Capítulo 7
O Despertar Sob a Pedra
O desfiladeiro já não era apenas uma formação rochosa.
Ele vibrava.
A energia que antes era pulsação distante agora era corrente ativa.
O cristal central — rachado pelo impacto combinado de Ren, Aoi e Daichi — começou a emitir fissuras de luz azul que percorriam o chão como veias acesas.
Mais três guardiões emergiram.
Depois mais dois.
As armaduras de pedra rangiam como engrenagens antigas sendo forçadas a se mover após séculos.
Ren limpou o sangue do canto da boca.
— Quantos mais?!
Daichi analisava o padrão.
— Eles não estão surgindo aleatoriamente. Estão sendo chamados.
Aoi sentiu primeiro.
Algo abaixo.
Muito abaixo.
Mais profundo que os outros.
Mais pesado.
E muito mais consciente.
—
A Segunda Onda
O primeiro dos novos guardiões veio com impacto direto.
Ren desviou por pouco.
A parede atrás dele explodiu em estilhaços de rocha.
Daichi criou três linhas de energia no chão, tentando cortar a mobilidade das criaturas.
Funcionou parcialmente.
Dois deles perderam estabilidade.
Mas o terceiro atravessou as linhas como se fossem cordas frágeis.
Aoi avançou com velocidade superior à anterior.
Sua energia dourada agora estava mais concentrada.
Ela cortou a articulação do joelho de um guardião.
Dessa vez não houve regeneração imediata.
Ela percebeu.
— O núcleo mudou de posição!
Daichi gritou:
— Está alternando entre eles!
O cristal central estava redistribuindo energia entre os guardiões ativos.
Eles não enfrentavam unidades individuais.
Enfrentavam um sistema.
Ren fechou os olhos por meio segundo.
Escutou.
Não com os ouvidos.
Mas com a energia.
Ele sentiu o fluxo.
A troca.
O ritmo.
Quando abriu os olhos, avançou sem explicar.
Ele ignorou o guardião à frente e correu direto para o segundo à esquerda.
Desferiu um golpe direto no peito.
Nada aconteceu.
Então ele mudou o ângulo no último segundo e atingiu a base do pescoço.
O núcleo brilhou ali por um instante.
Impacto.
O guardião explodiu em fragmentos.
Daichi arregalou os olhos.
— Ele previu o deslocamento do núcleo…
Ren respirava pesado.
— Não foi previsão.
Foi instinto.
—
O Despertar do Elite
O chão parou.
Por um segundo.
Depois…
Afundou.
Uma rachadura enorme abriu no centro do desfiladeiro.
Os guardiões menores congelaram.
Como soldados aguardando comando.
Da fissura emergiu algo diferente.
Não era apenas pedra.
Era estrutura refinada.
Armadura esculpida com símbolos antigos.
Altura quase o dobro dos outros.
O núcleo não era azul claro.
Era azul profundo.
Quase violeta.
O Guardião de Elite.
Ele não correu.
Não atacou.
Ele apenas deu um passo.
E o impacto daquele passo derrubou Ren de joelhos.
A pressão espiritual era esmagadora.
Daichi mal conseguia respirar.
Aoi tentou se mover.
As pernas não responderam por um instante.
O Elite levantou o braço.
A energia do cristal central foi completamente absorvida por ele.
Os outros guardiões pararam.
Desativados.
Agora era só ele.
—
Primeira Investida
Ren avançou primeiro.
Não por estratégia.
Mas porque não sabia ficar parado.
Ele concentrou toda energia nos punhos.
Golpe frontal.
O impacto foi como socar uma muralha viva.
O Elite nem se moveu.
Mas respondeu.
Um único soco descendente.
Ren bloqueou.
O chão sob seus pés cedeu.
O braço dele quase quebrou.
Aoi entrou pela lateral.
Corte preciso no núcleo visível no peito.
A lâmina espiritual bateu.
E ricocheteou.
Daichi analisava desesperadamente.
— O núcleo está protegido por camada externa! Precisamos quebrar a armadura primeiro!
O Elite girou o braço.
A onda de choque lançou os três para direções diferentes.
Ren rolou pelo chão, levantando-se com dificuldade.
Ele estava no limite.
Mas algo dentro dele começava a responder diferente.
Não era descontrole.
Era aprofundamento.
A energia dele não estava mais se espalhando de forma caótica.
Ela estava sendo comprimida.
Densa.
Pesada.
—
Sincronização Forçada
Aoi percebeu primeiro.
— Ren! Para de tentar atravessar!
Ele olhou para ela.
Ela apontou.
— A base das costas!
Daichi entendeu.
— A armadura ali é menos espessa!
O Elite avançou novamente.
Ren correu direto para frente.
Chamando atenção.
Golpes sucessivos.
Desordenados.
Mas intencionais.
O Elite respondeu com força bruta.
Enquanto isso, Aoi saltou alto.
Daichi concentrou energia no chão.
Criou uma elevação súbita sob o pé do Elite.
O desequilíbrio foi mínimo.
Mas suficiente.
Aoi girou no ar.
Toda energia dourada concentrada na lâmina.
Corte descendente na base das costas.
A armadura rachou.
Ren viu.
E naquele instante, ele sentiu algo diferente.
Algo como… reconhecimento.
Não da criatura.
Mas de algo observando.
Ele avançou.
Toda energia comprimida no punho direito.
Impacto direto na rachadura.
O núcleo ficou exposto por um segundo.
Daichi lançou a descarga final.
A explosão foi interna.
O Guardião de Elite congelou.
Rachaduras percorreram todo o corpo.
E então ele se desfez.
Silêncio absoluto.
A poeira desceu lentamente.
Ren caiu de joelhos.
Exausto.
Mas foi ele quem mais avançou.
Quem mais suportou o peso.
Quem mais pressionou.
—
A Presença
No topo do desfiladeiro.
Muito acima.
Alguém observava.
Silhueta esguia.
Cabelos longos e claros balançando suavemente com o vento.
Rosto sereno.
Olhos que não demonstravam surpresa.
A batalha havia sido teste.
E o resultado…
Interessante.
Ele virou levemente o rosto quando Ren ergueu o olhar.
Por um segundo.
Os olhos deles se encontraram à distância.
E então a presença desapareceu.
Não como fuga.
Mas como quem decidiu que já viu o suficiente.