄrio era completamente diferente. Ela agora pisava em uma rua esburacada de uma cidade em ruĂnas. O ar fedia a sangue coagulado e carne podre. Carros enferrujados e retorcidos bloqueavam os caminhos. Para onde quer que olhasse, criaturas decrĂ©pitas se arrastavam: era um mundo pĂłs-apocalĂptico.
De repente, um estrondo ecoou atrĂĄs dela. Ao longe, trĂȘs pessoas corriam desesperadas: um homem de aproximadamente trinta anos, uma jovem de uns vinte e cinco e um rapaz de vinte. Vestiam roupas velhas, rasgadas e sujas de terra, segurando bastĂ”es de madeira repletos de pregos oxidados. O motivo do pĂąnico era uma silhueta colossal que vinha logo atrĂĄs deles. O monstro mutante caminhava esmagando veĂculos e as criaturas menores como se fossem insetos. A cada passo do titĂŁ, a terra estremecia.
Ao avistar a garotinha parada no meio do caos, vestindo roupas perfeitamente limpas, o homem de trinta anos arregalou os olhos e gritou a plenos pulmÔes:
â Menina! Corre! VocĂȘ nĂŁo estĂĄ vendo todos esses monstros andando ao seu redor? Por que vocĂȘ estĂĄ aĂ parada! â berrou ele, em pĂąnico ao notar os seres perto de Penny.
Penny, confusa, olhou para as criaturas que a cercavam e perguntou-se mentalmente: âEsse humano acha mesmo que esses insetos conseguiriam me ferir? Ouvir isso de um mortal soa quase como um insulto.â
Ao verem o monstro gigante se aproximar, as criaturas menores ao redor de Penny rugiram e saltaram da estrada, escalando as paredes dos prédios até alcançarem os andares superiores.
Por um breve milĂ©simo de segundo, o homem se perguntou: âComo Ă© que tem uma criança nesse lugar? E mais importante: por que todos aqueles monstros perto dela nĂŁo a atacaram? Ă como se estivessem se desviando dela como se ela fosse uma parede invisĂvel... Bem, pensar nisso agora nĂŁo vai ajudar em nada. O que eu tenho que fazer Ă© tirar essa criança logo daqui antes que ela morra.â
Ele ignorou o mistĂ©rio e focou na sobrevivĂȘncia. Ao passar correndo por Penny, o homem a agarrou com um Ășnico braço, içando-a contra o peito sem diminuir o ritmo. O coração dele batia feito um tambor ensandecido. Penny, por outro lado, nem piscou. Estava achando aquela carona humana incrivelmente divertida, como uma montanha-russa de baixo orçamento.
Exaustos, os sobreviventes avistaram o acesso de um velho tĂșnel de metrĂŽ e mergulharam na escuridĂŁo de seus degraus. No mesmo instante, a mĂŁo colossal do mutante invadiu a entrada, chocando-se contra o teto de concreto. Os dedos enormes do monstro agarraram a mochila do jovem de vinte anos.
â Carlos, solta a mochila! â gritou o homem mais velho, vendo o monstro erguer o rapaz no ar, tentando puxĂĄ-lo para fora.
Carlos soltou as alças imediatamente. A bolsa foi puxada e esmagada num piscar de olhos. Sem conseguir passar pela entrada estreita, o monstro soltou um rugido frustrado e se afastou, fazendo as paredes de concreto vibrarem.
Mas o perigo nĂŁo tinha acabado. No fundo do tĂșnel, oito zumbis vagavam. Ao sentirem a presença de carne fresca, as criaturas avançaram com gritos ensurdecedores.
â Pela esquerda! â berrou a mulher, descendo seu bastĂŁo de pregos contra o crĂąnio do primeiro zumbi. O impacto foi forte, mas a madeira ficou presa no osso da criatura. Ela tentou desesperadamente puxar a arma de volta, mas um segundo zumbi surgiu pelas suas costas, com as mandĂbulas escancaradas.
