Alvorada
Ao amanhecer, todos os heróis estavam despertos, mal dormiram devido à ansiedade,
pulando até mesmo seu café matinal, e indo para o pátio de treino, onde aguardavam por
Mary. Algumas horas passam e ela aparece junto a Lilith.
— Ora, todos estão aqui tão cedo? — Disse Mary surpresa.
— Pularem até o café da manhã pelo visto. — Respondeu Lilith
Lilith se juntou ao grupo, enquanto Mary caminhava lentamente a frente deles, as armas de
cada um deles pareciam inquietas, respondendo a seus donos.
— Isso que vocês sentem agora é apenas a superfície. — Disse Mary, olhando cada um nos
olhos. — O Aethirion guarda um reflexo do que vocês são, mas também um presságio do
que podem se tornar, devido a minha graça.
Um vento carregado de energia percorreu o círculo dos heróis, as armas vibraram
suavemente, respondendo como corações impacientes. Mary abriu um sorriso breve ao ver
as armas de todos ressoar junto a seus portadores.
— Certo... agora, por que não fazemos um pequeno duelo entre cada um de vocês? —
perguntou, a voz empolgada.
Aeron passou a mão pelo cabo do Égide das Mentes, sentindo as placas vibrarem como se
estivessem “ouvindo” o desafio.
— Vai ser bom um duelo amistoso para descobrirmos do que somos capazes agora com
essas novas armas — Respondeu ele, animado.
Um por um, os heróis assentiram, suas armas começaram a emitir leves brilhos e pulsos,
reagindo à expectativa dos portadores. Até o rei, que observava da varanda do pátio, ergueu
as sobrancelhas com interesse.
Mary girou no centro do círculo, medindo os olhares e as armas.
— Ótimo! Nada de golpes fatais, até um dos dois ficar incapacitados ou inconsciente, ou
desistir do combate. Quero ver adaptação, não só força bruta.
Ela então começou a distribuir os pares com um gesto de mão para cada lado do pátio.
— Gabriel contra Alastor — Ambos se olharam com uma certa intensidade.
— Dessa vez não vai ser um simples pega-pega Gabriel, eu vou com tudo. — Alastor afirmou.
— Vem quente que eu to fervendo. — Gabriel respondeu
— Amara contra Riven. — Ambos se encararam por um segundo.
— Seu irmão não vai querer me mata se eu por acaso te machucar muito né? — Riven
provocou.
— Você vai estar de joelhos antes que consiga sequer derramar uma gota de suor minha. —
Amara retrucou, com seus olhos emanando uma luz tênue.
— Kaelis contra Aeron. — Aeron bufou após ouvir o anúncio.
— Ah que porcaria, logo você em Kaelis. — Murmurou Aeron.
— Relaxa, eu vou tentar pegar leve com você. — Kaelis respondeu.
— E por fim, para que minha querida irmã não fique sobrando... — Olhou em direção a ela.
— ... eu irei te enfrentar.
— Ora sua... — Lilith murmurou, caminhando até ela. — Dessa vez vai ter uma vencedora.
— Sim, sem interrupções. — Mary respondeu.
Todos foram para um canto, assistirem a primeira disputa, entre Gabriel e Alastor.
— Espera. — Mary interveio, conjurando uma enorme barreira que cobriu todo o pátio,
impedindo que qualquer dano externo seja causado.
— Bem pensado Mary. — Lilith a elogiou.
— E vocês dois estão prontos? — Perguntava Mary.
Gabriel se alongava, enquanto Alastor girava suas adagas no ar.
— Sim!
— Estou.
— Então começem! — Anunciou Mary.
Gabriel apertava firmemente sua espada, ressoando junto a sua vontade, assim como
Alastor, eles avançaram em direção ao outro. Mas antes de colidirem Alastor arremessou
uma das adagas em direção a Gabriel que desviou, acertando apenas sua sombra.
— Errou! — Gabriel provocou, avançando em direção a Alastor.
A adaga retornou a sua mão, quando Gabriel ia o cortar, ele desapareceu em uma nuvem
negra.
— O quê? — Gabriel se surpreendeu, ativando seu Sentire, instantes antes de ser
surpreendido por uma adaga sendo arremessada das suas sombras.
Gabriel saltou desviando do ataque, que o acertou de raspão em sua bochecha.
— Melhorou bastante em garoto. — Disse Alastor, arremessando outra adaga enquanto ele
estava no ar.
Gabriel partiu a adaga com facilidade, enquanto caia, sua espada ressoava com ele, como se
o instruísse, a espada começou a emanar uma chama, e Gabriel disparou um corte em
forma de arco em direção a Alastor, o surpreendendo, mas ele conseguiu desviar, o corte
abriu uma fenda no solo, junto a fumaça, Gabriel finalmente tocou o chão, e quando a
fumaça se dissipou, Riven estava com um joelho no chão.
— O que foi aquilo em seu maldito? — Alastor perguntou surpreso.
Suas adagas também ressoavam com ele, como quem tentava o guiar. Alastor fincou a adaga
em sua sombra, fazendo ela surgir atravessando o pé de Gabriel, que pulou por reflexo.
— Cretino! — Gabriel exclamou.
As adagas ressoavam mais duas vezes.
— Só mais duas... — Alastor murmurou.
Gabriel saltou para trás, apontando a espada para o corte em seu pé, labaredas começaram
a se formar em sua lâmina, e desceram até seu pé, cauterizando o ferimento, a expressão
em seu rosto mudou para uma mais séria, a espada reverberava junto a ele, Alastor disparou
em sua direção, arremessando novamente a adaga em direção a Gabriel, devido a sua
posição debaixo do sol, sua sombra estava projetada a sua frente, e quando a adaga
sobrevoou por cima de sua sombra, Alastor se transportou para a posição da adaga.
