Para Outro Nível
Mary desviou das investidas dos grifos, moldando a barra de Aethirion em uma enorme
lança, impregnando-a com a graça de plasma, atravessando três deles que estavam
alinhados, alguns tentaram se dispersar, mas Mary redirecionou a lança, atravessando e
carbonizando eles instantaneamente. Os dez restantes a cercaram e investiram nela ao
mesmo tempo, mas Mary os parou com sua gravidade, derrubando todos dos ares e os
esmagando contra o solo, fazendo surgir sete lâminas sobre cada um que restou, imbuindo
cada uma em graça, eletromagnetismo, plasma, destruição, singularidade, gravidade,
indução máxima de dor e empoderamento solar, acelerando todas com a gravidade, e os
atravessando, eletrocutado, queimado, corpo destruído, retorcido, esmagado, colapsado e
carbonizado, todos foram mortos por Mary.
— Talvez eu esteja mais forte mesmo. — Afirmou Mary, recolhendo as lâminas de Aethirion
e as fundindo novamente em uma barra e a guardando.
Continuando seu caminho até Aethernys, descendo dos céus e caminhando em direção aos
guardas.
— Você... — Murmurou um deles.
Mary parou de caminhar e fez uma leve reverência para ambos.
— Peço perdão pelo o que fiz a vocês anteriormente, mas tenho assuntos urgentes a tratar
com sua majestade e os heróis. — Explicou Mary, o tom antes arrogante agora doce e gentil,
carregado de arrependimento.
Antes que os guardas pudessem responder, Lilith apareceu.
— Não precisa de tudo isso, anda logo, vem. — Disse Lilith.
Os guardas olharam um para o outro, e permitiram. Caminhando pelas ruas do reino, os
cidadãos que antes a vangloriavam e rezavam por ela, agora a viam com receio, todos a
olhavam com medo e temor, as crianças corriam para dentro de casa, junto aos adultos.
— Eu... mereço esse desprezo todo. — Mary expressou, caminhando lentamente de cabeça
baixa.
Lilith parou de andar por um instante, e respirou fundo.
— ESCUTEM AQUI, PAREM DE TRATAR MINHA IRMÃZINHA DESSE JEITO! — Exclamou Lilith,
surpreendendo Mary e os cidadãos. — Ela, assim como vocês foi uma das vítimas de
Adamas, ela foi moldada e manipulada para ser uma arma, mas foi ela quem nos ajudou a
derrotar Rafael, que queria sequestrar Gabriel, se rebelando contra Adamas, e também foi
ela quem salvou nossas vidas. — Expressou Lilith. — Então parem de a tratar com todo esse
desdém e desprezo! — Os olhos de Mary começaram a se encher de lágrimas.
Uma das crianças que foi puxada por seus pais, saiu correndo em direção a Mary, a
abraçando.
— Eu vi, a moça anjo trazendo os heróis nas asas dela, ela salvou eles. — Disse a criança.
Mary passou a mão pela sua cabeça, agradecendo o gesto da criança, aos poucos os
moradores de Aethernys começaram a sair de suas casas, e um a um, começaram a
agradecer a Mary pelos seus feitos, o que a fez chorar ainda mais, enquanto Lilith a
consolava.
— Eii, não vai desidratar irmãzinha. — Disse Lilith, esfregando sua cabeça.
Mary se recompôs e continuou até a o castelo, onde foi recebida pelo restante dos heróis,
que a agradeceram mais uma vez por terem salvo suas vidas.
— Ei, Mary, que viga de aço é essa que você está carregando? — Aeron perguntou.
Todos voltaram a atenção para o que Mary carregava.
— Isso... é Aethirion. — Afirmou Mary.
Surpreendendo a todos ali presentes, afinal Aethirion é um metal extremamente raro, quase
um mito, poucas são as pessoas que possuem algum equipamento forjado com esse
material.
— Ei, isso é sério? — Amara questionou incrédula.
— Aethirion... achei que fosse só uma lenda. — Murmurou Riven.
— E por quê trouxe ela com você? — Lilith perguntou.