â Maria, cuidado! AtrĂĄs de vocĂȘ! â gritou Carlos que, apĂłs esmagar a cabeça de uma das criaturas, correu atĂ© a mulher.
O jovem avançou com tudo, cravando seu bastão de madeira na cabeça do zumbi com um estalo seco. O corpo desmoronou no piso sujo do metrÎ.
ApĂłs limparem a ĂĄrea, o silĂȘncio pesado retornou, quebrado apenas pelas luzes antigas do tĂșnel que piscavam. Ofegantes e suados, os trĂȘs adultos olharam para a garotinha loira que o homem ainda carregava no colo. Ela nĂŁo tinha um Ășnico arranhĂŁo, nĂŁo parecia assustada e, bizarramente, sorria. O homem a colocou cuidadosamente no chĂŁo. Penny espanou a poeira invisĂvel de seu vestido e fez uma pequena reverĂȘncia graciosa.
â OlĂĄ novamente. Meu nome Ă© Penny. Muito obrigada por terem me salvado â disse ela, usando a voz mais doce e inocente que conseguiu fingir.
Os trĂȘs se entreolharam, intrigados. Quem era aquela garota? Como uma criança poderia sorrir naquele inferno? O homem de trinta anos limpou o suor da testa e respondeu:
â Meu nome Ă© Arthur. E esses sĂŁo Maria e o irmĂŁo dela, Carlos.
â Prazer em conhecer vocĂȘ, Penny⊠â disse Carlos, ainda tentando recuperar o fĂŽlego e achando toda aquela situação muito estranha.
Maria olhou para os grandes olhos amarelos de Penny e sentiu o coração amolecer. âQue garota fofa e lindinhaâ, pensou. Com um sorriso caloroso, ela se agachou para ficar na altura da menina:
â Ă um prazer, querida. VocĂȘ quer vir com a gente? Estamos indo para um abrigo subterrĂąneo, lĂĄ Ă© um lugar seguro onde existem outros sobreviventes.
Penny manteve o olhar sereno enquanto ponderava internamente: âBem, jĂĄ que estou aqui justamente para observar a histĂłria deste livro, acho que seria uma boa ideia me misturar com os personagens locais desse mundo, pelo menos por um tempo. Isso pode atĂ© ser divertido, haha.â
â Sim, eu adoraria ir com vocĂȘs! â respondeu Penny, juntando as mĂŁos enquanto fechava os olhos.
Arthur olhou para o fundo do tĂșnel e ajeitou o bastĂŁo nas mĂŁos. De sua mochila, ele tirou uma lanterna.
â Ătimo. Pessoal, vamos logo. O abrigo fica a quase trĂȘs dias a pĂ© daqui.
Eles entraram nos trilhos escuros. Arthur e Carlos acenderam suas lanternas de plĂĄstico, cortando a escuridĂŁo enquanto iniciavam a marcha. ApĂłs trĂȘs longos dias cruzando florestas densas e desviando de hordas de monstros â parando apenas para dormir e recuperar as energias â, o grupo finalmente avistou a base de uma montanha rochosa. Era ali, escondido sob a terra em um antigo bunker militar, que ficava o abrigo subterrĂąneo â o verdadeiro palco daquela histĂłria de sobrevivĂȘncia.
â Que lugar horrĂvel â comentou Penny, parando de caminhar brevemente para observar a montanha.
â Hum, vocĂȘ disse alguma coisa? â perguntou Maria, que estava ao lado de Penny enquanto Arthur e Carlos iam Ă frente.
â NĂŁo, eu nĂŁo disse nada â respondeu Penny com uma expressĂŁo de tĂ©dio e frustração, voltando a marchar em direção ao bunker.
