Estação de Kudanshita, Chiyoda
25 de outubro de 2024, 15:29
"As pessoas que sabem exatamente o quão inúteis são e ainda assim continuam respirando, essas são as que mais me perturbam, cara..."
Eu disse isso em voz alta, não porque esperava resposta, mas porque meus pensamentos vazaram para fora.
A garota sentada à minha frente inclinou a cabeça ligeiramente para a direita, um ângulo de aproximadamente quinze graus, o suficiente para indicar curiosidade.
"É tão estranho assim?" ela perguntou, sua voz carregando aquele tom de diversão controlada que pessoas inteligentes usam quando já sabem a resposta mas querem ver você tropeçar tentando explicar. "Eu acho que é apenas pragmático. Ou talvez seja um desperdício. Ainda não me decidi."
Eu não sabia o que responder a isso.
A pergunta não era difícil. A verdade é que qualquer resposta honesta revelaria muito sobre mim, e revelar coisas sobre si mesmo para estranhos em trens é geralmente considerado má etiqueta social, embora eu nunca tenha entendido completamente o porquê disso.
Fiquei em silêncio.
E ela pareceu satisfeita com isso, talvez ela seja daquele tipo que prefere respostas mais eloquentes.
O trem chacoalhava em seu ritmo constante, num balanço metálico nauseante, mas reconfortante.
Fechei os olhos por um momento e respirei fundo.
Quando abri os olhos novamente, ela ainda estava me olhando.
"Você está pensando em algo específico, ou talvez esteja pensando em nada."
Eu estava pensando em algo, sim.
Algo que me faz coçar a cabeça.
Como aqueles... Aquelas pessoas que proclamam aos quatro ventos a sua própria mediocridade, que a ostentam como uma medalha de honra e esperam aplausos pela honestidade brutal, essas pessoas eu consigo ignorar com facilidade relativa (não que eu realmente consiga ignorá-los, porque ignorar genuinamente algo requer um tipo de disciplina), mas aquelas pessoas que, em silêncio profundo e com uma calma inadimplente, simplesmente aceitam que não são nada, que sua existência é insignificante, um arredondamento, e mesmo assim continuam acordando todas as manhãs como se houvesse um motivo, essas pessoas me irritam de uma forma que não consigo articular.
"E o que isso tudo tem a ver com qualquer coisa?", ela perguntou, inclinando a cabeça agora para o outro lado, estabelecendo simetria.
Sei lá.
Honestamente, sei lá.
Eu só sei que não se trata de tipos ou categorias ou da personalidade humana em si.
Trata-se de onde você está posicionado verticalmente.
Altitude.
Pense comigo por um segundo: há pessoas que vivem acima das nuvens, cujos pés nunca tocam o chão porque elas flutuam e a visão é clara, onde tudo faz sentido porque há distância suficiente, um escopo gigantesco.
Também existem pessoas que vivem no chão, solidamente plantadas no nível do mar, respirando o ar nem denso nem rarefeito.
E então existem pessoas que vivem dentro das frestas do asfalto ou então dentro da crosta terrestre, seja lá como queira chamar, pessoas insignificantes.
Eu sou uma dessas pessoas.
Já aceitei isso.
Mas aceitação não significa felicidade.
Mobilidade vertical realmente é uma linha de pensamento versátil.
"Tipo alguém que, sei lá, consegue falar de trás para frente," eu murmurei.
Eu jamais conseguiria falar de trás para frente, não importa quanto tempo praticasse.
Se eu tentasse, tenho certeza de que minha língua ficaria dormente por pelo menos quinze minutos depois, e eu fico pensando na vergonha que seria se tivesse que visitar um consultório também.
Doutor, eu estava tentando falar de trás para frente e acabei machucando a língua...
Não quero nem pensar nisso.
"O quê?", ela perguntou, genuinamente confusa.
"Nada," eu disse.
Ela riu. Foi uma risada curta, o som que escapa antes que você possa censurá-lo. "Você é estraaaaaanho," ela disse, e havia algo provocante na sua voz. "E o que isso faz de você?" ela perguntou novamente, desta vez com mais ênfase.
Eu não respondi. Porque sabia exatamente qual era a resposta e essa resposta era tão patética, tão fundamentalmente vergonhosa.
Diversas perguntas são retóricas não porque quem pergunta não quer resposta, mas porque a resposta honesta é tão ruim, tão vulnerável ao contato com o ar externo, que ela se desintegraria no momento em que deixasse os lábios.
O mundo é misericordioso e gentil com os desatentos, sim.
É brutal, e digo isso com toda a sinceridade, para qualquer um que veja com clareza absoluta, para qualquer um que realmente olhe sem o filtro protetor da distração constante ou da esperança ilusória.
