Capítulo 89 — O Início do Fim
Luz.
Fraca.
Fria.
Isamu abre os olhos.
O teto da cela.
O mesmo de sempre.
Mas… algo está diferente.
O ar.
Pesado.
Silencioso demais.
Ele permanece deitado por alguns segundos.
Respiração lenta.
E então…
A lembrança vem.
— …
Hoje.
O corpo dele endurece.
Os olhos se abrem mais.
— Chegou…
A voz sai baixa.
Quase sem vida.
— Tudo… acaba aqui.
Silêncio.
Ele não chora.
Não grita.
Só aceita.
O som de passos ecoa pelo corredor.
Firmes.
Decididos.
E então—
CLANG.
A porta da cela se abre com força.
A luz invade o espaço.
Um guarda.
— Levanta.
Sem tempo.
Sem escolha.
Isamu tenta se apoiar.
Mas o corpo falha.
Ele é puxado.
Sem cuidado.
As correntes fazem barulho.
Metal arrastando.
Ele é arrastado pelo corredor.
Sem dignidade.
Sem pausa.
O chão frio passa rápido sob seus pés.
Escadas.
Corredores.
Portões.
Até que…
Luz.
Forte.
Aberta.
Celestria.
Mas não a cidade viva de antes.
Hoje…
Ela observa.
Isamu é levado até a base de uma grande estrutura.
Uma torre.
Alta.
Imponente.
Um altar no topo.
O local da execução.
E então—
Uma presença.
Ao lado dele.
Passos calmos.
Elegantes.
Tan Yang.
Sorrindo.
— Então…
Ele olha de canto para Isamu.
— Chegou o grande dia.
Isamu não responde.
Os olhos vazios.
Yang continua caminhando ao lado dele.
— Hoje…
Uma pausa.
— Tudo acaba.
O sorriso cresce.
— Você morre.
Silêncio.
— Como um pirata…
O olhar dele desce.
— Para esses imundos da Igreja.
Uma pausa.
— Mas como traidor…
Os olhos sobem novamente.
— Para Aetheryon.
Isamu fecha os olhos por um segundo.
Mas não responde.
Não tem mais o que dizer.
Eles chegam às escadas.
Longas.
Que levam ao topo.
Yang sobe primeiro.
Passo por passo.
Sem pressa.
Como se aproveitasse cada segundo.
Isamu é puxado logo atrás.
Correntes arrastando.
Degrau por degrau.
O som ecoa.
Até que—
O topo.
E então…
O mundo.
Abaixo deles.
Uma multidão.
Gigante.
Pessoas.
Centenas.
Milhares.
Olhos voltados para cima.
Esperando.
Ansiando.
Yang caminha até o centro.
Abre os braços levemente.
E então—
— Olá… Celestria.
A voz dele ecoa.
Amplificada.
Dominante.
A multidão responde.
Gritos.
Aplausos.
Euforia.
Yang sorri.
— Eu sou grato…
Uma pausa.
— Por todos que vieram hoje.
O tom é calmo.
Controlado.
— Porque hoje…
Ele levanta um pouco a mão.
— Eu tenho uma surpresa.
Murmúrios.
Expectativa.
— Me digam…
Ele caminha lentamente.
— Vocês conhecem…
Uma pausa dramática.
— Os Kurotsume?
A multidão reage.
Vaias.
Gritos.
— Piratas!
— Ladrões!
— Assassinos!
Yang observa.
Satisfeito.
— Um bando sujo…
— Que invade cidades…
— Assusta civis…
— Rouba…
— Destrói…
Ele para.
— Vocês querem…
A voz sobe.
— O fim deles?
Silêncio por um segundo.
E então—
— SIM!
O grito vem em massa.
Explosivo.
A multidão entra em euforia.
Yang levanta a mão.
— Calma…
Aos poucos, o barulho diminui.
— Infelizmente…
Uma pausa.
— Eu ainda não posso acabar com todos.
Murmúrios.
— Ainda.
O sorriso volta.
— Mas…
Ele vira levemente o corpo.
— Eu trouxe um presente.
Os olhos da multidão se focam.
— Um deles.
Silêncio crescente.
— Um Kurotsume.
Isamu é puxado para frente.
As correntes fazem barulho.
Ele é forçado a ajoelhar.
Diante de todos.
Os olhos da multidão caem sobre ele.
— Kurotsume Isamu.
Yang anuncia.
— O mais desconhecido.
Uma pausa.
— Mas não insignificante.
— Aquele que…
O olhar de Yang se afia.
— Lutou contra um Shinpan-kan.
A multidão reage.
Surpresa.
Choque.
— E sobreviveu.
Agora…
Eles olham diferente.
Mas ainda…
Com ódio.
— Hoje…
Yang abre os braços novamente.
— Vocês verão…
— A execução de um Kurotsume.
Explosão.
Gritos.
Insultos.
— Morra!
— Pirata imundo!
— Assassino!
As palavras voam.
Batendo em Isamu.
Mas ele…
Só escuta.
Distante.
Pensando.
Hikari.
Lysera.
O mar.
O bando.
— Acabou…
Ele abaixa a cabeça.
E então—
Yang levanta a mão novamente.
— Eu…
Uma pausa.
— Não serei o executor.
A multidão se acalma.
Confusa.
Yang sorri.
— Hoje…
Ele dá um passo para trás.
— Vocês terão a honra…
— De ver algo maior.
Silêncio.
— População…
A voz ecoa.
— Dêem boas-vindas…
Uma pausa.
— Ao executor.
O vento muda.
Uma pressão desce.
E então—
Do céu.
Uma figura.
Cai.
Pousa no altar.
Com impacto.
Chamas.
Calor.
E então…
Ele.
Kagetsu Arashi.
O Shinpan-kan Número 5.
A multidão explode.
— SHINPAN-KAN!
— É ELE!
— O Número 5!
Euforia total.
Adoração.
Medo.
Respeito.
Isamu levanta lentamente o olhar.
Os olhos se arregalam.
— …
Confusão.
Memória.
A luta.
O fogo.
A derrota.
Kagetsu caminha.
Passos firmes.
Até parar diante dele.
Olhos nos olhos.
E então—
Ele se inclina levemente.
A voz baixa.
Só para Isamu.
— Você é forte.
Uma pausa.
— Eu não menti.
Os olhos dele são sérios.
— Eu admirei sua coragem.
O vento passa entre eles.
— Mas…
Uma pausa.
— Você não se cuidou.
O olhar pesa.
— Veio exatamente…
— Para onde não devia.
Silêncio.
Isamu não responde.
Só encara.
Kagetsu continua.
— Mesmo assim…
Ele fecha os olhos por um segundo.
— Eu respeito isso.
Uma pausa.
— Espero…
Ele abre os olhos.
— Que você vá em paz.
Silêncio.
— Que sua alma…
— Seja perdoada, garoto.
Ele se afasta.
Se vira.
De frente para a multidão.
Yang dá um passo à frente.
Levanta a mão.
— População!
Silêncio imediato.
— Agradeçam…
Uma pausa.
— A presença de um Shinpan-kan.
A multidão explode novamente.
— Kagetsu!
— Kagetsu!
— E hoje…
Yang aponta levemente para Isamu.
— Ele executará…
Uma pausa.
— Este pirata.
O vento sopra.
Forte.
Isamu permanece ajoelhado.
Entre o céu…
E o fim.