As gargalhadas ainda ressoavam pelo pátio.
Amara agora estava ajoelhada em um canto, cheia de hematomas, diversos galos enormes espalhados pela cabeça enquanto pequenas faíscas douradas escapavam involuntariamente de seu corpo.
— D...dicupa… — Murmurou com a boca inchada, quase irreconhecível.
Kaelis ainda estava séria de braços cruzados, enquanto Aeron gargalhava tão forte que segurava o próprio estômago.
— HAHAHAHAHA! Ela nunca aprende!
Até Lilith escondia o rosto atrás da manga tentando conter o riso, enquanto Alastor apenas desviava o olhar em silêncio, Gabriel observava tudo sentado próximo da fonte do pátio, e pela primeira vez desde o ataque ao reino ele se sentia leve, seguro.
O som das risadas, o vento passando pelas árvores, a luz dourada do fim da tarde atravessando os vitrais do castelo, seu sorriso surgiu naturalmente, mas então instintivamente ele olhou para o lado, a procurando, como sempre fazia após algo alegrar seu dia, ou algo divertido acontecer. “Mãe, olha isso!”, “Mãe, você viu?!”. Mas não havia ninguém, apenas o vento, e por um momento Gabriel quase conseguiu vê-la, sua mãe rindo de volta para ele, como em suas memórias, o coração dele apertou. O sorriso permaneceu, mas enfraqueceu lentamente, até desaparecer. Kaelis percebeu primeiro, depois Aeron, e por fim o silêncio caiu devagar sobre o grupo, até que Gabriel se levantou lentamente.
E então Kaelis respirou fundo.
— Certo. — Disse em tom firme. — Já falamos sobre o Éter… então agora está na hora de entender algo diferente.
Os olhos dourados dela encontraram o dele.
— O Thyr.
O ar pareceu ficar mais pesado, até Lilith deixou o sorriso desaparecer, e Gabriel percebeu imediatamente. O Éter parecia belo, mas o Thyr, parecia perigoso. Alastor caminhou calmamente até uma árvore próxima ao pátio e pegou um pequeno graveto caído no chão.
Gabriel piscou confuso.
— Um… graveto?
— Armas não importam. — Respondeu Alastor friamente. — Vontade importa.
Então ele fechou lentamente os dedos ao redor do pequeno pedaço de madeira, e uma aura vermelha começou a surgir. Não era como o Éter, o Éter fluía, aquilo era pressão pura, ar ao redor vibrou levemente, e Gabriel arregalou os olhos, o pequeno graveto começou a rachar sozinho, incapaz de suportar a força que o envolvia.
— O Thyr Impetus representa força, avanço e imposição. — Explicou Alastor. — É a manifestação do desejo de agir… lutar… superar.
A aura vermelha explodiu ao redor do braço dele, então ele balançou o graveto, e um corte invisível atravessou o solo do pátio instantaneamente. O chão se abriu violentamente em uma linha profunda que percorreu dezenas de metros, destruindo pedras e levantando poeira. Gabriel congelou, e graveto nas mãos de Alastor se desfez em cinzas.
— O Impetus fortalece qualquer coisa que você use. — Disse calmamente. — Até mesmo algo inútil… pode se tornar letal, mas se deve aplicar a quantidade de certa para que ele não sucumba a sua própria vontade, mas lembre-se. cada ataque, cada golpe, deve haver uma intenção clara.
Aeron então caminhou à frente com um sorriso animado.
— Agora minha vez.
Uma aura laranja começou a surgir ao redor do braço dele, densa, pesada, estável, diferente do Impetus, aquilo não parecia agressivo, parecia impossível de se mover.
— O Thyr Aegis representa proteção. — Disse Aeron. — A vontade de permanecer firme… não importa o que aconteça. — Ele olhou para Alastor e fez um pequeno gesto com a cabeça.
Alastor suspirou.
— Isso é desnecessário.
— Faz logo. — Respondeu.