— Surpresa! — Exclamou Alastor, dando diversas estocadas e cortes, mas sendo bloqueado
por Gabriel, que começava a responder a enxurrada de ataques.
A espada emanava um brilho dourado, que se espalhava pelo corpo de Gabriel.
— Já acumulei o bastante. — Afirmou Gabriel, a espada começou o fortalecer por um
instante.
— Empoderamento Solar em, vai ser um saco. — Murmurou Alastor. — Mas já deve estar
fazendo efeito.
As feridas de Gabriel começaram a apresentar rachaduras negras, em seu rosto e pé.
— Hm? Aquelas marcas em Gabriel, o que é aquilo? — Amara perguntou.
— O corpo de Gabriel está aos poucos ruindo, aquilo é o efeito das adagas de Alastor,
destruir quaisquer defesas, junto ao alvo. — Explicou Mary.
Gabriel começou a sentir algumas pontadas de dor agudas das feridas, Alastor aproveitou
dessa brecha para atacar novamente, fazendo mais um corte em seu braço, fazendo as
rachaduras se espalharem mais rápido.
— Mas isso não pode acabar matando ele? — Perguntou Aeron.
— Não, Alastor está limitando a ruína para evitar que ele morra, ele quer apenas incapacitar
ele. — Respondeu Mary.
Gabriel tentava o atacar constantemente, mas Alastor desviava.
— Desespero? — Perguntou Alastor, arremessando novamente a adaga em direção a
Gabriel, que desviou, mas a adaga parou na sombra, Gabriel se virou para interceptar seu
teleporte, mas ele o enganou, Riven não foi para suas costas, ele permaneceu no mesmo
local, fazendo um grande corte nas costas de Gabriel.
— Quatro... — Alastor murmurou, as adagas ressoaram mais uma vez, e com isso todos os
cortes de Gabriel jorraram sangue. — Ruína!
Gabriel caiu ao chão, com o corpo coberto por sangue.
— Ei Mary, hora de encerrar esse duelo. — Comentou Amara.
Mary ficou em silêncio, olhando fixamente para Gabriel.
— Vamos Gabriel... se adapte. — Mary murmurou.
— Você desiste? — Perguntou Alastor, apontando a adaga em direção a Gabriel.
Gabriel permaneceu em silêncio, o sol parou em cima dele, havia dado meio-dia, sua espada
começou a tinir em sua mão, antes que Alastor pudesse o atacar, uma grande quantidade de
Éter emanou do corpo de Gabriel, como labaredas solares, Alastor recuou.
Alastor recuou após Gabriel emanar uma quantidade absurda de Éter.
— Era isso que eu queria ver. — Mary murmurou.
A Incisão Solar de Gabriel se acendeu, labaredas douradas envolveram a lâmina se
expandindo para seu corpo, seu cabelo começou a crepitar como uma crina solar, emanando
também seu próprio Éter, seus olhos pareciam incendiar, seu corpo ficou revestido de calor,
não como uma armadura, mas como um sol ambulante, a espada de lâmina negra, se tornou
dourada devido a todo o poder liberado.
— Uma transformação, mas não pense que é o bastante pra me derrotar Gabriel. — Alastor
disparou em direção a Gabriel, arremessando ambas as adagas, com um pequeno intervalo.
Gabriel tentava entender o que havia acontecido com ele, avançando também em direção a
Alastor, desviando de ambas as adagas, se preparando para dar um golpe, mas Alastor
desapareceu, indo até suas costas, pegando a segunda adaga que jogou, mas foi
surpreendido, por Gabriel que girou cortando seu peito no mesmo instante, o corte jorrou
sangue por um instante antes de ser cauterizado no mesmo segundo.
— Mas que merda. — Alastor cuspiu.
Gabriel emanava uma aura tão quente, que todos ao seu redor começaram a soar, o solo sob
seus pés estavam derretendo, as plantas começaram a secar.
— Eu não posso perder. — Alastor murmurou, apertando firme suas adagas.
— Ei Mary... o que é aquela transformação do Gabriel? — Perguntou Amara espantada.
— Eu diria que é um despertar. — Mary supôs. — Assim como eu despertei como um
Querubim, minhas habilidades evoluíram e redespertaram junto, acredito que Gabriel tenha
despertado também.
— Meu corpo... — Gabriel murmurou, olhando para si mesmo. — ...tão quente...
confortável, caloroso, eu me sinto... invencível. — Os olhos de Gabriel crepitavam, junto a
enorme quantidade de poder que fluia por seu corpo.
Gabriel avançou em direção a Alastor pretendendo o cortar, mas Alastor desviou, o corte de
Gabriel em forma de arco abriu uma fenda flamejante no solo.
— Se isso me acertar eu estou ferrado. — Alastor resmungou, enquanto tomava distância de
Gabriel.
— Não pode correr para sempre Alastor. — Gabriel o provocou, um arco solar surgindo atrás
dele, irradiando chamas.
Riven apertou firmemente suas adagas, que respondiam ao seu nervosismo, com um ressoar
sutil, como se tentassem o acalmar, Gabriel apontou sua espada para Alastor, cortando o ar
em direção a ele, as chamas de seu arco se tornaram mais fortes, e o corte disparado cortou
o peito de Alastor, que caiu de joelhos no chão.
— Droga! — Exclamou rangendo os dentes.
— ALASTOR! — Amara gritou, tomada de preocupação. — Ei, Gabriel! Eu vou te dar uma
surra!