Ao chegarem Ă montanha, eles passaram por um enorme portĂŁo em uma muralha que cercava todo o sopĂ© da estrutura. Ao entrarem no bunker militar, depararam-se com um labirinto de concreto Ășmido que estava superlotado de refugiados. Mas o que realmente chamou a atenção de Penny nĂŁo foram as pessoas assustadas, e sim os guardas: eles nĂŁo carregavam armas de fogo, mas sim espadas longas e reluzentes, perfeitamente limpas.
Antes que pudesse analisar melhor aquela bizarrice, passos pesados ecoaram. O comandante daquela guarnição marchou na direção deles. Era um homem robusto, de expressão gélida.
â Arthur, vocĂȘs voltaram vivos? Que surpresa agradĂĄvel⊠â disse o comandante, observando o estado de Arthur com as roupas todas esfarrapadas.
Sua voz era grossa e arrastada. Em sua mente, o comandante pensava: âMerda, esse maldito conseguiu voltar vivo. Pelo menos parece que os outros nĂŁo tiveram tanta sorte, visto que sĂł voltaram esses trĂȘs.â
â Agora me diga: vocĂȘ conseguiu encontrar os arquivos de pesquisa do Doutor Leon? â perguntou o comandante, virando de costas e fechando os olhos. â E os outros que foram com vocĂȘs? Pelo visto morreram, jĂĄ que nĂŁo voltaram junto de vocĂȘs, haha.
Arthur sustentou o olhar, sem esconder o desprezo que sentia pelo homem.
â NĂŁo havia nada lĂĄ. E, para piorar, fomos emboscados por um mutante gigante no caminho de volta â respondeu Arthur, com o tom de voz tenso.
â Um mutante gigante? Isso Ă© impossĂvel â o comandante semicerrou os olhos, fingindo estĂĄ surpreso. â Nosso esquadrĂŁo de reconhecimento vasculhou aquela ĂĄrea inteira. SĂł deveriam existir monstros pequenos e talvez zumbis por lĂĄ.
Arthur manteve a boca fechada, mas seus pensamentos fervilhavam: âEle acha que eu nĂŁo sei. Ele nos mandou para aquele inferno justamente para morrermos.â
O comandante soltou um riso baixo enquanto cobria discretamente a boca, em seguida retomando sua postura de superioridade.
â Bem⊠Isso Ă© o esperado de soldados comuns e sem poder algum como vocĂȘs â debochou o comandante, encarando Arthur com arrogĂąncia. â AtĂ© o soldado de elite que foi com vocĂȘs morreu. Que grupo decepcionante.
Ouvindo as palavras do lĂder militar, Arthur ficou furioso, mas manteve a calma externa.
â Se isso era tudo, comandante, meus amigos e eu estamos indo descansar â cortou Arthur, exausto demais para iniciar uma discussĂŁo.
O comandante, com os pensamentos fervendo de raiva pela audĂĄcia de Arthur em ignorĂĄ-lo, encarou o rapaz fixamente: âEsse merdinha, sĂł porque Ă© prĂłximo da Comandante Lara, acha que Ă© alguĂ©m para ficar me ignorando enquanto eu falo. Ă bom ele entender de uma vez que, mesmo eu sendo o comandante mais fraco e menos influente, ainda sou um dos quatro comandantes desta instalação.â
Antes que Arthur e seu grupo pudessem dar o primeiro passo, os olhos do lĂder militar finalmente pousaram na figura loira e impecĂĄvel que observava tudo em silĂȘncio. Ao encarar as pupilas amarelas da menina, o comandante arrepiou-se da cabeça aos pĂ©s, como se estivesse na presença da prĂłpria morte. Ele balançou a cabeça internamente: âQue presença ameaçadora Ă© essa vindo de uma criança? Hum⊠Acho que estou muito cansado das patrulhas e estou imaginando coisas.â
â NĂŁo havia reparado antes⊠Mas quem Ă© essa criança atrĂĄs de vocĂȘ, Maria?