A aura vermelha voltou a envolver o braço de Alastor e então ele golpeou Aeron, o impacto explodiu o ar, Gabriel arregalou os olhos quando o punho parou a poucos centímetros do braço de Aeron, os dois se repeliam violentamente. As ondas de choque atravessaram o pátio inteiro, o solo abaixo dos dois se rachou, as árvores balançaram e parte dos tijolos do castelo tremeram, e antes que qualquer um dos três pudessem notar, um pedaço dos tijolos do castelo se soltou acima de Gabriel, ele percebeu tarde demais. Mas antes do impacto Kaelis desapareceu, e logo após surgiu diante dele, o tijolo flutuava parado no ar, a poucos centímetros do rosto de Gabriel, que prendeu a respiração no mesmo segundo, enquanto Kaelis segurou a pedra em sua mão.
— Esse… — Disse ela se agachando ao lado dele. — É o Thyr Rift. — Ela jogou o tijolo para cima, a pedra subiu e congelou no ar, como se o espaço tivesse parado de funcionar.
Gabriel observava hipnotizado, então o tijolo voltou a cair até parar nas mãos de Kaelis, que o lançou diretamente contra Gabriel.
— K-KAELIS?! — Gabriel exclamou.
No instante antes do impacto o espaço à frente dele se distorceu levemente, e a trajetória da pedra se curvou levemente, desviando de seu rosto por poucos centímetros antes de continuar normalmente até atingir o chão atrás dele, Gabriel virou rapidamente, assustado.
— O Rift permite dobrar o espaço. — Explicou Kaelis. — Distância… direção… trajetória… até pequenas partes da realidade.
Ela cruzou os braços.
— Mas dobrar o mundo exige que ele suporte sua vontade primeiro.
Aeron então caminhou lentamente até Gabriel, mas desta vez sem sorrir.
— Existe outro Thyr. — Disse em tom sério. — O que você despertou naquele dia.
Gabriel ficou imóvel, tentando se lembrar, Lilith observou em silêncio.
— Excidium. — Aeron continuou. — O Thyr da ruína corporal.
O clima do pátio mudou instantaneamente, até mesmo o vento pareceu diminuir.
— Eu percebi quando carreguei você após a batalha. — Aeron olhou diretamente nos olhos dele. — Seu corpo estava destruído.
Gabriel engoliu seco.
— Suas feridas estavam se fechando… mas apenas por fora. Por dentro, seu corpo parecia estar colapsando.
Os dedos de Gabriel tremeram levemente, ele se lembrava da dor, da sensação de que seu corpo queimava vivo.
— Seu coração estava acelerado além do normal… músculos rompidos… vasos destruídos… — Aeron fechou o punho lentamente. — E ainda assim você continuava se movendo.
Gabriel abaixou o olhar.
— O Excidium força o corpo a ultrapassar seus limites queimando a própria vida. — Disse Aeron. — Quanto mais poder… maior o consumo.
Lilith então caminhou à frente.
— O problema… — Disse calmamente. — É que o corpo humano não foi feito para isso. — Ela ergueu a mão, e pequenos fios dourados começaram a surgir entre seus dedos, formando lentamente algo parecido com nervos, músculos e células. — O Excidium acelera tudo. — Explicou. — Regeneração… impulsos… metabolismo… crescimento celular… — As estruturas começaram a se deteriorar. — Mas quando o corpo é forçado além do que suporta… ele começa a falhar.
As células douradas começaram a apodrecer lentamente, e Gabriel arregalou os olhos.
— O usuário literalmente consome a si mesmo. — Continuou Lilith. — Cicatrizes internas… falha de órgãos… desgaste celular… envelhecimento precoce… — As estruturas começaram a quebrar. — E em casos extremos… degeneração.
O silêncio caiu, Gabriel encarava a para a própria mão, enquanto se lembrava do orc, do braço destruído, da dor, daquela força monstruosa, e pela primeira vez ele sentiu medo do que havia desperto.