— Bom... é uma surpresa. — Mary respondeu. — Aliás, onde está o Gabriel?
— Ele ainda está inconsciente, afinal ele tá sempre superando os próprios limites graças ao
Éter dele. — Kaelis respondeu, com um pingo de preocupação.
— Mas tudo indica que ele irá despertar em breve. — Amara expressou.
Mary explicou tudo o que ocorreu até o despertar de Gabriel, e os ocorridos a seguir, até
banquete”
— E foi isso. — Explicou Mary a todos no banquete.
— E esse Luciel, você confia mesmo nele Mary? — Lilith perguntou preocupada.
— Sim, afinal eu usei minha graça nele, e pude ler todos seus sentimentos, e vi que ele não é
uma má pessoa, pelo contrário, e o objetivo dele é semelhante ao meu, derrubar Adamas.
— Expressou Mary.
— Então... Aethernys não é mais filiada a Adamas. — O rei interviu.
— Sim... infelizmente. — Mary respondeu.
Todos ouviram a afirmação em silêncio, até Gabriel cortar o silêncio que pairava pelo salão.
— Não precisamos de Adamas, nós podemos nos virar sem eles. — Afirmou Gabriel, firme.
As palavras ecoaram pelo salão, o rei baixou o olhar para a taça, alguns conselheiros
trocaram olhares desconfortáveis. Mas um a um, os heróis concordaram em silêncio.
— Se não vamos depender mais deles, então precisamos nos preparar para o pior. — Disse
Kaelis, pousando a mão sobre sua nova lança, com os olhos faiscando de convicção.
— Concordo. — Riven apoiou os cotovelos na mesa, encarando Gabriel. — Mas se Mary está
certa, e Luciel realmente quer derrubar Adamas, então talvez não estejamos tão sozinhos.
— Luciel não é como o “Az”. — Afirmou Mary, olhando para todos na mesa . — Ele nunca
quis ser o que fizeram dele, mas não podemos subestimar o outro lado, o Az é calculista, e
ainda tem um exército inteiro de anjos criados à base do sangue e Éter de Luciel.
O rei respirou fundo, finalmente quebrando seu próprio silêncio.
— Então é isso. Aethernys se erguerá por conta própria. — Levantou a taça. — Aos nossos
heróis, àqueles que ficaram e aos que virão.
Todos ergueram as taças, mesmo os que não bebiam. O brinde selou uma espécie de pacto
silencioso, após o término do banquete, todos foram para o pátio de treinamento, junto a
alguns alvos e bonecos de treinamentos, suas novas armas, onde Mary os ensinaria a usar
suas novas armas imbuídas com sua graça. Mary, ainda com as asas recolhidas, caminhou
pelo centro do pátio.
À sua volta, cada herói segurava a arma recém-forjada, todas vibravam levemente, reagindo
à graça de Mary e ao Thyr e Éter de seus portadores.
— Respirem fundo. — Instruiu Mary, com a voz soando firme, mas calma. — O Aethirion não
é um metal comum, ele ressoa com a essência de quem o empunha, ele não é apenas um
catalisador de Thyr e Éter, ele é o ponto de convergência entre Vontade e Forma, se vocês
apenas o tratarem como ferro, ele não fará nada,se aceitarem que ele carrega parte de mim
e parte de vocês, ele vai responder.
O vento soprou entre eles, levantando poeira do pátio de treino. O rei e alguns soldados
observavam de longe, em silêncio. Aeron respirou fundo e ergueu o escudo com uma mão, o
machado na outra. O Égide das Mentes brilhou num tom azul profundo, enquanto a
Severidade da Dor formava um calor pulsante na palma de sua mão, um por um, os olhares
daqueles com o Thyr mais fracos que o dele começaram a se fixar nele sem perceber,
atraídos.
— Eu consigo sentir... todos sendo atraídos para mim. — Murmurou, baixando o escudo. —
E o machado... parece ansioso. — Disse Aeron, golpeando um dos alvos, o bifurcando ao
meio com um único balanço de seu machado, e fazendo um corte profundo no chão debaixo
do boneco, dando um sorriso de surpreso logo após.