â Hum, criança? â disse Maria, olhando para baixo e vendo Penny ao seu lado. â NĂłs a encontramos cercada por monstros na cidade em ruĂnas e a salvamos â explicou, colocando a mĂŁo protetora no ombro da garota enquanto sorria.
O comandante franziu o cenho com antipatia, desviando o olhar para os outros refugiados.
â Nossa instalação jĂĄ estĂĄ superlotada. Ă bom vocĂȘs nĂŁo ficarem trazendo qualquer boca a mais para alimentar aqui dentro, mesmo que seja uma criança.
â Eu vou cuidar dela atĂ© que os pais apareçam â rebateu Maria, firme enquanto encarava o homem friamente.
â Se Ă© que os pais dessa garota ainda estĂŁo vivos â desdenhou o comandante, virando-se e dando os primeiros passos Ă frente. â Bem, de qualquer modo, tanto faz.
O trio caminhou pelo bunker até alcançar a ala dos alojamentos. Arthur e Carlos se despediram na entrada do dormitório masculino, enquanto Maria conduziu Penny para a ala feminina.
Mais tarde, apĂłs o cair da noite e um banho demorado, Maria finalmente pegou no sono sob o silĂȘncio pesado do abrigo subterrĂąneo. Na beliche ao lado, os olhos amarelos de Penny se abriram na escuridĂŁo como as chamas de uma tocha. Ela encarou o teto de concreto e suspirou, entediada.
âBem⊠Essa histĂłria atĂ© que Ă© interessante, mas o ritmo estĂĄ ficando devagar demaisâ â pensou ela.
Com um Ășnico pensamento, Penny ativou seus poderes. Em um piscar de olhos, ela desapareceu da cama. No milĂ©simo de segundo seguinte, jĂĄ estava flutuando alto no cĂ©u, bem acima da cidade em ruĂnas.
Passava das duas e quarenta da madrugada. O vento frio da noite agitava seus cabelos loiros.
â GRRRRAAAARGH!
Ao olhar para a linha das nuvens escuras, ela avistou o verdadeiro horror daquele mundo: monstruosidades grotescas rasgavam o céu. Era um enxame de trinta mutantes voadores, parecidos com morcegos gigantes em carne viva e em estado avançado de decomposição. Cada criatura media entre dez e quinze metros de envergadura, exibindo caudas longas que terminavam em ferrÔes venenosos. Seus olhos eram tingidos de sangue.
Em vez de horror, o rosto de Penny se iluminou. Ela abriu um sorriso tenebroso enquanto suas pupilas cortavam a escuridĂŁo.
â Que criaturas mais fofas e belas! â exclamou ela, olhando para as criaturas enquanto pensava: âSeria tĂŁo divertido ver as pessoas daquele abrigo tentando lutar contra isso. Sem dĂșvida isso vai ser tĂŁo divertido, hahaha.â
Ela riu com a cabeça virada para o alto. Logo em seguida, interrompeu a gargalhada abruptamente, inclinou a cabeça e seus olhos brilharam intensamente na madrugada. No mesmo instante, as feras pararam de rugir e tiveram suas pupilas brilhando em sincronia com as da menina.
â Isso, sem dĂșvida alguma, vai deixar essa histĂłria muito mais intrigante!
As criaturas aladas rugiram em fĂșria, fazendo com que os monstros menores que habitavam os destroços lĂĄ embaixo fugissem de pavor.
Penny fechou os olhos. Emanando sua autoridade invisĂvel, enviou um comando direto para a mente das feras, proferindo com um tom sombrio e macabro: âVĂO E MATEM TODOS.â
As trinta criaturas bateram as asas em perfeita sincronia, aceitando a ordem de sua nova mestra. Penny sorriu de canto e fechou as pĂĄlpebras novamente. Quando as abriu, jĂĄ estava de volta Ă sua cama no abrigo. Ela se deitou e puxou o cobertor, agindo como se nada tivesse acontecido.
O caos estava prestes a começar.
Fim do CapĂtulo 1