Se você não está entendendo o que estou tentando dizer aqui, permita-me oferecer uma sugestão: desacelere seu ciclo respiratório, feche seus olhos, e releia mentalmente as últimas três frases.
Isso fará com que a informação reverbere de forma mais eficiente.
Mas honestamente, toda essa merda é brutal para qualquer um.
Para os atentos e desatentos igualmente.
Para os que vivem acima das nuvens e para os outros também...
É especialmente brutal para qualquer um que entenda, com a clareza que eu me referi.
Existem duas maneiras e apenas duas, de sobreviver à revelação dessas verdades, de continuar funcionando depois que você realmente entende essas merdas.
A primeira opção é decidir que o mundo em si não tem valor. Escolhar essa opção significaria "arrancar tudo com os dentes até poder fingir que os restos na sua boca são uma espécie de 'banquete'."
A segunda opção é aceitar que seu próprio valor é uma ilusão. Escolhar essa opção significaria "passar o resto da vida tentando não se olhar demais no espelho."
Qual dessas opções é mais corajosa?
Qual delas demonstra mais fortaleza mental?
Qual delas é a mentira reconfortante e qual é o mecanismo de defesa psicológica disfarçado de filosofia?
Eu pensei muito sobre isso e cheguei à conclusão de que realmente não existe uma terceira opção.
Mesmo quando certas pessoas excepcionais, através de combinação rara de circunstância e neurologia, conseguem forçar uma terceira opção a existir temporariamente, o resultado inevitável é que você acaba escolhendo o pior caminho possível para alcançar algo que apenas se assemelha a um sorriso genuíno.
Ah, sim...
Ela se inclinou ligeiramente para frente, e a luz neon do trem refletiu em seus olhos.
"Então me diga," ela disse, sua voz baixa o suficiente que eu tive que me esforçar para ouvir sobre o barulho do trem, "para onde você está indo?"
Desviei o olhar instantaneamente, reflexo automático, incapaz de manter aquele contato visual.
Não respondi. Não havia resposta honesta que não fosse patética. Tudo bem, pensei. O silêncio é um luxo subestimado na economia social moderna. Às vezes a coisa mais valiosa que você pode oferecer é absolutamente nada.
O trem chacoalhava continuamente, aquele movimento perpétuo que te faz questionar se você está realmente se movendo ou se o mundo está se movendo ao seu redor enquanto você permanece estaticamente preso no lugar.
Encostei a cabeça no vidro frio da janela, sentindo a vibração passar através do crânio diretamente para o cérebro.
Deixei meus olhos desfocarem até que as luzes lá fora se transformassem em manchas.
Era relaxante de uma maneira estranha.
Meu nome é Azashi Jinko.
Eu deveria ter começado com isso...
Atualmente tenho vinte anos de idade, o que é demograficamente jovem mas que parece velho psicologicamente.
Eu não tenho um emprego, ou um sonho.
Eu não tenho qualidades redentoras que eu possa listar, a menos que você considere minhas habilidades no Tetris.
Não sei por que estou te contando isso...
É mais fácil falar comigo mesmo do que com a garota sentada à minha frente, cujos olhos tem aquela curiosidade zombeteira, esperando que eu provasse que mereço o oxigênio que estou desperdiçando.
Ela é uma deles, aliás.
Uma deles.
Ainda não sei exatamente qual deles, porque existem vários no aplicativo.
Também não quero saber especificamente qual deles ela é.
Se ela estiver falando a verdade, e não há razão particular para acreditar que está, mas também não há razão para assumir que está mentindo, seu nome é Nyoko Hayarumi.
Ela tem cabelo curto tingido de roxo cortado em ângulos geométricos. Ela estava vestindo uma jaqueta larga, daquelas que você esperaria ver em alguém perambulando do lado de fora de um cassino.
Ela está falando comigo há dez minutos.
"Você não é muito bom nisso, não é?", ela disse de repente, quebrando o silêncio.
Ela inclinou a cabeça novamente. Sua voz mantinha aquela qualidade de ser simultaneamente suave e cortante, como uma faca de cozinha embrulhada em algodão orgânico.
"Bom em quê?" perguntei, embora soubesse exatamente ao que ela estava se referindo.
"Em bater papo," ela respondeu com honestidade brutal. "Você é ruim em ler pessoas, em responder apropriadamente as perguntas..."
Dei de ombros. Não valia a pena discutir.
"Qual a cor dos meus olhos?", ela perguntou repentinamente.
"Hm?"
"A cor da íris dos meus olhos. Qual é?"
Eu levantei a cabeça e olhei fixamente para os olhos dela. Ela sorriu e espremeu os olhos, enquanto levantava a mão esquerda um pouco.
"Oiee!"
"São azuis."
Sou um fracassado, mesmo.
Quanto mais tento entender outras pessoas, mais eu falho em entendê-las.
A minha compreensão sobre humanos é inversamente proporcional ao esforço feito.