— É um milagre você ter sobrevivido ao despertar tão cedo. — Aeron afirmou. — Um adulto provavelmente teria tido sequelas usando aquilo daquela forma.
Gabriel apertou lentamente a mão e sem perceber seu corpo começou a tremer.
— Mas nem todo Thyr existe para destruir! — Disse Amara de repente, ainda com alguns hematomas visíveis. — Ela se levantou do castigo tropeçando levemente.
Kaelis suspirou cansada.
— Você ainda está de castigo.
— Eu não posso explicar de joelhos. — Retrucou.
Amara abriu lentamente os braços, e uma luz dourada suave começou a se espalhar ao redor dela. Mas diferente do Éter, aquilo parecia vivo. As árvores do pátio começaram a balançar suavemente, as flores se abriram, e pequenos fragmentos dourados, semelhantes a pólen, começaram a surgir da vegetação ao redor.
Gabriel observava fascinado.
O solo destruído pelos treinamentos anteriores dos heróis começou lentamente a mudar, pequenos brotos nasceram entre as rachaduras, a grama voltou a crescer, algumas flores surgiram, a vida preenchia tudo, até o corte de Alastor, que agora foi fechado a pouco por um estalar de dedos de Lilith, que moveu partes do solo para o fechar, estava com vegetação, cheio de vida.
— O Thyr Vita representa a vontade de manter a vida existindo. — Explicou Amara sorrindo suavemente. — Não é apenas cura. — Ela colocou a mão sobre o chão, e as raízes abaixo da terra começaram a brilhar. — É compartilhamento.
Gabriel observava em silêncio.
— A vida ajuda a própria vida. — Continuou ela. — Árvores… animais… pessoas… o mundo inteiro está conectado.
O pólen dourado continuava caindo lentamente como neve luminosa, o ambiente inteiro parecia respirar.
— Quanto mais forte o desejo de salvar alguém… mais o Vita responde.
Gabriel observava aquilo completamente imóvel. Éter. Thyr. Vida. Destruição. Imaginação. Vontade. E ele começava a entender, o Éter e o Thyr não existiam apenas para lutar, existia para revelar aquilo que existia dentro de cada alma, e o mundo parecia muito maior do que ele jamais imaginou. Kaelis então descruzou os braços e caminhou até o centro do pátio.
— Ainda falta um dos mais importantes. — Disse calmamente.
Gabriel ergueu o olhar.
— O mais simples de despertar… e um dos mais úteis para se sobreviver. — Ela então apontou para a própria cabeça. — Thyr Sentire.
Amara imediatamente levantou a mão animada.
— Posso ajudar?!
Kaelis estreitou os olhos.
— Sem pedras gigantes dessa vez.
— Aff… tá bom.
Amara então recolheu pequenos pedaços de pedra quebrada espalhados pelo chão do treinamento anterior e começou a flutuar vários pequenos detritos ao redor dela usando Éter.
Kaelis caminhou lentamente até ficar na frente de Gabriel.
— O Sentire é percepção. — Explicou. — Não é força… nem destruição. — Ela fechou os olhos. — É sentir o mundo ao seu redor.
Amara sorriu maliciosamente.
— Vamos ver então.
E sem aviso ela lançou o primeiro fragmento de pedra, Gabriel arregalou os olhos, mas Kaelis desviou suavemente, depois outro, depois mais dois. Ela continuava desviando com movimentos mínimos, leves, quase elegantes. Como se estivesse dançando ao invés de evitando projéteis. As pedras passavam por centímetros de seu rosto, ombros e pernas, mas nenhuma a atingia.
Gabriel observava hipnotizado.
"Ela nem está olhando…" — Ele estava encantado.
Kaelis então abriu lentamente os olhos.
— O Sentire expande sua consciência. — Disse calmamente. — Sons, vibrações, intenções, movimento, até emoções. — Ela desviou de mais uma pedra sem sequer virar o rosto. — Em níveis altos… você sente perigos antes mesmo deles acontecerem.