Gabriel levantou a Incisão Solar diante do rosto, uma centelha dourada subiu pela lâmina e
escorreu até o punho, entrando na sua pele. O calor não queimava, era como um sol dentro
do peito.
— É como se ela respirasse no mesmo ritmo que eu. — Disse com um sorriso leve. — Ela
está me alimentando em vez de consumir. — Gabriel golpeou o boneco de treino, o
cortando ao meio, deixando um rastro de queimadura na fissura causada pelo calor da
lâmina solar.
Alastor girou as Sombras da Ruína nos dedos as mirando em direção ao alvo, as lâminas se
dissolveram num sopro escuro e apareceram atravessadas no alvo.
— Nunca senti algo assim... é como se elas fossem parte de mim. — Comentou. A madeira
do alvo estava corroída, como se qualquer resistência tivesse sido arrancada do alvo.
Amara encostou o Verdade da Alma no chão. O cajado pulsou em cores suaves, dezenas de
pequenas linhas brancas saindo da ponta em direção, reconstruindo-o, e logo após as linhas
se juntaram e condensaram em uma esfera branca de Éter puro, Amara o disparou contra o
alvo de testes, abrindo uma cratera em seu centro.
— Incrível. — Murmurou emocionada.
Riven puxou a corda da Flecha Versátil, uma flecha de calor ionizado apareceu, ele a
disparou, atravessando três alvos de treino e sumindo em seguida, o arco brilhou e se
moldou numa lâmina curva de plasma, como uma cimitarra, cortando o que restou dos
bonecos de treino, derrubando o torso dos três com um único golpe.
— Perfeito... — Respirou ele, rodopiando a lâmina.
Kaelis girou a Estrela Singular. O ar ao redor da ponta da lança distorceu-se, formando um
pequeno vórtice que puxou areia e pedras, desviando-a para cima, a lança brilhou, uma
explosão concentrada de luz se formou no centro e desapareceu logo depois.
— Uma singularidade nas minhas mãos — Disse Kaelis.
Lilith ergueu o Halo Profano diante do rosto, e ao deslizar o anel no dedo, um círculo de luz
dourada mesclado a chamas negras surgiu acima dela, descendo pelo corpo. Sua aura
oscilou entre o sagrado e o demoníaco, emanando seu Éter, que se amplificava como se não
houvesse um fim ou limite.
— Essa sensação... é incrível. — Murmurou Lilith.
Mary observava, braços cruzados, com as asas semi abertas.
— Vocês estão sentindo? É isso que significa ressonância, não tentem controlar. Ouçam. E
deixem que elas mostrem o que são.
Um silêncio pesado tomou o pátio, cada herói respirava junto à sua arma, sentindo a fusão
de suas essências.
— Mais tarde, nós vamos treinar cada uma. — Disse Mary, quebrando o silêncio. —
Primeiro, vocês precisam aprender a conversar com o que têm nas mãos. Elas vão evoluir
junto com vocês.
— Sabe... — Começou — Depois de tudo isso, de sermos abandonados por Adamas e tudo
mais... eu acho que realmente não precisamos deles. Nós temos uns aos outros. E essas
armas são a prova.
Um a um, os outros assentiram, alguns ainda ofegantes com a energia que sentiam.
— Então escutem, o próximo passo não é só lutar, é entender o inimigo, entender a si
mesmos. A partir daqui... cada treino, cada combate vai despertar algo novo nas armas e
em vocês. — Disse Mary, com suas asas abertas. — Hoje nós deixamos de ser ferramentas
de Adamas, somos livres.
Os heróis ergueram suas armas, o som do Aethirion ressoou pelo pátio, como uma promessa
silenciosa.
— Certo, então me escutem. — Disse Mary. — O próximo passo não é só lutar, é entender o
inimigo, entender a si mesmos. A partir daqui... cada treino, cada combate vai despertar
algo novo nas armas e em vocês. — Disse Mary, com suas asas abertas. — Hoje nós
deixamos de ser ferramentas de Adamas, somos livres.
Todos assentiram, e foram para seus quartos, aguardando o dia seguinte, onde cada um
alcançaria um novo patamar.