Cₕ = 1 ÷ e.
Hm, essa formatação seria um pouco confusa, visto que e já é um termo matemático.
Cₕ = 1 ÷ W.
Assim está melhor.
Desculpa, fui confuso demais.
O que quero dizer é: quanto mais tento me conectar, mais me desconecto.
É quase impressionante na sua consistência.
Nyoko ainda estava me observando com intensidade, o que fazia minha pele coçar, seus lábios curvados em algo que não chegava tecnicamente a ser um sorriso mas que transmitia diversão mesmo assim.
"Você está no chat, não é?" ela disse. "Zero Degrees. Por acaso você está atrás da badge de 'Observador'? Porque isso seria estranho... A resignação combina com você. É bem a sua cara. Eu estava errada, na verdade, você é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito estranho...""
Não sei o que ela quer dizer com isso, e não vou perguntar, e quantos "U" ela usou?
Meu estômago se revirou desconfortavelmente ao ouvir aquelas palavras em inglês, "Zero Degrees", saindo da boca dela em voz alta no mundo físico em vez de permanecer seguramente contida no espaço digital onde eu poderia fingir que não era real.
Afinal, por que os americanos falam "Zero Degrees"? No plural. Zero é zero, não é mais que um. Enfim...
Minha voz saiu trêmula quando tentei responder. Ninguém deveria saber disso. Ninguém.
Eu fui cuidadoso, meticuloso e obsessivamente cuidadoso sobre manter separação completa entre minha presença online no aplicativo e minha vida.
Eu não sou um deles.
Apenas abri o aplicativo, há três meses atrás, porque ele apareceu espontaneamente no meu celular sem que eu o instalasse, e quando tentei deletar ele reinstalava automaticamente, e eventualmente eu desisti e apenas o deixei lá.
Estou lá há noventa e dois dias exatos, lendo as mensagens deles em silêncio.
Nunca posto. Não comento. Nem sequer reajo a nada, de nenhuma forma.
Não me atrevo a interagir porque não tenho algo a contribuir, e eu não tenho nada que pessoas como eles achariam valioso ou interessante ou relevante.
Não sou perspicaz o suficiente. Não sou inteligente o suficiente.
Não sou nada suficiente.
"Você não vai negar?", Nyoko disse, inclinando-se ainda mais para frente agora, invadindo definitivamente meu espaço pessoal, seus cotovelos apoiados nos próprios joelhos de forma que seu rosto estava a menos de meio metro do meu.
O trem balançou violentamente e por um instante sua sombra se estendeu pelos assentos vazios entre nós, alongada pela iluminação de cima, transformando-a momentaneamente em algo que parecia duas vezes o tamanho humano normal.
"Que chato," ela continuou, soando genuinamente desapontada. "Achei que você ao menos tentaria mentir. As mentiras são sempre mais interessantes. Mentiras revelam o que você deseja que fosse verdade, enquanto verdades revelam apenas... Bem, a verdade."
"Por quê...?" consegui murmurar, minha voz quase inaudível mesmo para mim mesmo, praticamente engolida pelo ruído constante do trem. "Como você...?"
As palavras morreram na minha garganta antes de formar pergunta completa.
Ela riu novamente, desta vez com mais camadas de significado embutidas.
Nyoko pegou o celular dela, um movimento súbito que me fez piscar reflexivamente.
A tela iluminou seu rosto de baixo para cima com aquela luz azulada artificial característica de LEDs modernos, criando sombras dramáticas que faziam seu rosto parecer levemente não-humano, como uma máscara em vez de pele.
Ela tocou na tela algumas vezes, gestos precisos e econômicos, e então...
Meu próprio celular vibrou no bolso.
Não quero olhar. Realmente, genuinamente, não quero olhar. Eu sei exatamente o que é sem precisar verificar.
Uma notificação daquela sala de bate-papo.
Do Zero Degrees.
Do aplicativo que não deveria existir mas existe, que não deveria saber onde eu estou mas aparentemente sabe, que não deveria conectar minha presença digital à minha existência física mas claramente conseguiu fazer exatamente isso.
"Dá uma olhada," Nyoko disse casualmente, sem desviar os próprios olhos da tela iluminada. "Você vai querer ver isso. Prometo que não vai se arrepender."
Sua voz carregava qualidade de alguém que sabe exatamente o que está prestes a acontecer e está antecipando sua reação.
Eu não mexi. Permaneci completamente imóvel, como se imobilidade pudesse de alguma forma prevenir o inevitável. Mas celulares não ligam para imobilidade.
Ele vibrou novamente.
E novamente.
E novamente.
Ela, que estava sentada a menos de um metro de mim sorrindo com aquela expressão que dizia claramente: "surpresa! Você foi pego! Não há escapatória!"
Eu desbloqueei o celular com dedos que tremiam levemente.