Amara cruzou os braços fazendo bico.
— Trapaceira.
Kaelis ignorou completamente, e então ela pegou um pequeno graveto do chão e caminhou até Gabriel.
— Seu treinamento começa agora.
— A-Agora?! — Gabriel arregalou os olhos.
— Sim.
Ela ficou atrás dele.
— Abaixe a cabeça.
Gabriel obedeceu imediatamente.
— Feche os olhos.
Ele respirou fundo e os fechou, no mesmo instante seus outros sentidos pareceram mais claros, o som do vento, as folhas balançando, o cheiro da grama, o calor do sol tocando sua pele.
Kaelis começou a andar lentamente ao redor dele, a grama amassava sob seus pés.
— Seu objetivo é simples. — Disse Kaelis enquanto circulava ao redor dele. — Dizer exatamente onde eu vou parar.
Gabriel respirou fundo tentando acompanhar os passos.
— E caso erre…
A presença atrás dele mudou, Kaelis apontou o graveto para sua nuca, e um leve resquício de Impetus envolveu a ponta da madeira, fazendo corpo inteiro de Gabriel se arrepiar, aquela sensação.
— I...Impetus... — Murmurou.
— Sim. — Respondeu Kaelis. — E você sabe o que acontece se isso te acertar, não sabe?
Gabriel engoliu seco.
— S-Sim…
— Ótimo.
Ela voltou a andar, e logo após parou, um silêncio tomou conta do pátio, sendo quebrado apenas pelo balançar das gramas, dos galhos, e algumas aves que piavam em seus ninhos próximo ao pátio, Gabriel tentou focar na direção do vento, no som da roupa dela, na grama.
— Direita… atrás de mim. — Respondeu ele.
Um silêncio, então Kaelis respondeu.
— Correto.
Gabriel abriu um pequeno sorriso.
— De novo. — Disse Kaelis.
Ela voltou a andar, e outra vez, e mais outra, Gabriel começou a perceber padrões. O som da grama mudava dependendo da direção. O vento batia diferente quando Kaelis estava perto, uma, duas, cinco, dez, quinze vezes, até Kaelis finalmente parar.
— Muito bem. — Disse. — Agora vamos aumentar a dificuldade.
Gabriel abriu os olhos.
— Hã?
Kaelis olhou para Lilith.
— Tire a audição dele.
Gabriel congelou.
— O QUÊ?!
Lilith deu uma risadinha baixa.
— Relaxa, não vai ser permanente, e nem vai doer... muito
Ela estalou os dedos.
E imediatamente o mundo ficou silencioso para Gabriel, um estalo seco percorreu seus ouvidos, cortando sua audição, Gabriel arregalou os olhos em desespero, sem som algum, seu coração acelerou instantaneamente e Kaelis voltou a andar ao redor dele, vendo ela, ele voltou a olhar para baixo e fechou os olhos. mas agora Gabriel não conseguia ouvir mais seus passos.
E o pânico começou a subir, até que ela parou. Lilith restaurou sua audição de repente.
— Agora responda. — Disse Lilith a distância.
Gabriel respirou rápido.
"Direita? Esquerda? Atrás?" — Ele tentava deduzir.
Ele apertou os punhos.
— E-Esquerda…? — Chutou nervoso.
Um silêncio, e logo após um golpe.
— AAAAH! — Gabriel segurou a cabeça imediatamente.
Um enorme galo surgiu em sua testa, Aeron explodiu em gargalhadas.
— HAHAHAHAHA! Direto!
— D...de novo… — Gabriel resmungou com lágrimas nos olhos.
Kaelis apontou o graveto novamente.
— Outra vez.
E então começaram novamente, e desta vez, a cada tentativa, se era ouvido os gritos e gemidos de Gabriel, e depois de várias tentativas, ele já estava cheio de hematomas na cabeça.
Até Amara começou a sentir pena.
— Kaelis… talvez já esteja bom.
