Leonardo mora sozinho numa floresta vasta e viva, num mundo mágico e medieval. Tinha cabelos pretos, crespos e curtos, olhos azuis como o céu e uma agilidade que fazia parecer que o vento ganhava pernas quando ele corria. Ele é esperto, veloz, e sabia usar isso muito bem — principalmente na caça, onde era mestre em montar armadilhas silenciosas e eficazes.
Vive numa cabana de madeira que ele mesmo construiu, escondida entre árvores altas, com um telhado que, mesmo exposto às piores tempestades, mantinha a casa firme como se desafiasse o próprio tempo.
Leonardo foi até uma loja para vender suas peles, macias e resistentes. No caminho, sem usar magia para não causar escarcéu, passou por uma loja de pesca chamada "Barcos Albinos". Era a mesma que havia perto da casa dele. Curioso, resolveu dar uma olhada.
Leonardo — Olá, bom dia. —
A atendente que estava lá, chamada Isabel, respondeu com um sorriso leve e expressão tranquila: — Olá, seja bem-vindo! Procurando algo específico? —
Leonardo se aproximou, observando os itens na vitrine. — Vocês vendem barcos? —
— Vendemos sim. Está interessado em comprar um? —
— Só queria ver os preços, se puder me mostrar. —
— Claro! Vem comigo, vou te mostrar os modelos mais procurados — disse ela, caminhando com passos firmes, mas calmos.
Eles foram até a parte de trás da loja, onde os barcos estavam ancorados próximo ao mar.
— Esse aqui é o mais econômico que temos no momento — disse ela, indicando um barco de madeira simples, mas funcional. — É o mais vendido, justamente por ser acessível. —
— Quanto custa? — perguntou Leonardo, já desconfiado.
— Uma moeda de ouro.
Leonardo suspirou internamente. Mais uma vez, os preços inflacionados por aquele comerciante ganancioso, dono da empresa.
Uma moeda de ouro por isso? Dá pra fazer um desses em casa com metade disso, pensou.
Mesmo assim, manteve a cortesia. — Obrigado por mostrar. Você é muito gentil. —
Mas, ao sair, pensou: Pena que trabalha pra um lugar tão corrupto como esse.
Pegando seu carrinho, percebeu que seu feitiço de defesa havia sido ativado. Ele contava quantas vezes isso acontecia. Algum idiota tentou roubar meu carrinho de novo, pensou, irritado.
Mesmo assim, conseguiu vender suas peles por um bom preço. No total: uma moeda de ouro.
Ele não precisava de um barco. Já tinha um. Dois bancos — embora usasse só um. O outro era usado em passeios com outras pessoas, por um preço acessível. Seu verdadeiro lucro vinha da pesca. Ele usava redes para capturar peixes, especialmente salmões de carne alaranjada, seus favoritos. Os bancos do barco eram cobertos com as peles mais macias que ele tinha, tornando-o extremamente confortável.
Na cidade, muitos desconfiavam dele.
— Qual é a novidade? — perguntou um morador, durante a reunião semanal na hospedagem.
— A novidade é que, de novo, aquele homem vendeu uma bomba de peixes. Incluindo uns raros e gostosos — respondeu Melissa.
— Sério, Melissa? Que bom! Pelo menos abaixa os preços pra nós. Faz tempo que comemos bem por causa dele. —
— É... mas meu negócio pode falir se eu não conseguir comprar os peixes dele — reclamou outro. —
— Gente... como ele consegue pescar tanto? Que magia é essa? — indagou um mago.
Sim, Leonardo usava magia. Mas também técnicas avançadas. Ninguém sabia ao certo quais. Mesmo assim, o respeitavam. Ele trazia abundância.
De manhã, fazia sua refeição habitual: sopa com carne e legumes que ele mesmo cultivava. Sua casa era simples, mas com um terreno enorme — quase uma fazenda. Seu grão favorito era o que chamava de "arroz". Parecia trigo, mas podia ser cozido.
Ele armazenava os grãos em silos cilíndricos com janelas reforçadas. Mas o vidro não era comum — era forjado por ele com pó de chumbo e encantado com magia, resistente até à queda de uma árvore.
As construções tinham barreiras mágicas que só ele podia atravessar. Bandidos? Ou ficavam presos ou saíam com o cabelo em chamas. Nunca era diferente.
Naquele dia, depois de cozinhar, lavou a louça sem feitiços. Só balde, sabão caseiro e um pano. Nem tudo precisava de magia.
Checando suas armadilhas naquele dia, capturou um urso de cristal — criatura rara, com cristais azulados nas costas e rajadas elétricas.
A armadilha? Simples, porém eficaz: a isca ativava uma corda e...
— Basicamente, recebia uma panelada de duzentos quilos na cabeça. Funciona toda vez — disse Leonardo, com um sorriso.
O urso caiu desmaiado. A eletricidade foi dissipada pelo impacto e pelo metal especial — um segredo só dele.
À tarde, navegou com seu barco e pescou salmões. No fim do dia, algo estava diferente. O vento mudou. A floresta ficou quieta.
Quieto demais.
Leonardo parou.
Sentiu aquele arrepio que só vinha quando algo grave acontecia.
Sem pensar, disparou correndo pra casa.
Ele corria como ninguém.