Capítulo 9 - Honra, Castigo e o Treino das Cinco da Manhã
03 de Abril – 20:00
Itsuki fechou a porta principal do colégio atrás de si, o som do portão de metal se trancando ecoando na noite silenciosa. A caminhada para casa foi solitária, a mente girando com a imagem daquela janela aberta e da sala vazia. Cada teoria que ele formulava parecia mais absurda que a anterior, mas os fatos estavam ali, inegáveis.
Quando ele finalmente chegou em casa, a luz na entrada estava acesa, um farol de advertência. Ele abriu a porta.
"Tadaima." (Estou em casa.)
"Okaeri." (Bem-vindo de volta.)
A voz de sua mãe, Hana Takeda, veio da sala de jantar. O tom não era caloroso. Era contido, o que era um sinal muito pior. Ele tirou os sapatos no genkan e seguiu para a sala.
Sua mãe estava parada perto da mesa, os braços cruzados, a expressão uma mistura de alívio e clara desaprovação. Seu pai, Ryuunosuke Takeda, estava sentado em sua poltrona, lendo um livro. Ele não ergueu os olhos, mas Itsuki sentiu o peso de sua atenção sobre ele.
"Itsuki", começou sua mãe. "Onde você estava? Já passa das oito horas. Yutaro-kun chegou em casa há horas. Ficamos preocupados."
"Eu peguei uma detenção", disse ele, sem rodeios. Não adiantava tentar esconder as coisas de seus pais. "Uma semana ajudando na limpeza do ginásio depois da aula."
Sua mãe suspirou, o desapontamento evidente. "Uma detenção? Itsuki, no segundo dia de aula? No que você se meteu?"
Foi então que seu pai fechou o livro com um som suave, mas definitivo. Ele finalmente olhou para o filho, o olhar severo e penetrante, uma marca registrada da família Takeda.
"Lutar na escola não é o caminho de um Takeda", disse Ryuunosuke, a voz baixa e firme. "Nós resolvemos conflitos com estratégia e controle, não com selvageria de rua. Você agiu sem disciplina."
"Eu estava defendendo o Yutaro", respondeu Itsuki, com o tom respeitoso, mas sem se desculpar.
"Defender um amigo é um ato de honra", concordou seu pai. "Perder o controle a ponto de ser pego por um professor é uma falha na sua compostura. É uma fraqueza. Você precisa de mais foco."
Itsuki permaneceu em silêncio. Ele sabia que seu pai estava certo, pelos padrões do clã.
"O que é conveniente", continuou Ryuunosuke, "porque seu avô ligou mais cedo. Ele disse que sentiu que sua mente estava... 'barulhenta'."
Itsuki conteve um gemido. Seu avô, o mestre do clã Takeda, tinha uma intuição quase sobrenatural.
Sua mãe se aproximou, o tom agora mais prático, mas ainda severo. "Ele disse que sua postura precisa de correção e que sua mente precisa ser esvaziada. Ele espera por você no dojo amanhã de manhã."
Ela fez uma pausa para máximo efeito.
"Às cinco da manhã. Em ponto."
"Mas meus treinos são às sextas-feiras”, disse Itsuki incomodado, mas aceitando seu fardo.
Cinco da manhã. Isso significava acordar às quatro horas da manhã. Depois de um dia exaustivo de aulas, um confronto com Ayaka, todas as suspeitas sobre Akari, duas idas à sala da diretora e mais de duas horas fazendo a limpeza do ginásio. Era a forma perfeita de terminar o dia.
"Seu jantar está guardado", disse sua mãe, apontando para a cozinha. "Coma, tome seu banho e vá direto para a cama. Você vai precisar de todo o descanso que conseguir."
"Entendido", respondeu Itsuki, fazendo uma pequena reverência para seus pais.
Enquanto subia as escadas para seu quarto, o peso do dia pareceu desabar sobre seus ombros. A exaustão física da limpeza, a fadiga mental dos mistérios e, agora, a perspectiva de um treino brutal com seu avô antes mesmo do sol nascer.
Ele se jogou na cama, com o rosto afundando no travesseiro. Definitivamente, este ano não estava sendo nada entediante. Mas ele começava a se perguntar se sobreviveria a ele.