— Não. — Interrompeu imediatamente.
Gabriel respirava pesado, o nariz estava tampado com pequenos pedaços de pano por causa de um leve sangramento, mas ele não desistiu. Kaelis observou aquilo em silêncio por alguns segundos e então comentou.
— Você está dependendo demais dos sentidos óbvios. — Gabriel ergueu o olhar lentamente. — O Sentire não é apenas ouvir ou enxergar. — Ela então tocou levemente o peito dele com o graveto. — Sinta. — Gabriel ficou em silêncio. — Use o tato. — Continuou Kaelis. — Sinta a pressão do ar, o vento, a presença!
Lilith removeu sua audição novamente, e o silêncio absoluto retornou, Gabriel respirou fundo, e dessa vez seu corpo relaxou lentamente, o vento tocava sua pele, a grama se movia, a luz do sol aquecia um lado do rosto mais do que o outro, e sua mente começou a se acalmar.
"Sinta… sinta…"
Até que entãouUm arrepio percorreu suas costas, e Lilith restaurou sua audição.
— Responda. — Disse ela.
Gabriel respirou fundo.
— Atrás… um pouco à direita.
Silêncio... e então Kaelis sorriu levemente.
— Correto.
Os olhos de Gabriel se arregalaram.
— Eu consegui…?
— Hm. — Kaelis assentiu. — Finalmente começou a prestar atenção.
E então eles continuaram, mais uma vez, e outra, Gabriel começou a falhar menos menos. O sol começou lentamente a desaparecer atrás das muralhas do castelo enquanto o treinamento continuava, até finalmente anoitecer. Gabriel estava deitado na grama completamente destruído, a cabeça cheia de galos, a mente exausta, mas ele estava sorrindo.
Os heróis estavam espalhados pelo gramado próximos dele olhando o céu estrelado e por um longo momento ninguém falou nada. Eles penas observavam as estrelas. Então Aeron quebrou o silêncio.
— Nós vamos salvar sua mãe.
Gabriel ficou imóvel.
— Pode deixar conosco. — Disse Amara suavemente.
— Nós a encontraremos. — Lilith completou.
Alastor permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de falar.
— Ela ainda está viva, e nós iremos a trazer de volta em segurança.
Gabriel apertou levemente a própria camisa, e Kaelis se virou para ele.
— E até lá… vamos te tornar forte.
Gabriel observou as estrelas em silêncio, então sorriu de leve.
— Obrigado…
Os olhos dele refletiam o céu noturno.
— Mas… — Hesitou por um instante.
Todos olharam para ele, Gabriel ergueu a mão para o alto, a cima de seu rosto.
— Eu também vou ficar forte... — Murmurou.
Aeron sorriu.
— Isso ai..
Mas Gabriel continuou.
— Não… — Disse olhando firmemente para o céu, cerrando o punho. — Eu vou ficar tão forte… que eu mesmo vou resgatar minha mãe.
Um longo silêncio, e até que Aeron explodiu em gargalhadas.
— HAHAHAHAHA! Gostei dele!
Amara sorriu animada.
— Isso aí!
Até Kaelis abriu um pequeno sorriso, mas ao fundo uma voz interveio, atrapalhando o momento.
— Que discurso ridículo. — A voz surgiu fria por entre as árvores do pátio.
E todos os heróis imediatamente ficaram sérios, Gabriel se sentou rapidamente e passos ecoaram lentamente na escuridão, e uma figura saiu das sombras, um homem alto, cabelos negros, olhar afiado, uma longa espada embainhada em sua cintura. A presença dele era pesada, perigosa.
Os olhos do desconhecido pararam diretamente em Gabriel.
— Uma criança que mal consegue sentir o próprio entorno… falando em salvar alguém.
Ele soltou um riso baixo e debochado.
— Desista enquanto ainda pode, garoto.
Gabriel sentiu um arrepio percorrer sua espinha, e agora, o frio daquela noite parecia realmente incomodar.