— Voltei, Keni!
Keni?
Ei!
Yuri balança Kenichi, que a esse ponto, estava viajando e um pouco assustado
— Oi... oi...
— Tava viajando?
— Não... mais ou menos...
Yuri percebe que após ele retornar a realidade, olhou pra Tsugi abrindo uma porta que levava para algum cômodo da casa cujo era aberto
— Você já falou com o irmãozão?
Ele já supõe quem seja o tal "irmãozão"
— Não...
— É, normal, ele não é muito de falar
Mas vocês vão se dar bem, os dois são garotos, hehe~
Kenichi sentiu uma gota de suor escorrer pela lateral do rosto.
— Ah… entendi.
Foi só isso que conseguiu dizer.
Tsugi não tinha feito nada. Nenhum gesto brusco. Nenhuma ameaça. Ainda assim, a presença dele esmagava o ambiente. Aquilo incomodava. Kenichi não era estranho ao perigo.
Cresceu em função disso. Medo nunca foi algo constante em sua vida.
Mas aquilo era diferente.
Não era medo de apanhar...
Era a sensação de que, se aquele homem quisesse, tudo acabaria ali.
Como se fosse absoluto.
Yuri percebeu quando Tsugi mudou de direção, indo em direção ao quintal.
— Ah, verdade!
Ela segurou o pulso de Kenichi sem pensar muito
— Vem cá!
O puxou junto.
Assim que chegaram ao quintal, Yuri abriu a boca para apresentar alguém.
— E essa aqui é a—
Um som seco cortou o ar.
Um jab rápido.
Porém, bloqueado.
Kenichi e Yuri olharam à frente.
Tsugi estava parado, de frente para uma garota.
Cabelos lisos, ressecados e pretos com as pontas levemente avermelhadas, também presos.
Usava roupas esportivas: top, calção, luvas. O corpo definido e em postura de combate, mão direita protegendo o rosto, a esquerda se movendo em pequenos arcos, testando espaço.
Ela disparava jabs rápidos, mirando o rosto de Tsugi.
Nenhum passava.
Ele defendia com facilidade irritante. A diferença de altura tornava tudo ainda mais desigual.
— É… por que eles— começou Kenichi.
— Relaxa — Yuri cortou. — É sparring
Sparring? Quê?!
— Pela sua cara, tu não entendeu o que é...
Luta de treino, Lutadores profissionais fazem isso o tempo todo. É essencial, na real
Kenichi franziu a testa...
Lutadores profissionais...
No quintal, a garota começou a perder ritmo. A respiração ficou mais pesada. Tsugi percebeu.
Na tentativa seguinte, ele segurou o punho dela no meio do golpe.
— Já deu.
A voz saiu fria.
— Essa postura é ridícula. Não faz sentido usar isso. Faz o simples.
Ele apertou a mão dela só o suficiente pra deixar claro.
— Só me fez perder tempo. A Mère me passou tarefas, sabia?
Ela cerrou os dentes e tentou outro golpe, um direto com a direita. Tsugi desviou por pouco.
— Tch.
Soltou o braço dela e virou as costas.
— Espera aí! — ela gritou. — Eu ainda não te acertei na cara—
— Não vai acertar agora — ele respondeu, sem olhar. — Treina mais. Dias, meses, anos. Talvez aí você pare de passar vergonha.
A garota abaixou a guarda.
Frustrada, derrotada...
Ele entrou na casa, ignorando completamente Yuri e Kenichi.
Yuri se aproximou da garota com um sorriso aberto.
— Maki, você tá tipo dez vezes mais forte que da última vez!
A garota bufou, sentando na grama.
— Valeu… mas ainda não cheguei onde eu quero.
Porra… o Tsugito não é humano.
Apoiou os cotovelos nos joelhos.
— Mas aquele socão de direita ia desligar qualquer pessoa normal... e anormal!
— Você é otimista mesmo, garota...
Yuri riu.
Kenichi observava tudo em silêncio.
Uma mulher loira com ar materno suspeito.
Uma garota acolhedora demais.
Uma lutadora frustrada
E um monstro de autocontrole.
Nada fazia sentido...
— Huh? — Maki ergueu o olhar. — Quem é tu?
— Kenichi…
Yuri respondeu antes.
— Ele é mais um irmãozão nosso, na verdade, irmãozinho — Yuri dá uns tapinhas na cabeça de Kenichi e continua — A Mère já gosta bastante dele!
Maki analisou Kenichi por alguns segundos. Em silêncio.
Então é ele...
Limpa a garganta
— E aí?
Sou Tamaki
Mas me chama de Maki, se quiser, é mais fácil.
— E lembra sushi! — Yuri faz uma observação
—...Oi.
— Você parece estranho, não sei porque, mas eu acho isso
Ela se levanta, começa a se alongar e questiona
— Tu sabe brigar?
A pergunta caiu como uma pedra.
Kenichi pensou nos momentos de seu passado...
Momentos em que precisou agir...
E usufruir da violência.
Ele cresceu em meio a essa realidade.
— Eu... eu sei... eu me viro...
Maki estalou o pescoço e voltou à postura de combate.
— Então, se ajeita aí — Base firme. — E vem pra cima
Quero testar uma coisa.